Doenças mais comuns nos Bettas

Artigo publicado originalmente no website:  www.oaquario.com.br – Reprodução autorizada (20/08/2010).

Embora o Betta seja um peixe resistente a doenças ele pode ser acometido por algumas moléstias comuns de aquário em conseqüência de má manutenção do mesmo ou de alimentação deficiente em que não suprimos todas as necessidades básicas dele.

Tenha sempre em mente que peixe que vive em ambiente estável, bem cuidado e possui uma boa alimentação raramente ficará doente.

Podemos dividir as doenças em:

  1. Genéticas ou congênitas;
  2. Causadas por parasitas e fungos;
  3. Causadas por vírus e bactérias;
  4. Causadas por problemas na água.

1. Doenças genéticas ou congênitas:

São doenças que em que o peixe já nasce com elas, são alterações ou mutações às vezes graves, sua cura é praticamente impossível.

Normalmente surgem quando não tomamos cuidado em nossas reproduções, ou seja, não temos critérios ou seriedade nos cruzamentos, cruzando peixes muito próximos e até irmãos surgem assim os problemas de consangüinidade que resulta nos seguintes sintomas:

♦ Peixes com vida curta;
♦ Falta de nadadeiras ou nadadeiras torcidas;
♦ Deformação na espinha dorsal;
♦ Deformação da bexiga natatória, causando dificuldade no nado do peixe;
♦ Tumores externos – pequenos caroços na pele do peixe que vão tomando todo o seu corpo até a morte;
♦ Tumores internos – o peixe apresenta alterações no seu metabolismo;
♦ Alterações de cor;
♦ Esterilidade – o peixe não se reproduz;
♦ Nascimento de peixes siameses – peixes unidos pelo ventre, cabeça, etc.

2. Doenças causadas por parasitas e fungos (sintomas e tratamento):

Achyla ou Saprolegnia: Fungos, manchas brancas ou tufos semelhantes a algodão. Deve ser tratada com um bom fungicida comercial ou ainda verde de malaquita na proporção de 2 gotas para cada 4 litros de água. Em casos mais difíceis pode-se usar também Tripaflavina (50 mg/20 litros) por 2 ou 3 dias.

Oodinium pillularis: Parasita muito perigoso. Pode devastar um aquário em poucas horas. O primeiro sintoma é falta de apetite, depois a respiração torna-se ofegante (asfixia), os peixes vão à superfície, ficam desequilibrados. Pode haver nas escamas um brilho fraco, como veludo. Use um bom fungicida, parasiticida ou oodinicida comercial, ou então, Aureomicina (15 mg/1 litro) durante 4 dias.

Costia: Falta de apetite, manchas esbranquiçadas, ramificações vermelhas nas nadadeiras. Fungicida e parasiticida comercial ou Tripanoflavina (1 g/100 litros).

Ictio: É a doença mais comum. Pequenos pontos brancos nas nadadeiras ou em todo o corpo, nadadeiras fechadas – os peixes costumam se esfregar no cascalho ou nas pedras. Parasiticida comercial ou verde de malaquita (1 g/25 litros), ou azul de metileno (5 gotas/10 litros), ou ainda sal grosso (1 colher de chá para cada 4 litros). Atente para o fato de que este tratamento deve ser seguido de elevação da temperatura para 28/29 °C.

3. Doenças causadas por bactérias e vírus:

Nadadeiras roídas: Pode ter várias causas geralmente são bactérias. As nadadeiras ficam esbranquiçadas e se desfazem. O pH ácido favorece o seu aparecimento, neste caso, antes de iniciar o tratamento corrija o pH (elevando-o). Em seguida use um bactericida comercial ou azul de metileno a 5%. Em casos mais graves pode se usar também Tripaflavina (1 g/100 litros) ou Aureomicina (10 mg/1 litro), por 2 ou 3 dias, ou ainda, Tetraciclina (50 mg/2 litros), durante 7 dias, trocando a água e o medicamento, mantendo o “aquário-hospital” em local escuro.

Fungos na boca: Grossa camada de fungos na boca parecida com algodão. O fungo pode estar associado a bactérias que se localizam em ferimentos. Fungicida e bactericida comercial ou o mesmo procedimento do tratamento para fungos acima.

Dactylogyrus ou Gyrodactylus: Falta de apetite, inflamação e inchaço nas brânquias, turvação dos olhos, respiração ofegante. Parasiticida comercial especifico para esta doença ou azul de metileno (3 ml de solução a 1% para 10 litros).

Hidropsia (ventre volumoso): É causada por bactérias que atacam os órgãos internos paralisando-os. Os peixes ficam barrigudos e com as escamas eriçadas. Pode ser incurável. Bactericida comercial potente ou 250 mg de Aureomicina para cada 20 litros ou ainda 50 mg de Tetraciclina para cada 2 litros por 7 dias com trocas diárias de água e medicamento e manter o “aquário-hospital” em local escuro.

Tuberculose ou Barriga seca: O peixe fica magro, com o ventre retraído. Pode ser causada por alimentação de má qualidade e pouco variada. O estado de debilidade do peixe pode tornar a cura difícil bactericida comercial potente ou estreptomicina.Raramente tem cura.

Olhos inchados (Pop-Eye): Pode ser causado por bactérias (tuberculose, hidropsia), por fungos (Ichthyosporidium) ou. por vermes. O sintoma é seus olhos inchados. Paraciticida e bactericida.

Buraco na cabeça (Hole-in-Head): Doença dos acarás. Ataca os órgãos internos, causando danos que podem ser irreversíveis. Falta de apetite. Na fase final aparecem inchações e perfurações na cabeça e no corpo. Não é muito contagiosa usar bactericida.

4. Doenças causadas por problema na água:

Água muito ácida: Nadadeiras fechadas, escamas eriçadas, natação irregular, tremores. Elevar o pH com alcalinizante.

Água muito alcalina: Perda de brilho nas escamas, respiração ofegante junto à superfície. Pode haver perda de escamas. Diminuir o pH com acidificante.

Bem acho que deu para pegar uma boa ajuda, espero que tenham sorte e consigam salvar seus peixes com isto.

Boa Sorte!

Marcos Monteforte

Como lidar com mudanças de pH no aquário

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 21/11/2011 – Reprodução autorizada.

Este é um assunto recorrente entre criadores e hobbystas de peixes ornamentais. Mas até onde este parâmetro é necessário ser levado tão a sério? É realmente necessário um controle preciso quanto ao pH da água de um determinado aquário?

Escala de pH.
Escala de pH.

Peixes em geral, no seu habitat natural, vivem em um amplo espectro de níveis de pH sem problema algum. Em lojas de aquarismo, também não é muito diferente, pois existem muitas espécies de peixes bem como um número elevado de aquários e nem todos procuram se preocupar muito com mais este “detalhe”.

Mas e em nossas casas? Procuramos seguir a risca o que a vasta literatura nos ensina. Aclimatamos nossos peixes a um mundo perfeito, com temperaturas quase constantes, água cristalina e não somente o pH como também outros parâmetros são verificados quase que como um técnico de laboratório o faria.  Isso só os torna menos resistentes a oscilações.

Utilizar recursos de adição de agentes químicos para deixar a água mais ácida ou mais alcalina não é uma boa prática. Vamos supor que ocorra uma mudança muito drástica no valor deste parâmetro. Estas mudanças drásticas são altamente prejudiciais para a saúde dos peixes.

No entanto, existem algumas coisas que você pode fazer para ajustar os níveis de pH de forma lenta e gradual. Para diminuir os níveis de pH, adicione um pedaço de madeira (troncos, galhos, etc) ou outros materiais (folhas de amendoeira, xaxim, turfa, etc) como decoração do aquário. Para aumentar os níveis, em vez disso, adicione algum alcalinizante natural (dolomita, aragonita, conchas, halimeda, etc). Fazer isso não vai alterar drasticamente o nível de pH da água e vai dar o seu tempo de vida aquática ajustar-se.

Mudanças repentinas nos níveis de pH podem, por vezes, ocorrer em aquários. Estas mudanças repentinas são prejudiciais para os peixes e precisam de solução urgente. Você deve se focalizar em identificar e eliminar a causa. Jamais deverá lutar contra os efeitos destas mudanças bruscas e repentinas. A primeira coisa a ser feita é verificar a fonte da água, embora nem sempre seja ela a causa, mas é bom ter certeza.

A segunda coisa que você deve se preocupar é se houve acréscimo de algo novo dentro do aquário. A nova decoração, cascalho, novas mídias no filtro, qualquer outra coisa. Geralmente é a introdução de algo novo que acaba causando a mudança rápida do pH. Retire os itens que você acha que está causando a mudança, efetue uma troca de 50% da água, em seguida, monitore por alguns dias. Isto na maioria dos casos deve resolver o problema.

É sempre prudente evitar estas alterações bruscas de pH. Afinal, a prevenção sempre é melhor do que remediar!

Minimize o número de produtos químicos que você despeja na água do aquário.

Não fique mudando a decoração do aquário. Após a adição de algo novo na água do aquário, haverá a necessidade de um tempo para as novas adaptações e mudanças freqüentes só servirão para perturbar o equilíbrio já estabelecido.

Não se esqueça da manutenção periódica que devem ser realizadas. Trocas parciais de água é uma solução perfeita para manter os níveis de pH e o equilíbrio do ambiente em seu aquário.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.