Sugestões para estrutura de exposição de Betta splendens em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins

É muito comum encontrarmos em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins, Betta splendens expostos de forma, no mínimo inadequada, em pequeno volume d’água, que geralmente está imunda, com restos de alimentos e excretas no fundo.

Este espetáculo deprimente sempre foi alvo de severas críticas, posicionamentos duros e apaixonados por parte de frequentadores das lojas, frequentadores de fóruns, grupos de discussões, redes sociais, protetores dos animais e da natureza. Estas condições estão longe de ser as ideais para a vida e saúde dos animais e depõem negativamente contra a imagem de uma empresa.

Parece não existir regulamentação sobre o tema até o presente momento, estabelecendo regras claras sobre o tema. Se existem, desconheço. Na falta de tal instrumento, apresento sugestões razoáveis, factíveis, economicamente viáveis e tecnicamente aceitáveis:

1) Aquário de vidro, termo-plástico ou acrílico; capaz de acomodar de 2,5/3,0 litros de água. Este aquário expositor deve ter tampa, para evitar acidentes com os peixes, que podem saltar para fora do aquário. Esta tampa também ajuda a manter o ar que está imediatamente acima da superfície da água, relativamente quente. Lembre-se que Bettas respiram essencialmente o ar atmosférico, através de seus labirintos e que são peixes de região geográfica de clima quente.

Padronize o tamanho dos aquários. Esteticamente fica mais agradável para quem explora o expositor e facilita sobremaneira o manejo diário.

2) Evite colocar substrato nestes aquários. Eles dificultam a limpeza de fundo, permitindo que colônias de fungos e bactérias cresçam de forma descontrolada. Além disto, os peixes podem se ferir durante o processo de captura com puçá (redinha).

3) Introduza plantas aquáticas naturais nos aquários. Além do fantástico efeito visual, elas valorizam a cor do peixe e ajudam a manter a saúde da água do aquário. Plantas que se alimentem de nutrientes existentes na água e que sejam pouco exigentes com relação a iluminação, tais como: Vesicularia dubyana, Pseudotaxiphylium distichaceum, Najas indica, Hydrila verticillata, Nymphoides aquatica, Ceratophyllum demersum, Elodea densa, etc.

4) Estes aquários devem ficar lado a lado. Mantenha uma folha de papel obstruindo 2/3 da área de visão dos peixes. Assim sempre que avistarem os peixes dos aquários vizinhos (e isto não acontecerá o tempo todo, ao ponto de gerar estresse para os animais), ficarão se exibindo uns aos outros, exibindo suas cores e formas exuberantes, defendendo seus respectivos territórios, viris, interessados em procriação e muito provavelmente nidificando.

5) Promova limpeza de fundo nos aquários todos os dias, com a ajuda de uma pipeta ou sifão. Remova excretas e restos de alimentos.

6) Promova TPAs (Trocas Parciais de Água) de aproximadamente 30% da água a cada 2 ou 3 dias. Use água isenta de cloro e metais pesados. Uso de condicionadores de água são recomendáveis. A adição de sal-grosso (de churrasco), na proporção de 1g/litro de água é recomendável. O sal é um bactericida natural, que em pequena dosagem, de forma preventiva, fará muito bem ao animal.

7) Monitore constantemente os parâmetros da água. Principalmente sua temperatura e pH. Promova correções, se necessário for, ajustando estes parâmetros, para os níveis tolerados pela espécie. Sempre de forma bem lenta.

Em regiões geográficas onde acontecem mudanças bruscas de temperatura ao longo do mesmo dia, em pequenos intervalos de tempo é recomendável a instalação de aquecedores nas betteiras, compatíveis com o volume de água, controlados por termostato.

É sempre bom reforçar que é menos estressante para o animal, adaptá-lo ao pH da água que você pode oferecer a ele, de forma bem lenta, do que ficar tentando colocar a água em algum parâmetro específico que você entenda ser o ideal. Lembre-se que você, provavelmente, irá comercializar estes peixes na sua região geográfica, para aquaristas que fazem uso da mesma fonte hídrica (água doce), que sua loja tem acesso e é para esta água (parâmetros) que você deve adaptar os peixes, para que eles se adaptem com menos estresse ao manejo que seus clientes possivelmente darão aos peixes comercializados por sua loja.

8) Ao embalar o peixe para seu cliente, procure usar a água da betteira de exposição, meça o pH e temperatura da água no momento da embalagem, escreva esta informação no saquinho plástico (use caneta de tinta permanente). De preferência faça isto com o acompanhamento do cliente, oriente-o a adaptar o peixe para parâmetros similares, de forma bem lenta, em seu destino. Ofereça ao cliente a mesma ração que você costuma alimentar os animais, para facilitar a adaptação do animal ao novo manejo. Mesmo que seja um bocadinho da ração, suficiente para uma adaptação para outra ração que o cliente prefira oferecer aos seus peixes.

9) Cuidado com seu manejo sanitário. Mantenha os puçás em solução de água sanitária ou água com grande concentração de sal e enxágüe-os muito bem antes de introduzí-los nas betteiras. Lave suas mãos muito bem antes de introduzí-la na água de um aquário.

10) Sempre que você receber um novo lote de Bettas em sua loja, procure mantê-los em quarentena, numa área reservada. Observe a vitalidade dos animais, coloração, apetite, etc. Suspeitando de problemas, peça ao veterinário responsável por sua loja, para examinar os animais, antes de oferecê-los ao público.

Perceba que todas as sugestões apresentadas são perfeitamente factíveis. Melhoram substancialmente as condições ambientais para os animais e sua saúde, podem reduzir as perdas de exemplares dentro do seu estabelecimento e consequentemente reduzem prejuízos. Por outro lado, aumentam suas chances de venda, aumento no nível de satisfação dos clientes, cria-se uma imagem positiva do seu estabelecimento para os frequentadores da loja, fidelizando-os. Mesmo na eventual falta de regulamentação, use o bom senso, pense na sua responsabilidade para com os animais que decidiu expor e vender em sua loja e trabalhe na construção de um “case” de sucesso (da SUA empresa).

—–
Especiais agradecimentos aos colegas (criadores da espécie, representantes de associações de criadores, lojistas, biólogos, veterinários, pesquisadores e operadores do direito), que muito contribuíram para a construção desta proposta (em ordem alfabética): John Klaus Kanenberg, Lorena Felisberto Goulart Pereira, Luiz Guilherme (Wyatt), Marcelo Assano, Max Wagner Saches Lucas, Ricardo Assunção, Ricardo Liang, Robert dos Santos, Roberto de Souza Godinho, Rodrigo Dutra, Thiago A. V. Cruz, Wesley Mendes, Wilson de Oliveira Vianna.

Manejo sanitário de peixes ornamentais

Provavelmente provocarei alguma polêmica ao afirmar que o método até hoje utilizado pela grande maioria dos aquaristas/criadores brasileiros, ou seja, a de adaptar o peixe para a água do aquário, não é um método correto. Talvez você esteja no grupo que faça desta forma, no meu entender errada. Vou tentar abaixo provar isso para você. Se escrevi alguma besteira, por favor me corrija.

O saco onde o peixe foi transportado pode ser considerado um ambiente quase que fechado. Mesmo se o peixe não foi alimentado um dia antes do embarque, o processo metabólico do peixe produz amônia como um subproduto, secretado através das guelras e da urina.

Na prática, se nós medirmos o pH da água do saco onde os peixes foram transportados não funciona bem porque os ácidos secretados pelo peixe vão causar a diminuição do pH, e a amônia é menos tóxica com pH menor. Como o peixe respira no saco, o dióxido de carbono é liberado na água e um pouco dele é difundido no ar preso na parte superior do saco.

O dióxido de carbono na água ajuda a formar ácido carbônico. Quanto mais tempo o peixe ficar no saco, mais dióxido de carbono é produzido, deslocando o oxigênio e causando um leve esvaziamento do saco. O peixe então se torna levemente asfixiado.

O peixe se torna sonolento, diminuindo sua consciência. O peixe fica sob estresse e o seu manuseio o debilita causando danos ao seu muco. Qualquer agente patogênico que estivesse presente no aquário original teria facilidade em infectar o peixe, pois o seu sistema imunológico estaria nesse momento comprometido. Também a quantidade de matéria orgânica presente no saco seria propicia ao crescimento de bactérias e parasitas.

Nesse ponto em que o peixe chega na sua casa ele está muito vulnerável à doenças. A água do saco é uma água doente, tóxica.

A doença está na água, nos lados do saco, e na superfície externa do saco também. Se você colocar para flutuar o saco no seu aquário, alguns dos agentes patogênicos que existissem no aquário original poderiam estar sendo introduzidos no seu novo aquário. Agora você abre o saco e deixa ele flutuar. Realmente uma má ideia, pois logo que você abre o saco o dióxido de carbono escapa, e um ar relativamente rico em oxigênio logo entra. O dióxido de carbono rapidamente evapora da água. O pH sobe. A amônia no saco repentinamente se torna altamente tóxica com o nível alto de pH. O peixe fica estressado e o seu sistema imunológico declina. Você então começa a adicionar a água do seu aquário para o saco. Agora você faz com que os níveis de pH e dureza da água do saco comecem a oscilar. Isso causa mais estresse para o peixe. Com isso você força o peixe por uma ou mais horas a ir se adaptando aos parâmetros da água do seu aquário, causando mais estresse ao peixe.

Normalmente leva semanas para um peixe se ajustar aos novos parâmetros de uma água nova, e você o força para que isso ocorra em 1 ou 2 horas e isso não é bom no estado de fraqueza atual do peixe.

Ajustar um peixe para um pH mais alto, maior dureza da água (GH) ou maior valor de temperatura é melhor do que para valores mais baixos. Entretanto como o pH é uma escala logarítmica, um grau de diferença é dez vezes maior. O limite para mudanças de pH é de um grau, mudanças de temperatura é de 1 grau Celsius. Dureza é um pouco mais flexível para mudanças, mas você deve chegar o mais próximo possível. Se a variação da troca for muito grande você corre o risco de colocar o peixe em choque. O parâmetro mais importante a se conseguir é o pH correto.

Por isso é importante saber (perguntar ao vendedor) em que água seu peixe foi criado, se o seu criador utilizava sal nos seus aquários, quais os valores de pH e GH. É importante retornar o peixe a esses valores o mais rápido possível.

Essa teoria acima foi-me passada por um criador alemão que foi meu sócio numa criação de guppies nos anos 70, que dificilmente perdia peixes por manuseio errado. Se eu contasse todas suas técnicas muitos ririam, como, por exemplo, jogar água fervendo num aquário com peixes em choque e imediatamente tirá-los daquela situação, voltando os peixes a nadarem normalmente. Eu presenciei tudo isso, e diversas das técnicas eu posteriormente repeti sozinho com sucesso.

Sei que é difícil pessoas que fazem determinados procedimentos há vários anos aceitarem um novo manejo, por isso falei em criar polêmica, opiniões contraditórias. Do modo como a maioria das pessoas fazem também dá certo, mas os peixes com certeza sofrem mais para se adaptar. O método que eu acho mais correto é: Pedir informações ao fornecedor do peixe sobre os parâmetros da água em que os peixes foram criados/enviados, tais como pH, temperatura, GH (dureza) e salinidade.

Preparar um aquário uma semana antes da chegada do peixe e preparar a água nos mesmos parâmetros das informações que você recebeu do fornecedor dos peixes.

Após a chegada dos peixes, deixe o saco no mesmo ambiente do aquário até a estabilização da temperatura (saco fora do aquário), e não coloque o saco em contato com a água do seu aquário pois o saco pode estar transportando agentes patogênicos.

Adicione um condicionador à água do aquário que proteja o muco do peixe. Isso vai ajudar a defesa contra possíveis doenças.

Coloque formalina, ou outro produto com a mesma função, no seu aquário. A formalina vai evaporar e causar ínfimo dano ao ciclo do nitrogênio do seu aquário.

Nunca coloque peixe novo misturado com seus antigos peixes, pois eles podem passar doenças uns para os outros.

Não coloque água do seu aquário dentro do saco. Assim que o saco é aberto o dióxido de carbono vai escapar, o pH vai subir, e os seus peixes entrarão em choque. Imediatamente após abrir o saco coloque um pouco de neutralizador de amônia no saco e meça os parâmetros da água do saco.

Verifique os parâmetros da água que veio junto com o peixe e compare com os valores informados pelo fornecedor. É esperado que o valor de pH tenha diminuído. Se tiver qualquer dúvida, como por exemplo, se passaram informações incorretas para você quanto a água original dos peixes, ajuste o aquário para os parâmetros da água do saco. Se os parâmetros estão realmente baixos, como pH abaixo de 7, coloque os parâmetros do seu aquário ligeiramente acima.

Se o aquário tem os mesmos parâmetros, jogue fora a água do saco e colocando o peixe numa rede e imediatamente o coloque no aquário. Não contamine a água do seu aquário com a água que veio dentro do saco.

Não alimente o peixe no primeiro dia, e dê pouca comida para ele na primeira semana.

Troque por dia 10% da água do aquário até que o ciclo de nitrogênio seja estabelecido e continue esse procedimento até que a água atinja os mesmos parâmetros dos seus outros aquários.

Procedendo dessa maneira as chances de nada de desagradável acontecer com seu novo peixe estarão aumentadas.

Carlos Beserra (in memoriam)

Bateria de Betteiras

A Betteira:

Minhas betteiras têm 15 cm X 15,3 cm X 9 cm. A água fica com 12 cm de altura e a capacidade fica perto de 1,6 litros por betteira. Os vidros são de 3 mm e aconselha-se a lixar as bordas cortantes dos vidros antes de armar os aquários. São todos colados com borracha de silicone sem antifungo.

As medidas dos vidros por betteira são:

  • 1 vidro para o fundo com 15 cm X 9 cm;
  • 2 vidros para as laterais de 15 cm X 15 cm;
  • 1 vidro para a frente de 15 cm X 8,4 cm;
  • 1 vidro para a parte inferior da traseira de 12 cm X 8,4 cm;
  • 1 vidro para a parte superior traseira de 2,7 cm X 9 cm.

O posicionamento dos vidros é o seguinte:

  • Os vidros laterais, frontal e traseiro inferior são colados por sobre o vidro do fundo;
  • O vidro frontal e o traseiro inferior são montados por dentro dos vidros laterais;
  • O vidro traseiro superior é montado por fora dos vidros laterais e atrás do vidro inferior, deixando uma fresta de 3 mm entre os vidros.

Montando a betteira:

Passo 1

Cola-se 1 vidro lateral e o vidro da frente entre si e sobre o vidro de fundo.
Cola-se 1 vidro lateral e o vidro da frente entre si e sobre o vidro de fundo.

Passo 2

Cola-se o vidro traseiro inferior.
Cola-se o vidro traseiro inferior.

Passo 3

Cola-se a outra lateral.
Cola-se a outra lateral.

Passo 4

Por último o vidro traseiro superior. Note que ele é colocado por trás e como ele mede 2,7 cm fica uma folga de 3 mm por onde a água sai, mas o betta não.

Passo 5

Veja como fica por trás.
Veja como fica por trás.

Existem pessoas que preferem montar os vidros em volta do vidro do fundo, ao invés de por sobre ele. Não há problema, bastando alterar as medidas de modo que o aquário fique com 9 cm de largura.

A estante:

Eu utilizo cantoneiras próprias para estante que são vendidas sob vários tamanhos. Uso barras de 1 metro e 4 cantoneiras de 20 cm por barra.

As cantoneiras têm o seguinte aspecto:

Aspecto das cantoneiras de alumínio.

As barras são assim:

Aspecto das barras de sustentação de alumínio.
Aspecto das barras de sustentação de alumínio.

Dê preferência às de alumínio ou niqueladas, para resistir à umidade.

Fixam-se as barras na parede, na vertical, fazendo um pequeno desnível de uma para outra, para que a água tenha caimento para dentro dos filtros e encaixam-se as cantoneiras para servirem de suporte às prateleiras.

As prateleiras são na verdade pequenos aquários de vidro grosso, de 6 mm, onde as betteiras são colocadas e que servem de calha para a saída da água.

O tamanho de cada prateleira vai depender da quantidade de betteiras que você desejar colocar por andar. Como utilizo barras de 1 m, só posso colocar 4 andares de prateleiras. Já vi barras de até 2 m. Isso fica a vontade do freguês. Cada prateleira deverá ser calculada para 10 cm por betteira, por exemplo, se desejo uma prateleira para 10 betteiras, ela deverá ter 1 metro. Isto acontece porque as betteiras devem ter um espaço entre si para que se coloquem os separadores para que os machos não se vejam a todo o momento. O número de barras presas na parede dependerá do tamanho da prateleira. Até um metro podem-se colocar duas ou três. Acima disso três, no mínimo.

As medidas dos vidros para uma prateleira (todos são vidros de 6 mm):

  • 1 vidro de fundo de 19 cm X 1 metro (de acordo com o tamanho);
  • 2 vidros frontal e traseiro de 3 cm X 1 metro;
  • 1 vidro lateral de 17,8 cm X 3 cm;
  • 1 vidro lateral de 15 cm X 3cm;
  • 1 vidro para base da saída da água de 3 cm X 7cm;
  • 1 vidro para as laterais da saída da água de 3 cm X 3 cm, cortado ao meio em diagonal;
  • 1 vidro de 1 cm X 3 cm, para fazer a pingadeira.

A quantidade total de vidros dependerá da quantidade de prateleiras.

Como montar a prateleira:

Cole a lateral maior e a traseira sobre o fundo. Logo após o vidro da frente e a lateral menor. Ficando a prateleira assim.

Visão da prateleira.
Visão da prateleira.

A fenda que se encontra na lateral com o vidro menor servirá para saída da água. Deixa-se a cola endurecer.

Fazendo a saída da água:

Passo 1

Cola-se o vidro de 3 cm X 7 cm por baixo da prateleira/aquário (virando de cabeça para baixo), de modo a sobrar 3 cm, como na figura.
Cola-se o vidro de 3 cm X 7 cm por baixo da prateleira/aquário (virando de cabeça para baixo), de modo a sobrar 3 cm, como na figura.

Passo 2

Cola-se as duas metades do vidro de 3 cm X 3 cm cortado ao meio em diagonal.
Cola-se as duas metades do vidro de 3 cm X 3 cm cortado ao meio em diagonal.

Passo 3

Por último cola-se a pingadeira.
Por último cola-se a pingadeira.

A estante montada com as prateleiras e as betteiras ficaria assim:

Estante montada com as prateleiras e as betteiras.
Estante montada com as prateleiras e as betteiras.

Como as betteiras tem 15 cm de comprimento e a prateleira 19 cm, fica um vão atrás das betteiras por onde a água escorre.

A saída de água:

Saída de água com tubos e ipsilons de pvc de 40mm.
Saída de água com tubos e ipsilons de pvc de 40mm.

A entrada de água:

A entrada de água é feita com tubos de 20 mm de pvc, sendo que eu coloco 1 registro de gaveta (aquele com uma alavanca) em cada prateleira para poder regular a vazão d’água. Pode-se fazer o sistema de água de duas maneiras. Com filtragem, com é o meu, onde faço trocas diárias diretamente do filtro, ou com troca direta, ou seja, a água entra por um lado e é descartada pela saída da água, indo para o esgoto. Depende apenas da sua disponibilidade de água.

Os tubos de pvc de 20 mm são furados, depois de marcados, com uma arame fino quente. O furo não pode ser pequeno demais, senão entope com facilidade. Depois de montado fica assim:

Sistema de entrada e de saída.
Sistema de entrada e de saída.

Este é o sistema de entrada e de saída. Agora farei um esquema para filtragem e outro para troca direta.

Troca direta de água:

Basta ligar o sistema a uma caixa d’água que tenha água tratada, ou seja sem cloro e com as especificações necessárias a saúde dos peixes. Veja o esquema:

Troca direta de água: Sistema ligado a uma caixa d'água que tenha água isenta de cloro e metais pesados.
Troca direta de água: Sistema ligado a uma caixa d’água que tenha água isenta de cloro e metais pesados.

A entrada de água se faz por meio de uma mangueira de água de ½ polegada, unida ao sistema por um adaptador.

A saída vai direto para um recipiente que é ligado ao esgoto. Não se deve ligá-la diretamente ao esgoto, pois caso algum betta pule, será levado pela corrente de água para o recipiente.

A água não precisa ficar ligada todo o tempo, pode ser ligada e desligada de tempos em tempos, apenas para renovar a água das betteiras.

A sujeira no fundo das betteiras pode ser retirada em grande parte aumentando-se a vazão de entrada da água, que revolve o fundo e retira os detritos.

Mesmo ficando um pouco de sujeira no fundo, devido a troca constante de água, o nível de amônia na água não aumentará muito e não interferirá no desenvolvimento dos peixes. Eu aspiro as betteiras com uma mangueira de ar 1 vez por semana apenas.

Vejamos agora o esquema com filtragem:

Sistema de filtragem baseado naquele usado por Francisco Maraschin, da FM Bettas, de Rezende.
Sistema de filtragem baseado naquele usado por Francisco Maraschin, da FM Bettas, de Rezende.

A filtragem é feita primeiramente por lã sintética, seguida por pedriscos e por areia grossa. Troco parcialmente a água diariamente, tirando água da parte de entrada do filtro, por sobre a lã de vidro e recoloco a água diretamente da parte onde fica a bomba, que deve ser Sarlo 2000 ou equivalente, como a Aqua 2300, também muito boa.

O preço final pode ser barateado usando-se garrafas pets de 2 litros em vez de betteiras de vidro, cortadas e com um talho de aproximadamente 3 mm atrás para a água sair, cerca de 3 cm abaixo da borda da garrafa. O filtro pode ser substituído por filtros mecânicos ou por caixas plásticas divididas. Bem, tudo depende da criatividade de cada um. Este sistema pode ser acrescido de Filtros UV na saída da bomba.

Paulo de Freitas
pr.freitas@ig.com.br
Aquarista amador, desde 1973. Criador de Bettas, Guppies, Killis e Bandeiras.

Procriando Betta splendens

Uma das primeiras dificuldades que criadores de Betta splendens se deparam, é com a reprodução de seus peixes em cativeiro. Não por que esta espécie seja difícil de procriar nestas condições, exista algum segredo, mas sim pela desinformação e despreparo.

O criador não precisa se preocupar em ensinar o peixe a se reproduzir, isto é instintivo e natural. Ele precisa se preocupar em criar as condições ideais para que isto aconteça. Se acercar de cuidados e infra-estrutura.

A primeira providência e talvez a mais crítica de todas é começar a cultivar micro-organismos vivos, que servirão de alimentos para as larvas de Bettas, logo após o nascimento. Sem eles, não devem se atrever a começar o acasalamento, sob pena de ver a ninhada morrer, um peixe após o outro, diante de seus olhos, completamente impotentes.

Hoje você encontra na web tutoriais passo-a-passo e inóculos para cultivar micro-organismos como: vermes-do-vinagre, microvermes, vermes-de-grindall, entre vários outros. Também encontra tutoriais para eclodir cistos de artemias franciscanas (salinas), essenciais para as larvas de Bettas. Todos micro-organismos de fácil manejo, que não ocupam muito espaço e acabam se tornando uma fonte de prazer, da mesma forma que o aquarismo gera.

Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.
Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.

A segunda providência é conseguir uma caixa plástica pequena, com tampa, com aproximadamente: 30 cm (C) x 20 cm (L) x 10 cm (A) ou um aquário de aproximadamente 20 litros (com tampa). Este será o ambiente para procriação e desenvolvimento das larvas de Bettas até 90 dias de vida, aproximadamente.

Esta caixa (ou aquário) deve ficar instalada num ambiente tranqüilo, onde não haja grande movimentação de pessoas e/ou animais domésticos que possam assustar os peixes e por a perder o acasalamento ou até mesmo a ninhada. Ao menor sinal de perigo, os pais comerão os ovos ou os filhotes e abandonarão o processo (acasalamento ou cuidados com o ninho).

Coloque nesta caixa (ou aquário), uma coluna de água variando entre 5 e 10 cm de altura, nunca mais do que isto. Se os ovos cairem ao fundo, numa profundidade de água maior, podem inviabilizar o desenvolvimento das larvas. Esta água deve ser isenta de cloro e metais pesados, pH estável (na faixa entre 6,8 e 7,4 – ideal: 7,0) e temperatura também estável (na faixa entre 24 e 30 °C – ideal: 27 °C). Providencie um apoio para o ninho-bolha (não obrigatório), que pode ser um pedaço de folha de amendoeira, um pedaço de plástico ou até mesmo um copinho de café descartável, cortado ao meio. Ele pode ser aderido à borda da caixa (ou aquário), com uma fita adesiva (fita crepe, por exemplo). Minha preferência pessoal pela folha de amendoeira é em função de sua propriedade fungicida/bactericida natural (isto vai deixar a água com cor de chá em poucas horas, não se preocupe com isto). Se você escolher um caminho diferente, adicione fungicida industrializado na água, na dosagem recomendada pelo fabricante. Isto fará com que mais ovos vinguem, que não sejam atacados por fungos. Também adicione 1 g de sal-grosso, para cada litro de água.

Providencie abrigos para a fêmea se esconder do macho, caso ele resolva ficar violento demais e sem paciência de esperar a fêmea estar totalmente pronta para o acasalamento. Pode ser: plantas naturais (musgo de java, samambaia d’água, etc – compatíveis com o pH da sua água), seixos (pedras de fundo de rio, arredondadas – sem arestas cortantes) ou tubos de PVC (espalhe 2 ou 3 “cotovelos” pelo fundo). É raro, mas estes abrigos podem servir até ao macho em alguns casos, onde a fêmea possui temperamento indócil. Isto vai reduzir os riscos de perder matrizes por conta acasalamentos tempestuosos.

Você vai precisar de um cilindro transparente e incolor para conter a fêmea durante 4 dias aproximadamente, dentro desta caixa (ou aquário), longe do alcance do macho, mas em seu campo visual a todo momento, para que possa acontecer a corte e para que ele fique estimulado a construir o ninho-bolha. Você pode usar um pet de água mineral transparente e incolor, cortando seu fundo e parte afunilada da boca, produzindo uma peça cilíndrica. Quando chegar o momento adequado, você vai poder levantar levemente este pet, liberando a fêmea para o acasalamento, sem mexer demais com a água, para não desmanchar o ninho-bolha.

Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).
Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).

Pronto! Agora você criou a infra-estrutura e o ambiente adequado para que o acasalamento ocorra e a ninhada vinge.

Vamos para a fase do acasalamento dos Bettas… Selecione exemplar macho e fêmea saudáveis, de preferência com linhagens definidas e estabilizadas, para obter filhotes compatíveis com a sua linha de trabalho genético. Mas se você é um principiante e quer apenas aprender este manejo, concentre-se apenas em escolher os peixes que mais lhe agradam esteticamente, que estejam em pleno vigor físico e bem alimentados. Aqui vai uma dica importante: escolha uma fêmea ligeiramente menor que o macho, para facilitar a cópula do casal.

Se você é uma pessoa ocupada, dispõe de pouco tempo, programe a soltura do casal na caixa de cria e desenvolvimento das larvas de Bettas (ou aquário), para dias onde você possa acompanhar, fotografar, se deleitar com este espetáculo da natureza. A procriação deste peixe é magnífica, um show.

Coloque o macho na caixa de cria e desenvolvimento de larvas de Bettas (ou aquário), para que se sinta o dono do território. Ele deve ficar sozinho neste espaço por 2 dias aproximandamente. Decorrido este tempo, introduza a fêmea, contida num cilindro transparente e incolor, afastado das bordas da caixa (ou aquário), de forma a permitir que o macho circule o cilindro, se exibindo para a fêmea, fazer a corte.

Este período de exposição deve durar aproximadamente 4 dias. Ao mesmo tempo que o macho corteja a fêmea, ele deve contruir o ninho-bolha, para receber os ovos da postura da fêmea. Por outro lado, a fêmea recebendo estímulos, começa a produzir ovos. Ao final do quarto dia de “namoro”, levante o cilindro suavemente para não desmanchar o ninho-bolha.

No outro dia, pela manhã, existe uma enorme possibilidade do casal já haver se entendido e dão início ao acasalamento propriamente dito.

Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).
Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).

O macho leva a fêmea para baixo do ninho-bolha e o acasalamento se inicia. Geralmente a fêmea neste momento está totalmente submissa ao macho e procura nadar com a cabeça mais baixa. Ambos procuram se colocar lado a lado, em sentidos opostos e vão se “empurrando”, como se medissem forças. Num determinado momento a fêmea se afasta um pouco e nada em direção ao macho, dando um giro no corpo, nadando de barriga para cima. Ao passar ao lado do macho ele dobra seu corpo, envolvendo a fêmea e lhe dá um apertão (suave), ao mesmo tempo que fecunda os ovos. Ambos dão uma pequena relaxada e caem desmaiados ao fundo aquário. Enquanto a fêmea vai ao fundo, liberando os ovos. O macho, tão logo recupera o controle de seu corpo, passa a recolher os ovos com a boca e vai depositando no ninho-bolha. Este processo pode durar horas, inúmeros abraços ocorrerão, até que os ovos da fêmea se esgotem. Naturalmente ela se afasta, foge do macho e neste momento você deve retirá-la da caixa plástica (ou aquário), sem agitar a água, sem correrias. Geralmente ela fica tão esgotada que fica prostrada e permite ser capturada, sem muito esforço para fugir.

Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).
Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).

O macho assume o controle da ninhada sozinho. Ele vai melhorando e reparando o ninho-bolha, de acordo com a necessidade.

Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).
Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).

No máximo 48 horas após, as larvas nascem e ficam “espetadas” no ninho. Quando caem ao fundo (na vertical), por que são pesadas, estão com o sacos vitelinos ainda cheios, o macho as recolhe na boca e as repõe no ninho-bolha. Tarefa inglória, nascem aproximadamente 300 filhotes. Ele fica a todo momento recolhendo as larvas e as recolocando no ninho-bolha.

Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.
Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.

Os filhotes, nesta fase da vida, se alimentam do saco vitelino, que aos poucos vão se exaurindo e quando isto acontece eles conseguem nadar na horizontal. Passadas outras 48 horas, desde a eclosão dos ovos, a maioria das larvas já nada na horizontal e o macho está nitidamente exausto. Ao final do dia é chegada a hora de retirar o macho da caixa plástica (ou aquário). Pegue-o com uma rede de tramas largas, para não capturar larvas acidentalmente ou com sua própria mão, com muito cuidado.

No outro dia, pela manhã, as larvas passarão a ser sua responsabilidade e precisam começar a comer. Comer aqueles micro-organismos que você previamente começou a cultivar, se preparando para o nascimento deles.

Coloque uma pedra porosa bem fraquinha nesta caixa de desenvolvimento das larvas (ou aquário), tome o cuidado para mantê-la sempre tampada para manter o ar bem úmido acima da lâmina d’água. Pode retirar o suporte para o ninho, as proteções oferecidas para a fêmea. Se você usou plantas naturais como abrigo, pode deixá-las na caixa (ou aquário).

Comece a alimentar suas larvas de Betta splendens, sempre em pequenas doses, o maior número de vezes possível, durante o período de insolação. Se possível de hora em hora. Se houver sobras, remova-as com o auxílio de uma pipeta ou sifão, com muito cuidado para não sugar larvas.

Varie a dieta das larvas, ofereça basicamente alimentos vivos e pós bem finos. Depois dos 30 dias, já é possível começar a introduzir na dieta as rações industrializadas.

Os próximos 40 a 50 dias de vida das de Bettas são bem críticos. A maioria da ninhada vai demorar este tempo para ter o labirinto formado. Labirinto é por onde os Betta splendens respiram, fora da água. Então evite ficar abrindo a caixa para não dissipar o calor do ar que está acima da lâmina d’água, cuidado com os parâmetros da água (pH e temperatura) e mantenha esta água saudável evitando sobras de comida, por exemplo.

Reprodução de Betta splendens em cativeiro

Em geral os Betta splendens já estão prontos para o acasalamento por volta dos 3 meses de vida, porém é recomendável que isto não aconteça antes dos 5 meses, esperando que todas as características fenotípicas do peixe aflorem. Para decidir com mais assertividade, quais exemplares você deve utilizar nos acasalamentos, exemplares que exibam as melhores características que você deseja trabalhar.

Se reproduzem facilmente e geram proles numerosas (mais de 300 larvas em cada ninhada – nem todas sobrevivem, mas um número expressivo vinga).

O cortejo e o acasalamento oferecem um espetáculo belíssimo e arrebatador de se assistir.

Comumente o macho é colocado num aquário pequeno (+/- 20 litros) com coluna d’água de aproximadamente 10 cm (vide condições ideais da água em “Manejo Básico”), para começar a se sentir dono do território.

Depois de 2 dias, aproximadamente, a fêmea é introduzida no aquário, mas dentro de um vidro transparente, sem fundo, onde é vista, mas não tocada pelo macho.

Fêmea protegida, mas ao alcance visual do macho.
Fêmea protegida, mas ao alcance visual do macho.

O macho imediatamente começa o seu ritual de exibição para a fêmea e passa a construir um ninho com bolhas de ar, na superfície d’água.

Este processo pode durar até 8 dias, em casos extremos. A fêmea se mostra preparada para o acasalamento, quando seu oviduto estiver dilatado, com uma ponta branca, apresentando no corpo listas verticais (nas fêmeas de cor escura isto é visível). Ela dá sinais de submissão ao macho.

Neste momento o macho já está com o ninho totalmente pronto (enorme colchão de bolhas) e é hora de libertar a fêmea (com cuidado para não agitar a água e desmanchar o ninho de bolhas), que deverá ter, a esta altura, um comportamento submisso, se deixando levar para baixo do ninho.

É conveniente providenciar abrigo para a fêmea se proteger, caso o macho se mostre muito violento ou ela ainda não esteja totalmente pronta para o acasalamento. Podem ser: pedras sem arestas, seixos de rio, plantas aquáticas naturais (musgo de java, samanbaia d’água, etc) ou até cotovelos de PVC, como na foto acima.

Os dois ficam algum tempo nas preliminares mas logo acontecerá o primeiro de vários abraços delicados e suaves que o macho dará na fêmea, espremendo-a para liberação dos ovos, fertilizando-os neste instante.

Acasalamento de WP (White Platinum) Macho e WO (White Opaque) Fêmea.
Acasalamento de WP (White Platinum) Macho e WO (White Opaque) Fêmea.

Os ovos, dezenas de cada vez, são expelidos e vão caindo lentamente no fundo do aquário. Geralmente a fêmea fica meio atordoada por alguns instantes e enquanto se recupera, o macho vai coletando em sua boca, ovo por ovo e depois os deposita no colchão de bolhas. Estas rotinas de abraços, posturas, fecundações, coletas, acomodação dos ovos se repetem por várias vêzes.

Concluída a postura, a fêmea é retirada do aquário por que o macho assume a guarda do ninho, se preciso com bastante violência, não permitindo a aproximação da fêmea. No habitat natural ela naturalmente guardaria distância segura do macho, mas confinada no aquário, poderá ser morta.

Pelos próximos 2 (dois) dias, o macho protege e arruma o ninho o tempo todo. Após o nascimento las larvas, por mais 2 (dois) dias ele pega os filhotes que caem do ninho e os recoloca no colchão, até que já possam se virar sozinhos. Neste momento quem é retirado do aquário de procriação é o macho, senão as larvas é que correm perigo de serem devoradas pelo pai. A partir daí você é totalmente responsável pela ninhada, monitorando a qualidade da água, oferecendo alimentos vivos, à princípio, e depois, no momento adequado, por introduzir rações balanceadas na dieta dos filhotes.

Riscos à saúde envolvendo aquarismo

Cuidados básicos de segurança ao se manusear um aquário

Geralmente aquários são feitos de vidro, que é um material bem cortante, e acidentes graves podem acontecer. Muito cuidado com bordas trincadas, em especial as tampas, que é uma fonte comum de cortes. No caso da tampa quebrar, bastante atenção também a cacos que possam cair dentro do aquário, pedaços pequenos podem ser bem difíceis de serem vistos dentro da água, com sérios riscos de cortes durante a limpeza do aquário.

Lembre-se também que aquários são pesados, geralmente seu peso (em quilogramas) é um pouco maior do que seu volume em litros (ou seja, um aquário de 50 L pesa um pouco mais do que 50 kg). Nunca tente mover um aquário cheio. Sempre coloque uma placa de algum material macio (como isopor) entre o aquário e o móvel onde ele ficará. E obviamente, aquários precisam ser bem projetados, com vidros de espessura adequada, colas adequadas e travas adequadas.

Outro detalhe óbvio mas importante é o cuidado que se deve tomar com equipamentos elétricos, fios submersos dobrados, corroídos e etc. Lâmpadas também não podem estar em contato com a água, sob risco de estourarem. Este cuidado deve ser redobrado em marinhos, pela corrosão maior que a maresia provoca nos equipamentos emersos perto do aquário. Quando das TPA’s (trocas parciais de água) e outras manutenções dentro do aquário, é mais seguro desligar tudo o que é elétrico. Uma dica interessante é fazer um “loop” com o cabo energético a fim de evitar que a água escorra pelo cabo e atinja algum componente eletrônico ou mesmo a tomada de energia.

Intoxicações

Cuidados básicos devem ser tomados com medicamentos, reagentes químicos e outros produtos do aquário. Cuidado com crianças e animais, que podem inadvertidamente ingerir estes materiais. Outro material bastante tóxico é o metal contido em lâmpadas fluorescentes. No caso de lâmpadas quebradas, bastante atenção com a limpeza no local, e no descarte dos fragmentos. Claro, cuidado também para não se cortar!

Acidentes com animais traumatizantes e venenosos

Vários peixes marinhos possuem ferrões ou mordidas venenosas; os mais conhecidos são o peixe-leão, escorpião e a moréia. Em geral, criadores destas espécies estão cientes deste fato, estando mais bem preparados para lidar com acidentes. Porém, alguns peixes de água doce também são venenosos, fato pouco conhecido pela maioria dos aquaristas. Destaque para arraias de água doce, com um poderoso ferrão na base da cauda; acidentes mais graves envolvendo aquários de água doce são atribuídas a este animal. Outro peixe que poucos sabem ser venenoso é o mandi (peixe-gato da família Pimelodidae), com ferrões venenosos na nadadeira dorsal. O veneno é bem menos poderoso do que o da arraia, mas leva a quadros bastante dolorosos.

Todos estes acidentes com animais venenosos devem ser imediatamente tratados com água quente, mergulhando o local acometido em água quente, numa temperatura alta mas suportável. O veneno destes peixes é termolábil, e esta conduta imediata é fundamental. A procura por um serviço hospitalar logo após também é mandatória.

Além do mandi, todos os demais peixes-gato possuem espinhos nas nadadeiras, e podem causar ferimentos se manuseados sem o devido cuidado. Outros peixes que também tem mecanismos de defesa na forma de espinhos são as Bótias de água doce (abaixo dos olhos) e tangs marinhos (lâminas na base do pedúnculo caudal).

Acidentes com ouriços-do-mar podem também acontecer, seus espinhos são quebradiços, e muitas vezes só podem ser retirados em ambiente hospitalar. Outra causa de acidentes são cnidários, como corais e anêmonas, além de alguns vermes marinhos, que podem causar dermatites bem graves. Podem ser controladas por compressas ou imersão do local acometido em água marinha gelada (água doce dispara mais as células urticantes, agravando o quadro). Banhos de vinagre também auxiliam, inativando o veneno.

Obviamente, a manipulação de peixes agressivos, como piranhas, tubarões e traíras deve ser feito com bastante atenção.

Acidentes com Esterilizadores UV

Esterilizadores ultravioleta são utilizados em aquarismo para eliminar agentes em suspensão na água, desde algas verdes a fungos, virus, protozoários e bacilos de algumas doenças que por eles passam. São sistemas baseados em lâmpadas que emitem radiação ultravioleta (UV), que tem uma potente ação germicida. Por isso o termo “filtro” não é correto. A água do aquário circula em um compartimento fechado onde é exposta à radiação esterilizante, mas este local é isolado, impedindo o vazamento desta radiação além de seus limites.

A radiação UV é uma radiação eletromagnética semelhante à luz. Porém, não é visível, seu espectro de onda tem frequência maior do que a da cor violeta (a de maior frequência dentro do espectro visível), daí seu nome. A lâmpada UV destes equipamentos (em geral, de vapor de mercúrio) emite um espectro amplo, que se estende desde a luz visível (numa cor violeta), passando pela luz “negra” e o UV propriamente dito. Isto quer dizer que se você olhasse para a lâmpada acesa (por favor, não faça isso!), ela teria uma cor violeta, mas o UV emitido não seria perceptível.

Estes aparelhos são hermeticamente fechados, não permitindo vazamento da radiação. Esterilizadores de boa qualidade possuem uma trava de segurança; quando aberto um circuito é desarmado, interrompendo a corrente e apagando a lâmpada. Geralmente, quando ocorrem acidentes, são com sistemas feitos em casa (também chamados de DIY, sigla de Do It Yourself ou Faça Você Mesmo), quando algum desavisado liga a lâmpada sem proteção, ou um esterilizador mal feito, sem um isolamento adequado.

Vale lembrar também que a energia irradiada é imediatamente absorvida, não havendo radiação residual na água esterilizada. Da mesma forma, a lâmpada desligada não oferece perigo algum.

Os efeitos agudos da radiação UV são nos olhos e na pele. Nos olhos, a manifestação mais comum é uma inflamação dolorosa na córnea e conjuntiva (fotoqueratite), cujo efeito não é imediato, surgindo de 6 a 12 horas após a exposição. Há cura espontânea em 48 horas, sem deixar seqüelas. Existem várias outras lesões graves já bem documentadas em casos de exposição crônica ao UV, como catarata e lesão de retina. Há pouca literatura envolvendo exposições agudas, mas certamente um risco teórico existe. Os efeitos na pele são mais extensos, mas o risco de lesões graves é menor. Inclui um quadro de eritema idêntico à queimadura solar, que surge cerca de 24 horas após a exposição. Há vermelhidão, calor, dor e sensibilidade no local. É um quadro auto-limitado, regride espontaneamente sem agravos. Existe também um risco teórico significativo de aumento na incidência de câncer de pele.

Apesar da maioria dos efeitos da exposição aguda ao UV serem auto-limitados, é prudente procurar auxílio médico imediato se houver algum acidente.

Em resumo, esterilizadores UV são aparelhos que utilizam radiação de alta energia, com potenciais riscos à saúde humana, dependendo da dose e forma de exposição. Precisam ser manuseados com bastante cuidado, especialmente os DIY, e os riscos precisam ser bem conhecidos por nós aquaristas.

Amianto e caixas d´água

O amianto (também conhecido como asbesto) é um mineral fibroso, que tinha vasta utilização na indústria pelas suas propriedades físicas, uma excepcional resistência ao fogo e corrosão, isolamento acústico, além de ser leve e com baixo custo de produção. Foi muito utilizada na confecção de caixas d´água, telhas, pastilhas de freios de automóveis, roupas de segurança contra fogo, etc.

Infelizmente, a inalação de fibras de amianto é extremamente perigosa, devido ao maior risco de desenvolvimento futuro de câncer (pulmão e pleura), além de outras doenças graves, como fibrose pulmonar. Uma vez aspiradas, as fibras microscópicas de amianto são retidas no pulmão, e nunca mais eliminadas. A ingestão é outra via de contaminação. Causam um processo de agressão contínua aos tecidos locais, que em longo prazo leva ao desenvolvimento de tumores. O risco muitas vezes é negligenciado pelo fato de o câncer se desenvolver após um período longo após a exposição, podendo ter uma latência de até 40 anos.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da OMS classifica o amianto no grupo 1 (mais grave) dos 75 agentes reconhecidamente cancerígenos para os seres humanos. Acredita-se que a incidência de câncer de pulmão em trabalhadores com exposição ocupacional seja 10 vezes maior do que na população geral. Sua ação potencializa a carcinogênese do cigarro, com risco 90 vezes maior do que o da população.

O amianto já foi banido em 52 países, entre eles nossos vizinhos, Chile, Argentina e Uruguai. No Brasil, sua utilização ainda é permitida, com restrições. O Congresso Nacional tem um projeto para que ela diminua progressivamente e seja totalmente abolida.

Para caixas d´água por exemplo, em boa parte o material já foi substituído por outros, como polietileno e fibra de vidro. Ainda se fabricam caixas de fibrocimento, que contém amianto na sua composição, mas em baixa concentração. Porém, caixas d´água antigas descartadas podem ser facilmente adquiridas em demolições e lojas de materiais usados, por preços baixos. E nestes materiais, há alta concentração de fibras de amianto.

Não há risco em consumir a água destas caixas d´água. Se usado como aquário, também não causa problemas para os peixes, somente alcaliniza a água, o que é facilmente solucionado com um verniz, de epoxi ou poliuretano por exemplo.

O problema é quando por algum motivo for necessário serrar ou furar uma destas caixas (por exemplo, para criar uma janela com vidro numa das laterais da caixa), com risco de aspiração do pó. Deve-se sempre usar uma máscara com filtro (pode ser só um filtro mecânico, nem precisa ter carvão). Claro, deve ser feito em local aberto e arejado.

Muito cuidado para descartar o pó também; o ideal é misturar o pó a alguma resina ou cola, para não expor o lixeiro, o vizinho, etc. Lavar bem a roupa que foi usada no procedimento também é essencial, o que deve ser feito imediatamente após o uso e quem a lava deve ser conscientizado do perigo e dos cuidados a tomar. É bom usar luvas pois as farpas de amianto espetam a pele e podem causar irritação, mas pelo menos não causam doenças graves neste local, podendo porém ocasionarem verrugas de asbesto – as fibras se alojam na pele e são envolvidas por esta, produzindo crescimentos benignos parecidos a calos.

Infecções

Aquela água cristalina do seu aquário na realidade é uma sopa fervilhante de vida invisível. Isto é ótimo para a saúde do seu aquário, mas pode carregar uma série de patógenos que podem causar doenças em seres humanos.

O germe mais comum é o Staphylococcus, mas agentes mais agressivos já foram identificados em aquários domésticos, como Pseudomonas e Clostridium, estes últimos agentes da Gangrena gasosa e do Tétano.

Sempre que houver contato com a água do aquário, cuidados básicos devem ser tomados, lavando-se as mãos com água e sabão. Muito cuidado também com as TPA’s… quem já não engoliu um pouco de água ao aspirar a água com uma mangueira?

A atenção deve ser redobrada em aquários com répteis e anfíbios. Estes animais são reservatórios e veículos de Salmonella, um organismo que pode causar infecções digestivas sérias em seres humanos. Outros patógenos preocupantes já foram isolados nestes tanques, como o vibrião da cólera e a Edwardsiella.

Alimentos vivos também devem ser manuseados com cuidado, em especial o Tubifex, que muitas vezes é coletado em esgotos. Não é propriamente uma infecção, mas um relato cada vez mais comum é de alergia a “Bloodworms” (larvas de mosquito quironomídeo), em especial na sua forma congelada.

Como toda infecção, aquelas adquiridas de aquários e peixes também têm sua instalação e gravidade bastante dependentes do grau de imunidade do indivíduo. Portadores de doenças crônicas, de doenças imunodepressoras ou em uso de medicamentos que deprimem o sistema imune devem ter bastante cuidado ao manusear o aquário.

Tuberculose píscea

Esta doença afeta peixes, anfíbios e outros animais aquáticos, mas pode também acometer seres humanos. O Mycobacterium marinum é um organismo comum, de ampla distribuição, encontrado tanto em água doce quanto salgada, apesar do que o nome possa sugerir. Pertence ao mesmo gênero dos agentes causadores de micobacterioses em humanos, como a tuberculose e a hanseníase.

A doença em humanos é bastante rara, com uma incidência estimada entre 0,04 a 0,27 casos/ano por 100.000 habitantes (estatística francesa e norte-americana). Somente como comparação, a incidência de casos novos detectados de tuberculose no Brasil é de 37,12 casos/ano por 100.000 habitantes (2008). Entretanto, é uma doença importante, por ser de difícil diagnóstico, fundamental para um tratamento correto.

Esta doença já é conhecida desde 1939. No início foi relatada em usuários de piscinas públicas. Atualmente esta forma é bem rara devido ao uso de Cloro. Hoje, é uma doença tipicamente associada a pessoas que manipulam aquários ornamentais, daí os nomes populares “granuloma do aquário”, “doença do manipulador de peixes”, e “síndrome do dedo do criador de peixes”.

A infecção se dá durante a manutenção do tanque, com entrada do germe através de um corte na pele (um machucado nas mãos dentro da água, ou um ferimento pré-existente, muitas vezes imperceptível). Geralmente o germe é rapidamente eliminado pelo sistema imune, mas pode evoluir para doença, semanas a meses após a exposição.

Por ser um micro-organismo adaptado a animais de sangue frio, não se desenvolve bem a 37°C (temperatura corpórea humana). Assim, quando ocorre doença, em geral ela é restrita à pele. Inicialmente se forma uma pequena nodulação avermelhada próxima ao local de inoculação. Esta lesão tem crescimento lento; pode também haver saída de um material purulento, mas em pequena quantidade. O aspecto lembra bastante uma pequena “espinha”, mas com pouca reação inflamatória (dor, calor e vermelhidão) no local. Em alguns casos, pode haver uma extensão pelo sistema linfático, dando um aspecto bem típico, com a formação de lesões superficiais enfileiradas ao longo do antebraço e braço.

Esta forma superficial é a mais comum. Raramente, esta infecção pode acometer planos mais profundos, envolvendo tendões, estruturas articulares e até ossos. Muitas vezes isto é precipitado por um tratamento errado no local com corticóides. Finalmente, existe uma forma bastante rara, com infecção disseminada e quase todos os casos descritos foram em pessoas com o sistema imune debilitado, como indivíduos que receberam transplantes.

O diagnóstico é feito pela identificação do germe no material colhido nos locais acometidos. Pode haver cura espontânea, mas geralmente é necessário um tratamento longo com antibióticos, com duração de alguns meses. Em alguns casos pode ser necessária também uma limpeza cirúrgica dos tecidos envolvidos.

Apesar de ser uma doença bem incomum, é uma condição que precisa ser conhecida por todos os aquaristas. Pela sua raridade, a maioria dos médicos não conhece esta doença. Seus sinais e sintomas são inespecíficos, o quadro é arrastado. Não são raros relatos de pacientes consultando vários profissionais sem um diagnóstico correto, retardando ainda mais o tratamento. Ou tratamentos inadequados, agravando o quadro. Desta forma, é fundamental a conscientização de todos nós, aquaristas, que em última análise representamos o “grupo de risco”, potenciais vítimas desta doença. Fornecer a informação da presença de aquários domésticos é fundamental no momento da consulta médica. Cuidados básicos de higiene também fazem toda a diferença: lavar bem as mãos após a manipulação rotineira do aquário, cuidados com ferimentos nas mãos, especialmente em tanques com peixes com suspeita de doença são recomendações básicas.

A idéia deste texto não é instaurar caos e pânico entre aquaristas. É uma doença bem rara, tratável, mas cujo diagnóstico é bem difícil pelas razões acima expostas. Aqui, a informação é a arma mais poderosa.

Walther Ishikawa
wishikawa@nethall.com.br

Obs.: Material publicado originalmente no fórum AquaHobby

Bibliografia:

  • Petrini B. Mycobacterium marinum: Ubiquitous agent of waterborne granulomatous skin infections. Eur J Clin Microbiol Infect Dis. 2006 Oct;25(10):609-13.
  • Lai CC, Lee LN, Chang YL, Lee YC, Ding LW, Hsueh PR. Pulmonary infection due to Mycobacterium marinum in an immunocompetent patient. Clin Infect Dis. 2005 Jan 1;40(1):206-8.
  • Decostere A, Hermans K, Haesebrouck F. Piscine mycobacteriosis: a literature review covering the agent and the disease it causes in fish and humans. Vet Microbiol. 2004 Apr 19;99(3-4):159-66.
  • Schmoor P, Descamps V, Bouscarat F, Grossin M, Belaïch S, Crickx B. Les connaissances et le comportement des vendeurs de poissons exotiques concernant la « maladie des aquariums ». Ann Dermatol Venereol. 2003 Apr;130(4):425-7.
  • Aubry A, Chosidow O, Caumes E, et al. Sixty-three cases of Mycobacterium marinum infection: clinical features, treatment, and antibiotic susceptibility of causative isolates. Arch Intern Med. Aug 12-26 2002;162(15):1746-52.
  • Ryan JM, Bryant GD. Fish tank granuloma–a frequently misdiagnosed infection of the upper limb. J Accid Emerg Med. Nov 1997;14(6):398-400.
  • Haddad Junior V. Infecções cutâneas e acidentes por animais traumatizantes e venenosos ocorridos em aquários comerciais e domésticos no Brasil: descrição de 18 casos e revisão do tema. An bras Dermatol, mar./abr. 2004, 79(2):157-167.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Multistate outbreak of human Salmonella typhimurium infections associated with pet turtle exposure – United States, 2008. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2010 Feb 26;59(7):191-6.
  • Ackman DM, Drabkin P, Birkhead G, Cieslak P. Reptile-associated salmonellosis in New York State. Pediatr Infect Dis J. 1995 Nov;14(11):955-9.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Multistate outbreak of human Salmonella typhimurium infections associated with aquatic frogs – United States, 2009. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2010 Jan 8;58(51):1433-6.
  • Schiera A, Battifoglio ML, Scarabelli G, Crippa D. Stingray injury in a domestic aquarium. Int J Dermatol 2002; 41(1): 50-1.
  • Young AR. Acute effects of UVR on human eyes and skin. Progress in Biophysics and Molecular Biology 92 (2006) 80–85.
  • GIANNASI, Fernanda. Morte lenta. A exposição ao amianto ou asbesto como causa de câncer ocupacional no Brasil. Jus Navigandi, Teresina, ano 9, n. 618, 18 mar. 2005.

Condicionadores de água

Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários. Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.

Ele tinha razão. Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.

Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário. A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente.

Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes.

Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador. Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.

A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados.

Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”. Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.

Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.

Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo. Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.

Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.

Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.

Clarificantes

Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.

Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros. Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.

Aclimatadores

Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.

Prorrogadores de trocas parciais

Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.

Controladores de Amônia

O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar… Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio – NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.

Sérgio Gomes
Artigo publicado originalmente na Revista AquaMagazine nº 04 (2008) – Reprodução autorizada.

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
0,022
0,039
0,073
7,4
22
0,003
0,006
0,011
0,023
0,040
0,074
25
0,004
0,007
0,014
0,028
0,049
0,092
28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

A alimentação do Betta splendens – Zero a 30 dias

O sucesso na criação de Bettas, depende principalmente da correta alimentação das larvas em seus primeiros dias de vida, mas não se restringem a isso, pois outros fatores tais como temperatura, qualidade da água, iluminação, tamanho e forma do aquário, quantidade de água e cuidados fito sanitários são tão determinantes no sucesso quanto a correta alimentação, mas não serão abordados nesse artigo. Quando falo de sucesso, falo nada menos do que criar 100% dos filhotes nascidos ou numero muito próximo disso (meta).

Larvas de Betta splendens recém nascidas.
Larvas de Betta splendens recém nascidas.

Vamos começar a contar o tempo dos filhotes, no momento da desova. É importante que isso seja bem definido, pois 24 horas são um lapso de tempo relativamente grande nas fases iniciais dos peixinhos. Também, em decorrência de fatores ambientais tais como a temperatura, as etapas poderão ser mais curtas ou mais longas. Para exemplificarmos, o nascimento em temperatura de 30 ºC ou mais, ocorrerá em 36 horas aproximadamente e em temperaturas mais baixas poderá ultrapassar 48 horas. A desova, portanto, é o momento “zero” para início da contagem do tempo (marco zero).

Escolhidos os pais e determinado o aquário para a desova, águardamos o “momento zero”, quando o ninho de bolhas se encontra repleto de ovos, recém postos e fecundados. As posturas podem variar entre 100 e mais de mil ovos, em geral entre 200 e 300. Torço sempre que as ninhadas não sejam muito numerosas, mas é freqüente a ocorrência de ninhadas com mais de 500 ovos. Postos os ovos, começa a vigilância do macho e os cuidados com a prole. Inicia também a nossa preocupação com os filhotes, que em aproximadamente quatro dias, estarão dependendo exclusivamente do criador.

Os ovos eclodem e as larvas nascem. Temos então o momento 1 (um). É justamente nesse momento que necessitamos incentivar a produção de zooplâncton na água do aquário pois em mais dois dias, as larvas irão necessitar comer. Para isso, será necessário aumentar o alimento para os micro-organismos existentes no próprio aquário.

Nos dois primeiros dias, as larvas se manterão com reserva energética vitelínica e não necessitarão de alimentos. No entanto, a partir do terceiro dia, esgotada a reserva vitelínica, irão necessitar alimentar-se do meio em que se encontram.

Se nada for feito e deixarmos a ninhada sem alimentação, alguns filhotes irão sobreviver, com um desenvolvimento pequeno se comparado a alevinos adequadamente alimentados. Alguns em torno de 20 ou 30 peixinhos, mesmo sem receberem comida, chegarão aos quinze dias de idade, se presentes as demais condições para seu desenvolvimento. Encontrarão, no aquário, micro-organismos, que manterão vivos os mais fortes (ou mais adaptáveis). Esses micro-organismos presentes na água dos aquários, são denominados como plâncton e são de extrema importância nos primeiros dias de vida das larvas. Podem ser compostos por elementos vegetais, tais como as algas unicelulares e então são denominados de fitoplâncton, ou por minúsculos animais, geralmente protozoários e rotíferos e que então são denominados de zooplâncton. Na criação de peixes ornamentais, chamamos a isso de infusórios (creio que o termo seja decorrente do hábito de fazer-se uma “infusão” em outro recipiente para obtenção dele, o que eu acho contra indicado).

Se aumentarmos a quantidade de “insfusórios” no aquário, mais peixes chegarão aos 15 dias de vida, sem outra fonte de alimentos. Se, no entanto, for aumentada demasiadamente a quantidade de micro-organismos, todas as larvas morrerão, por falta de oxigênio dissolvido na água. Então, a lição que fica é a que, sempre é melhor errar por falta do que por excesso.

Infusórios são componentes do plâncton. Podem ser micro algas unicelulares (fictoplâncton) protozoários, rotíferos e outros organismos muito pequenos (zooplâncton). São todos de tamanho muito pequeno, quase microscópicos. É possível observá-los a olho nú, ou com o emprego de uma lupa, como pequenos bastonetes ou pontos brancos movimentando-se levemente na água. São nutritivas fontes de proteínas, fibras, aminoácidos, vitaminas e sais minerais. É também praticamente o único alimento que a larva consegue abocanhar nessa fase, e eu não conheço outra fonte de alimentação para os primeiros dias das larvas.

Eu obtenho o zoo plâncton, no próprio aquário da desova, introduzindo uma pequena casca de banana bem seca, no dia de nacimento das larvas. Os componentes que decorrem da dissolução na água, são nutrientes para os micro-organismos, como se fossem micro algas. Frutose (energia) e minerais originados pela dissolução na água, são fonte de energia para protozoários e rotíferos. Uma pitada de Spirulina em pó e mais uma pitada de Chlorella em pó, uma gota de polivitamínico para pássaros para cada 10 litros de água, irá enriquecer os protozoários e rotíferos que ficarão muito mais nutritivos. A água ficará levemente turva pelo aumento do plâncton, sem odor, rica em micro-organismos. Levemente esverdeada em função das algas. As larvas terão alimento adequado para seus primeiros dias de vida.

Infusórios manterão as larvas, como alimento exclusivo, até seu quarto dia de vida ou sexto dia da desova. Nesse momento algumas larvas já conseguirão abocanhar náuplios de Artemia recém eclodidos, porém nem todas conseguirão comê-los. É o momento 2 (dois), ou o momento em que eu retiro a casca de banana e introduzo o verme-do-vinagre (Turbatrix aceti). Prefiro ele aos náuplios de Artemias, nesse momento, porque vivem mais tempo em água doce. Apenas uma única introdução de vermes-do-vinagre. As larvas estarão ainda comendo zooplâncton. Uma excelente alternativa aos vermes-do-vinagre, são os microvermes. Apenas exigem mais cuidados para manutenção da cultura.

No quinto dia de nascimento, sétimo da desova, momento 3 (três), inicio a administração de náuplios de Artemia recém eclodidos, duas vezes ao dia. As larvas ainda estarão se alimentando com zoo plâncton existente no aquário. Gradativamente o alimento para os protozoários irá faltando, pela escassez de alimentos e a água ficará mais transparente, sem turbidez, sem cheiro, muito limpa. Todo o excesso de náuplios mortos, não comidos, deverá ser removido com uma pipeta ou com uma mangueirinha de ar comprimido. Os alevinos permanecerão com essa dieta até os vinte dias, momento 4 (quatro), quando teremos que introduzir, lentamente, Artemias congeladas e ração industrializada.

Os alevinos não estarão acostumados a comer alimentos inertes e teremos que ensiná-los. Lentamente, com muita paciência, nos próximos dias, estarão adaptados a alimentos inertes e entrarão em uma fase de grande desenvolvimento. Por volta de trinta dias de vida, os alevinos estarão com aproximadamente dois centímetros e poderemos restringir o fornecimento de náuplios às sobras, de quantidades produzidas para outras ninhadas de menor idade.

Com muito cuidado e dedicação e um pouco de sorte, meta atingida. Cem por cento dos filhotes sobreviveram aos 30 dias.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta splendens em Santa Catarina

Aquário adequado para Betta splendens

Existem alguns princípios básicos da aquariofilia que precisam ser seguidos para garantir a saúde de seus peixes e a beleza dos seus aquários. Aqui vamos abordar os principais e suas aplicações relacionadas aos Betta splendens.

Formato do Aquário

Existe no mercado uma grande variedade de opções de aquários, que vão desde o formato de globo, aos exóticos multi-facetados, passando pelos tradicionais retangulares.

Aquários de formatos diversos, de exóticos aos multifacetados. Imagens ilustrativas.
Aquários de formatos diversos, de exóticos aos multifacetados. Imagens ilustrativas.

Estes últimos, os retangulares, são os mais indicados pois: possuem maior superfície de água em contato com o ar (mais troca gasosa entre oxigênio e gás carbônico); são mais práticos para instalação de equipamentos (luminárias, filtros, aquecedores, termostatos); propiciam melhor visualização do seu interior, sem distorcer a imagem do(s) peixe(s); facilitam as tarefas de limpeza e manutenção.

Aquário retangular. Imagem ilustrativa.
Aquário retangular. Imagem ilustrativa.

O uso de tampa, de vidro ou qualquer outro material translúcido, que possa cobrir o aquário ou, pelo menos, boa parte da superfície, é conveniente pois reduz a evaporação de água (diminui a necessidade de reposição de água), conserva melhor a temperatura da água (economia de energia elétrica com os aquecedores), protege a luminária (curto-circuitos provocados por respingos d’água), protege a água de poeira e outras impurezas que possam cair sobre o aquário e a morte de peixes saltadores (Bettas costumam saltar para fora da água).

Tamanho do Aquário

Evidentemente sua capacidade de investimento e espaço disponível terão grande peso na compra do equipamento, porém leve em conta que os aquários maiores são de mais fácil manutenção, alcançam mais rapidamente o equilíbrio biológico e o sustentam de forma mais eficaz. Tenha em mente que, em condições ideais, para cada centímetro de peixe adulto, você deverá oferecer 1 litro de água [2]. Esta regra aplicada aos Bettas que possuem 7 cm, em média, quando adultos, precisam de aproximadamente 7 litros para viver bem e com saúde.

Para calcular o volume de um aquário retangular, usando todas as medidas em centímetros, multiplique seu comprimento por sua largura e o resultado, pela altura. Por fim, divida o resultado por 1.000, para ter o volume em litros. Exemplo: 50 cm (comprimento) x 30 cm (largura) x 30 cm (altura) = 45.000/1.000 = 45 litros.

Na prática um aquário nunca é cheio até a borda e em casos onde exista elementos decorativos (substrato, pedras, plantas, adornos, etc.), isto deve ser considerado no cálculo do volume de água real. Em média você pode reduzir em 15% o volume, ou seja, seguindo nosso exemplo, nosso aquário de 45 litros teria um volume de água na casa de 38,25 litros (45 litros x 0,85 = 38,25 litros).


Aquarios Para Procriação de Bettas

Novamente os mais indicados são os de formato retangular, de aproximadamente 20 litros.

Quanto ao material, podem ser de vidro [3], plástico, acrílico e até mesmo uma caixa de isopor. Devem ter tampa, para ajudar a manter a temperatura da água e do ar acima dela.

Reza a lenda que você deve remover o fundo de isopor e colar um pedaço de papel cartão preto, na lâmina debaixo do aquário, por fora. O fundo escuro vai ajudar o macho a visualizar os ovos, para apanhá-los e depositá-los no ninho-bolha. Depois cole outra placa de isopor, para ajudar a tamponar a temperatura da água, minimizar a propagação das vibrações do ambiente para a água e proteger a delicada lâmina de vidro da base do aquário, que em geral, para aquários deste tamanho, não passam de 4 mm ou 5 mm. Sinceramente, abandonei este procedimento de colocar um fundo escuro no aquário há anos e não percebi diferença alguma nos resultados obtidos (tamanho das proles), nem percebi dificuldade maior para o Betta macho visualizar e apanhar os ovos no fundo do aquário. Mas conhecer este manejo não faz mal algum. Use-o, se entender necessário.

Adição de fundo negro para facilitar o Betta macho recolher os ovos no fundo do aquário.
Adição de fundo negro para facilitar o Betta macho recolher os ovos no fundo do aquário.

Aquários Para “Enjarrar” Juvenis de Bettas

Como o número de peixes nascidos por ninhada pode ser elevado, na casa de 200 indivíduos, ou mais, isto pode ser uma grande dificuldade no momento da separação dos filhotes machos. O ideal é que eles fiquem separados uns dos outros, pois são territorialistas e irão se enfrentar para disputar a dominância de um espaço comum. Esta separação é chamada pelos criadores, como “enjarrar”.

Por uma questão de custos é muito comum criadores se valerem de vidros de palmito, pets de refrigerantes cortados, copos descartáveis; só para citar algumas opções.

Jovens Bettas "enjarrados". Imagem ilustrativa.
Jovens Bettas “enjarrados”. Imagem ilustrativa.

Na medida em que os juvenis machos forem crescendo, se possível, é conveniente que sejam acomodados em betteiras maiores.

Em nosso criatório, por ter exíguo espaço disponível e facilidade de manejo, optamos por “betteiras” de 3 litros.

Nossa escolha para "enjarrar" exemplares adultos de Bettas em nosso criame. Betteiras acrílicas de 3 litros.
Nossa escolha para “enjarrar” exemplares adultos de Bettas em nosso criame. Betteiras acrílicas de 3 litros.

Nota(s):

  • [1] É possível manter aquários coletivos de Betta splendens machos, desde que sejam acostumados, ainda jovens neste manejo. Porém, as caudas dos peixes ficarão danificadas, prejudicando o visual do peixe, muitas vezes de forma definitiva, mas isto não afetará a carga genética do peixe, nem sua capacidade reprodutiva. Muito possivelmente, o macho mais feio do grupo será exatamente o dominante do aquário, pois é o que mais vai se envolver em competições pela dominância do espaço. Particularmente não gosto deste manejo, mas ele é possível.
  • [2] Use o bom senso na definição do espaço necessário para o seu peixe, acima de tudo. Não queira que seu peixe tenha qualidade de vida num espaço ínfimo, mas se o seu espaço e o sua possibilidade de investimento não permitem a adoção de um aquário tido como ideal, tente chegar no meio-termo.
  • [3] Se você mora em regiões frias ou onde existe grande variação de temperatura ao decorrer do dia, opte por aquários que não sejam de vidro. Que sejam feitos de materiais que façam menos troca de calor com o ambiente. No mínimo, você irá economizar um bocado com o consumo de energia elétrica para que os seus aquecedores consigam manter a temperatura da água mais estável.

Fontes:

  • A montagem e a decoração do aquário (Manual) – Sera®
  • DAMAZIO, Alex. Criando o Betta. Editora Interciência.
  • Seu novo aquário – Alcon®
  • SILVA, Marcus Marques da, Aquarismo Básico – Técnicas para Iniciantes. Centro Cultural Aquarista Jr.
  • SILVA, Marcus Marques da, Betta splendens – Guia Prático. Centro Cultural Aquarista Jr.