Uso da folha de Amendoeira na criação de Betta splendens

As folhas  da Amendoeira (Terminalia catappa L.) são usadas como tônico e coadjuvante no tratamento de peixes ornamentais. Notadamente por criadores de Betta splendens.

Estudos indicam que estão presentes em suas folhas elementos com propriedades bactericidas, fungicidas e parasiticidas. Estimulam a reprodução dos peixes, intensificam suas cores e os acalmam.

Identificando a árvore:

A Amendoeira (Terminalia catappa L.; Combretaceae) é uma árvore de grandes dimensões que pode atingir 35 m de altura. É típica de regiões tropicais.

Também é chamada popularmente de: Amendoeira-da-Praia, Chapéu de Sol, Sete-Copas, Amêndoa, Amêndoa de Java, Amêndoa de Malabar, Amêndoa de Cingapura, Amêndoa de Mar, Amêndoa Selvagem, Amendoeira Brava, Amendoeira Tropical, Amendoeira-da-Índia, Amendoeira-do-Pará, Anoz, Árvore-de-Anoz, Castanhola, Figueira-da-Índia, Guarda-Chuva, Guarda-Sol, Noz-da-Praia, Pé-de-Cuca, Terminália, Tropical Almond, Almendro, Badamier, Myrobalan, Kwang de Huu, Kobateishi.

Tem a copa bastante larga, fornecendo bastante sombra. É cultivada como árvore ornamental. É muito comum no Brasil, embora não seja uma planta nativa, ocorre a partir da região Sudeste, pois necessita de calor para se desenvolver. A semente é muito dura, envolve a amêndoa alongada. Desenvolve-se perfeitamente nos terrenos salgados, arenosos e resiste ao efeito dos ventos, sendo uma das plantas mais recomendadas para as praias. A sua madeira é vermelha, sólida e resistente à água, tendo sido utilizada para fazer canoas na antiga Polinésia.

A árvore é conhecida por produzir um veneno em suas folhas para se defender contra parasitas e insetos. Quando as folhas secas caem na água, uma tintura marrom é liberada. A tintura está cheia de ácidos orgânicos, como húmicos e taninos que abaixam o pH da água, absorvem substâncias químicas prejudiciais e ajudam a acalmar e criar um ambiente tranqüilo para o peixe.

Peixes que vivem ao redor da água onde as árvores de Amendoeira são achadas, são muito mais vibrantes, bonitos e saudáveis.

Classificação científica:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Myrtales
  • Família: Combretaceae
  • Gênero: Terminalia
  • Espécie: T. catappa
  • Nome binomial: Terminalia catappa L.

    Sinônimos botânicos: Catappa domestica Rumph.Terminalia badamia sensu Tul.,Terminalia rubrigemnis Tul.

Coletando e preparando as folhas para uso:

Preferencialmente devem ser colhidas ainda na árvore, verdes e tenras, bem lavadas e secas à sombra. São usadas secas (bem secas).

Não colete folhas no chão, pois podem conter contaminantes indesejáveis.

Altas temperaturas podem diminuir ou até anular o efeito de alguns compostos importantes contidos nas folhas (por exemplo Tanino – fungicida/bactericida), oxidando ou até volatizando os mesmos. Portanto não desidrate as folhas ao sol ou em micro-ondas, como sugerem alguns textos que circulam na web.

Como usar as folhas da Amendoeira:

Para tratamento direto em betteiras (aquários), coloque uma pequena fração, pedaço compatível com a quantidade de água existente na betteira, aproximadamente 1 cm2/litro.

Se você vai usar a folha com outro tipo de peixe, saiba que a proporção adequada de diluição é de 1 folha grande/56 litros (o mesmo que 15 galões). A folha grande mede, aproximadamente 25 cm de comprimento, por 15 cm de largura.

A água ficará com a coloração de chá (marrom claro) e acabará se acidificando (pH por polta de 6,8). Depois de 5 dias imersas na água, devem ser retiradas e jogadas fora.

  • Efeitos esperados no processo terapêutico:
    • Recuperação do vigor físico;
    • Aumento da capacidade imunológica;
    • Tranqüilizante;
    • Intensificação das cores.
  • Efeitos esperados no processo reprodutivo:
    • Estímulo à reprodução;
    • Diminuição/ausência de ovos fungados (ovos brancos);
    • Redução de baixas de alevinos nos primeiros dias de vida.

Se você entender que o tratamento foi satisfatório, faça uma TPA (Troca Parcial de Água) de 30% e retome o ritmo normal de seu manejo.

Caso você entenda que o tratamento não foi totalmente satisfatório, estenda o tratamento por até 15 dias. Sempre promovendo as TPAs e trocando a folha a cada 5 dias.

As folhas da Amendoeira, assim como todo e qualquer produto fitoterápico, precisam ser usadas com cuidado, apenas até alcançar o efeito desejado. A exposição constante aos princípios ativos das folhas podem, a longo prazo, passar a causar problemas de saúde aos peixes. O remédio pode passar a fazer o papel de veneno.

Fontes:

  • AquaHobby
  • Arboles Ornamentales
  • Fórum Aquário
  • Naturia
  • NG Bettas
  • PlantaMed
  • Revista Aquarium (n° 50 / Ano VIII / Set-Out/2005)
  • Seb-Ecologia
  • SiamsBestBettas
  • Wikipedia
  • Xylema

Aplicação da spirulina na criação de Betta splendens

A spirulina vem despertando crescente aumento de interesse entre os aquaristas, na atualidade. Afinal, do que se trata? Qual é sua aplicabilidade no hobby, em particular na criação de Betta splendens?

É uma bactéria de cor verde-azulada (Cyanobacterium), de formato espiral (origem do nome), do gênero Arthrospira, pertencente a ordem Oscillatoriales. É um organismo unicelular e fotoautótrofo que se agrupa, formando formas filamentosas (tricomas).

Spirulina (alga filamentosa) - Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.
Spirulina (alga filamentosa) – Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.

Na natureza estas bactérias se desenvolvem em grande profusão nas lagoas vulcânicas africanas, devido a ausência de competidores provocada pela alcalinidade e salinidade de suas águas. Ocorrem também na Europa e América Central, possivelmente conduzidas por aves migratórias.

Esta bactéria, ou alga, se preferir, é largamente empregada na alimentação humana e animal. Contém elevado conteúdo em proteínas de alto valor biológico. Também é empregada na fonte de pigmentos.

Existem registros históricos de seu consumo na cultura Asteca e outras da América Central, bem como no norte da África, desde o século 9.

Hoje ela é cultivada no mundo todo, mais intensamente na Ásia (China, Índia, Myanmar, Paquistão, Taiwan e Tailândia).

A spirulina possui taxas de proteína superior à carne, ovos e peixes, é um ótimo componente no auxílio ao desenvolvimento muscular dos seres vivos, além de aumentar significativamente o sistema imunológico.

Composição nutricional de spirulina (conteúdo do seu peso seco):

  • Proteínas: 60-70%
  • Carboidratos: 15-25%
  • Minerais: 7-13%
  • Lipídeos: 6-8%
  • Umidade: 3-7%

Sua aplicação nos aquários não se resume apenas as espécies onívoras e herbívoras, apesar de sua maior indicação ser para os peixes notoriamente vegetarianos, como kinguios, poecilídeos, ciclídeos africanos e peixes marinhos; podemos oferecer este super alimento a todos os peixes, tanto de água doce quanto salgada.

É recomendável usá-la para complementar a dieta de seus peixes. A diferença será perceptível, rápida e positiva na saúde deles, tanto em desenvolvimento quanto em resistência as doenças (especialmente indicada no processo de recuperação de peixes doentes).

É encontrada para compra nos formatos: pó, tablete e flocos. Podem ser compradas em: lojas de aquarismo, farmácias de manipulação de produtos naturais, supermercados (área de dietéticos), lojas de produtos naturais, etc.

Spirulina em pó. Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.
Spirulina em pó. Imagem meramente ilustrativa de origem desconhecida.

Como serví-la aos Betta splendens:

Prefira adquirir spirulina em pó (bem fino), que deve ser pulverizada na superfície da água do aquário. Se houver fonte de aeração forçada no aquário (pedra-porosa, por exemplo), prefira pulverizar o pó nesta área, para que se espalhe rapidamente por toda superfície do aquário. A quantidade deve ser mínima, o que você conseguir pegar com a ponta de um palito de dentes.

Você também pode fazer bio-encapsulamento da spirulina, por exemplo, em náuplios de artêmias franciscanas (salinas). Após coletá-las e lavá-las em água corrente doce, coloque-as num pote com água doce (isenta de cloro e metais pesados), adicionando spirulina nesta água. Coloque aeração forçada neste pote (pedra-porosa) e deixe que os náuplios assimilem a spirulina por 15/20 minutos (através do desbalanceamento hídrico/troca osmótica). Depois sirva aos peixes com o auxílio de uma pipeta ou seringa.

Fontes:

Uso do sal, Cloreto de Sódio (NaCl), na criação de Betta splendens

Existem benefícios no uso de sal (NaCl), sal grosso (aquele de churrasco mesmo), no manejo da espécie Betta splendens, tais como:

  • Redução de problemas relacionados ao estresse causado, por exemplo, com a: captura, transporte e alterações na qualidade da água, diminuindo o risco de morte de espécimes;
  • Bactericida natural que desestabiliza o meio de cultura de várias classes de bactérias e impede que elas se alimentem e completem seu ciclo biológico. Diminui de forma significativa a chance de ovos fungarem;
  • Quando necessário, aumenta o nível de condutividade da água, estimulado o processo reprodutivo. Segundo literatura técnica disponível na web, a espécie Betta splendens prefere água com condutividade elétrica de 70 a 100 µS/cm (valores expressos em microSiemens por centímetro, que são medidos através de equipamento chamado condutivímetro).

De forma constante eu aplico 1 (uma) grama de sal grosso por litro de água na minha criação de Betta splendens e os resultados são excelentes.

Quando e se observo que o animal está estressado, com comportamento anormal, sem comer, apático, etc; aumento a quantidade de sal grosso para a proporção de 3 (três) gramas por litro de água.

Para o tipo de água de que disponho para trabalhar (serviço de abastecimento de água tratada de Campinas/SP), esta dosagem se mostrou satisfatória para esta espécie. Outros locais carecem de experimentação para achar a proporção ideal de adição de sal na água, sempre com muita cautela para não comprometer a saúde dos animais.

Sugiro a leitura dos excelentes artigos publicados (em língua portuguesa):

O frio chegou! Saiba como aquecer seu Betta splendens

Entra ano, sai ano, invariavelmente na época do outono/inverno hobbystas aflitos enviam consultas para o Betta Brasil, pedindo orientações para aquecer seus mascotes, de forma que passem incólumes por estas estações climáticas, quando as temperaturas despencam em algumas regiões do Brasil.

Betta splendens vivem muito bem na faixa de temperatura entre 24 e 30 °C, mas suportam razoavelmente bem, viver acima ou abaixo desta faixa, desde que sua adaptação ao novo parâmetro aconteça de forma lenta.

Com relação ao frio, conheço relatos de criadores que afirmam que seus Betta splendens “suportaram” temperaturas baixas na ordem de 17/18 °C. Não duvido. Aliás, acho muito provável que animais saudáveis e jovens “suportem” tal situação sem grandes prejuízos. Mas sempre haverá prejuízo e risco de morte para o animal.

No frio o metabolismo do Betta splendens fica bem mais lento, ele acaba se alimentando menos, se movimentando e se exercitando menos, passa a consumir suas reservas internas. Por conseqüência direta ele para de crescer, se desinteressa por acasalamentos, sua capacidade imunológica diminui, contribuindo para que doenças oportunistas se aproveitem da situação, atacando o animal.

Não posso deixar de chamar a atenção para um detalhe importante… Mesmo que a temperatura esteja dentro dos parâmetros bem aceitos pelo animal, eventuais mudanças de temperatura devem acontecer de forma lenta. Variações rápidas de temperatura estressam os peixes e permitem que doenças oportunistas se aproveitem da situação, atacando o animal.

Isto posto, acho que lhe ficou claro que a temperatura da água dos aquários de seus Betta splendens, devem estar estáveis o tempo todo, não apenas no outono/inverno. Este período é o mais crítico, mas esta preocupação deve ser constante, o ano todo.

Eu sei, você está preocupado com seu bolso, com o valor da sua conta de consumo de energia elétrica. Comungo de sua preocupação, mas a partir do momento que decidimos retirar animais da natureza, colocando-os sob nossos cuidados, dentro de nossas casas, temos obrigação e a responsabilidade de procurar oferecer-lhes as melhores condições possíveis no ambiente de cativeiro. Estou errado? Se você não concorda, acho que você ainda não está preparado para abraçar o hobby.

Tipos de aquecedores elétricos e termostatos

Os aquecedores elétricos mais baratos existentes no mercado, são os famosos “bananinhas”, que devem trabalhar sempre de forma consorciada com um termostato, para automatizar o processo de ligar e desligar o aquecedor, sempre que a temperatura chegar no limite que você configurou no aparelho. Sem a ação do termostato, você corre o risco de super aquecer a água, literalmente cozinhando o peixe ainda vivo..

Termostato e aquecedor tipo "bananinha" (Imagens meramente ilustrativas)
Termostato e aquecedor tipo “bananinha” (Imagens meramente ilustrativas).

O termostato da ilustração se fixa na lateral do aquário e oferece uma tomada fêmea para acoplamento de aquecedor tipo “bananinha”. Ele, por sua vez, se conecta à rede elétrica de sua casa, através de uma tomada macho.

Este mesmo tipo de termostato, que se fixa na lateral do aquário, também pode ser adquirido no mercado com aquecedor integrado. Menos fio passando no entorno do aquário, mais praticidade e mais segurança para você e sua residência.

Também existe para venda, termostato integrado com aquecedor submersível. O conjunto fica totalmente mergulhado na água do aquário, podendo ficar camuflado atrás de plantas aquáticas, pedras e adornos. Além de ser mais discreto, é mais seguro e oferece ajustes de temperatura bem mais precisos. Alguns modelos até oferecem dispositivo de segurança, que desligam automaticamente o equipamento se forem retirado da água e não se quebram em função da rápida mudança de temperatura.

Termostato submersível, integrado com aquecedor (imagem meramente ilustrativa).
Termostato submersível, integrado com aquecedor (imagem meramente ilustrativa).

Quanto mais sofisticado o equipamento, maior será seu investimento, sem dúvida. Porém você deve levar em conta sua segurança, a segurança dos animais e a segurança de sua residência. Podendo, faça o investimento certo e “praticamente definitivo”. Fiz questão de salientar o “praticamente definitivo”, por que nada é eterno. Pode até durar mais, ser mais resistente, mas em algum momento também vai quebrar e/ou ficar extremamente obsoleto.

Para dimensionar a potência do aquecedor adequado para o seu projeto, siga esta tabela:

Aquecedor – Dimensionamento de Potência
Galões/Litros
5 ºC / 9 ºF
10 ºC / 18 ºF
15 ºC / 27 ºF
05 gal/025 L
025 watts
050 watts
      075 watts
10 gal/050 L
050 watts
075 watts
      075 watts
20 gal/075 L
050 watts
075 watts
      150 watts
25 gal/100 L
075 watts
100 watts
      200 watts
40 gal/150 L
100 watts
150 watts
      300 watts
50 gal/200 L
150 watts
200 watts
      200 watts
65 gal/250 L
200 watts
250 watts
2 x 250 watts
75 gal/300 L
250 watts
300 watts
2 x 300 watts

Instruções:

Subtraia a temperatura média da estufa/local em que o aquário está posicionado, da temperatura que você deseja manter na água do aquário.

Encontre o tamanho de seu aquário na coluna da esquerda e mova para coluna que mostra o número de graus que o aquário precisa para ser aquecido.

Se a exigência de aquecimento está entre níveis, mova-a para o mais próximo valor superior.

Em tanques maiores, ou onde a temperatura da estufa/local do aquário está significativamente abaixo da temperatura de água desejada, podem ser requeridos dois aquecedores.

Aquecedores devem ser instalados em cantos opostos do aquário para aquecê-lo mais uniformemente.

Exemplo:
Temperatura média do ambiente
= 68 °F
Temperatura desejada da água
= 77 °F
Aquecimento exigido
= 09 °F
Logo p/ o ambiente :
Tanque
= 20 galões
Aquecedor requerido
= 50 watts

Dicas para otimizar seu investimento com os equipamentos e redução de custos de consumo de energia elétrica

ALERTA DE RISCO! PARA TODAS AS PROPOSTAS ABAIXO, VOCÊ DEVE MANTER CONTROLE PERMANENTE DA TEMPERATURA DA ÁGUA, ATRAVÉS DE UM TERMÔMETRO (POR EXEMPLO, DO TIPO ADESIVO, ADERIDO AO VIDRO DO AQUÁRIO). TERMOSTATOS, AQUECEDORES TIPO “BANANINHA” OU SISTEMAS INTEGRADOS; SÃO EQUIPAMENTOS ELETRO/ELETRÔNICOS PASSÍVEIS DE FALHAS TÉCNICAS , AQUECENDO EM DEMASIA OU DEIXANDO DE AQUECER A ÁGUA – É RARO, MAS NÃO IMPOSSÍVEL DE ACONTECER.

Para quem tem apenas um peixe para manter aquecido, sugiro o uso de termostato submersível, integrado com o aquecedor. Colocar ou não um filtro externo (físico, químico e biológico), é apenas uma sugestão para manter a água bem limpa, sem precisar promover TPAs (Trocas Parciais de Água) de 30%, dia sim, dia não. Este prazo pode ser mais elástico com adoção de filtragem.

Sugestão para quem precisa aquecer um único exemplar de Betta splendens.
Sugestão para quem precisa aquecer um único exemplar de Betta splendens.

Se você tem poucos peixes e não está disposto a fazer grande investimento com equipamentos, pode fazer uso de garrafas pets cortadas e furadas, para que possa haver circulação de água entre os potes de contenção de animais e o aquário. Neste caso o filtro externo (físico, químico e biológico), é recomendável, pois existem vários peixes co-habitando o mesmo espaço, excretando na água.

Projeto econômico de aquário coletivo, com sistema de controle de temperatura, aquecimento e filtragem de água.
Projeto econômico de aquário coletivo, com sistema de controle de temperatura, aquecimento e filtragem de água.

Uma variação para esta proposta é a construção de aquário com divisórias. Neste caso, a menos que você integre ao projeto um sistema de circulação de água eficiente, o filtro externo (físico, químico e biológico), perde o sentido. A ilustração mostra vista frontal e superior rebatida, do mesmo projeto.

Aquário com múltiplas divisórias, com paredes comunicantes com o sistema de aquecimento e controle de temperatura.
Aquário com múltiplas divisórias, com paredes comunicantes com o sistema de aquecimento e controle de temperatura.

Se você possui vários aquários pequenos, todos com o mesmo volume de água, pode instalar um termostato na lateral de um dos aquários e ligar em paralelo os aquecedores “bananinhas” de mesma potência em todos os aquários. O controle de temperatura é feito em apenas em um dos aquários, mas todos terão temperaturas muito parecidas, pois contemplam o mesmo volume de água. Dimensione o termostato adequadamente, ele deve suportar a carga de todos os aquecedores do seu sistema.

Termostato controla a temperatura de um aquário, mas comanda o liga/desliga de todos os aquecedores. Todos os aquecedores devem ter a mesma potência e todos os aquários, o mesmo volume de água para ser aquecido.
Termostato controla a temperatura de um aquário, mas comanda o liga/desliga de todos os aquecedores. Todos os aquecedores devem ter a mesma potência e todos os aquários, o mesmo volume de água para ser aquecido.

Para evitar o aquecimento da água, acidentes desta natureza, você pode ligar em série os aquecedores “bananinhas”. Assim, se um deles apresentar problemas, o circuito elétrico se rompe e o conjunto todo deixa de funcionar.

Optando por este caminho, é preciso dimensionar o termostato adequadamente, ele deve suportar a carga de todos os aquecedores do seu sistema e recalcular a potência dos aquecedores. Dois aquecedores de 30 Watts ligados em série, por exemplo, individualmente e na prática aquecerão como se fossem aquecedores de 15 Watts. Se você não sabe dimensionar o seu sistema, procure um eletricista para lhe dar esta consultoria. É mais adequado e seguro.

A partir destas idéias e sugestões, você pode criar sua própria solução, montar seu próprio projeto, de forma a atender suas necessidades específicas e capacidade de investimento.

Primeiros Socorros para Betta splendens

As sugestões apresentadas abaixo refletem as experiências empíricas acumuladas ao longo dos anos que manejo esta espécie (> 47). Não estou credenciado a fazer diagnósticos e prescrever tratamentos. Ciente disto, avalie as sugestões apresentadas e siga-as por sua conta e risco, se entender que deve. Este manejo pode variar ligeiramente de criador, para criador. Mas em sua essência, os manejos serão bem parecidos.

Antes de mais nada é importante dizer que a grande maioria de doenças que surgem em nossas criações de peixes são provocadas por estresse. A capacidade imunológica do animal, quando estressado, cai dratiscamente, permitindo que doenças oportunistas ataquem os animais. Portanto detectar a fonte do estresse é tão ou mais importante do que tentar medicar o animal, para que o problema não se repita ou agrave.

Na criação de Betta splendens, o que acontece mais é ataque de fungos, bactérias, parasitas (principalmente Ictio e Oodinium), desordem da bexiga natatória (DBN), e Pop Eye. Dificilmente acontecerá algo diferente que fuja destas situações.

Se você não tem experiência suficiente para definir exatamente o problema que seu peixe enfrenta, existem algumas ações simples que você pode providenciar, para tentar reanimar o animal. Quando e se algo chegar a se manifestar de forma bem explícita, você entra com medicação industrializada.

Siga estas sugestões:

♦ Transfira o peixe para um “aquário hospital”. Pode ser um pet de refrigerante cortado.

Enquanto seu peixe está em tratamento, lave o aquário dele muito bem com água corrente. Deixe-o de molho em água sanitária por algumas horas. Enxágüe muito bem e deixe-o ao sol para evaporação dos gases do cloro e ultima limpeza com os raios UV.

♦ No “aquário hospital” use 100% de água nova, isenta de cloro e metais pesados (pH e temperatura da água devem estar equalizados com a água do aquário original do peixe).

Se você faz uso de água de poço artesiano, é altamente recomendável o uso de condicionador de água para eliminação de metais pesados que “podem” estar presentes nesta água. A água tratada pelo sistema de abastecimento público não requer nada além do uso de anti-cloro. Se você puder usar condicionador de água, também para este tipo de água (água tratada pelo sistema de abastecimento de sua cidade), lhe garanto que mal não fará ao animal. Em sua composição existe um protetor para a mucosa do peixe.

Troque a água do “aquário hospital” todos os dias, 100% e aplique os produtos sugeridos acima novamente. Repito. a água, além de estar isenta de cloro e metais pesados, deve estar com pH e temperatura equalizada com os parâmetros da água em que o peixe está, para não estressá-lo ainda mais.

♦ Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Desta forma o peixe precisa apenas virar a boca para cima, para respirar, puxar o ar da atmosfera.

Lembre-se que o Betta splendens respira essencialmente através de seus labirintos, um sistema similar ao pulmão humano. Reduzindo o esforço do animal para subir à tona para respirar, ele concentra suas energias na cura.

Adicione sal-grosso, “de churrasco mesmo”, na água. Durante a crise na proporção de 3g/litro de água. Fora da crise, e de forma preventiva, aplique 1g/litro de água. O sal tem propriedades curativas, é um competente bactericida natural.

♦ Adicione, se possível, folha de amendoeira (Terminalia catappa L.) na água, na razão de 1 cm2/litro de água. Esta folha tem propriedades curativas: bactericida, fungicida e anti-inflamatória. A cada troca de água, substitua o pedaço desta folha, na mesma medida indicada anteriormente

Aumente a temperatura da água em 1 ou 2 °C. Isto costuma ser tonificante para peixes.

Se você não tem um sistema de controle de temperatura da água, integrado a um termostato, é bom providenciar. A estabilidade da temperatura da água é muito importante para não estressar o animal ainda mais, num momento em que ele já está tão fragilizado. 

♦ Preferencialmente ofereça apenas alimentos vivos neste momento, sempre em pequenas quantidades. Havendo sobras, remova-as com a ajuda de uma pipeta.

Algumas opções de alimentos vivos: náuplios ou indivíduos adultos de artemias salinas (Artemia franciscana), microvermes (Anguilula silusiae), vermes-do-vinagre (Turbatrix aceti), enquitréias (Enchytraeus albidus), vermes-de-grindall (Enchytraeus buchholzi).

Sem medo de errar, se você acompanhar e observar atentamente seus animais, cotidianamente, perceberá rapidamente qualquer mudança de comportamento do animal, podendo aplicar as sugestões acima indicadas, resolvendo o problema de imediato.

Perceba que até o presente momento não citei nada sobre medicação industrializada. Você pode e deve usá-la, principalmente se estas medidas acima não surtiram os efeitos esperados.

É provável que a esta altura dos acontecimentos você já tenha uma idéia clara do problema que afeta seu peixe. Se não tem, sugiro que consulte o manual da Sera™: Como manter saudáveis os seus peixes ornamentais. Em minha humilde opinião, o melhor material de consulta gratuito, disponível no momento em que escrevo este texto. É evidente que o fabricante indica os produtos de sua fabricação, excelentes por sinal (que fique registrado), mas nada impede que você use este material para tentar identificar a doença e procure por soluções alternativas no mercado, que sejam passíveis de serem encontradas no comércio local de sua cidade, que caibam no seu bolso.

Desejo que você consiga recuperar a saúde do seu animal, seguindo estas sugestões. Aja rapidamente, não espere o problema se agravar para tomar as providências necessárias.