Sexagem de alevinos de Betta splendens

Esta é uma das dificuldades que os criadores neófitos da espécie enfrentam, quando é chegado o momento de “enjarrar” os peixes machos, isolá-los em “betteiras” exclusivas, por volta dos 3 (três) meses de vida.

Como os Bettas são bastante territorialistas, machos e fêmeas se enfrentam e correm uns atrás dos outros, o tempo todo, num aquário de crescimento. Nesta fase de idade machos e fêmeas, visualmente, aparentam ser muito semelhantes para olhos destreinados, mesmo os Bettas machos de caudas longas (nesta fase ainda não exibem esta característica).

Bettas com 3 (três) meses de vida, independentemente da genética da cor, não apresentam a pigmentação das escamas bem fixadas, e é possível sexar os peixes com relativa facilidade e segurança de acerto, apenas observando-os contra luz (de uma lanterna, por exemplo).

A parte de trás do abdome dos exemplares machos é arredondada e o abdome dos exemplares fêmeas é mais pronunciado, agregando uma área que lembra um “cone” (apontando para baixo, na direção do oviduto), atrás do abdome da fêmea, onde são acomodando os ovos. Em fêmeas de cores bem clarinhas é possível ver os ovos nitidamente.

Betta splendens macho - parte de trás do abdome arredondada.
Betta splendens macho – parte de trás do abdome arredondada.
Betta splendens fêmea - parte de trás do abdome pronunciada, agregando uma área que lembra um "cone" (apontando para baixo, na direção do oviduto), atrás do abdome da fêmea, onde são acomodando os ovos.
Betta splendens fêmea – parte de trás do abdome pronunciada, agregando uma área que lembra um “cone” (apontando para
baixo, na direção do oviduto), atrás do abdome da fêmea, onde são acomodando os ovos.

Não dá para se fiar apenas no comportamento aguerrido dos Bettas, para “enjarrar” os peixes. Por vezes fêmeas assumem postura muito agressiva e podem, desta forma, serem confundidas com exemplares machos e machos também podem adotar postura bastante passiva, submissa, se fazendo passar por fêmeas, para apanhar menos dos outros machos. Então, não se surpreenda, se encontrar um Betta macho, que passou despercebido, no meio de seu tanque de Bettas fêmeas, depois da sexagem. Isto é muito comum acontecer.

Este método de olhar o peixe contra a luz é bastante confiável. Se você errar em algumas avaliações, será em pequeno número. O uso de lentes de aumento ajudam muito na sexagem dos peixes.

O uso de lentes de aumento ajudam muito na sexagem dos peixes.
O uso de lentes de aumento ajudam muito na sexagem dos peixes.

Com o decorrer doi tempo, com a experiência acumulada, este processo de sexagem dos alevinos de Betta splendens, vai ficando cada vez mais fácil e com menor número de erros de avaliação.

Simples, não? Rs… Então prepare-se para sexar os mais de 400 alevinos de Betta splendens que estão no seu aquário de crescimento, brigando como loucos. “Enjarre” todos os machos da espécie que você puder identificar e mantenha as fêmeas num aquário/tanque coletivo, de preferência.

Estações secas e chuvosas no aquário

ATENÇÃO! Este artigo nos ajuda a perceber, entender e até simular sinais da natureza para estimular reprodução de peixes em cativeiro, várias técnicas e considerações se aplicam também à reprodução da espécie Betta splendens em ambiente de confinamento.

Muitos peixes tropicais se reproduzem sazonalmente devido a mudanças de seus ambientes naturais. Na maioria das vezes eles o fazem no começo da estação chuvosa, porque ela trás um aumento do suprimento de comida e maior possibilidade dos alevinos encontrarem alimento e abrigo.

Recriar a maioria das mudanças possíveis que ocorrem durante as estações chuvosas pode ser um caminho para se obter a desova das espécies que, de outra forma, seriam muito difíceis de procriar. Algumas espécies são tão fáceis de procriar que não se faz necessário usar os métodos descritos abaixo, mas certas espécies precisam deles. Primeiro tente as regras básicas de reprodução mas se não conseguir, tente algumas das sugestões abaixo

A seguir uma compilação de maneiras de conseguir reprodução de peixes vindos de áreas onde as estações secas e chuvosas são marcantes como o Amazonas e o Rio Negro, na América do Sul. Os dados e idéias foram colhidas de diversas fontes incluindo livros, amigos, a internet e baseados também na minha própria experiência acasalando peixes-gato e Tetras sul-americanos.

A simulação das estações secas e chuvosas dura cerca de quatro semanas. Usando métodos simples alguns conseguiram reproduzir Panaque nigrolineatusSturisoma sp., e comedores de algas Siameses, que são considerados peixes muito difíceis de reproduzir.

Gatilhos reprodutores da natureza

Relacionadas abaixo estão as diferentes mudanças que podem ocorrer durante o início das estações chuvosas e que podem induzir as espécies a se reproduzirem. Elas não estão dispostas em qualquer ordem nem se sabe ao certo quais delas devem ocorrer simultaneamente para que ajudem a reprodução.

1Baixa pressão: Após um longo período de pressão alta ao final da estação seca, a pressão barométrica cai, com a chegada das primeiras chuvas
2Aumento da oferta de comida: Depois de um período de inanição após a estação seca, a oferta de comida aumenta drasticamente. Algumas espécies ficam esqueléticas pois em alguns casos podem ficar cerca de um mês sem comida. Certas espécies comem até detritos de outros peixes para se nutrir.
3Diversificação de alimentos: Durante a estação seca a comida escassa se resume a larvas e mosquitos que afundam, além de restos de plantas. Quando caem as chuvas, caem também mosquitos e outros insetos sobre a superfície da água, pólem de flores, sementes de frutas, larvas frescas e ovos, além de alevinos de outras espécies que começaram a reproduzir precocimente.
4Aumento no fluxo de água: O resultado das chuvas é o auemnto da vazão de água. O peixe se torna mais ativo. Algumas espécies migram contra a correnteza para atingir águas mais calmas e mais apropriadas para a desova.
5Aumento nos níveis de oxigênio: Chuva caindo na superfície da água aumenta o teor de oxigênio dissolvido. Aumenta na vazão também faz o teor de oxigênio subir. Em muitos casos o nível elevado de oxigênio é a condição que os ovos e os alevinos precisam, em seus primeiros dias.
6Diluição das substâncias dissolvidas na água: Quanto mais duradoura for a estação seca, mais sais, substâncias húmicas e material orgânico estarão concentrados na pouca água que sobra. Quando a chuva começa, a concentração dessas substâncias decresce, por causa da diluição. O rio, a correnteza, etc., vai se diluindo com a água da chuva que tem dureza igual a zero. Isto abaixa a dureza e muitas vezes o pH.
7Mudança na temperatura da água: A temperatura da água costuma cair quando o tempo fica nublado ou com a água fria das chuvas. Nos terrenos elevados as variações térmicas costumam ser maiores que em áreas de terras baixas (10°C comparado a alguns graus).
8Variação na profundidade da água: O aumento no volume de água causa um aumento na profundidade do rio. A pressão no fundo aumenta e o peixe ganha um espaço vertical maior para nadar. A distância para a superfície será maior para aquelas espécies que vão à superfície pegar ar.
9Maior disponibilidade de locais para a desova: Ao final da estação seca só existe água fluindo no meio do rio ou córrego e existe muito poucas plantas ou abrigos. Com o aumento na profundidade da água, os peixes podem encontrar novas áreas alagadas com plantas, raízes, troncos e sombras, onde podem esconder seus ovos e dar aos alevinos uma maior chance de se esconder.
10Mudanças na iluminação: A intensidade de luz e sua duração diminui por conta das nuvens em conexão com as chuvas. Algumas partes do dia podem se tornar muito escuras durante chuvas intensas. Com mais nuvens no céu a claridade da manhã demora mais a acontecer e o entardecer acontece precocemente.

Até o ângulo de incidência da luz varia durante o ano. Quanto mais afastado do equador, maior será a variação.

Note que certas espécies preferem total escuridão para desovar (elas habitam vegetação densa entre raízes e águas escuras).
11Aumento nos níveis de fitoplancton: Quando chega a estação chuvosa isto acontece em certas águas. Isto também é um sinal para peixes adultos desovarem pois há alimento para os pequenos filhotes por vir.
12Época certa do ano: Certas espécies possuem um relógio biológico muito forte, que está conectado à mudança das estações secas e chuvosas naquela região.
13Desovas de outras espécies: Hormônios de outros peixes na água podem ser um gatilho para a desova de certas espécies.
14Sons: Até mesmo o cair da chuva contra a superfície da água pode ser um sinal para a desova. Talvez também o som dos trovões.

Como nós simulamos isso no aquário?

Abaixo estão sugestões de como simular os mais variados estímulos citados acima. Quais escolher dependerá das espécies que se pretende obter a desova. Certas espéices podem precisar de apenas algumas, como boa alimentação e trocas de água por outra de temperatura mais baixa, enquanto outras precisam da maioria dos itens listados acima. A lista a seguir segue a mesma ordem que a de cima:

1Baixa pressão: Existem muitos relatos de pessoas que tiveram desovas em seus aquários durante períodos de baixa pressão. Entretanto, essas mesmas espécies poderiam ter desovado em períodos de alta pressão se as circunstâncias corretas estivessem presentes. Baixa pressão é impossível de simular em um aquário, então mantenha os olhos na previsão do tempo e comece a simular um tempo chuvoso durante esse período de baixa pressão.
2Aumento da oferta de comida: Se os peixes estão em boas condições quando em período de desova, eles podem ficar sem comida por várias semanas. Quando o alimento começa novamente a ficar fácil isso pode despertar seu instinto para desovar.
3Diversificação de alimentos: Trocar de alimentação pode disparar o gatilho para a desova. Em algumas águas Sul Americanas a quantidade de larvas de mosquito aumenta (especialmente larvas brancas) no começo da estação chuvosa. Se você não costuma oferecer tais larvas regularmente e resolve fazê-lo durante esta simulação de estação chuvosa isso poderá estimular a mudança de comportamento.
4Aumento no fluxo de água: Facilmente equacionável com diferentes tipos de bombas e filtros. Certas espécies desovam perto de locais com grande movimentação de água, como por exemplo em frente à saída do filtro.
5Aumento nos níveis de oxigênio: Use uma pedra porosa e compressor ou então deixe um filtro fazendo “splash” na superfície para aumentar o teor de oxigênio.
6Diluição das substâncias dissolvidas na água: Use turfa e sais como CaCO3, MgSO4 ou fertilizantes para manter a água com altas concentrações tanto de sais quanto de substâncias orgânicas durante esta simulação de estação seca. Depois, dilua com água o mais mole quanto possível quando a estação chuvosa começar (pode-se aqui usar água de Osmose Reversa).
7Mudança na temperatura da água: Use aquecedores submersos para manter a temperatura alta durante o período seco. Note que certas espécies não suportam temperaturas nem tão altas nem tão baixas e que também certas espécies preferem temperaturas mais elevadas para desovar. Tais espécies talvez procurem por grama alagada para desovar, onde o sol aquece o espelho d’água.

Para baixar a temperatura, alguns apenas diminuem a regulagem dos termostatos. Para resfriar mais ainda, alguns ventilam o local do aquário ou colocam blocos de gelo no aquário.
8Variação da profundidade da água: Baixe o nível da água para 25% do normal durante a estação seca. Eleve para o nível normal em alguns dias quando a estação chuvosa começa.
9Maior disponibilidade de locais para desova: Troque as plantas e decoração. Caso não use cascalho, plante algumas plantas em potes e faça cavernas com raízes para tornar o local aconchegante para a desova.
10Mudanças na iluminação:
♦ Intensidade luminosa: possuindo diversas lâmpadas no aquário se torna fácil manter apenas uma ligada ou até mesmo usar apenas a luz natural de sua casa. Outra técnica seria cobrir a tampa de vidro de seu aquário com folhas de papel.
♦ Duração do fotoperíodo: próximo ao equador, a duração de luz costuma ser de 12 a 14 horas ao longo do ano. À medida que nos afastamos do equador aumenta a diferença de tempo entre as estações. Diminua o tempo em 1 a 2 horas tanto de manhã como ao anoitecer. Use um timer.
♦ Ângulo de incidência da luz: difícil de simular no aquário.
11Aumento nos níveis de fitoplancton: Não é fácil de simular no aquário, mas pode-se tentar infusórios. Mesmo que isso não estimule a desova, pode ser uma boa primeira alimentação para certas espécies com alevinos bem pequenos.
12Época certa do ano: Peixes coletados na natureza podem necessitar que esteja na estação chuvosa na área de onde eles são capturados, para que desovem em nossos aquários. Descubra de onde a espécie é nativa e quando ocorre a estação chuvosa lá.

Peixes reproduzidos em cativeiro geralmente possuem seu senso de quando é a estação chuvosa e quando as chuvas estão menos intensas e as vezes podem ser reproduzidos ao longo do ano todo. O mesmo pode ser verdade para peixes que foram coletados ainda jovens. Se eles não vivenciaram uma estação chuvosa então pode ser mais fácil deles desovarem numa época distinta daquela em que eles normalmente desovariam na natureza.
13Desovas de outras espécies: Deixe uma outra espécie de desova mais fácil desovar no aquário em que você quer que determinada espécie desove. Isto funciona como um tratamento hormonal natural. Uma alternativa seria fazer a primeira espécie desovar num outro aquário e usar parte de sua água no aquário no qual estamos tentando a desova.
14Sons: Adicione água a seu aquário através de uma placa plástica contendo diversos pequenos orifícios. As gotas que cairão através dos furos irão simular os pingos de chuva caindo sobre a superfície da água.

Outras idéias que são usadas pelos criadores são:

Filtrar a água sobre calcário durante a estação chuvosa. Isto faz a água ficar mais dura, mas pode ser a mudança na química da água que faz com que certas espécies desovem.
Mova os peixes bem alimentados de um tanque com condições não ideais (sem substrato, parâmetros incorretos, muitos peixes atrapalhando, etc) para outro com as condições corretas para a desova. A mudança em si associada a todas as modificações que ocorreram podem levar o peixe a desovar (técnica usada na reprodução de vários Tetras).

Sugestões para um esquema de desova:

Preparações e dicas: Escolha um aquário do tamanho apropriado para a espécie em questão. O aquário precisa ter o volume que seja suficiente quando apenas 25% dele estiver com água. O principal problema é manter o nível de oxigênio alto o suficiente sem um filtro ou pedra porosa. Construa tocas e coloque algumas plantas. O aquário deverá simular o final da estação seca.

Substrato: Existe debate entre usar ou não. O mais comum é ter algum tipo de cascalho, mas turfa ou perlon pode ser usado. A introdução desse substrato de fundo ajuda a aumentar a superfície para que bactérias benéficas se multipliquem.

Vantagens de usar substrato:

♦ Algumas espécies preferem chão escuro, outras pálido, como certas Corydoras;
♦ Muitas espécies gostam de fuçar o fundo à procura de comida;
♦ Corre-se menos riscos de fungos atacarem pequenos alevinos de peixes de fundo;
♦ Ovos que caiam no substrato são mais difíceis dos pais acharem e comerem;
♦ Não existem reflexos vindos do chão.

Desvantagens de seu uso:

♦ Difícil verificar se toda comida foi consumida;
♦ Difícil de limpar sem sifonar (e correr o risco de sugar os ovos);
♦ Se você não sabe como o peixe desova então terá que montar o aquário com um pouco de cada coisa. As plantas podem ser variadas com plantas de folhas grandes (Samambaia de Java, Echinodorus, Anubias e Hydrocotyle), folhas delicadas (Myriophyllum, Cabomba e Egeria), estreitas (Valisneria) e outras (Musgo de Java, Najas). Plantas grandes podem ser plantadas em potes para fácil remoção. Use raízes, canos de PVC de diversos diâmetros, plantas plásticas. Todos esses acessórios devem ser devidamente desinfetados e livres de caramujos.
O tanque deve ser preechido com água vinda do tanque onde o peixe estava antes e ter a mesma temperatura. Certifique-se de que a água foi trocada recentemente (baixos teores de nitritos e nitratos).
Um filtro de vazão controlável deve ser usado.
A cobertura de lâmpadas deve ser capaz de oferecer um brilho intenso de luz.
O aquecedor deverá ser disposto próximo ao chão do aquário, porém fácil de ajustar. Certifique-se de que este aquecedor possa ser totalmente submerso.
Cubra as laterais com papel para evitar assustar os peixes enquanto se move pelo cômodo.
Não alimente com larvas de mosquito antes da tentativa de desova.
Certifique-se de ter turfa (a preta é preferível), cones de desova, folhas, extrator de turfa (carvão ativo/Purigen). Certifique-se de que a Dureza em Carbonatos esteja entre 2 e 3 KH para evitar surpresas de quedas de pH quando a turfa for colocada.
Escolha animais maduros e saudáveis na quantidade apropriada de machos e fêmeas dependendo da espécie e os coloque no tanque de desova. Eles devem ser bem alimentados para que suportem as duas semanas de estação seca.

Esquema de simulação

Fim da estação chuvosa: Ainda alguma comida e o nível das águas ainda não começou a cair.

Dia 01Alimente cerca de 1/10 do normal. As luzes devem agora ter um nível entre ensolarado e nublado por cerca de 14 horas. Filtro com vazão máxima.
Dia 02Baixe o nível da água em 10%, alimente 1/10 do normal. Coloque algum carbonato de cálcio e sulfato de magnésio para aumentar tanto a Dureza Total quanto a Dureza em Carbonatos 1° cada (uma alternativa seria tirar 20% da água e adicionar metade dessa quantidade de água Dura, se estiver disponível). Coloque uma dose de fertilizante para plantas conforme instrução do produto (isso oferece mais sais para a água).
Dia 03Baixe o nível da água em 10% e não alimente. Eleve a temperatura um grau.
Dia 04Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Alimente 1/10 do normal. Coloque turfa e cones de desova. Taninos serão liberados nos próximos dias.

Início da estação seca: Oferta de alimento diminue e cessa. Nível da água e corrente diminuem. Temperatura da água restante aumenta.

Dia 05Baixe o nível da água em 10%. Não alimente. Aumente a temperatura cerca de um grau. Diminua a vazão do filtro. Verifique o pH.
Dia 06Baixe o nível da água em 10%, alimente 1/10 do normal.
Dia 07Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Pare de alimentar até o dia 21. Aumente a temperatura cerca de um grau.
Dia 08Baixe o nível da água em 10%.
Dia 09Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Desligue pedras porosas ou bombas de circulação. Retire o filtro para limpeza. Deixe o filtro rodando em outro aquário para manter vivas as bactérias benéficas por uma semana, quando este filtro será novamente usado.
Dia 10Baixe o nível da água em 10%. A essa altura o nível da água deve estar em 25% da capacidade total do aquário. A temperatura deve estar próxima dos 28°C. Coloque turfa, cones de desova, folhas, etc. Adicione fertilizante. Aumente a iluminação para o máximo. Remova qulaquer planta flutuante. De início ao uso da cultura de infusórios. Verifique o pH.
Dias 11 a 19Deixe os peixes em paz.

Início da estação chuvosa: As primeiras nuvens já podem ser vistas no céu mas as chuvas não começaram a cair.

Dia 20Limpe o filtro que estava rodando no outro aquário. Diminua a iluminação tanto na intensidade quanto na duração (diminua para 10 horas). Retire a turfa e folhas. Verifique o pH.

Primeira chuva:

Dia 21Recoloque as plantas flutuantes. Adicione mais plantas do tipo que o peixe gosta para desovar. Adicione água limpa e mole (cerca de 20% do volume do tanque). A temperatura dessa água deve ser uns 3°C mais fria que a água do tanque. Recoloque o filtro e faça-o funcionar com metade de sua capacidade, se possível. Experimente desligar as luzes por umas duas horas no meio do dia para simular nuvens pesadas. Diminua a temperatura do termostato em 2°C. Alimente um pouco com larvas de mosquitos e artêmias salinas recém eclodidas. Adicione infusórios para que a água fique ligeiramente turva.
Dia 22Reponha mais 20% de água ao tanque com água 5°C mais fria. Aumente a vazão do filtro para o máximo, fazendo com que exista splash na superfície da água. Baixe a temperatura no termostato outros 2°C. Alimente bastante e com freqüência. Adicione infusório para turvar um pouco a água. Adicione alguma vitamina na água e fertilizante para plantas.
Dia 23Adicione mais 20% de água ao tanque com água 5°C mais fria. Ligue algum tipo de aeração, porém fraca. Baixe mais 2°C na temperatura do termostato. Alimente bastante e adicione mais infusório.
Dia 24Desligue o termostato se o peixe puder suportar a temperatura ambiente. Aeração a meia força. Complete o volume do tanque com água 5°C mais fria. Se for possível, abra uma janela durante a noite para baixar a temperatura ainda mais. Alimente bastante e coloque mais infusórios.

Alta estação das chuvas:

Dia 25Aeração em força total. Troca parcial de 50% e alimente bastante.
Dia 26 em dianteMantenha a aeração no máximo e faça trocas parciais de 50% e alimente bastante até que ocorra a desova.

Nota do tradutor: No dia 10 está sendo sugerido que as elevações de temperatura atinjam 28°C mas para muitos peixes tropicais que aguentem temperaturas mais elevadas, este valor pode passar de 28°C. 

Kristian Adolfsson
www.corydoras.net

Tradutor:

Marcos Mataratzis
Químico, Professor de Química e Aquarista. Administrador do fórum Vitória Reef.

Eclosão de cistos de Artêmias franciscanas (salinas)

Sem dúvida alguma, os náuplios de artêmias franciscanas (salinas), recém eclodidos de seus cistos, são a base alimentar das larvas de Betta splendens em cada 9, entre 10 estufas de criadores brasileiros, sem medo de exagero.

Há quem ofereça apenas os náuplios de artemias, logo após o saco vitelino das larvas de Betta splendens estarem esgotados. Pulando a fase de oferecimento de infusórios, paramécios, rotíferos, vermes-do-vinagre e até mesmo daphnias. Mesmo sabendo que nem todas as larvas irão conseguir se alimentar deles, por serem grandes para algumas das pequenas bocas. Mesmo os menores náuplios. É óbvio que o processo seletivo da sobrevivência dos maiores e melhores preparados já se instala no plantel bem cedo. Os menores não sobreviverão.

Eu prefiro introduzir os náuplios de artêmias franciscanas (salinas), logo no primeiro dia de vida das larvas, em pequenas quantidades, junto com outros micro-organismos menores (principalmente vermes-do-vinagre). Na medida que as larvas vão crescendo, vou diminuindo a oferta de vermes-do-vinagre e aumentando a quantidade ofertada de náuplios de artêmias franciscanas (salinas). Isto não quer dizer que o manejo descrito mais acima esteja errado, apenas não é o meu. É importante trazê-lo a luz e você decide qual será o seu caminho.

Abaixo vou apresentar como faço a eclosão dos cistos de artêmias franciscanas (salinas), de forma artesanal, bem simples e barata…

Você vai precisar de:

  1. “Artemeira”;
  2. Bomba aeradora;
  3. Difusor de ar (1 Entrada/2 Saídas), com controle de vazão;
  4. Mangueira de silicone translúcida (ø 4-6 mm) para interligar a bomba aeradora, o difusor de ar e a “artemeira” (a medida que baste);
  5. 1 colher rasa de café de cistos de artêmia franciscana (salina) (esta quantidade pode e deve variar em função do volume de peixes a ser alimentado na sua criação);
  6. 1 colher de sopa bem cheia de sal-grosso (de churrasco), sal desmineralizado (p/ bovinos e eqüinos) ou sal marinho sintétco, para cada litro de água;
  7. 1 colher rasa de café de bicarbonato de sódio/litro d’água (isto deverá ser o suficiente para elevar o pH da água para 8,0);
  8. 2 litros de água;
  9. 1 pedaço de meia-de-nylon feminina (para tampar a “artemeira”);
  10. 1 pedaço de elástico de costura (para prender a meia-de-nylon à “artemeira”);
  11. 1 puçá de nylon 077 fios, para coletas;
  12. Vasilha capaz de absorver o volume de água que cabe na “artemeira”, no momento da coleta.
"Artemira" simples, para eclosão de cistos de artêmias franciscanas (salinas).
“Artemira” simples, para eclosão de cistos de artêmias franciscanas (salinas).

Como proceder:

  1. Posicione a “artemeira” num nível mais baixo que a bomba aeradora, para evitar curto-circuito, caso haja retorno de fluxo de ar/água pela mangueira, por exemplo, depois de falta de energia elétrica;
  2. Acople a mangueira que sai por baixo da “artemeira”, numa das saídas do difusor de ar;
  3. Adicione água na “artemeira”, até completar aproximadamente 3/4 de sua capacidade total;
  4. Adicione sal-grosso e bicarbonato de sódio;
  5. Ligue a bomba aeradora e regule o fluxo de ar no difusor, de forma a liberar um bom volume de ar para agitar a água, com bolhas grandes. Se for preciso abra um pouco a outra saída do difusor, para reduzir o nível de ruído da bomba aeradora e aliviar a pressão;
  6. Adicione os cistos de artemias franciscanas (salinas);
  7. Cubra a boca da “artemeira” com um pedaço de meia-de-nylon feminina, com o elástico de costura (para evitar que insetos caiam na água).

Coleta e Oferta:

  1. 24/36 horas após, você vai observar milhões de náuplios nadando na “artemeira”, desligue a bomba aeradora (este tempo de eclosão pode variar a cada lote de cisto comprado);
  2. Cubra a “artemeira” com um pano escuro, deixando apenas a sua base, recebendo luz (natural). Os náuplios vão se concentrar na base, procurando pela luz;
  3. Desacople a mangueira do difusor, tampando sua ponta com o dedo;
  4. Abaixe a mangueira para um nível abaixo da “artemeira”. Tire o dedo da mangueira e despeje a água salobra com os náuplios de artemias, num puçá de nylon 077 fios. Abaixo do puçá, posicione uma vasilha capaz de absorver todo o líquido que está na “artemeira”;
  5. Observe que os náuplios de artemias franciscanas (salinas) se concentram na parte afunilada do pet invertido da “artemeira” (formato de “v”) e na superfície da água, estão os cistos que não eclodiram. Deixe escoar boa parte da água… Quando estiver quase acabando, interrompa tampando a mangueira com o dedo, para não sugar os cistos que não eclodiram e as cascas daqueles que já eclodiram;
  6. Acople a mangueira novamente numa das saídas do difusor de ar;
  7. Leve o puçá de nylon 077 fios até uma torneira e deixe escoar água doce, bem suavemente, para lavar os náuplios, tirando o sal. Faça isto por 30/40 segundos, aproximadamente;
  8. Agora chacoalhe o pucá de nylon 077 fios num pote de água limpa, sem cloro;
  9. Com uma pipeta ou seringa sugue os náuplios de artemias franciscanas (salinas) e oferaça às larvas de Betta splendens em quantidade suficiente para que sejam consumidos rapidamente e de forma pulverizada em vários pontos do aquário de crescimento/engorda.
Coleta náuplios de artêmias franciscanas (salinas), para ofertar às larvas de Betta splendens, espécimes jovens, adultos e senescentes.
Coleta náuplios de artêmias franciscanas (salinas), para ofertar às larvas de Betta splendens, espécimes jovens, adultos e senescentes.

As artêmias franciscanas (salinas) não sobrevivem muito tempo na água doce (aproximadamente 3 horas), portanto peque pela falta, mas jamais pelo excesso de alimentos no aquário das larvas.

Peixes adultos também podem consumir os náuplios, eles adoram caçar o que comem e é saudável oferecer alimentos vivos a eles, além da ração industrializada.

Se sobrar náuplios, você pode congelar, fazendo cubinhos congelados de náuplios, que podem ser raspados com uma colher e servidos aos peixes.

O ideal é você ajustar a quantidade de cistos a eclodir, para ter sempre náuplios fresquinhos para oferecer às larvas.

Sugiro que mantenha 2 ou mais “artemeiras” eclodindo náuplios, começando o processo em dias subsequentes, de forma a ter sempre náuplios de artêmias franciscanas (salinas) todos os dias, uma vez que podem demorar até 36 horas para eclodir.

Em determinado momento eu eclodia muitos cistos de artêmias franciscanas (salinas) e optei por usar sal para uso agropecuário (não mineralizado), pois acabava saindo bem mais barato comprar saco de 25 kilos, do que usar sal-grosso de churrasco. Funcionou da mesma forma, não observei alteração alguma no volume de cistos eclodidos. Fica registrada aqui, a minha experimentação. Se o seu volume justificar, é uma saída interessante.

Se você não está conseguindo eclodir cistos de artêmias franciscanas (salinas), comece desconfiando dos cistos que podem estar velhos, mofados ou serem de baixa qualidade.

Procure adquirí-los de fornecedores idôneos e mantê-los em embalagens bem vedadas, em local seco, ao abrigo da luz. Aliás, se você não está conseguindo eclodir os cistos que comprou de forma satisfatória, consulte seu fornecedor, pergunte para ele qual a melhor maneira de eclodir os cistos que ele vende. Certamente você vai encurtar o caminho para o sucesso (em tese).

Eu particularmente tive muita dificuldade para encontrar um bom fornecedor de cistos de Artêmias franciscanas (salinas), mas depois que o encontrei nunca mais me atrevi a buscar outras alternativas no mercado. Sou fã de carteirinha dos cistos da Bio-Artêmia , sou “freguês” da empresa há anos, e quando mantinha uma loja virtual de artigos de aquarismo na web brasileira, só revendia cistos de artêmias franciscanas (salinas) vindos deles.  Saliento que esta dica é espontânea e isenta de vantagens comerciais, o dito: “jabá” – o produto é excelente e merece este reconhecimento público de minha parte.

Doenças mais comuns nos Bettas

Artigo publicado originalmente no website:  www.oaquario.com.br – Reprodução autorizada (20/08/2010).

Embora o Betta seja um peixe resistente a doenças ele pode ser acometido por algumas moléstias comuns de aquário em conseqüência de má manutenção do mesmo ou de alimentação deficiente em que não suprimos todas as necessidades básicas dele.

Tenha sempre em mente que peixe que vive em ambiente estável, bem cuidado e possui uma boa alimentação raramente ficará doente.

Podemos dividir as doenças em:

  1. Genéticas ou congênitas;
  2. Causadas por parasitas e fungos;
  3. Causadas por vírus e bactérias;
  4. Causadas por problemas na água.

1. Doenças genéticas ou congênitas:

São doenças que em que o peixe já nasce com elas, são alterações ou mutações às vezes graves, sua cura é praticamente impossível.

Normalmente surgem quando não tomamos cuidado em nossas reproduções, ou seja, não temos critérios ou seriedade nos cruzamentos, cruzando peixes muito próximos e até irmãos surgem assim os problemas de consangüinidade que resulta nos seguintes sintomas:

♦ Peixes com vida curta;
♦ Falta de nadadeiras ou nadadeiras torcidas;
♦ Deformação na espinha dorsal;
♦ Deformação da bexiga natatória, causando dificuldade no nado do peixe;
♦ Tumores externos – pequenos caroços na pele do peixe que vão tomando todo o seu corpo até a morte;
♦ Tumores internos – o peixe apresenta alterações no seu metabolismo;
♦ Alterações de cor;
♦ Esterilidade – o peixe não se reproduz;
♦ Nascimento de peixes siameses – peixes unidos pelo ventre, cabeça, etc.

2. Doenças causadas por parasitas e fungos (sintomas e tratamento):

Achyla ou Saprolegnia: Fungos, manchas brancas ou tufos semelhantes a algodão. Deve ser tratada com um bom fungicida comercial ou ainda verde de malaquita na proporção de 2 gotas para cada 4 litros de água. Em casos mais difíceis pode-se usar também Tripaflavina (50 mg/20 litros) por 2 ou 3 dias.

Oodinium pillularis: Parasita muito perigoso. Pode devastar um aquário em poucas horas. O primeiro sintoma é falta de apetite, depois a respiração torna-se ofegante (asfixia), os peixes vão à superfície, ficam desequilibrados. Pode haver nas escamas um brilho fraco, como veludo. Use um bom fungicida, parasiticida ou oodinicida comercial, ou então, Aureomicina (15 mg/1 litro) durante 4 dias.

Costia: Falta de apetite, manchas esbranquiçadas, ramificações vermelhas nas nadadeiras. Fungicida e parasiticida comercial ou Tripanoflavina (1 g/100 litros).

Ictio: É a doença mais comum. Pequenos pontos brancos nas nadadeiras ou em todo o corpo, nadadeiras fechadas – os peixes costumam se esfregar no cascalho ou nas pedras. Parasiticida comercial ou verde de malaquita (1 g/25 litros), ou azul de metileno (5 gotas/10 litros), ou ainda sal grosso (1 colher de chá para cada 4 litros). Atente para o fato de que este tratamento deve ser seguido de elevação da temperatura para 28/29 °C.

3. Doenças causadas por bactérias e vírus:

Nadadeiras roídas: Pode ter várias causas geralmente são bactérias. As nadadeiras ficam esbranquiçadas e se desfazem. O pH ácido favorece o seu aparecimento, neste caso, antes de iniciar o tratamento corrija o pH (elevando-o). Em seguida use um bactericida comercial ou azul de metileno a 5%. Em casos mais graves pode se usar também Tripaflavina (1 g/100 litros) ou Aureomicina (10 mg/1 litro), por 2 ou 3 dias, ou ainda, Tetraciclina (50 mg/2 litros), durante 7 dias, trocando a água e o medicamento, mantendo o “aquário-hospital” em local escuro.

Fungos na boca: Grossa camada de fungos na boca parecida com algodão. O fungo pode estar associado a bactérias que se localizam em ferimentos. Fungicida e bactericida comercial ou o mesmo procedimento do tratamento para fungos acima.

Dactylogyrus ou Gyrodactylus: Falta de apetite, inflamação e inchaço nas brânquias, turvação dos olhos, respiração ofegante. Parasiticida comercial especifico para esta doença ou azul de metileno (3 ml de solução a 1% para 10 litros).

Hidropsia (ventre volumoso): É causada por bactérias que atacam os órgãos internos paralisando-os. Os peixes ficam barrigudos e com as escamas eriçadas. Pode ser incurável. Bactericida comercial potente ou 250 mg de Aureomicina para cada 20 litros ou ainda 50 mg de Tetraciclina para cada 2 litros por 7 dias com trocas diárias de água e medicamento e manter o “aquário-hospital” em local escuro.

Tuberculose ou Barriga seca: O peixe fica magro, com o ventre retraído. Pode ser causada por alimentação de má qualidade e pouco variada. O estado de debilidade do peixe pode tornar a cura difícil bactericida comercial potente ou estreptomicina.Raramente tem cura.

Olhos inchados (Pop-Eye): Pode ser causado por bactérias (tuberculose, hidropsia), por fungos (Ichthyosporidium) ou. por vermes. O sintoma é seus olhos inchados. Paraciticida e bactericida.

Buraco na cabeça (Hole-in-Head): Doença dos acarás. Ataca os órgãos internos, causando danos que podem ser irreversíveis. Falta de apetite. Na fase final aparecem inchações e perfurações na cabeça e no corpo. Não é muito contagiosa usar bactericida.

4. Doenças causadas por problema na água:

Água muito ácida: Nadadeiras fechadas, escamas eriçadas, natação irregular, tremores. Elevar o pH com alcalinizante.

Água muito alcalina: Perda de brilho nas escamas, respiração ofegante junto à superfície. Pode haver perda de escamas. Diminuir o pH com acidificante.

Bem acho que deu para pegar uma boa ajuda, espero que tenham sorte e consigam salvar seus peixes com isto.

Boa Sorte!

Marcos Monteforte

Cultivando vermes-do-vinagre

Turbatrix aceti ou Anguillula aceti: Vermes-do-vinagre, também conhecidos como enguias-do-vinagre, são nematóides aquáticos diminutos (1 a 2 mm) [Vide Foto 1].

Eles aparecem naturalmente em barris de vinagre não pasteurizados, alimentando-se de bactérias existentes no processo de fermentação, e são excelentes para alimentar larvas de quase todas espécies de peixes de aquário. Principalmente para larvas minúsculas como de Betta splendens, por exemplo.

Os vermes-do-vinagre são mais compridos que a artêmias recém-eclodidas (náuplios), mas têm um diâmetro menor – os peixes conseguem comê-los antes de conseguirem comer náuplios de artêmias. No aquário os vermes irão deslocar-se com qualquer corrente, mas se não existir corrente, irão subir à superfície (uma grande vantagem sobre os microvermes que se concentram no fundo, onde acabam morrendo em poucas horas).

Como todo verme branco, são constituídos de maior quantidade de lipídios (gordura), que tem função energética e para que nutricionalmente funcionem bem, devem ser associados a alimentos vivos mais proteicos como: daphnias, moinas, alonas; e depois que as larvas crescerem mais, até com náuplios de artêmias franciscanas (estes mais ricos em proteína, mas pobre em lipídios).

Os lipídios fornecem energia ao corpo, enquanto que as proteínas fornecem aminoácidos importantes ao crescimento.

Também podem ser utilizados para estimular o instinto de caça dos alevinos de bettas, pois não resistem à frenética movimentação deles.

A principal vantagem do verme-do-vinagre em relação a outros usuais micro-organismos oferecidos para alevinos atualmente (ex.: microvermes e náuplios de artemias salinas), é a sua capacidade de se manter vivo fora do meio de cultura (vinagre de maça), por muito mais tempo, dentro do aquário. Isto se não for devorado de imediato. Apenas não se multiplica. Graças a isto, não suja/contamina a água, caso você erre a mão na quantidade oferecida, evitando as complicadas e necessárias sifonagens e TPAs, para limpeza de fundo e água, tão comuns e nada raras, quando se oferece microvermes e náuplios de artêmias salinas, em quantidade exagerada.

Para cultivar dispensam cuidados resistindo por muito tempo caso se esqueça da cultura, não precisando abrir para troca de ar nem repor alimentos com freqüência.

Para cultivar você vai precisar [Vide Foto 2]:

  1. 1 inóculo de cultura;
  2. 750 ml de vinagre de maça (normalmente uso da marca/fábrica Castelo);
  3. 1 maça vermelha mediana (fruta fresca);
  4. 250 ml de água descansada, isenta de cloro e metais pesados;
  5. 1 vidro transparente de boca larga de aproximadamente 1,3 litros, com tampa;
  6. 1 pedaço de meia-de-nylon feminina, para tampar a boca do vidro (evitar predadores);
  7. 1 pedaço de elástico de costura, para fixar esta meia na boca do vidro;
  8. 1 puçá de nylon 180 ou 200 fios.

Iniciando a cultura:

  1. Misture no vidro o vinagre de maça (750 ml) e a água (250 ml);
  2. Corte a maça vermelha mediana em fatias e coloque-as no meio de cultura que você acabou de preparar;
  3. Abra o saquinho plástico que contém o inóculo da cultura, dobre o plástico de forma a deixar uma gola suficiente para permitir que o saquinho fique boiando no meio de cultura;
  4. Coloque o saquinho do inóculo boiando no meio de cultura por 30 minutos. Tempo mais do que suficiente para equalizar a temperatura do inóculo, com a temperatura do meio de cultura [Vide foto 3];
  5. Feita a equalização da temperatura dos líquidos, vamos iniciar a equalização do pH. A cada 30 minutos adicione um pouco do líquido do meio de cultura no saquinho plástico que contém o inóculo, até dobrar o seu volume;
  6. Feche a boca do vidro com o pedaço de meia-de-nylon feminina, com a ajuda de um pedaço de elástico de costura;
  7. Identifique a data de início da cultura, para seu controle e acompanhamento;
  8. Deixe a tampa do vidro repousando sobre a boca, sem rosqueá-lo;
  9. Coloque o vidro em local seco, recebendo pouca luz (indireta) ou nenhuma, e que fique numa faixa de temperatura entre 22 e 30 °C (faixa ideal) [Vide Foto 4].

O “pulo-do-gato” (segredo) está na equalização da temperatura e pH. Não tenha pressa, seja paciente e serás recompensado(a).

Em 15 (quinze) dias você terá uma colônia de vermes-do-vinagre exuberante. Coloque o vidro contra a luz e verás uma nuvem de vermes agitando-se no meio de cultura, notadamente mais próximos da superfície. Nem será preciso usar uma lupa para observá-los.

Caso se deixe a população crescer bastante, aos poucos os vermes começam a subir pelas bordas do recipiente (e as vezes também ocorrerão paramécios e rotíferos), acima do nível do meio liquido, em meio a uma colônia de leveduras que geralmente cresce em cima da cultura.

A colônia dura meses. Quando boa parte da maça se desmanchar, adicione outros pedaços em substituição. Se for preciso repor o meio de cultura, mantenha a proporção de 2/3 de vinagre de maça e 1/3 de água.

Como coletar e oferecer às larvas de Bettas:

  1. Passe o puçá de nylon 180 fios no meio de cultura, próximo a superfície, onde existirão milhões de vermes esperando ansiosamente por serem coletados [Vide Foto 5];
  2. Deixe escorrer o líquido todo. Apenas os vermes maiores serão capturados pelo puçá de nylon 180 fios;
  3. Lave os vermes em água corrente, bem suavemente (com a chamada “água mole”), por aproximadamente 40 segundos [Vide Foto 6];
  4. Vire o puçá do avesso e chacoalhe-o em um pote com água limpa, descansada e isenta de cloro, para desprender os vermes nesta água.
    Em nosso caso, como usamos um puçá de aro fixo, viramos o mesmo, deixando seu fundo para cima (o elemento filtrante) e jogamos água limpa, descansada e isenta de cloro, de forma a derrubar os vermes no pote [Vide Foto 7];
  5. Com a ajuda de uma pipeta, seringa ou conta-gotas, sugue porções de água com vermes e pulverize em vários pontos do aquário de cria [Vide Foto 8].

Replicando sua cultura:

É conveniente e seguro replicar sua cultura em 2 ou 3 potes, no mínimo. Assim, se lago der errado, você terá outra(s) cultura(s) para se socorrer, sem que seus alevinos sejam prejudicados.

Outro motivo é se você tem um plantel grande e precisa fazer muitas coletas diárias. É preciso dar um tempo para a cultura se recompor, após as coletas.

Tendo várias culturas, opte por coletar alternativamente em potes diferentes, a cada coleta. Assim você garantirá que todas as culturas se mantenham abundantes, por muuuuuuito tempo.

Se você perceber declínio em sua cultura, prepare imediatamente um novo meio de cultura e replique a colônia, para garantir que não haja interrupção na alimentação dos alevinos.

Para replicar a cultura, siga o procedimento descrito no tópico “Iniciando a cultura”, se valendo de inóculo de qualquer uma de suas outras culturas.

Fontes:

  • Aquarioland 2000
  • Guppy Brasília
  • Manual: Vermes-do-vinagre, Mundo do Aquário
  • Tutorial: Cultura de Vermes-do-vinagre, Sunshine Piscicultura.

Cuidados básicos com a água do seu Betta

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 15/07/2011 – Reprodução autorizada.

Quantos que nunca ouviram falar que o Betta é um dos peixinhos mais resistentes? Que pode viver perfeitamente em qualquer vidro de maionese?

Pois não é bem assim. O Betta suporta com facilidade uma ampla gama de condições da água, mas alguns fatores são de importância fundamental.

Não deve haver compostos de cloro ou cloramina dissolvidos na água. Claro, não deve haver metais tóxicos, produtos químicos nocivos ou venenos, como os pesticidas, presentes.

O pH deve estar próximo ao neutro (pH 7). Este é, para começar um dos fatores ignorados por muitos iniciantes ou inexperientes com o Betta.

Alguns até acabam colocando seus Bettas em água mineral. Um grande erro, pois nem sempre a água mineral parâmetros adequados para este peixe. Prefira usar água comum mesmo, mas conheça alguns parâmetros desta como por exemplo o pH e se tem ou não a presença de cloro. Para isso, basta adquirir em lojas do ramo, alguns testes que podem lhe trazer estas informações.

Se você usar plantas vivas com seus Bettas fique atento a sinais de parasitas. Da mesma forma, com o uso de plantas naturais você provavelmente precisará usar iluminação artificial, neste caso é necessário tomar o cuidado para o tempo em que a luz ficará ligada, para não haver formação de algas verdes. Caso for necessário, utilize um temporizador.

A maioria dos sistemas públicos de água fornece água de boa qualidade, exceto para o cloro dissolvido ou cloraminas*. Estes produtos químicos são usados para controlar as bactérias e devem ser neutralizados antes de usar. Envelhecimento da água por 24 horas irá remover o cloro, mas não removerá cloraminas. Estes compostos dissolvidos vai matar o seu Betta em poucas horas. Há muitos produtos disponíveis em lojas de animais que são fabricados especificamente para resolver este problema.

Para a remoção do cloro, proveniente da rede de abastecimento, coloque a água em um vasilhame (aberto) para descansar por 24 à 48 horas, tempo suficiente para o cloro evaporar. Ou então, como já mencionado use um bom anti-cloro.

Freqüentemente você poderá adicionar, após a troca de água, um pouco de sal (grosso comum ou marinho) no aquário para efetuar a profilaxia. Use a proporção de 1 a 3 g por litro de água.

Um dos grandes segredos para manter seu Betta saudável é a qualidade da água. Portanto, você poderá se utilizar de filtro químico/biológico ou conforme o caso efetuar com freqüência as TPAs (Trocas Parciais de Água) ou TTA (Troca Total de Água). Mas lembre-se, se for usar filtros, procure aqueles que causam pouca agitação da água.

O uso de produtos químicos tais como detergentes e outros devem ser evitados. Para a limpeza, prefira usar uma esponja que deverá ser reservada somente para esta finalidade com a própria água do aquário. Como alternativa, você também poderá usar uma solução de água com sal ou bicarbonato de sódio, ou então o permanganato de potássio.

Lembre-se, a boa qualidade da água é tão essencial ao seu Betta quanto o ar que respiramos! Evite alimentação em excesso para a própria saúde do seu peixe bem como para garantir a menor quantidade de fezes dentro do aquário que acabará causando uma elevação de amônia que é altamente prejudicial para os peixes. Por isso, evite sujeira dentro do aquário, se for necessário, retire esta com um conta-gotas ou pipeta.

Outro ponto bastante importante em relação a água é a temperatura desta que deve ficar entre 25 à 30 ºC. Existem termômetros próprios para aquários sendo vendidos em lojas do ramo. Se necessário, compre um bom termostato para manter a temperatura estável.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

(*) Existe uma possibilidade remota da água vinda da companhia de abastecimento vir com cloramina como fonte de cloro. Se for o caso, apenas os condicionadores à base de hidroxi-metano sulfinato de sódio ou equivalente devem ser usados. Anti-cloro e água descansada não removem a cloramina, mas a chance da água conter cloramina é bem pequenas (mais comum na Europa). Cabe ao aquarista verificar isto com um simples teste de amônia. Meça a amônia na água. Adicione anti-cloro (não serve condicionador, tem que ser anti-cloro mesmo) e em seguida meça a amônia novamente. Se a amônia subir é porque a água veio com cloramina.

A importância das trocas parciais de água (TPA)

Artigo publicado originalmente no website CEA – Centro de Estudos de Aquariofilia, em 05/2011

O sucesso na manutenção de aquários depende de uma série de fatores, mas todos eles acabam apontando para a qualidade da água. Um aquário com mais peixes do que deveria ou com sistema de filtragem insuficiente, em pouco tempo levará sua água a um estado de poluição que poderá comprometer a saúde geral das espécies nele contidas.

Por mais eficiente que seja a filtragem de um aquário, lembre-se que se trata de um sistema fechado. É recomendável realizar trocas parciais de água (de agora em diante chamadas simplesmente de TPA) frequentes para garantir a eliminação de dejetos não processados e repor certos elementos consumidos pelo sistema.

O percentual de água a ser trocada e a frequência com que isto ocorrerá dependerá de uma série de fatores como quantidade de peixes e plantas, quantidade de filtros e mídias filtrantes e a variação de certos parâmetros de sua água, como pH, KH, amônia, nitritos, nitratos, fosfatos, etc. A aferição periódica destes parâmetros é um forte indício da necessidade da TPA.

Quanta água deve ser trocada?

Não existe resposta definitiva para esta pergunta, pois a carga de dejetos pode variar muito de aquário para aquário. Alguns aquaristas experientes recomendam trocas mensais de 40% ou quinzenais de 30%. Há os que preferem trocar 20% semanalmente e há até alguns criadores que chegam a trocar 50% diariamente, mas conforme disse antes, cada aquário tem sua história e o dia a dia, aliado ao resultado dos testes é que lhe darão a resposta para o seu caso.

Um outro indício da necessidade das TPAs é a perda de vazão dos filtros. Inspecione periodicamente seus filtros, pois a perda de vazão, provocada por entupimento da filtragem mecânica, diminui a quantidade de água tratada.

É verdade que aquários plantados necessitam menos de TPAs?

Se por um lado plantas são excelentes filtros para a remoção de diversos poluentes da água, aquários plantados também possuem uma carga de nutrientes grande e isto pode, eventualmente, favorecer a proliferação de algas. As TPAs são um aliado contra elas.

Como proceder a TPA?

Dependendo do volume de água a ser trocado, pode ser interessante desligar os filtros para evitar que funcionem sem água e também os termostatos que não devem funcionar parcialmente fora d’água.

 

Sifão em ação.
Sifão em ação.

Normalmente começamos com uma sifonagem do substrato para remover pequenas partículas sólidas que se depositaram nele. Em aquários plantados a camada inerte evita que boa parte dessas partículas penetrem nas camadas inferiores, de modo que uma aspiração superficial costuma ser suficiente. Não se esqueça de lavar bem as mãos antes de começar o processo, pois podemos levar muitas sujeiras indesejadas para nossos aquários.

Em aquários com substratos comuns (sem isolamento) a sujeira particulada penetra no substrato e deve ser sugada. Costuma-se usar um sifão contendo uma espécie de copo na extremidade que permite penetrar no cascalho para uma remoção eficiente da sujeira.

A água removida durante a sifonagem poderá ser coletada em baldes ou outros recipientes e descartada após sua remoção do aquário. Por ser uma água rica em nutrientes, ela pode ser usada para regar plantas, pois certamente é mais nutritiva para elas do que a água da torneira. Aproveite a ocasião para remover o limo que geralmente se forma nos vidros. Existem limpadores magnéticos idealizados exclusivamente para tal propósito, mas uma esponja macia, uma gilete ou até mesmo um cartão velho de banco também poderá ser utilizado.

Como devo limpar meus filtros?

A limpeza dos filtros deve ser feita sempre que se fizer necessária. Conforme descrito anteriormente, sempre que houver entupimento da midia responsável pela filtragem mecânica, esta deverá ser limpa ou substituída. O tempo para isto acontecer varia de aquário para aquário, podendo levar de 7 a 30 dias, dependendo da carga de dejetos produzida. Caso seja usuário de carvão ativo para a filtragem química, lembre-se de sempre anotar quando foi que o substituiu pela última vez. Cada fabricante recomenda sua substituição em tempos diferentes, mas como não é uma mídia muito cara, costumo recomendar sua troca a cada 20 ou no máximo 30 dias.

Com relação às mídias de fixação para a filtragem biológica estas podem ser gentilmente lavadas, quando necessário, em água do próprio aquário apenas para remover depósitos de material particulado. Normalmente, uma limpeza superficial nessas mídias a cada trimestre costuma ser suficiente. É importante que o processo de limpeza dos filtros não dure muitas horas e também que as mídias de sustentação da biologia não fiquem secas. Elas devem aguardar submersas em água do próprio aquário enquanto durar a lavagem interna do filtro.

Cascalho sifonado, vidros sem limo e filtros lavados. Como repor a água?

Embora essa pareça ser a tarefa mais fácil de todas as demais, ela requer alguns cuidados importantes. Muitos aquaristas já perderam peixes após uma reposição de água mal feita.

Primeiramente, a água de reposição deverá estar isenta de cloro. Este pode ser removido de diversas formas, desde aguardar 24 a 48 horas para que seja expulso da água, fazer uso de um anti-cloro ou mesmo um condicionador de água.

Se esta água vier de um poço não será necessário usar o anti-cloro. Todavia, água de poço costuma vir com grande quantidade de CO2 e, se adicionada diretamente ao aquário poderá apresentar variações de pH em um ou dois dias pois o CO2 acidifica a água mas tende a ser expulso com o passar do tempo.

A temperatura desta água deverá ser a mesma da água do aquário. Certifique-se de medir ambas as temperaturas antes da reposição. Caso haja discrepância nos valores, faça os devidos ajustes, aquecendo ou resfriando a água que será reposta.

O pH desta nova água também deve ser igual ou muito próximo do pH da água do aquário. O ajuste poderá ser feito de diversas maneiras. A forma mais rápida (mas nem sempre a mais correta) é simplesmente usar algumas gotas de um acidificante ou um alcalinizante comprado em lojas de aquarismo.

Lembre-se, entretanto que dependendo da reserva alcalina ou do teor de CO2 desta água o efeito desta correção poderá ser provisório. Em alguns casos é interessante usar uma solução tampão para garantir a estabilidade do pH. Existem tampões para “segurar” o pH em diversos valores dependendo das substâncias envolvidas. Essencialmente, uma solução tampão é obtida quando se misturam um ácido fraco e um sal desse ácido (reserva ácida) ou uma base fraca e um sal dessa base (reserva alcalina).

Veja um exemplo de tampão ácido (reserva ácida), mistura de ácido acético (um ácido fraco) e acetato de sódio (um sal do ácido acético):

CH3-COOH <—> CH3-COO + H+ Ionização do ácido acético.

CH3-COONa <—> CH3-COO + Na+ Dissolução do acetato de sódio.

Repare que em ambas as reações existem um íon em comum: o ânion acetato (CH3-COO). Devido a um efeito conhecido como [efeito de íon comum], os acetatos gerados na dissolução do acetato de sódio fazem tal concentração aumentar e, por conta disto, o equilíbrio da primeira equação se desloca para a esquerda (Princípio de Le Chatelier), impedindo que o ácido acético se ionize.

Entretanto, se adicionarmos uma base qualquer nessa água, existirá ácido acético suficiente para neutralizar tal base impedindo o pH de subir. É o ânion acetato, proveniente do acetato de sódio que garante a existência do ácido acético como garantia para manter o pH estável. No exemplo acima, temos um tampão ácido.

Analogamente, podemos ter um tampão envolvendo uma base fraca e seu sal que garantiria a manutenção de um pH alcalino. As lojas de aquarismo também vendem soluções tampão prontas para uso, para diversas faixas de pH.

Uma alternativa mais barata pode ser fazer sua própria solução tampão.

  • Receita de tampão alcalino:

    • Dissolva a maior quantidade possível de bicarbonato de sódio (comprado em farmácias) em água e guarde esta solução saturada para ser usada em cada TPA. Uma ou duas colheres de sopa desta solução poderá ser usada na água de TPA para garantir um pH estável, de 7,0 para cima. Quanto mais bicarbonato for colocado, mais alcalina a água ficará. O dia a dia lhe dirá a quantidade ideal a ser usada.

    • Dentro de seu filtro, coloque um pouco de Aragonita, Calcita ou Dolomita dentro de um pequeno sachê. Essas pedras, à base de CaCO3, formarão o tampão com o bicarbonato de sódio, garantindo a estabilidade do pH.

  • Receita de tampão ácido: 

    • Compre na farmácia ou em loja de produtos químicos o fosfato monoácido e o fosfato diácido de sódio e misture-os nas quantidades desejadas para atingir o pH da tabela abaixo:

      Na2HP4NaH2O4pH
      10%90%5,9
      20%80%6,2
      30%70%6,5
      40%60%6,6
      50%50%6,8
      60%40%7,0
      70%30%7,2
      80%20%7,4
      90%10%7,6

    • Feita a mistura das substâncias, coloque 1g da mistura para cada 50 litros de água em seu aquário para manter o pH estável naquele valor da tabela.

      Exemplo: digamos que deseje manter o pH de seu aquário estável em 6,6. Nesse caso então misture 40% em peso de fosfato monoácido com 60% de fosfato diácido de sódio – algo como 40g do primeiro com 60g do segundo. Guarde os 100g obtidos para usar nas TPAs.

Temperatura e pH ajustados. Posso despejar a água agora?

Pode

Bomba submersa dentro do balde, conectada a uma mangueira, leva água para o aquário.
Bomba submersa dentro do balde, conectada a uma
mangueira, leva água para o aquário.

, mas faça isso lentamente. Não despeje os baldes de água de uma vez em seu aquário! Isso pode não só estressar seus peixes como também provocar um choque osmótico, já que a quantidade de sais dissolvidos na água de aquário e na água do balde não são as mesmas, nem em qualidade, nem em quantidade.

Aqui em casa, costumo colocar uma bomba submersa dentro de um balde conectada a uma mangueira e esta leva a água para o aquário. O processo leva alguns minutos para esvaziar o balde:

Uma vez cheio, o processo de manutenção do aquário poderá ser dado como encerrado, mas não se esqueça de aferir os parâmetros físico-químicos da água periodicamente, para ter certeza de uma água sempre apropriada para seus peixes.

 

Marcos Mataratzis
Químico, Professor de Química e Aquarista (especialista na manutenção de Botias). Administrador do fórum Vitória Reef e Consultor do CEA – Centro de Estudos de Aquariofilia, para assuntos relacionados à química da água do aquário.

Íctio: A doença do inverno

Artigo publicado originalmente na revista Negócios Pet, Ano VII, edição 79 – Julho/2011, pp. 14-18.

Ichthyophthririus multifillis é o agente causador da Ictiofitríase, popularmente conhecida como Íctio, nos aquários de água doce. O peixe afetado fica coberto de pontos brancos pequenos. É comum nas baterias de todas as lojas, sendo um pouco chato de tratar, mas fácil de prevenir.

Ele entra em nossas baterias através de qualquer animal novo introduzido no aquário com sinais da doença ou não, por alimentos vivos como artêmia salina e outros, vindo na água do fornecedor ou do importador. Também migra de um aquário para outro e de uma bateria para outra quando se utiliza a mesma rede para pegar peixes, o mesmo sifão, etc. Pode vir em folhagens de plantas e até mesmo em caramujos grudados a elas.

A doença manifesta-se, geralmente, quando há variação de temperatura no aquário ou durante o transporte do fornecedor para sua loja, pois na viagem há mudança brusca de temperatura ou a climatização não é feita como se deveria, podendo ocorrer choque térmico, mesmo que leve.

A dica é começar o tratamento assim que for constatado que um animal ou mais do aquário está com Íctio. Quanto mais rápido o início, maiores são as chances de não haver nenhuma perda.

O ideal é tratar os peixes afetados em aquário hospital ou nos dias de menor movimento da loja, pois esse tratamento é realizado no escuro.

Se optar por fazê-lo na bateria, retire o carvão ativado, as cerâmicas e/ou o bio ball para que o medicamento mate somente a biologia presente no cascalho, se houver. A cerâmica e/ou o bio ball devem ser colocados em aquário com compressor de ar para preservar as bactérias aeróbias.


O tratamento

  • Se utilizar um aquário hospital, colocar água da bateria, até mesmo quando fizer trocas parciais;
  • Manter a temperatura alta, de 29 ºC para peixes não topicais e 31 ºC para peixes tropicais. Se não houver divisão, opte por 29 ºC;
  • Apagar as luzes, tampar o aquário hospital ou a bateria com lona escura, cobertor, etc. O Íctio não se prolifera no escuro;
  • Reforçar a alimentação, abrindo o aquário para alimentar duas a três vezes ao dia. De manhã, com ração, como de costume e nas outras vezes com alimentos vivos, ração à base de Spirulina e alga Nori da culinária japonesa. Uma ótima dica é usar um suplemento para aquários à base de alho Garlic;
  • Aumentar a aeração com um compressor de ar potente com várias pedras porosas. No mínimo um pedra porosa por andar;
  • Usar um medicamento simples contra Íctio;
  • Se usar aquário hospital, faça trocas parciais de água todos os dias com sifonagem do fundo de 10% a 30% da capacidade dele.

Em três dias o Íctio sumirá e em seis dias poderá colocar os peixes à venda novamente.


Prevenindo o Íctio de água doce

Deve-se investir na alimentação com rações de qualidade, utilizando também as rações à base de Spirulina, duas a três vezes na semana, pricipalmente para herbívaros, e incrementando a alimentação semanalmente com alimentos vivos ou congelados.

O uso semanal de suplementos de Garlic ajuda na prevenção de Íctio. O uso diário previne, também, vermes intestinais. Um peixe bem alimentado terá uma boa imunidade, será mais colorido, aspecto saudável e mais fácil de vender.

Estabilize a temperatura com termostato para não haver variações na bateria. Se puder, coloque um filtro esterillizador UV, que não vai ajudar com Íctio impregnado em um peixe, mas os parasitas que lançarem na água e forem puxados pelo UV não terão chances de pegar outra vítima.

Cuidado com redes de içar peixes e sifões que utilizar na loja, ou mesmo com a mão molhada dos funcionários de um aquário para outro, a fim de evitar contaminação. O ideal é que tenha um balde de descanso para redes e sifões com solução de formol ou azul dimetileno, trocando esta água todas as semanas.


O Íctio em aquários marinhos

Cryptocaryon irritans é o agente causador de Íctio marinho e é semelhante, em muitos aspectos, com o íctio de água doce, tendo a mesma forma de infestação. Pode entrar em seu aquário por meio de rochas vivas também.

A variação de temperatura é um dos fatores desencadeantes da proliferação do Íctio marinho em um animal, quer seja pela sua variação dentro do aquário, no transporte até sua loja ou na aclimatação inadequada. Pode ocorrer choque térmico, mesmo que leve.

Como em aquários marinhos geralmente há vários corais e invertebrados e, no caso de aquários grandes, seria quase impossível não ter que desmontá-los para pegar o peixe doente, o tratamento se baseará na forma mais natural possível.


Tratamento no aquário de exposição

  • Aumentar ligeiramente a temperatura de forma que não afete corais e invertebrados. Temperatura constante sem nenhum tipo de variação é muito importante. Nas baterias que tenham somente peixes, manter entre 28 ºC e 29 ºC.
  • Reforçar a alimentação. Neste quesito, a alga Nori da culinária japonesa, facilmente encontrada em supermercados na seção de produtos orientais, é uma “ressuscitadora” de peixes marinhos. Esta alga milagrosa, se for introduzida na alimentação de forma mais persistente aos primeiros sinais de Íctio, recupera a saúde do peixe rapidamente. Junto com a Nori, ração de boa qualidade, à base de Spirulina, alimentos vivos, suplementos vitamínicos e suplementos à base de alho Garlic são necessários.
  • O peixe neon goby, faixa amarela, nativo da costa brasileira, tem costume de retirar parasitas como o Íctio marinho de peixes infestados. Pena que esteja ameaçado de extinção e proibida sua comercialização no Brasil.
  • O método que surte melhor efeito em nossas pesquisas é tratar de forma natural peixes que se alimentam normalmente. O fato de se alimentarem fará com que sua imunidade aumente e o próprio organismo se livre do Íctio. Se o peixe infestado não se alimenta é necessário tomar medidas drásticas para não o perder em alguns dias.


Tratamento em aquário hospital

Tivemos sucesso de 90% de recuperação de peixes marinhos com Íctio que pararam de se alimentar, tratando-os em aquário hospital como se fosse Íctio em água doce, assim que notamos, pela primeira vez, que os animais não se interessavam pelo alimento.

Alguns lojistas dão banhos de água doce com água de Reverse Osmose e outros tratam a bateria com medicamentos à base de cobre. Não recomendamos porque o índice de cura de Íctio com ou banhos de água doce é muito baixo, pois estressa o animal debilitado ao máximo e a tendência é que, depois disso, ele pare totalmente de se alimentar.

As dicas para o tratamento em aquário hospital são:

  • Colocar água do aquário principal no aquário hospital, até mesmo quando for fazer trocas parciais;
  • Manter a temperatura alta em aquário hospital, cerca de 29 ºC;
  • Tampar o aquário hospital com lona escura, cobertor, etc. O Íctio de água doce não se prolifera no escuro, então, tentarmos da mesma forma com o ciliado marinho. O interessante é que o animal marinho fica mais calmo e parece dar resultados positivos;
  • Reforçar a alimentação, abrindo o aquário para alimentar duas a três vezes ao dia. De manhã, com ração, como de costume e nas outras vezes com alimentos vivos, ração à base de Spirulina e alga Nori da culinária japonesa. Uma ótima dica é usar um suplemento para aquários à base de alho Garlic, que deve ser usado molhando a ração antes de servir ou deixando artêmias salinas na solução de alho concentrado antes de servi-las;
  • Aeração forte e constante;
  • Faça trocas parciais de água todos os dias com sifonagem do fundo de 10% a 30% da capacidade do aquário hospital.

Em três dias o Íctio sumirá e em seis dias o peixe poderá entrar no aquário de exposição ou bateria sem nenhum problema.


Para prevenir o Íctio marinho

Deve-se investir na alimentação com rações de qualidade, utilizando também as rações à base de Spirulina de duas a três vezes na semana, alga Nori, acelga crua e incrementar, semanalmente, com alimentos vivos ou congelados. Use os suplementos de Garlic e suplementos vitamínicos semanalmente para ajudar na prevenção de doenças. Um peixe bem alimentado terá um boa imunidade.

Estabilize a temperatura para não haver variações. O melhor é investir em um bom termostato e, pelo menos um vez na semana, verificar o termômetro para confirmar se ele está trabalhando a contento.

Se puder, coloque um filtro esterilizador UV ou o ozonizador, que não ajudarão com o Íctio impregnado em um peixe, mas os parasitas que se lançarem na água e forem puxados pelo UV ou atingidos pelas partículas de 03 não terão chances de pegar outra vítima.

Optar por uma bateria de peixes nacionais e outra de peixes importados é uma alternativa eficaz no controle de perda de animais importados. Um espaço no fundo da loja para hospital e quarentenário seria perfeito também.

Em todos os casos de doenças, um dos fatores que mais contam para o sucesso da recuperação do animal é o tempo entre perceber o problema e agir.

Esperamos tê-lo ajudado com um pouco de nossa experiência sobre o que funcionou efetivamente em nossos aquários, baterias e quarentenários.

Roberto Eduardo Sentanin
Diretor e fundador da empresa RSDiscus Aquários (loja física e virtual, varejista) e ex-criador profissional dos peixes Acará-bandeira e Acará-disco, de 1990 a 2010.

(DBN) Desordem da Bexiga Natatória

Pesquisando sobre a Desordem de Bexiga Natatória (DBN) ou, em inglês, Swim Bladder Disorder (SBD) – que é uma anormalidade indesejável nos Betta splendens, geralmente descartada pelos criadores, encontrei algumas informações interessantes sobre o tema, pulverizadas em vários textos publicados em grupos de discussões e fóruns, espalhados na web. Resolvi condensar estas informações num único texto, traduzindo e adaptando traduções de outrem, enxertando comentários e observações de alguns criadores de Betta splendens, para produzir um material que sirva de base, de apoio para estudos e experimentações de colegas criadores.

Diagnóstico:

Um dia seu Betta splendens está muito bem – nadando feliz e construindo seu ninho de bolhas. No dia seguinte, está nadando torto, não está ativo e talvez com um pequeno embotamento na cor ou inchado.

Betta splendens com distúrbio da bexiga natatória apresentando nado irregular. Foto de origem desconhecida, meramente ilustrativa.
Betta splendens com distúrbio da bexiga natatória apresentando nado irregular. Foto de origem desconhecida, meramente ilustrativa..

Isto sugere que exista problema na bexiga natatória do animal, que está situada na espinha do peixe, entre sua barriga e sua cauda. Se a bexiga ficar grande, inchada ou apertada, pode fazer com que seu peixe nade com dificuldade.

Geralmente com a bexiga natatória apresentando problema, o peixe nadará de lado ou ficará no fundo. Parece que o Betta splendens perde sua capacidade de flutuar. Os jovens filhotes ficam “deslizando” pelo fundo do aquário, em suas barrigas, como se não pudessem nadar de outra maneira. Os mais velhos flutuam lateralmente, como se “quisessem furar” a superfície. Outros adultos flutuam com a cauda para baixo, verticalmente.

Possíveis Causas:

  1. Uma teoria é que, pelo menos, um tipo de DBN seja genética, passada de geração para geração. Isto faz sentido, se peixes com DBN estão sendo vendidos ou dados como presentes a outros criadores, que, por sua vez, os reproduzem sendo dito que não é genético. Isto espalha o gene DBN. Isto, naturalmente, se existir tal gene.
  2. Outra teoria é que um tipo de DBN pode ser causado pela alimentação em excesso com náuplios/adultos de artemias franciscanas (salinas). Pois as bolhas de ar escondidas nos náuplios/adultos de artemias franciscanas (salinas), bolhas estas que ficam presas nestes organismos em decorrência da aeração forçada em sua criação, bolhas que fazem com que a bexiga natatória se desenvolva incorretamente. Uma bexiga natatória pequena ou mal desenvolvida não retornará ao normal.
  3. Câncer ou tuberculose em um órgão perto da bexiga natatória. Isto talvez seja curável, porque a origem do problema está em outro órgão.
  4. Rápida variação nas temperaturas pode provocar a DBN.
  5. Rápido aumento da coluna d´água nos aquários com as larvas da espécie.
  6. Infestações bacterianas ou de parasitas podem ser, também uma causa.
  7. Comum em Betta splendens de cauda dupla (DT), o corpo curto, produzirá uma bexiga natatória mal formada ou curta, fazendo com que estes flutuem verticalmente.
  8. Gripe é um problema mais comum do que parece.
  9. Mudança súbita na dieta é também uma causa comum, nos adultos.
  10. Por fim, existe outra teoria, que sugere que a DBN seja um efeito, o reflexo de outros problemas existentes no organismo do animal.

Prevenção:

Alguns criadores de Betta splendens não alimentam seus peixes por um dia, ou por uma semana, para limpar o trato digestivo dos animais. Este é um método muito usado para impedir a DBN e/ou a constipação intestinal.

Outra opção de alimentação para impedir a DBN é aumentar o número de vezes que se oferece alimentos aos Betta splendens, para duas ou mais vezes ao dia, sempre em pequenas quantidades, ao invés de oferecer apenas uma refeição diária, com grande quantidade de comida. Isto reduz a quantidade de entrada de alimento de uma só vez, e permite que o sistema digestivo do animal, processe a comida mais facilmente. Observe que o estômago do Betta splendens tem, aproximadamente, o tamanho do aro do olho dele, portanto pouco alimento já será suficiente.

A variedade na dieta dos Betta splendens é importante para prevenir doenças e assegurar que os peixes estejam recebendo os nutrientes necessários para permanecerem saudáveis.

Tratamento:

Tente manter a dieta dos seus peixes balanceada e não os alimente em demasia. A bexiga natatória corrigir-se-á logo e seu mascote começará a nadar normalmente outra vez.

Similar à prisão de ventre, você pode também tentar não alimentar seus peixes por 24/48 horas. Em seguida, pegue uma ervilha cozida e a descasque. Alimente o(s) animal(ais) com uma parcela pequena dela na extremidade de um palito de dente. Tenha a certeza de que seus Betta splendens estejam evacuando bem, porque isto significar que a DBN e/ou a prisão de ventre estão sob controle.

Procedimentos adicionais:

A água limpa é sempre importante para um Betta splendens, mas é especialmente benéfica para todo peixe que enfrenta uma doença. Sempre mantenha seu Betta splendens entre 24/30 °C, para ajudá-lo a se sentir mais confortável e levantar seu sistema imunológico. Recomendo veementemente que você leia outro artigo de nossa lavra, publicado neste site, onde indicamos os primeiros socorros para Betta splendens.

Recomendações:

Se a DBN não estiver ameaçando, nem degradando a qualidade de vida do animal, deve-se deixá-lo viver. Se você optar por descartá-lo, faça o descarte de forma rápida e sem sofrimento para o animal (Leia: Descarte técnico de peixes ornamentais).

Fontes:

  • Betta Splendens Brasil (Grupo de Discussões)
  • Fish Junkies
  • Pet Fish
  • Pet QnA

Descarte técnico de Betta splendens

Na criação de Betta splendens, em função do tamanho das ninhadas, estrutura da estufa (espaço), disponibilidade de tempo para cuidar dos animais, possibilidade de investimento financeiro no manejo dos peixes (equipamento, ração, alimentos vivos, saúde animal, etc), o descarte técnico é uma fonte de preocupação constante para criadores hobbystas.

Em média, cada ninhada da espécie gera de 300 a 400 larvas e dependendo do manejo do criador, a grande maioria delas, é capaz de chegar até a idade adulta. Para quem desenvolve trabalho genético, dificilmente aproveita-se mais que 10 indivíduos desta ninhada, entre machos e fêmeas, que possuam determinadas características específicas, buscadas e desejadas pelo criador, para dar continuidade ao trabalho genético, salvo raras exceções. Servir de matriz, para novos acasalamentos.

O restante é considerado descarte técnico, pelo desenvolvedor da linhagem. A grande maioria dos peixes considerados descartáveis, é composta de peixes lindos, fisicamente perfeitos, saudáveis e de grande potencial genético. Apenas não estão entre o seleto grupo de peixes que se destacaram na ninhada, para determinadas características.

Então, que fim dar a estes peixes? Como viabilizar a pesquisa e trabalho genético e ao mesmo tempo dar fim adequado, nobre e responsável para o que resta da ninhada?

Eis algumas sugestões factíveis:

  • O caminho natural e imediato, que a maioria de nós já empregou, foi a distribuição destes peixes para parentes e amigos, para pessoas que se simpatizam com a criação de peixes, em especial por Betta splendens, e desejam ter um mascote em casa, ou no local de trabalho. É óbvio que este universo de pessoas é limitado e também que estas pessoas estão dispostas a absorver apenas um pequeno grupo destes peixes. Você precisa respeitar e entender suas limitações.
  • Saiba que clínicas médicas/hospitais podem ser um bom caminho para dar fim nobre aos peixes. Procure terapeutas ocupacionais de sua cidade, peça orientações de como e onde fazer estas doações. Pessoas emocionalmente carentes, fisicamente debilitadas, se renovam, se estimulam muito com a companhia de mascotes. Você resolve seu problema e faz muita gente feliz.
  • Escolas também podem ser um bom canal de distribuição dos peixes, principalmente se houver interação com a direção e professores, de forma a transformar o recebimento dos peixes, em tema educacional (ciências, matemática, geografia, história, português, etc). As possibilidades de se trabalhar em torno deste tema, são praticamente infinitas.
  • Existe o caminho da venda, para lojistas e diretamente aos consumidores finais (feiras, shows, internet, etc). Para tal é preciso se adaptar à legislação vigente, ser capaz de emitir nota fiscal de venda (constituir uma pessoa jurídica – vide possibilidade de se tornar um empreendedor individual), obter laudo de sanidade animal com um médico veterinário local e guia de transporte animal (GTA).

De forma drástica, e em último caso, no meu entender, sacrifique os animais:

  • Colocando-os na cadeia alimentar de carnívoros maiores confinados em aquários [O Oscar, também chamado de Apaiari (Astronotus ocellattus), por exemplo];
  • Colocando-os em recipientes com água e levando-os ao congelador. O frio fará com que a temperatura corporal dos animais caia, fazendo com que eles fiquem anestesiados, e acabem morrendo da forma menos traumática para eles;
  • Se preferir, pode pedir que um médico veterinário faça isto por você, usando métodos que estejam de acordo com a resolução número 714, de 20 de junho de 2002, do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Você NÃO deve soltar seus peixes diretamente em ambientes naturais ou artificiais (rios, córregos, lagoas, represas, açudes, canais, etc).

Soltura de espécies exóticas na natureza é crime e pode provocar desequilíbrio populacional ou até mesmo extinção completa das espécies nativas naquele habitat. Imagem meramente ilustrativa.
Soltura de espécies exóticas na natureza é crime e pode provocar desequilíbrio populacional ou até mesmo extinção completa das espécies nativas naquele habitat. Imagem meramente ilustrativa.

NUNCA libere seus peixes vivos pela descarga sanitária de casa. Agindo assim, você estará cometendo um crime ambiental, previsto na lei brasileira (Lei 9605 de 1998). Lembre-se, você cria uma espécie exótica (Betta splendens) e não deve introduzí-la na natureza, desestabilizando as espécies nativas, de forma irresponsável.

Fontes:

  • CORTIZO, Bernardo. Descarte de peixes ornamentais interfere no meio ambiente. Universidade Federal de Pernambuco.
  • MAGALHÃES, André Lincoln Barroso de. Introdução de espécies exóticas por aquariofilia. Centro Universitário UNA, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre/UFMG.
  • MAGALHÃES, André Lincoln Barroso e BARBOS, Newton Pimentel de Ulhôa. Peixes de aquário: animais de estimação ou pestes? Ecosíndico