Cultivando vermes-do-vinagre

Turbatrix aceti ou Anguillula aceti: Vermes-do-vinagre, também conhecidos como enguias-do-vinagre, são nematóides aquáticos diminutos (1 a 2 mm) [Vide Foto 1].

Eles aparecem naturalmente em barris de vinagre não pasteurizados, alimentando-se de bactérias existentes no processo de fermentação, e são excelentes para alimentar larvas de quase todas espécies de peixes de aquário. Principalmente para larvas minúsculas como de Betta splendens, por exemplo.

Os vermes-do-vinagre são mais compridos que a artêmias recém-eclodidas (náuplios), mas têm um diâmetro menor – os peixes conseguem comê-los antes de conseguirem comer náuplios de artêmias. No aquário os vermes irão deslocar-se com qualquer corrente, mas se não existir corrente, irão subir à superfície (uma grande vantagem sobre os microvermes que se concentram no fundo, onde acabam morrendo em poucas horas).

Como todo verme branco, são constituídos de maior quantidade de lipídios (gordura), que tem função energética e para que nutricionalmente funcionem bem, devem ser associados a alimentos vivos mais proteicos como: daphnias, moinas, alonas; e depois que as larvas crescerem mais, até com náuplios de artêmias franciscanas (estes mais ricos em proteína, mas pobre em lipídios).

Os lipídios fornecem energia ao corpo, enquanto que as proteínas fornecem aminoácidos importantes ao crescimento.

Também podem ser utilizados para estimular o instinto de caça dos alevinos de bettas, pois não resistem à frenética movimentação deles.

A principal vantagem do verme-do-vinagre em relação a outros usuais micro-organismos oferecidos para alevinos atualmente (ex.: microvermes e náuplios de artemias salinas), é a sua capacidade de se manter vivo fora do meio de cultura (vinagre de maça), por muito mais tempo, dentro do aquário. Isto se não for devorado de imediato. Apenas não se multiplica. Graças a isto, não suja/contamina a água, caso você erre a mão na quantidade oferecida, evitando as complicadas e necessárias sifonagens e TPAs, para limpeza de fundo e água, tão comuns e nada raras, quando se oferece microvermes e náuplios de artêmias salinas, em quantidade exagerada.

Para cultivar dispensam cuidados resistindo por muito tempo caso se esqueça da cultura, não precisando abrir para troca de ar nem repor alimentos com freqüência.

Para cultivar você vai precisar [Vide Foto 2]:

  1. 1 inóculo de cultura;
  2. 750 ml de vinagre de maça (normalmente uso da marca/fábrica Castelo);
  3. 1 maça vermelha mediana (fruta fresca);
  4. 250 ml de água descansada, isenta de cloro e metais pesados;
  5. 1 vidro transparente de boca larga de aproximadamente 1,3 litros, com tampa;
  6. 1 pedaço de meia-de-nylon feminina, para tampar a boca do vidro (evitar predadores);
  7. 1 pedaço de elástico de costura, para fixar esta meia na boca do vidro;
  8. 1 puçá de nylon 180 ou 200 fios.

Iniciando a cultura:

  1. Misture no vidro o vinagre de maça (750 ml) e a água (250 ml);
  2. Corte a maça vermelha mediana em fatias e coloque-as no meio de cultura que você acabou de preparar;
  3. Abra o saquinho plástico que contém o inóculo da cultura, dobre o plástico de forma a deixar uma gola suficiente para permitir que o saquinho fique boiando no meio de cultura;
  4. Coloque o saquinho do inóculo boiando no meio de cultura por 30 minutos. Tempo mais do que suficiente para equalizar a temperatura do inóculo, com a temperatura do meio de cultura [Vide foto 3];
  5. Feita a equalização da temperatura dos líquidos, vamos iniciar a equalização do pH. A cada 30 minutos adicione um pouco do líquido do meio de cultura no saquinho plástico que contém o inóculo, até dobrar o seu volume;
  6. Feche a boca do vidro com o pedaço de meia-de-nylon feminina, com a ajuda de um pedaço de elástico de costura;
  7. Identifique a data de início da cultura, para seu controle e acompanhamento;
  8. Deixe a tampa do vidro repousando sobre a boca, sem rosqueá-lo;
  9. Coloque o vidro em local seco, recebendo pouca luz (indireta) ou nenhuma, e que fique numa faixa de temperatura entre 22 e 30 °C (faixa ideal) [Vide Foto 4].

O “pulo-do-gato” (segredo) está na equalização da temperatura e pH. Não tenha pressa, seja paciente e serás recompensado(a).

Em 15 (quinze) dias você terá uma colônia de vermes-do-vinagre exuberante. Coloque o vidro contra a luz e verás uma nuvem de vermes agitando-se no meio de cultura, notadamente mais próximos da superfície. Nem será preciso usar uma lupa para observá-los.

Caso se deixe a população crescer bastante, aos poucos os vermes começam a subir pelas bordas do recipiente (e as vezes também ocorrerão paramécios e rotíferos), acima do nível do meio liquido, em meio a uma colônia de leveduras que geralmente cresce em cima da cultura.

A colônia dura meses. Quando boa parte da maça se desmanchar, adicione outros pedaços em substituição. Se for preciso repor o meio de cultura, mantenha a proporção de 2/3 de vinagre de maça e 1/3 de água.

Como coletar e oferecer às larvas de Bettas:

  1. Passe o puçá de nylon 180 fios no meio de cultura, próximo a superfície, onde existirão milhões de vermes esperando ansiosamente por serem coletados [Vide Foto 5];
  2. Deixe escorrer o líquido todo. Apenas os vermes maiores serão capturados pelo puçá de nylon 180 fios;
  3. Lave os vermes em água corrente, bem suavemente (com a chamada “água mole”), por aproximadamente 40 segundos [Vide Foto 6];
  4. Vire o puçá do avesso e chacoalhe-o em um pote com água limpa, descansada e isenta de cloro, para desprender os vermes nesta água.
    Em nosso caso, como usamos um puçá de aro fixo, viramos o mesmo, deixando seu fundo para cima (o elemento filtrante) e jogamos água limpa, descansada e isenta de cloro, de forma a derrubar os vermes no pote [Vide Foto 7];
  5. Com a ajuda de uma pipeta, seringa ou conta-gotas, sugue porções de água com vermes e pulverize em vários pontos do aquário de cria [Vide Foto 8].

Replicando sua cultura:

É conveniente e seguro replicar sua cultura em 2 ou 3 potes, no mínimo. Assim, se lago der errado, você terá outra(s) cultura(s) para se socorrer, sem que seus alevinos sejam prejudicados.

Outro motivo é se você tem um plantel grande e precisa fazer muitas coletas diárias. É preciso dar um tempo para a cultura se recompor, após as coletas.

Tendo várias culturas, opte por coletar alternativamente em potes diferentes, a cada coleta. Assim você garantirá que todas as culturas se mantenham abundantes, por muuuuuuito tempo.

Se você perceber declínio em sua cultura, prepare imediatamente um novo meio de cultura e replique a colônia, para garantir que não haja interrupção na alimentação dos alevinos.

Para replicar a cultura, siga o procedimento descrito no tópico “Iniciando a cultura”, se valendo de inóculo de qualquer uma de suas outras culturas.

Fontes:

  • Aquarioland 2000
  • Guppy Brasília
  • Manual: Vermes-do-vinagre, Mundo do Aquário
  • Tutorial: Cultura de Vermes-do-vinagre, Sunshine Piscicultura.

Cuidados básicos com a água do seu Betta

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 15/07/2011 – Reprodução autorizada.

Quantos que nunca ouviram falar que o Betta é um dos peixinhos mais resistentes? Que pode viver perfeitamente em qualquer vidro de maionese?

Pois não é bem assim. O Betta suporta com facilidade uma ampla gama de condições da água, mas alguns fatores são de importância fundamental.

Não deve haver compostos de cloro ou cloramina dissolvidos na água. Claro, não deve haver metais tóxicos, produtos químicos nocivos ou venenos, como os pesticidas, presentes.

O pH deve estar próximo ao neutro (pH 7). Este é, para começar um dos fatores ignorados por muitos iniciantes ou inexperientes com o Betta.

Alguns até acabam colocando seus Bettas em água mineral. Um grande erro, pois nem sempre a água mineral parâmetros adequados para este peixe. Prefira usar água comum mesmo, mas conheça alguns parâmetros desta como por exemplo o pH e se tem ou não a presença de cloro. Para isso, basta adquirir em lojas do ramo, alguns testes que podem lhe trazer estas informações.

Se você usar plantas vivas com seus Bettas fique atento a sinais de parasitas. Da mesma forma, com o uso de plantas naturais você provavelmente precisará usar iluminação artificial, neste caso é necessário tomar o cuidado para o tempo em que a luz ficará ligada, para não haver formação de algas verdes. Caso for necessário, utilize um temporizador.

A maioria dos sistemas públicos de água fornece água de boa qualidade, exceto para o cloro dissolvido ou cloraminas*. Estes produtos químicos são usados para controlar as bactérias e devem ser neutralizados antes de usar. Envelhecimento da água por 24 horas irá remover o cloro, mas não removerá cloraminas. Estes compostos dissolvidos vai matar o seu Betta em poucas horas. Há muitos produtos disponíveis em lojas de animais que são fabricados especificamente para resolver este problema.

Para a remoção do cloro, proveniente da rede de abastecimento, coloque a água em um vasilhame (aberto) para descansar por 24 à 48 horas, tempo suficiente para o cloro evaporar. Ou então, como já mencionado use um bom anti-cloro.

Freqüentemente você poderá adicionar, após a troca de água, um pouco de sal (grosso comum ou marinho) no aquário para efetuar a profilaxia. Use a proporção de 1 a 3 g por litro de água.

Um dos grandes segredos para manter seu Betta saudável é a qualidade da água. Portanto, você poderá se utilizar de filtro químico/biológico ou conforme o caso efetuar com freqüência as TPAs (Trocas Parciais de Água) ou TTA (Troca Total de Água). Mas lembre-se, se for usar filtros, procure aqueles que causam pouca agitação da água.

O uso de produtos químicos tais como detergentes e outros devem ser evitados. Para a limpeza, prefira usar uma esponja que deverá ser reservada somente para esta finalidade com a própria água do aquário. Como alternativa, você também poderá usar uma solução de água com sal ou bicarbonato de sódio, ou então o permanganato de potássio.

Lembre-se, a boa qualidade da água é tão essencial ao seu Betta quanto o ar que respiramos! Evite alimentação em excesso para a própria saúde do seu peixe bem como para garantir a menor quantidade de fezes dentro do aquário que acabará causando uma elevação de amônia que é altamente prejudicial para os peixes. Por isso, evite sujeira dentro do aquário, se for necessário, retire esta com um conta-gotas ou pipeta.

Outro ponto bastante importante em relação a água é a temperatura desta que deve ficar entre 25 à 30 ºC. Existem termômetros próprios para aquários sendo vendidos em lojas do ramo. Se necessário, compre um bom termostato para manter a temperatura estável.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

(*) Existe uma possibilidade remota da água vinda da companhia de abastecimento vir com cloramina como fonte de cloro. Se for o caso, apenas os condicionadores à base de hidroxi-metano sulfinato de sódio ou equivalente devem ser usados. Anti-cloro e água descansada não removem a cloramina, mas a chance da água conter cloramina é bem pequenas (mais comum na Europa). Cabe ao aquarista verificar isto com um simples teste de amônia. Meça a amônia na água. Adicione anti-cloro (não serve condicionador, tem que ser anti-cloro mesmo) e em seguida meça a amônia novamente. Se a amônia subir é porque a água veio com cloramina.

Como escolher um peixe saudável?

Nota do editor: As dicas do autor se aplicam também aos Betta splendens, com as devidas adaptações, pois os exemplares machos desta espécie são expostos em aquários individuais (betteiras) nas lojas de aquarismo.

A hora de irmos às lojas de aquarismo comprar os peixes é, sem sombra de dúvidas, a mais excitante. Depois de meses planejando o aquário, comprando os equipamentos, montando-o perfeitamente e esperando ciclar é a vez de adquirirmos os protagonistas que tanto almejamos. Porém algumas vezes, seja por descuido ou distração, seja por negligência ou falta de conhecimento, acabamos por comprar peixes que estão contaminados com alguma enfermidade, logo o caos acontece: aquele peixinho que estava doente contamina todos os outros que estavam saudáveis e as mortes começam, algumas vezes dizimando toda a população do aquário. Isso acaba desmotivando e até afastando os mais entusiastas desse incrível hobby.

Mas é mais fácil do que se costuma imaginar evitar esses tipos terríveis de problemas, tomando medidas preventivas simples e fáceis. Qualquer um é capaz de tomá-las e caso se tornassem regras obrigatórias, o número de desastres no aquarismo seria reduzido no mínimo em 50%. Essas medidas aplicam-se tanto para aquários que já possuem peixes quanto para os ainda não populados.

A primeira trata-se de um conjunto de pequenas observações a serem feitas visualmente e a segunda da obtenção de um aquário quarentena. Essas duas medidas juntas formam uma barreira 98% segura, confiável e fácil.

Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.
Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.

Para facilitar ainda mais o entendimento, as medidas foram organizadas em vários pontos separados e bem claros:

  • Observe sempre muito bem os peixes nas baterias de aquários de exposição, fique atento e não deixe os detalhes para trás, ele fazem diferença no final;
  • Se você já sabe a espécie de peixe que deseja comprar, vá até o aquário e observe todos os peixes nele contidos, mesmo que não sejam a espécie pretendida, procure por peixes ativos, coloridos, com as nadadeiras abertas, escamas brilhantes, pele lisa, respiração e comportamento normal;
  • Não compre os peixes se eles estiverem com pontos brancos espalhados pelo corpo, manchas brancas, tufos brancos como algodão, feridas/machucados/tufos na boca ou no corpo, nadadeiras roídas, faltando escamas, pequenos vasos sanguíneos dilatados tanto pelo corpo como pelas nadadeiras, com ânus inchado;
  • Não compre o peixe se ele estiver se comportando de forma diferente do habitual, se estiver isolado do grupo e escondido, se estiver com a barriga para dentro (em forma de arco), se estiver com a respiração ofegante (o peixe está sempre na superfície), o peixe estar de barriga para cima ou com ela muito inchada, acima do normal;
  • Não compre o peixe logo que o lojista o trazer da distribuidora, espere uns 2 a 3 dias, pois o estresse da viagem pode disfarçar assim como pode criar algum sintoma que não existe;
  • Uma dica útil é antes de comprar os peixes pedir para o lojista alimentá-los, você consegue descobrir duas coisas importantes de uma só vez: se o peixe não se alimentar pode estar certo de que tem algum problema e se o peixe realmente está comendo a ração (é comum os lojistas indicarem um alimento diferente do habitual, logo quando chega em casa os peixes simplesmente não comem) pois algumas espécies só comem alimentos vivos, por exemplo;
  • Confira a presença de sistema de filtragem, seja individual por aquário ou um grande filtro para a bateria inteira. A exposição mesmo que temporária a amônia, nitrito e nitrato pode enfraquecer os peixes, deixando-os suscetíveis a doenças. Termostato com uma temperatura regulada e fixa também é muito importante;
  • Observe se os aquários são separados por vidros ou por apenas telas furadas, que permitem que a mesma água circule diretamente por todos os aquários. Isso é muito arriscado porque se um adoecer pode transmitir sua moléstia para todos os outros peixes, por estarem em contato com a mesma água;
  • Mesmo que o lojista recomendar, não aplique fungicidas, bactericidas ou parasiticidas na água dos seus peixes, nem como medida preventiva. Isso é muitíssimo perigoso pois pode intoxicar seus animais e também até matá-los;
  • Mantenha sempre que possível um aquário extra que sirva de quarentena, ele não precisa ser muito grande e deve conter sistema de filtragem com perlon e mídias biológicas. Não coloque carvão ativado ou purigem, pois podem absorver possíveis medicamentos. Sempre que comprar um peixe novo, deixe-o neste aquário por um período de 40 até 60 dias, pois existem muitas doenças que só se manifestam após muito tempo do peixe contaminado. E faça isso mesmo que seguido os passos anteriores.

Tenha sempre um aquário de quarentena: ainda é possível transformar esse aquário em hospital, caso algum peixe ainda assim fique doente; em maternidade, caso algum peixe venha a se reproduzir e em depósito de água emergencial caso precise fazer uma TPA urgente ou caso o aquário quebre, por exemplo.

Assimile essas dicas e passe a usá-las no seu dia-a-dia. Isso garantirá um aquário equilibrado e estável, com peixes saudáveis que viverão por muitos e muitos anos, dando a seus criadores inúmeras alegrias.

Um último recado: lembrem-se sempre, é muito melhor prevenir agora do que ter que remediar depois.

Mateus Camboim

Autorização de Publicação Aquaflux
Artigo publicado originalmente no website Aquaflux, em 12/05/2011 – Reprodução autorizada pelos mantenedores do website.

 

A importância das trocas parciais de água (TPA)

Artigo publicado originalmente no website CEA – Centro de Estudos de Aquariofilia, em 05/2011

O sucesso na manutenção de aquários depende de uma série de fatores, mas todos eles acabam apontando para a qualidade da água. Um aquário com mais peixes do que deveria ou com sistema de filtragem insuficiente, em pouco tempo levará sua água a um estado de poluição que poderá comprometer a saúde geral das espécies nele contidas.

Por mais eficiente que seja a filtragem de um aquário, lembre-se que se trata de um sistema fechado. É recomendável realizar trocas parciais de água (de agora em diante chamadas simplesmente de TPA) frequentes para garantir a eliminação de dejetos não processados e repor certos elementos consumidos pelo sistema.

O percentual de água a ser trocada e a frequência com que isto ocorrerá dependerá de uma série de fatores como quantidade de peixes e plantas, quantidade de filtros e mídias filtrantes e a variação de certos parâmetros de sua água, como pH, KH, amônia, nitritos, nitratos, fosfatos, etc. A aferição periódica destes parâmetros é um forte indício da necessidade da TPA.

Quanta água deve ser trocada?

Não existe resposta definitiva para esta pergunta, pois a carga de dejetos pode variar muito de aquário para aquário. Alguns aquaristas experientes recomendam trocas mensais de 40% ou quinzenais de 30%. Há os que preferem trocar 20% semanalmente e há até alguns criadores que chegam a trocar 50% diariamente, mas conforme disse antes, cada aquário tem sua história e o dia a dia, aliado ao resultado dos testes é que lhe darão a resposta para o seu caso.

Um outro indício da necessidade das TPAs é a perda de vazão dos filtros. Inspecione periodicamente seus filtros, pois a perda de vazão, provocada por entupimento da filtragem mecânica, diminui a quantidade de água tratada.

É verdade que aquários plantados necessitam menos de TPAs?

Se por um lado plantas são excelentes filtros para a remoção de diversos poluentes da água, aquários plantados também possuem uma carga de nutrientes grande e isto pode, eventualmente, favorecer a proliferação de algas. As TPAs são um aliado contra elas.

Como proceder a TPA?

Dependendo do volume de água a ser trocado, pode ser interessante desligar os filtros para evitar que funcionem sem água e também os termostatos que não devem funcionar parcialmente fora d’água.

 

Sifão em ação.
Sifão em ação.

Normalmente começamos com uma sifonagem do substrato para remover pequenas partículas sólidas que se depositaram nele. Em aquários plantados a camada inerte evita que boa parte dessas partículas penetrem nas camadas inferiores, de modo que uma aspiração superficial costuma ser suficiente. Não se esqueça de lavar bem as mãos antes de começar o processo, pois podemos levar muitas sujeiras indesejadas para nossos aquários.

Em aquários com substratos comuns (sem isolamento) a sujeira particulada penetra no substrato e deve ser sugada. Costuma-se usar um sifão contendo uma espécie de copo na extremidade que permite penetrar no cascalho para uma remoção eficiente da sujeira.

A água removida durante a sifonagem poderá ser coletada em baldes ou outros recipientes e descartada após sua remoção do aquário. Por ser uma água rica em nutrientes, ela pode ser usada para regar plantas, pois certamente é mais nutritiva para elas do que a água da torneira. Aproveite a ocasião para remover o limo que geralmente se forma nos vidros. Existem limpadores magnéticos idealizados exclusivamente para tal propósito, mas uma esponja macia, uma gilete ou até mesmo um cartão velho de banco também poderá ser utilizado.

Como devo limpar meus filtros?

A limpeza dos filtros deve ser feita sempre que se fizer necessária. Conforme descrito anteriormente, sempre que houver entupimento da midia responsável pela filtragem mecânica, esta deverá ser limpa ou substituída. O tempo para isto acontecer varia de aquário para aquário, podendo levar de 7 a 30 dias, dependendo da carga de dejetos produzida. Caso seja usuário de carvão ativo para a filtragem química, lembre-se de sempre anotar quando foi que o substituiu pela última vez. Cada fabricante recomenda sua substituição em tempos diferentes, mas como não é uma mídia muito cara, costumo recomendar sua troca a cada 20 ou no máximo 30 dias.

Com relação às mídias de fixação para a filtragem biológica estas podem ser gentilmente lavadas, quando necessário, em água do próprio aquário apenas para remover depósitos de material particulado. Normalmente, uma limpeza superficial nessas mídias a cada trimestre costuma ser suficiente. É importante que o processo de limpeza dos filtros não dure muitas horas e também que as mídias de sustentação da biologia não fiquem secas. Elas devem aguardar submersas em água do próprio aquário enquanto durar a lavagem interna do filtro.

Cascalho sifonado, vidros sem limo e filtros lavados. Como repor a água?

Embora essa pareça ser a tarefa mais fácil de todas as demais, ela requer alguns cuidados importantes. Muitos aquaristas já perderam peixes após uma reposição de água mal feita.

Primeiramente, a água de reposição deverá estar isenta de cloro. Este pode ser removido de diversas formas, desde aguardar 24 a 48 horas para que seja expulso da água, fazer uso de um anti-cloro ou mesmo um condicionador de água.

Se esta água vier de um poço não será necessário usar o anti-cloro. Todavia, água de poço costuma vir com grande quantidade de CO2 e, se adicionada diretamente ao aquário poderá apresentar variações de pH em um ou dois dias pois o CO2 acidifica a água mas tende a ser expulso com o passar do tempo.

A temperatura desta água deverá ser a mesma da água do aquário. Certifique-se de medir ambas as temperaturas antes da reposição. Caso haja discrepância nos valores, faça os devidos ajustes, aquecendo ou resfriando a água que será reposta.

O pH desta nova água também deve ser igual ou muito próximo do pH da água do aquário. O ajuste poderá ser feito de diversas maneiras. A forma mais rápida (mas nem sempre a mais correta) é simplesmente usar algumas gotas de um acidificante ou um alcalinizante comprado em lojas de aquarismo.

Lembre-se, entretanto que dependendo da reserva alcalina ou do teor de CO2 desta água o efeito desta correção poderá ser provisório. Em alguns casos é interessante usar uma solução tampão para garantir a estabilidade do pH. Existem tampões para “segurar” o pH em diversos valores dependendo das substâncias envolvidas. Essencialmente, uma solução tampão é obtida quando se misturam um ácido fraco e um sal desse ácido (reserva ácida) ou uma base fraca e um sal dessa base (reserva alcalina).

Veja um exemplo de tampão ácido (reserva ácida), mistura de ácido acético (um ácido fraco) e acetato de sódio (um sal do ácido acético):

CH3-COOH <—> CH3-COO + H+ Ionização do ácido acético.

CH3-COONa <—> CH3-COO + Na+ Dissolução do acetato de sódio.

Repare que em ambas as reações existem um íon em comum: o ânion acetato (CH3-COO). Devido a um efeito conhecido como [efeito de íon comum], os acetatos gerados na dissolução do acetato de sódio fazem tal concentração aumentar e, por conta disto, o equilíbrio da primeira equação se desloca para a esquerda (Princípio de Le Chatelier), impedindo que o ácido acético se ionize.

Entretanto, se adicionarmos uma base qualquer nessa água, existirá ácido acético suficiente para neutralizar tal base impedindo o pH de subir. É o ânion acetato, proveniente do acetato de sódio que garante a existência do ácido acético como garantia para manter o pH estável. No exemplo acima, temos um tampão ácido.

Analogamente, podemos ter um tampão envolvendo uma base fraca e seu sal que garantiria a manutenção de um pH alcalino. As lojas de aquarismo também vendem soluções tampão prontas para uso, para diversas faixas de pH.

Uma alternativa mais barata pode ser fazer sua própria solução tampão.

  • Receita de tampão alcalino:

    • Dissolva a maior quantidade possível de bicarbonato de sódio (comprado em farmácias) em água e guarde esta solução saturada para ser usada em cada TPA. Uma ou duas colheres de sopa desta solução poderá ser usada na água de TPA para garantir um pH estável, de 7,0 para cima. Quanto mais bicarbonato for colocado, mais alcalina a água ficará. O dia a dia lhe dirá a quantidade ideal a ser usada.

    • Dentro de seu filtro, coloque um pouco de Aragonita, Calcita ou Dolomita dentro de um pequeno sachê. Essas pedras, à base de CaCO3, formarão o tampão com o bicarbonato de sódio, garantindo a estabilidade do pH.

  • Receita de tampão ácido: 

    • Compre na farmácia ou em loja de produtos químicos o fosfato monoácido e o fosfato diácido de sódio e misture-os nas quantidades desejadas para atingir o pH da tabela abaixo:

      Na2HP4NaH2O4pH
      10%90%5,9
      20%80%6,2
      30%70%6,5
      40%60%6,6
      50%50%6,8
      60%40%7,0
      70%30%7,2
      80%20%7,4
      90%10%7,6

    • Feita a mistura das substâncias, coloque 1g da mistura para cada 50 litros de água em seu aquário para manter o pH estável naquele valor da tabela.

      Exemplo: digamos que deseje manter o pH de seu aquário estável em 6,6. Nesse caso então misture 40% em peso de fosfato monoácido com 60% de fosfato diácido de sódio – algo como 40g do primeiro com 60g do segundo. Guarde os 100g obtidos para usar nas TPAs.

Temperatura e pH ajustados. Posso despejar a água agora?

Pode

Bomba submersa dentro do balde, conectada a uma mangueira, leva água para o aquário.
Bomba submersa dentro do balde, conectada a uma
mangueira, leva água para o aquário.

, mas faça isso lentamente. Não despeje os baldes de água de uma vez em seu aquário! Isso pode não só estressar seus peixes como também provocar um choque osmótico, já que a quantidade de sais dissolvidos na água de aquário e na água do balde não são as mesmas, nem em qualidade, nem em quantidade.

Aqui em casa, costumo colocar uma bomba submersa dentro de um balde conectada a uma mangueira e esta leva a água para o aquário. O processo leva alguns minutos para esvaziar o balde:

Uma vez cheio, o processo de manutenção do aquário poderá ser dado como encerrado, mas não se esqueça de aferir os parâmetros físico-químicos da água periodicamente, para ter certeza de uma água sempre apropriada para seus peixes.

 

Marcos Mataratzis
Químico, Professor de Química e Aquarista (especialista na manutenção de Botias). Administrador do fórum Vitória Reef e Consultor do CEA – Centro de Estudos de Aquariofilia, para assuntos relacionados à química da água do aquário.

Íctio: A doença do inverno

Artigo publicado originalmente na revista Negócios Pet, Ano VII, edição 79 – Julho/2011, pp. 14-18.

Ichthyophthririus multifillis é o agente causador da Ictiofitríase, popularmente conhecida como Íctio, nos aquários de água doce. O peixe afetado fica coberto de pontos brancos pequenos. É comum nas baterias de todas as lojas, sendo um pouco chato de tratar, mas fácil de prevenir.

Ele entra em nossas baterias através de qualquer animal novo introduzido no aquário com sinais da doença ou não, por alimentos vivos como artêmia salina e outros, vindo na água do fornecedor ou do importador. Também migra de um aquário para outro e de uma bateria para outra quando se utiliza a mesma rede para pegar peixes, o mesmo sifão, etc. Pode vir em folhagens de plantas e até mesmo em caramujos grudados a elas.

A doença manifesta-se, geralmente, quando há variação de temperatura no aquário ou durante o transporte do fornecedor para sua loja, pois na viagem há mudança brusca de temperatura ou a climatização não é feita como se deveria, podendo ocorrer choque térmico, mesmo que leve.

A dica é começar o tratamento assim que for constatado que um animal ou mais do aquário está com Íctio. Quanto mais rápido o início, maiores são as chances de não haver nenhuma perda.

O ideal é tratar os peixes afetados em aquário hospital ou nos dias de menor movimento da loja, pois esse tratamento é realizado no escuro.

Se optar por fazê-lo na bateria, retire o carvão ativado, as cerâmicas e/ou o bio ball para que o medicamento mate somente a biologia presente no cascalho, se houver. A cerâmica e/ou o bio ball devem ser colocados em aquário com compressor de ar para preservar as bactérias aeróbias.


O tratamento

  • Se utilizar um aquário hospital, colocar água da bateria, até mesmo quando fizer trocas parciais;
  • Manter a temperatura alta, de 29 ºC para peixes não topicais e 31 ºC para peixes tropicais. Se não houver divisão, opte por 29 ºC;
  • Apagar as luzes, tampar o aquário hospital ou a bateria com lona escura, cobertor, etc. O Íctio não se prolifera no escuro;
  • Reforçar a alimentação, abrindo o aquário para alimentar duas a três vezes ao dia. De manhã, com ração, como de costume e nas outras vezes com alimentos vivos, ração à base de Spirulina e alga Nori da culinária japonesa. Uma ótima dica é usar um suplemento para aquários à base de alho Garlic;
  • Aumentar a aeração com um compressor de ar potente com várias pedras porosas. No mínimo um pedra porosa por andar;
  • Usar um medicamento simples contra Íctio;
  • Se usar aquário hospital, faça trocas parciais de água todos os dias com sifonagem do fundo de 10% a 30% da capacidade dele.

Em três dias o Íctio sumirá e em seis dias poderá colocar os peixes à venda novamente.


Prevenindo o Íctio de água doce

Deve-se investir na alimentação com rações de qualidade, utilizando também as rações à base de Spirulina, duas a três vezes na semana, pricipalmente para herbívaros, e incrementando a alimentação semanalmente com alimentos vivos ou congelados.

O uso semanal de suplementos de Garlic ajuda na prevenção de Íctio. O uso diário previne, também, vermes intestinais. Um peixe bem alimentado terá uma boa imunidade, será mais colorido, aspecto saudável e mais fácil de vender.

Estabilize a temperatura com termostato para não haver variações na bateria. Se puder, coloque um filtro esterillizador UV, que não vai ajudar com Íctio impregnado em um peixe, mas os parasitas que lançarem na água e forem puxados pelo UV não terão chances de pegar outra vítima.

Cuidado com redes de içar peixes e sifões que utilizar na loja, ou mesmo com a mão molhada dos funcionários de um aquário para outro, a fim de evitar contaminação. O ideal é que tenha um balde de descanso para redes e sifões com solução de formol ou azul dimetileno, trocando esta água todas as semanas.


O Íctio em aquários marinhos

Cryptocaryon irritans é o agente causador de Íctio marinho e é semelhante, em muitos aspectos, com o íctio de água doce, tendo a mesma forma de infestação. Pode entrar em seu aquário por meio de rochas vivas também.

A variação de temperatura é um dos fatores desencadeantes da proliferação do Íctio marinho em um animal, quer seja pela sua variação dentro do aquário, no transporte até sua loja ou na aclimatação inadequada. Pode ocorrer choque térmico, mesmo que leve.

Como em aquários marinhos geralmente há vários corais e invertebrados e, no caso de aquários grandes, seria quase impossível não ter que desmontá-los para pegar o peixe doente, o tratamento se baseará na forma mais natural possível.


Tratamento no aquário de exposição

  • Aumentar ligeiramente a temperatura de forma que não afete corais e invertebrados. Temperatura constante sem nenhum tipo de variação é muito importante. Nas baterias que tenham somente peixes, manter entre 28 ºC e 29 ºC.
  • Reforçar a alimentação. Neste quesito, a alga Nori da culinária japonesa, facilmente encontrada em supermercados na seção de produtos orientais, é uma “ressuscitadora” de peixes marinhos. Esta alga milagrosa, se for introduzida na alimentação de forma mais persistente aos primeiros sinais de Íctio, recupera a saúde do peixe rapidamente. Junto com a Nori, ração de boa qualidade, à base de Spirulina, alimentos vivos, suplementos vitamínicos e suplementos à base de alho Garlic são necessários.
  • O peixe neon goby, faixa amarela, nativo da costa brasileira, tem costume de retirar parasitas como o Íctio marinho de peixes infestados. Pena que esteja ameaçado de extinção e proibida sua comercialização no Brasil.
  • O método que surte melhor efeito em nossas pesquisas é tratar de forma natural peixes que se alimentam normalmente. O fato de se alimentarem fará com que sua imunidade aumente e o próprio organismo se livre do Íctio. Se o peixe infestado não se alimenta é necessário tomar medidas drásticas para não o perder em alguns dias.


Tratamento em aquário hospital

Tivemos sucesso de 90% de recuperação de peixes marinhos com Íctio que pararam de se alimentar, tratando-os em aquário hospital como se fosse Íctio em água doce, assim que notamos, pela primeira vez, que os animais não se interessavam pelo alimento.

Alguns lojistas dão banhos de água doce com água de Reverse Osmose e outros tratam a bateria com medicamentos à base de cobre. Não recomendamos porque o índice de cura de Íctio com ou banhos de água doce é muito baixo, pois estressa o animal debilitado ao máximo e a tendência é que, depois disso, ele pare totalmente de se alimentar.

As dicas para o tratamento em aquário hospital são:

  • Colocar água do aquário principal no aquário hospital, até mesmo quando for fazer trocas parciais;
  • Manter a temperatura alta em aquário hospital, cerca de 29 ºC;
  • Tampar o aquário hospital com lona escura, cobertor, etc. O Íctio de água doce não se prolifera no escuro, então, tentarmos da mesma forma com o ciliado marinho. O interessante é que o animal marinho fica mais calmo e parece dar resultados positivos;
  • Reforçar a alimentação, abrindo o aquário para alimentar duas a três vezes ao dia. De manhã, com ração, como de costume e nas outras vezes com alimentos vivos, ração à base de Spirulina e alga Nori da culinária japonesa. Uma ótima dica é usar um suplemento para aquários à base de alho Garlic, que deve ser usado molhando a ração antes de servir ou deixando artêmias salinas na solução de alho concentrado antes de servi-las;
  • Aeração forte e constante;
  • Faça trocas parciais de água todos os dias com sifonagem do fundo de 10% a 30% da capacidade do aquário hospital.

Em três dias o Íctio sumirá e em seis dias o peixe poderá entrar no aquário de exposição ou bateria sem nenhum problema.


Para prevenir o Íctio marinho

Deve-se investir na alimentação com rações de qualidade, utilizando também as rações à base de Spirulina de duas a três vezes na semana, alga Nori, acelga crua e incrementar, semanalmente, com alimentos vivos ou congelados. Use os suplementos de Garlic e suplementos vitamínicos semanalmente para ajudar na prevenção de doenças. Um peixe bem alimentado terá um boa imunidade.

Estabilize a temperatura para não haver variações. O melhor é investir em um bom termostato e, pelo menos um vez na semana, verificar o termômetro para confirmar se ele está trabalhando a contento.

Se puder, coloque um filtro esterilizador UV ou o ozonizador, que não ajudarão com o Íctio impregnado em um peixe, mas os parasitas que se lançarem na água e forem puxados pelo UV ou atingidos pelas partículas de 03 não terão chances de pegar outra vítima.

Optar por uma bateria de peixes nacionais e outra de peixes importados é uma alternativa eficaz no controle de perda de animais importados. Um espaço no fundo da loja para hospital e quarentenário seria perfeito também.

Em todos os casos de doenças, um dos fatores que mais contam para o sucesso da recuperação do animal é o tempo entre perceber o problema e agir.

Esperamos tê-lo ajudado com um pouco de nossa experiência sobre o que funcionou efetivamente em nossos aquários, baterias e quarentenários.

Roberto Eduardo Sentanin
Diretor e fundador da empresa RSDiscus Aquários (loja física e virtual, varejista) e ex-criador profissional dos peixes Acará-bandeira e Acará-disco, de 1990 a 2010.

(DBN) Desordem da Bexiga Natatória

Pesquisando sobre a Desordem de Bexiga Natatória (DBN) ou, em inglês, Swim Bladder Disorder (SBD) – que é uma anormalidade indesejável nos Betta splendens, geralmente descartada pelos criadores, encontrei algumas informações interessantes sobre o tema, pulverizadas em vários textos publicados em grupos de discussões e fóruns, espalhados na web. Resolvi condensar estas informações num único texto, traduzindo e adaptando traduções de outrem, enxertando comentários e observações de alguns criadores de Betta splendens, para produzir um material que sirva de base, de apoio para estudos e experimentações de colegas criadores.

Diagnóstico:

Um dia seu Betta splendens está muito bem – nadando feliz e construindo seu ninho de bolhas. No dia seguinte, está nadando torto, não está ativo e talvez com um pequeno embotamento na cor ou inchado.

Betta splendens com distúrbio da bexiga natatória apresentando nado irregular. Foto de origem desconhecida, meramente ilustrativa.
Betta splendens com distúrbio da bexiga natatória apresentando nado irregular. Foto de origem desconhecida, meramente ilustrativa..

Isto sugere que exista problema na bexiga natatória do animal, que está situada na espinha do peixe, entre sua barriga e sua cauda. Se a bexiga ficar grande, inchada ou apertada, pode fazer com que seu peixe nade com dificuldade.

Geralmente com a bexiga natatória apresentando problema, o peixe nadará de lado ou ficará no fundo. Parece que o Betta splendens perde sua capacidade de flutuar. Os jovens filhotes ficam “deslizando” pelo fundo do aquário, em suas barrigas, como se não pudessem nadar de outra maneira. Os mais velhos flutuam lateralmente, como se “quisessem furar” a superfície. Outros adultos flutuam com a cauda para baixo, verticalmente.

Possíveis Causas:

  1. Uma teoria é que, pelo menos, um tipo de DBN seja genética, passada de geração para geração. Isto faz sentido, se peixes com DBN estão sendo vendidos ou dados como presentes a outros criadores, que, por sua vez, os reproduzem sendo dito que não é genético. Isto espalha o gene DBN. Isto, naturalmente, se existir tal gene.
  2. Outra teoria é que um tipo de DBN pode ser causado pela alimentação em excesso com náuplios/adultos de artemias franciscanas (salinas). Pois as bolhas de ar escondidas nos náuplios/adultos de artemias franciscanas (salinas), bolhas estas que ficam presas nestes organismos em decorrência da aeração forçada em sua criação, bolhas que fazem com que a bexiga natatória se desenvolva incorretamente. Uma bexiga natatória pequena ou mal desenvolvida não retornará ao normal.
  3. Câncer ou tuberculose em um órgão perto da bexiga natatória. Isto talvez seja curável, porque a origem do problema está em outro órgão.
  4. Rápida variação nas temperaturas pode provocar a DBN.
  5. Rápido aumento da coluna d´água nos aquários com as larvas da espécie.
  6. Infestações bacterianas ou de parasitas podem ser, também uma causa.
  7. Comum em Betta splendens de cauda dupla (DT), o corpo curto, produzirá uma bexiga natatória mal formada ou curta, fazendo com que estes flutuem verticalmente.
  8. Gripe é um problema mais comum do que parece.
  9. Mudança súbita na dieta é também uma causa comum, nos adultos.
  10. Por fim, existe outra teoria, que sugere que a DBN seja um efeito, o reflexo de outros problemas existentes no organismo do animal.

Prevenção:

Alguns criadores de Betta splendens não alimentam seus peixes por um dia, ou por uma semana, para limpar o trato digestivo dos animais. Este é um método muito usado para impedir a DBN e/ou a constipação intestinal.

Outra opção de alimentação para impedir a DBN é aumentar o número de vezes que se oferece alimentos aos Betta splendens, para duas ou mais vezes ao dia, sempre em pequenas quantidades, ao invés de oferecer apenas uma refeição diária, com grande quantidade de comida. Isto reduz a quantidade de entrada de alimento de uma só vez, e permite que o sistema digestivo do animal, processe a comida mais facilmente. Observe que o estômago do Betta splendens tem, aproximadamente, o tamanho do aro do olho dele, portanto pouco alimento já será suficiente.

A variedade na dieta dos Betta splendens é importante para prevenir doenças e assegurar que os peixes estejam recebendo os nutrientes necessários para permanecerem saudáveis.

Tratamento:

Tente manter a dieta dos seus peixes balanceada e não os alimente em demasia. A bexiga natatória corrigir-se-á logo e seu mascote começará a nadar normalmente outra vez.

Similar à prisão de ventre, você pode também tentar não alimentar seus peixes por 24/48 horas. Em seguida, pegue uma ervilha cozida e a descasque. Alimente o(s) animal(ais) com uma parcela pequena dela na extremidade de um palito de dente. Tenha a certeza de que seus Betta splendens estejam evacuando bem, porque isto significar que a DBN e/ou a prisão de ventre estão sob controle.

Procedimentos adicionais:

A água limpa é sempre importante para um Betta splendens, mas é especialmente benéfica para todo peixe que enfrenta uma doença. Sempre mantenha seu Betta splendens entre 24/30 °C, para ajudá-lo a se sentir mais confortável e levantar seu sistema imunológico. Recomendo veementemente que você leia outro artigo de nossa lavra, publicado neste site, onde indicamos os primeiros socorros para Betta splendens.

Recomendações:

Se a DBN não estiver ameaçando, nem degradando a qualidade de vida do animal, deve-se deixá-lo viver. Se você optar por descartá-lo, faça o descarte de forma rápida e sem sofrimento para o animal (Leia: Descarte técnico de peixes ornamentais).

Fontes:

  • Betta Splendens Brasil (Grupo de Discussões)
  • Fish Junkies
  • Pet Fish
  • Pet QnA

Descarte técnico de Betta splendens

Na criação de Betta splendens, em função do tamanho das ninhadas, estrutura da estufa (espaço), disponibilidade de tempo para cuidar dos animais, possibilidade de investimento financeiro no manejo dos peixes (equipamento, ração, alimentos vivos, saúde animal, etc), o descarte técnico é uma fonte de preocupação constante para criadores hobbystas.

Em média, cada ninhada da espécie gera de 300 a 400 larvas e dependendo do manejo do criador, a grande maioria delas, é capaz de chegar até a idade adulta. Para quem desenvolve trabalho genético, dificilmente aproveita-se mais que 10 indivíduos desta ninhada, entre machos e fêmeas, que possuam determinadas características específicas, buscadas e desejadas pelo criador, para dar continuidade ao trabalho genético, salvo raras exceções. Servir de matriz, para novos acasalamentos.

O restante é considerado descarte técnico, pelo desenvolvedor da linhagem. A grande maioria dos peixes considerados descartáveis, é composta de peixes lindos, fisicamente perfeitos, saudáveis e de grande potencial genético. Apenas não estão entre o seleto grupo de peixes que se destacaram na ninhada, para determinadas características.

Então, que fim dar a estes peixes? Como viabilizar a pesquisa e trabalho genético e ao mesmo tempo dar fim adequado, nobre e responsável para o que resta da ninhada?

Eis algumas sugestões factíveis:

  • O caminho natural e imediato, que a maioria de nós já empregou, foi a distribuição destes peixes para parentes e amigos, para pessoas que se simpatizam com a criação de peixes, em especial por Betta splendens, e desejam ter um mascote em casa, ou no local de trabalho. É óbvio que este universo de pessoas é limitado e também que estas pessoas estão dispostas a absorver apenas um pequeno grupo destes peixes. Você precisa respeitar e entender suas limitações.
  • Saiba que clínicas médicas/hospitais podem ser um bom caminho para dar fim nobre aos peixes. Procure terapeutas ocupacionais de sua cidade, peça orientações de como e onde fazer estas doações. Pessoas emocionalmente carentes, fisicamente debilitadas, se renovam, se estimulam muito com a companhia de mascotes. Você resolve seu problema e faz muita gente feliz.
  • Escolas também podem ser um bom canal de distribuição dos peixes, principalmente se houver interação com a direção e professores, de forma a transformar o recebimento dos peixes, em tema educacional (ciências, matemática, geografia, história, português, etc). As possibilidades de se trabalhar em torno deste tema, são praticamente infinitas.
  • Existe o caminho da venda, para lojistas e diretamente aos consumidores finais (feiras, shows, internet, etc). Para tal é preciso se adaptar à legislação vigente, ser capaz de emitir nota fiscal de venda (constituir uma pessoa jurídica – vide possibilidade de se tornar um empreendedor individual), obter laudo de sanidade animal com um médico veterinário local e guia de transporte animal (GTA).

De forma drástica, e em último caso, no meu entender, sacrifique os animais:

  • Colocando-os na cadeia alimentar de carnívoros maiores confinados em aquários [O Oscar, também chamado de Apaiari (Astronotus ocellattus), por exemplo];
  • Colocando-os em recipientes com água e levando-os ao congelador. O frio fará com que a temperatura corporal dos animais caia, fazendo com que eles fiquem anestesiados, e acabem morrendo da forma menos traumática para eles;
  • Se preferir, pode pedir que um médico veterinário faça isto por você, usando métodos que estejam de acordo com a resolução número 714, de 20 de junho de 2002, do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Você NÃO deve soltar seus peixes diretamente em ambientes naturais ou artificiais (rios, córregos, lagoas, represas, açudes, canais, etc).

Soltura de espécies exóticas na natureza é crime e pode provocar desequilíbrio populacional ou até mesmo extinção completa das espécies nativas naquele habitat. Imagem meramente ilustrativa.
Soltura de espécies exóticas na natureza é crime e pode provocar desequilíbrio populacional ou até mesmo extinção completa das espécies nativas naquele habitat. Imagem meramente ilustrativa.

NUNCA libere seus peixes vivos pela descarga sanitária de casa. Agindo assim, você estará cometendo um crime ambiental, previsto na lei brasileira (Lei 9605 de 1998). Lembre-se, você cria uma espécie exótica (Betta splendens) e não deve introduzí-la na natureza, desestabilizando as espécies nativas, de forma irresponsável.

Fontes:

  • CORTIZO, Bernardo. Descarte de peixes ornamentais interfere no meio ambiente. Universidade Federal de Pernambuco.
  • MAGALHÃES, André Lincoln Barroso de. Introdução de espécies exóticas por aquariofilia. Centro Universitário UNA, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre/UFMG.
  • MAGALHÃES, André Lincoln Barroso e BARBOS, Newton Pimentel de Ulhôa. Peixes de aquário: animais de estimação ou pestes? Ecosíndico

Como lidar com mudanças de pH no aquário

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 21/11/2011 – Reprodução autorizada.

Este é um assunto recorrente entre criadores e hobbystas de peixes ornamentais. Mas até onde este parâmetro é necessário ser levado tão a sério? É realmente necessário um controle preciso quanto ao pH da água de um determinado aquário?

Escala de pH.
Escala de pH.

Peixes em geral, no seu habitat natural, vivem em um amplo espectro de níveis de pH sem problema algum. Em lojas de aquarismo, também não é muito diferente, pois existem muitas espécies de peixes bem como um número elevado de aquários e nem todos procuram se preocupar muito com mais este “detalhe”.

Mas e em nossas casas? Procuramos seguir a risca o que a vasta literatura nos ensina. Aclimatamos nossos peixes a um mundo perfeito, com temperaturas quase constantes, água cristalina e não somente o pH como também outros parâmetros são verificados quase que como um técnico de laboratório o faria.  Isso só os torna menos resistentes a oscilações.

Utilizar recursos de adição de agentes químicos para deixar a água mais ácida ou mais alcalina não é uma boa prática. Vamos supor que ocorra uma mudança muito drástica no valor deste parâmetro. Estas mudanças drásticas são altamente prejudiciais para a saúde dos peixes.

No entanto, existem algumas coisas que você pode fazer para ajustar os níveis de pH de forma lenta e gradual. Para diminuir os níveis de pH, adicione um pedaço de madeira (troncos, galhos, etc) ou outros materiais (folhas de amendoeira, xaxim, turfa, etc) como decoração do aquário. Para aumentar os níveis, em vez disso, adicione algum alcalinizante natural (dolomita, aragonita, conchas, halimeda, etc). Fazer isso não vai alterar drasticamente o nível de pH da água e vai dar o seu tempo de vida aquática ajustar-se.

Mudanças repentinas nos níveis de pH podem, por vezes, ocorrer em aquários. Estas mudanças repentinas são prejudiciais para os peixes e precisam de solução urgente. Você deve se focalizar em identificar e eliminar a causa. Jamais deverá lutar contra os efeitos destas mudanças bruscas e repentinas. A primeira coisa a ser feita é verificar a fonte da água, embora nem sempre seja ela a causa, mas é bom ter certeza.

A segunda coisa que você deve se preocupar é se houve acréscimo de algo novo dentro do aquário. A nova decoração, cascalho, novas mídias no filtro, qualquer outra coisa. Geralmente é a introdução de algo novo que acaba causando a mudança rápida do pH. Retire os itens que você acha que está causando a mudança, efetue uma troca de 50% da água, em seguida, monitore por alguns dias. Isto na maioria dos casos deve resolver o problema.

É sempre prudente evitar estas alterações bruscas de pH. Afinal, a prevenção sempre é melhor do que remediar!

Minimize o número de produtos químicos que você despeja na água do aquário.

Não fique mudando a decoração do aquário. Após a adição de algo novo na água do aquário, haverá a necessidade de um tempo para as novas adaptações e mudanças freqüentes só servirão para perturbar o equilíbrio já estabelecido.

Não se esqueça da manutenção periódica que devem ser realizadas. Trocas parciais de água é uma solução perfeita para manter os níveis de pH e o equilíbrio do ambiente em seu aquário.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

Uso da folha de Amendoeira na criação de Betta splendens

As folhas  da Amendoeira (Terminalia catappa L.) são usadas como tônico e coadjuvante no tratamento de peixes ornamentais. Notadamente por criadores de Betta splendens.

Estudos indicam que estão presentes em suas folhas elementos com propriedades bactericidas, fungicidas e parasiticidas. Estimulam a reprodução dos peixes, intensificam suas cores e os acalmam.

Identificando a árvore:

A Amendoeira (Terminalia catappa L.; Combretaceae) é uma árvore de grandes dimensões que pode atingir 35 m de altura. É típica de regiões tropicais.

Também é chamada popularmente de: Amendoeira-da-Praia, Chapéu de Sol, Sete-Copas, Amêndoa, Amêndoa de Java, Amêndoa de Malabar, Amêndoa de Cingapura, Amêndoa de Mar, Amêndoa Selvagem, Amendoeira Brava, Amendoeira Tropical, Amendoeira-da-Índia, Amendoeira-do-Pará, Anoz, Árvore-de-Anoz, Castanhola, Figueira-da-Índia, Guarda-Chuva, Guarda-Sol, Noz-da-Praia, Pé-de-Cuca, Terminália, Tropical Almond, Almendro, Badamier, Myrobalan, Kwang de Huu, Kobateishi.

Tem a copa bastante larga, fornecendo bastante sombra. É cultivada como árvore ornamental. É muito comum no Brasil, embora não seja uma planta nativa, ocorre a partir da região Sudeste, pois necessita de calor para se desenvolver. A semente é muito dura, envolve a amêndoa alongada. Desenvolve-se perfeitamente nos terrenos salgados, arenosos e resiste ao efeito dos ventos, sendo uma das plantas mais recomendadas para as praias. A sua madeira é vermelha, sólida e resistente à água, tendo sido utilizada para fazer canoas na antiga Polinésia.

A árvore é conhecida por produzir um veneno em suas folhas para se defender contra parasitas e insetos. Quando as folhas secas caem na água, uma tintura marrom é liberada. A tintura está cheia de ácidos orgânicos, como húmicos e taninos que abaixam o pH da água, absorvem substâncias químicas prejudiciais e ajudam a acalmar e criar um ambiente tranqüilo para o peixe.

Peixes que vivem ao redor da água onde as árvores de Amendoeira são achadas, são muito mais vibrantes, bonitos e saudáveis.

Classificação científica:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Myrtales
  • Família: Combretaceae
  • Gênero: Terminalia
  • Espécie: T. catappa
  • Nome binomial: Terminalia catappa L.

    Sinônimos botânicos: Catappa domestica Rumph.Terminalia badamia sensu Tul.,Terminalia rubrigemnis Tul.

Coletando e preparando as folhas para uso:

Preferencialmente devem ser colhidas ainda na árvore, verdes e tenras, bem lavadas e secas à sombra. São usadas secas (bem secas).

Não colete folhas no chão, pois podem conter contaminantes indesejáveis.

Altas temperaturas podem diminuir ou até anular o efeito de alguns compostos importantes contidos nas folhas (por exemplo Tanino – fungicida/bactericida), oxidando ou até volatizando os mesmos. Portanto não desidrate as folhas ao sol ou em micro-ondas, como sugerem alguns textos que circulam na web.

Como usar as folhas da Amendoeira:

Para tratamento direto em betteiras (aquários), coloque uma pequena fração, pedaço compatível com a quantidade de água existente na betteira, aproximadamente 1 cm2/litro.

Se você vai usar a folha com outro tipo de peixe, saiba que a proporção adequada de diluição é de 1 folha grande/56 litros (o mesmo que 15 galões). A folha grande mede, aproximadamente 25 cm de comprimento, por 15 cm de largura.

A água ficará com a coloração de chá (marrom claro) e acabará se acidificando (pH por polta de 6,8). Depois de 5 dias imersas na água, devem ser retiradas e jogadas fora.

  • Efeitos esperados no processo terapêutico:
    • Recuperação do vigor físico;
    • Aumento da capacidade imunológica;
    • Tranqüilizante;
    • Intensificação das cores.
  • Efeitos esperados no processo reprodutivo:
    • Estímulo à reprodução;
    • Diminuição/ausência de ovos fungados (ovos brancos);
    • Redução de baixas de alevinos nos primeiros dias de vida.

Se você entender que o tratamento foi satisfatório, faça uma TPA (Troca Parcial de Água) de 30% e retome o ritmo normal de seu manejo.

Caso você entenda que o tratamento não foi totalmente satisfatório, estenda o tratamento por até 15 dias. Sempre promovendo as TPAs e trocando a folha a cada 5 dias.

As folhas da Amendoeira, assim como todo e qualquer produto fitoterápico, precisam ser usadas com cuidado, apenas até alcançar o efeito desejado. A exposição constante aos princípios ativos das folhas podem, a longo prazo, passar a causar problemas de saúde aos peixes. O remédio pode passar a fazer o papel de veneno.

Fontes:

  • AquaHobby
  • Arboles Ornamentales
  • Fórum Aquário
  • Naturia
  • NG Bettas
  • PlantaMed
  • Revista Aquarium (n° 50 / Ano VIII / Set-Out/2005)
  • Seb-Ecologia
  • SiamsBestBettas
  • Wikipedia
  • Xylema

Aplicação da spirulina na criação de Betta splendens

A spirulina vem despertando crescente aumento de interesse entre os aquaristas, na atualidade. Afinal, do que se trata? Qual é sua aplicabilidade no hobby, em particular na criação de Betta splendens?

É uma bactéria de cor verde-azulada (Cyanobacterium), de formato espiral (origem do nome), do gênero Arthrospira, pertencente a ordem Oscillatoriales. É um organismo unicelular e fotoautótrofo que se agrupa, formando formas filamentosas (tricomas).

Spirulina (alga filamentosa) - Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.
Spirulina (alga filamentosa) – Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.

Na natureza estas bactérias se desenvolvem em grande profusão nas lagoas vulcânicas africanas, devido a ausência de competidores provocada pela alcalinidade e salinidade de suas águas. Ocorrem também na Europa e América Central, possivelmente conduzidas por aves migratórias.

Esta bactéria, ou alga, se preferir, é largamente empregada na alimentação humana e animal. Contém elevado conteúdo em proteínas de alto valor biológico. Também é empregada na fonte de pigmentos.

Existem registros históricos de seu consumo na cultura Asteca e outras da América Central, bem como no norte da África, desde o século 9.

Hoje ela é cultivada no mundo todo, mais intensamente na Ásia (China, Índia, Myanmar, Paquistão, Taiwan e Tailândia).

A spirulina possui taxas de proteína superior à carne, ovos e peixes, é um ótimo componente no auxílio ao desenvolvimento muscular dos seres vivos, além de aumentar significativamente o sistema imunológico.

Composição nutricional de spirulina (conteúdo do seu peso seco):

  • Proteínas: 60-70%
  • Carboidratos: 15-25%
  • Minerais: 7-13%
  • Lipídeos: 6-8%
  • Umidade: 3-7%

Sua aplicação nos aquários não se resume apenas as espécies onívoras e herbívoras, apesar de sua maior indicação ser para os peixes notoriamente vegetarianos, como kinguios, poecilídeos, ciclídeos africanos e peixes marinhos; podemos oferecer este super alimento a todos os peixes, tanto de água doce quanto salgada.

É recomendável usá-la para complementar a dieta de seus peixes. A diferença será perceptível, rápida e positiva na saúde deles, tanto em desenvolvimento quanto em resistência as doenças (especialmente indicada no processo de recuperação de peixes doentes).

É encontrada para compra nos formatos: pó, tablete e flocos. Podem ser compradas em: lojas de aquarismo, farmácias de manipulação de produtos naturais, supermercados (área de dietéticos), lojas de produtos naturais, etc.

Spirulina em pó. Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.
Spirulina em pó. Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.

Como serví-la aos Betta splendens:

Prefira adquirir spirulina em pó (bem fino), que deve ser pulverizada na superfície da água do aquário. Se houver fonte de aeração forçada no aquário (pedra-porosa, por exemplo), prefira pulverizar o pó nesta área, para que se espalhe rapidamente por toda superfície do aquário. A quantidade deve ser mínima, o que você conseguir pegar com a ponta de um palito de dentes.

Você também pode fazer bio-encapsulamento da spirulina, por exemplo, em náuplios de artêmias franciscanas (salinas). Após coletá-las e lavá-las em água corrente doce, coloque-as num pote com água doce (isenta de cloro e metais pesados), adicionando spirulina nesta água. Coloque aeração forçada neste pote (pedra-porosa) e deixe que os náuplios assimilem a spirulina por 15/20 minutos (através do desbalanceamento hídrico/troca osmótica). Depois sirva aos peixes com o auxílio de uma pipeta ou seringa.

Fontes: