Sugestões para estrutura de exposição de Betta splendens em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins

É muito comum encontrarmos em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins, Betta splendens expostos de forma, no mínimo inadequada, em pequeno volume d’água, que geralmente está imunda, com restos de alimentos e excretas no fundo.

Este espetáculo deprimente sempre foi alvo de severas críticas, posicionamentos duros e apaixonados por parte de frequentadores das lojas, frequentadores de fóruns, grupos de discussões, redes sociais, protetores dos animais e da natureza. Estas condições estão longe de ser as ideais para a vida e saúde dos animais e depõem negativamente contra a imagem de uma empresa.

Parece não existir regulamentação sobre o tema até o presente momento, estabelecendo regras claras sobre o tema. Se existem, desconheço. Na falta de tal instrumento, apresento sugestões razoáveis, factíveis, economicamente viáveis e tecnicamente aceitáveis:

1) Aquário de vidro, termo-plástico ou acrílico; capaz de acomodar de 2,5/3,0 litros de água. Este aquário expositor deve ter tampa, para evitar acidentes com os peixes, que podem saltar para fora do aquário. Esta tampa também ajuda a manter o ar que está imediatamente acima da superfície da água, relativamente quente. Lembre-se que Bettas respiram essencialmente o ar atmosférico, através de seus labirintos e que são peixes de região geográfica de clima quente.

Padronize o tamanho dos aquários. Esteticamente fica mais agradável para quem explora o expositor e facilita sobremaneira o manejo diário.

2) Evite colocar substrato nestes aquários. Eles dificultam a limpeza de fundo, permitindo que colônias de fungos e bactérias cresçam de forma descontrolada. Além disto, os peixes podem se ferir durante o processo de captura com puçá (redinha).

3) Introduza plantas aquáticas naturais nos aquários. Além do fantástico efeito visual, elas valorizam a cor do peixe e ajudam a manter a saúde da água do aquário. Plantas que se alimentem de nutrientes existentes na água e que sejam pouco exigentes com relação a iluminação, tais como: Vesicularia dubyana, Pseudotaxiphylium distichaceum, Najas indica, Hydrila verticillata, Nymphoides aquatica, Ceratophyllum demersum, Elodea densa, etc.

4) Estes aquários devem ficar lado a lado. Mantenha uma folha de papel obstruindo 2/3 da área de visão dos peixes. Assim sempre que avistarem os peixes dos aquários vizinhos (e isto não acontecerá o tempo todo, ao ponto de gerar estresse para os animais), ficarão se exibindo uns aos outros, exibindo suas cores e formas exuberantes, defendendo seus respectivos territórios, viris, interessados em procriação e muito provavelmente nidificando.

5) Promova limpeza de fundo nos aquários todos os dias, com a ajuda de uma pipeta ou sifão. Remova excretas e restos de alimentos.

6) Promova TPAs (Trocas Parciais de Água) de aproximadamente 30% da água a cada 2 ou 3 dias. Use água isenta de cloro e metais pesados. Uso de condicionadores de água são recomendáveis. A adição de sal-grosso (de churrasco), na proporção de 1g/litro de água é recomendável. O sal é um bactericida natural, que em pequena dosagem, de forma preventiva, fará muito bem ao animal.

7) Monitore constantemente os parâmetros da água. Principalmente sua temperatura e pH. Promova correções, se necessário for, ajustando estes parâmetros, para os níveis tolerados pela espécie. Sempre de forma bem lenta.

Em regiões geográficas onde acontecem mudanças bruscas de temperatura ao longo do mesmo dia, em pequenos intervalos de tempo é recomendável a instalação de aquecedores nas betteiras, compatíveis com o volume de água, controlados por termostato.

É sempre bom reforçar que é menos estressante para o animal, adaptá-lo ao pH da água que você pode oferecer a ele, de forma bem lenta, do que ficar tentando colocar a água em algum parâmetro específico que você entenda ser o ideal. Lembre-se que você, provavelmente, irá comercializar estes peixes na sua região geográfica, para aquaristas que fazem uso da mesma fonte hídrica (água doce), que sua loja tem acesso e é para esta água (parâmetros) que você deve adaptar os peixes, para que eles se adaptem com menos estresse ao manejo que seus clientes possivelmente darão aos peixes comercializados por sua loja.

8) Ao embalar o peixe para seu cliente, procure usar a água da betteira de exposição, meça o pH e temperatura da água no momento da embalagem, escreva esta informação no saquinho plástico (use caneta de tinta permanente). De preferência faça isto com o acompanhamento do cliente, oriente-o a adaptar o peixe para parâmetros similares, de forma bem lenta, em seu destino. Ofereça ao cliente a mesma ração que você costuma alimentar os animais, para facilitar a adaptação do animal ao novo manejo. Mesmo que seja um bocadinho da ração, suficiente para uma adaptação para outra ração que o cliente prefira oferecer aos seus peixes.

9) Cuidado com seu manejo sanitário. Mantenha os puçás em solução de água sanitária ou água com grande concentração de sal e enxágüe-os muito bem antes de introduzí-los nas betteiras. Lave suas mãos muito bem antes de introduzí-la na água de um aquário.

10) Sempre que você receber um novo lote de Bettas em sua loja, procure mantê-los em quarentena, numa área reservada. Observe a vitalidade dos animais, coloração, apetite, etc. Suspeitando de problemas, peça ao veterinário responsável por sua loja, para examinar os animais, antes de oferecê-los ao público.

Perceba que todas as sugestões apresentadas são perfeitamente factíveis. Melhoram substancialmente as condições ambientais para os animais e sua saúde, podem reduzir as perdas de exemplares dentro do seu estabelecimento e consequentemente reduzem prejuízos. Por outro lado, aumentam suas chances de venda, aumento no nível de satisfação dos clientes, cria-se uma imagem positiva do seu estabelecimento para os frequentadores da loja, fidelizando-os. Mesmo na eventual falta de regulamentação, use o bom senso, pense na sua responsabilidade para com os animais que decidiu expor e vender em sua loja e trabalhe na construção de um “case” de sucesso (da SUA empresa).

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Especiais agradecimentos aos colegas (criadores da espécie, representantes de associações de criadores, lojistas, biólogos, veterinários, pesquisadores e operadores do direito), que muito contribuíram para a construção desta proposta (em ordem alfabética): John Klaus Kanenberg, Lorena Felisberto Goulart Pereira, Luiz Guilherme (Wyatt), Marcelo Assano, Max Wagner Saches Lucas, Ricardo Assunção, Ricardo Liang, Robert dos Santos, Roberto de Souza Godinho, Rodrigo Dutra, Thiago A. V. Cruz, Wesley Mendes, Wilson de Oliveira Vianna.

Como escolher um peixe saudável?

Nota do editor: As dicas do autor se aplicam também aos Betta splendens, com as devidas adaptações, pois os exemplares machos desta espécie são expostos em aquários individuais (betteiras) nas lojas de aquarismo.

A hora de irmos às lojas de aquarismo comprar os peixes é, sem sombra de dúvidas, a mais excitante. Depois de meses planejando o aquário, comprando os equipamentos, montando-o perfeitamente e esperando ciclar é a vez de adquirirmos os protagonistas que tanto almejamos. Porém algumas vezes, seja por descuido ou distração, seja por negligência ou falta de conhecimento, acabamos por comprar peixes que estão contaminados com alguma enfermidade, logo o caos acontece: aquele peixinho que estava doente contamina todos os outros que estavam saudáveis e as mortes começam, algumas vezes dizimando toda a população do aquário. Isso acaba desmotivando e até afastando os mais entusiastas desse incrível hobby.

Mas é mais fácil do que se costuma imaginar evitar esses tipos terríveis de problemas, tomando medidas preventivas simples e fáceis. Qualquer um é capaz de tomá-las e caso se tornassem regras obrigatórias, o número de desastres no aquarismo seria reduzido no mínimo em 50%. Essas medidas aplicam-se tanto para aquários que já possuem peixes quanto para os ainda não populados.

A primeira trata-se de um conjunto de pequenas observações a serem feitas visualmente e a segunda da obtenção de um aquário quarentena. Essas duas medidas juntas formam uma barreira 98% segura, confiável e fácil.

Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.
Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.

Para facilitar ainda mais o entendimento, as medidas foram organizadas em vários pontos separados e bem claros:

  • Observe sempre muito bem os peixes nas baterias de aquários de exposição, fique atento e não deixe os detalhes para trás, ele fazem diferença no final;
  • Se você já sabe a espécie de peixe que deseja comprar, vá até o aquário e observe todos os peixes nele contidos, mesmo que não sejam a espécie pretendida, procure por peixes ativos, coloridos, com as nadadeiras abertas, escamas brilhantes, pele lisa, respiração e comportamento normal;
  • Não compre os peixes se eles estiverem com pontos brancos espalhados pelo corpo, manchas brancas, tufos brancos como algodão, feridas/machucados/tufos na boca ou no corpo, nadadeiras roídas, faltando escamas, pequenos vasos sanguíneos dilatados tanto pelo corpo como pelas nadadeiras, com ânus inchado;
  • Não compre o peixe se ele estiver se comportando de forma diferente do habitual, se estiver isolado do grupo e escondido, se estiver com a barriga para dentro (em forma de arco), se estiver com a respiração ofegante (o peixe está sempre na superfície), o peixe estar de barriga para cima ou com ela muito inchada, acima do normal;
  • Não compre o peixe logo que o lojista o trazer da distribuidora, espere uns 2 a 3 dias, pois o estresse da viagem pode disfarçar assim como pode criar algum sintoma que não existe;
  • Uma dica útil é antes de comprar os peixes pedir para o lojista alimentá-los, você consegue descobrir duas coisas importantes de uma só vez: se o peixe não se alimentar pode estar certo de que tem algum problema e se o peixe realmente está comendo a ração (é comum os lojistas indicarem um alimento diferente do habitual, logo quando chega em casa os peixes simplesmente não comem) pois algumas espécies só comem alimentos vivos, por exemplo;
  • Confira a presença de sistema de filtragem, seja individual por aquário ou um grande filtro para a bateria inteira. A exposição mesmo que temporária a amônia, nitrito e nitrato pode enfraquecer os peixes, deixando-os suscetíveis a doenças. Termostato com uma temperatura regulada e fixa também é muito importante;
  • Observe se os aquários são separados por vidros ou por apenas telas furadas, que permitem que a mesma água circule diretamente por todos os aquários. Isso é muito arriscado porque se um adoecer pode transmitir sua moléstia para todos os outros peixes, por estarem em contato com a mesma água;
  • Mesmo que o lojista recomendar, não aplique fungicidas, bactericidas ou parasiticidas na água dos seus peixes, nem como medida preventiva. Isso é muitíssimo perigoso pois pode intoxicar seus animais e também até matá-los;
  • Mantenha sempre que possível um aquário extra que sirva de quarentena, ele não precisa ser muito grande e deve conter sistema de filtragem com perlon e mídias biológicas. Não coloque carvão ativado ou purigem, pois podem absorver possíveis medicamentos. Sempre que comprar um peixe novo, deixe-o neste aquário por um período de 40 até 60 dias, pois existem muitas doenças que só se manifestam após muito tempo do peixe contaminado. E faça isso mesmo que seguido os passos anteriores.

Tenha sempre um aquário de quarentena: ainda é possível transformar esse aquário em hospital, caso algum peixe ainda assim fique doente; em maternidade, caso algum peixe venha a se reproduzir e em depósito de água emergencial caso precise fazer uma TPA urgente ou caso o aquário quebre, por exemplo.

Assimile essas dicas e passe a usá-las no seu dia-a-dia. Isso garantirá um aquário equilibrado e estável, com peixes saudáveis que viverão por muitos e muitos anos, dando a seus criadores inúmeras alegrias.

Um último recado: lembrem-se sempre, é muito melhor prevenir agora do que ter que remediar depois.

Mateus Camboim

Autorização de Publicação Aquaflux
Artigo publicado originalmente no website Aquaflux, em 12/05/2011 – Reprodução autorizada pelos mantenedores do website.

 

Descarte técnico de Betta splendens

Na criação de Betta splendens, em função do tamanho das ninhadas, estrutura da estufa (espaço), disponibilidade de tempo para cuidar dos animais, possibilidade de investimento financeiro no manejo dos peixes (equipamento, ração, alimentos vivos, saúde animal, etc), o descarte técnico é uma fonte de preocupação constante para criadores hobbystas.

Em média, cada ninhada da espécie gera de 300 a 400 larvas e dependendo do manejo do criador, a grande maioria delas, é capaz de chegar até a idade adulta. Para quem desenvolve trabalho genético, dificilmente aproveita-se mais que 10 indivíduos desta ninhada, entre machos e fêmeas, que possuam determinadas características específicas, buscadas e desejadas pelo criador, para dar continuidade ao trabalho genético, salvo raras exceções. Servir de matriz, para novos acasalamentos.

O restante é considerado descarte técnico, pelo desenvolvedor da linhagem. A grande maioria dos peixes considerados descartáveis, é composta de peixes lindos, fisicamente perfeitos, saudáveis e de grande potencial genético. Apenas não estão entre o seleto grupo de peixes que se destacaram na ninhada, para determinadas características.

Então, que fim dar a estes peixes? Como viabilizar a pesquisa e trabalho genético e ao mesmo tempo dar fim adequado, nobre e responsável para o que resta da ninhada?

Eis algumas sugestões factíveis:

  • O caminho natural e imediato, que a maioria de nós já empregou, foi a distribuição destes peixes para parentes e amigos, para pessoas que se simpatizam com a criação de peixes, em especial por Betta splendens, e desejam ter um mascote em casa, ou no local de trabalho. É óbvio que este universo de pessoas é limitado e também que estas pessoas estão dispostas a absorver apenas um pequeno grupo destes peixes. Você precisa respeitar e entender suas limitações.
  • Saiba que clínicas médicas/hospitais podem ser um bom caminho para dar fim nobre aos peixes. Procure terapeutas ocupacionais de sua cidade, peça orientações de como e onde fazer estas doações. Pessoas emocionalmente carentes, fisicamente debilitadas, se renovam, se estimulam muito com a companhia de mascotes. Você resolve seu problema e faz muita gente feliz.
  • Escolas também podem ser um bom canal de distribuição dos peixes, principalmente se houver interação com a direção e professores, de forma a transformar o recebimento dos peixes, em tema educacional (ciências, matemática, geografia, história, português, etc). As possibilidades de se trabalhar em torno deste tema, são praticamente infinitas.
  • Existe o caminho da venda, para lojistas e diretamente aos consumidores finais (feiras, shows, internet, etc). Para tal é preciso se adaptar à legislação vigente, ser capaz de emitir nota fiscal de venda (constituir uma pessoa jurídica – vide possibilidade de se tornar um empreendedor individual), obter laudo de sanidade animal com um médico veterinário local e guia de transporte animal (GTA).

De forma drástica, e em último caso, no meu entender, sacrifique os animais:

  • Colocando-os na cadeia alimentar de carnívoros maiores confinados em aquários [O Oscar, também chamado de Apaiari (Astronotus ocellattus), por exemplo];
  • Colocando-os em recipientes com água e levando-os ao congelador. O frio fará com que a temperatura corporal dos animais caia, fazendo com que eles fiquem anestesiados, e acabem morrendo da forma menos traumática para eles;
  • Se preferir, pode pedir que um médico veterinário faça isto por você, usando métodos que estejam de acordo com a resolução número 714, de 20 de junho de 2002, do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Você NÃO deve soltar seus peixes diretamente em ambientes naturais ou artificiais (rios, córregos, lagoas, represas, açudes, canais, etc).

Soltura de espécies exóticas na natureza é crime e pode provocar desequilíbrio populacional ou até mesmo extinção completa das espécies nativas naquele habitat. Imagem meramente ilustrativa.
Soltura de espécies exóticas na natureza é crime e pode provocar desequilíbrio populacional ou até mesmo extinção completa das espécies nativas naquele habitat. Imagem meramente ilustrativa.

NUNCA libere seus peixes vivos pela descarga sanitária de casa. Agindo assim, você estará cometendo um crime ambiental, previsto na lei brasileira (Lei 9605 de 1998). Lembre-se, você cria uma espécie exótica (Betta splendens) e não deve introduzí-la na natureza, desestabilizando as espécies nativas, de forma irresponsável.

Fontes:

  • CORTIZO, Bernardo. Descarte de peixes ornamentais interfere no meio ambiente. Universidade Federal de Pernambuco.
  • MAGALHÃES, André Lincoln Barroso de. Introdução de espécies exóticas por aquariofilia. Centro Universitário UNA, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre/UFMG.
  • MAGALHÃES, André Lincoln Barroso e BARBOS, Newton Pimentel de Ulhôa. Peixes de aquário: animais de estimação ou pestes? Ecosíndico

Como comprar Betta splendens

Existem alguns procedimentos básicos e importantíssimos para efetuar compras de Betta splendens. Seja em estabelecimentos comerciais, ou diretamente com criadores que desenvolvam linhagens especiais.

Betta splendens Yellow ST|LT|HM|Male
Betta splendens Yellow ST|LT|HM|Male

Comprando numa loja física/virtual:

Para compra presenciais (loja física):

  1. Observe a higiene e limpeza do estabelecimento comercial. Observe o cuidado com que tratam os animais;
  2. Selecione o peixe que se movimenta bastante na betteira (no aquário) e que, de preferência, já esteja nidificando (construindo ninho-bolha), se for exemplar macho. O peixe deve ter aparência saudável. Evite comprar peixe apático, pois pode estar doente;
  3. Peça ao atendente que alimente o peixe. Observe que alimento é oferecido, repare como o peixe reage à oferta de alimento. O peixe deve avançar em direção da comida, com vontade. Se o comportamento for de indiferença, aborte a compra deste exemplar;
  4. Se for exemplar macho, peça ao atendente que aproxime a betteira (o aquário) do peixe escolhido à outra betteira (aquário) contendo outro exemplar da espécie, de preferência outro macho. Observe a reação do peixe. Ele deverá se armar todo (fazer display), para combater o oponente que se aproxima de seu território, exibindo todo o esplendor de suas cores, nadadeiras e opérculo abertos. Se o comportamento for de apatia, aborte a compra deste exemplar;
  5. Acompanhe a embalagem do peixe. Cuide para que ele seja embalado para transporte, na mesma água onde estava exposto. Na embalagem observe se existe água suficiente para cobrir duas vezes o corpo do peixe, no mínimo, e ar suficiente para o peixe respirar – Betta splendens saudável e bem embalado, aguenta mais de 10 (dez) dias nesta condição, se for extremamente necessário. O saco plástico usado para transporte deve ter as suas pontas presas com fita adesiva, dando-lhe um formato arredondado, para impedir que o peixe fique preso na embalagem e acabe morrendo no transporte.

Para compras virtuais:

  1. Apresente ao lojista todas as perguntas necessárias para lhe ajudar no processo de compra. Exija fotos de boa qualidade, mostrando o peixe comparado à uma escala métrica, se possível, exija vídeo onde seja possível avaliar o comportamento ativo do animal, espírito territorial, apetite, etc;
  2. Exija do lojista que explicite sua política de reposição de peixe que eventualmente não esteja de acordo com o que foi comprado ou que não chegou vivo no destino e quem vai assumir os custos de transporte, laudo veterinário e pagamento de guias envolvidas nestes casos;
  3. Exija que o lojista especifique a forma de remessa e em hipótese alguma aceite receber sua encomenda pelos Correios, é proibido o transporte de animais vivos por este meio, evitando processos administrativos/judiciais e pesadas multas.
  4. Por consequência, o(s) animal(ais) adquiridos serão enviados por transporte rodoviário e/ou aéreo e os animais precisam estar acompanhados de laudo veterinário de sanidade e guia de transporte animal, então questione o lojista quanto aos custos extras envolvidos e à quem caberá pagá-los. E no recebimento da encomenda, exija tais documentos pagos por você, direta ou indiretamente. Atenção!: Estas exigências estão sujeitas à mudanças, novas portarias governamentais podem mudar tais procedimentos, sem prévio aviso.

Dicas Úreis:

  • Saiba que este processo de embalagem, transporte, chegada num novo ambiente, adaptação ao novo manejo, estressa demais o peixe e este é o caminho para que doenças se manifestem. Procure minimizar o estresse do peixe;
  • Não se iluda com o tamanho do peixe. Geralmente Betta splendens enormes, expostos em lojas, já são exemplares em fim de carreira, descarte de criatórios. Se você pretende acasalar o peixe, pior ainda, pois sua nadadeira caudal enorme e pesada dificulta os seus movimentos e o acasalamento, cansa o peixe. Escolha peixes jovens, possivelmente menores;
  • Se o estabelecimento comercial oferece aos peixes que estão em exposição para venda, um alimento diferente daquele que você costuma oferecer aos seus peixes, no seu manejo habitual,  compre um pouco do alimento usado pela loja, para ajudar o peixe em sua adaptação ao novo alimento que você costuma usar.

Comprando de um criador que desenvolve linhagens especiais:

  1. Procure previamente referências sobre o criador. Procure saber se ele é idôneo e ético. Se cria peixes com boa genética. Se costuma entregar exatamente o que oferece para compra;
  2. Exija do criador a especificação da linhagem do peixe escolhido. Se possível, que forneça informações sobre os ascendentes do peixe. Só assim você evitará grandes surpresas nascidas nas ninhadas;
  3. Exija do criador o envio prévio de foto do peixe escolhido, de boa qualidade, onde apareça uma escala métrica para que você possa ter uma idéia clara do tamanho do peixe. Foto que lhe permita confirmar, no recebimento, se de fato recebeu o que negociou com o criador/vendedor;
  4. Negocie antes do despacho da encomenda, a reposição de peixe que não esteja de acordo com o que foi comprado ou que não chegou vivo no destino e quem vai assumir os custos de transporte, nestes casos. Sabendo que obviamente estas exigências irão impactar no preço final do peixe e nem poderia ser diferente.

Dicas Úteis:

  • Tenha em mente que algumas linhagens são decorrentes de anos de trabalho genético e pesquisa, e que você estará pegando um “peixe pronto”, como se costuma dizer no jargão de criadores. Então é óbvio que o preço do peixe não pode ser comparado ao preço de um peixe Cauda de Véu (Veil Tail),  costumeiramente encontrados para venda, em lojas de aquários e pet shops. Então, não cometa a deselegância de fazer este tipo de comparação com o vendedor, nem dizer que o peixe dele é caro. Simplesmente agradeça a atenção e procure outro criador/vendedor para comprar a linhagem que você procura, que tenha qualidade de peixes comparáveis ao criador/vendedor anterior e preços que se encaixam no seu orçamento. Deixe que a lei de oferta e procura cuide da política de preços do criador/vendedor anterior; 
  • Não aceite que seu peixe seja enviado pelos Correios (serviço expresso de postagem de encomendas), pois é proibido transportar animais vivos por este meio. Evite processos administrativos/judiciais. (Meios alternativos: aéreo, rodoviário – se o prazo de entrega da transportadora escolhida for pequeno);
Recebimento de sua encomenda (Imagem meramente ilustrativa - Foto: Unknown).
Recebimento de sua encomenda (Imagem meramente ilustrativa – Foto: Unknown).
  • Exija que os peixes sejam enviados, acompanhados de nota fiscal, laudo de sanidade animal – emitido por veterinário e guia de transporte animal (GTA). Esta é uma exigência legal para transporte de animais vivos. É evidente que este laudo e esta guia de transporte vão lhe custar alguma coisa (valores variam de vendedor para vendedor – procure a opção que melhor lhe convier), mas saiba que o custo é fixo por emissão, não importando se você vai transportar apenas um peixe, ou algumas centenas deles). Atenção!: Estas exigências estão sujeitas à mudanças, novas portarias governamentais podem mudar tais procedimentos, sem prévio aviso;
  • Quando o peixe encomendado chegar ao destino, antes de abrir a caixa, providencie uma fotografia da mesma, exibindo o estado em que chegou a embalagem. Tomando o cuidado de deixar visível e legível o endereçamento impresso na caixa;
  • Ao abrir a caixa, se você se deparar com peixe morto), não viole o saquinho plástico de transporte. Fotografe o peixe, dentro do saquinho e entre em contato imediatamente com o criador/vendedor, para fazer valer o que foi combinado no momento da compra;
  • Não faça economia porca com o transporte. Escolha meio de transporte rápido, afinal quanto antes sua encomenda chegar, menos estressado ficará o peixe;
  • Peça para o criador/vendedor despachar a encomenda, preferencialmente numa segunda ou terça-feira, no máximo. Isto para não correr o risco da encomenda ficar retida num depósito de transportadora num final de semana inteiro;
  • É boa prática, por parte do criador/vendedor, dar uma reforçada na alimentação do peixe, antes de despachá-lo e 3 (três) dias antes do despacho, deixar de alimentá-lo, para diminuir o volume de excretas na água, no período de transporte. Isto permitirá que a água se mantenha limpa e mais saudável, por mais tempo. Exija que ele proceda com estes cuidados;
  • Peça para o vendedor/criador lhe vender um pouco da ração que ele costuma oferecer ao peixe, se não é a mesma que você costuma oferecer aos seus peixes. Isto para ajudar o peixe a se adaptar ao novo alimento usado habitualmente em seu manejo.