Condicionadores de água

Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários. Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.

Ele tinha razão. Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.

Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário. A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente.

Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes.

Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador. Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.

A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados.

Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”. Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.

Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.

Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo. Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.

Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.

Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.

Clarificantes

Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.

Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros. Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.

Aclimatadores

Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.

Prorrogadores de trocas parciais

Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.

Controladores de Amônia

O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar… Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio – NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.

Sérgio Gomes
Artigo publicado originalmente na Revista AquaMagazine nº 04 (2008) – Reprodução autorizada.

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
0,022
0,039
0,073
7,4
22
0,003
0,006
0,011
0,023
0,040
0,074
25
0,004
0,007
0,014
0,028
0,049
0,092
28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

A alimentação do Betta splendens – Zero a 30 dias

O sucesso na criação de Bettas, depende principalmente da correta alimentação das larvas em seus primeiros dias de vida, mas não se restringem a isso, pois outros fatores tais como temperatura, qualidade da água, iluminação, tamanho e forma do aquário, quantidade de água e cuidados fito sanitários são tão determinantes no sucesso quanto a correta alimentação, mas não serão abordados nesse artigo. Quando falo de sucesso, falo nada menos do que criar 100% dos filhotes nascidos ou numero muito próximo disso (meta).

Larvas de Betta splendens recém nascidas.
Larvas de Betta splendens recém nascidas.

Vamos começar a contar o tempo dos filhotes, no momento da desova. É importante que isso seja bem definido, pois 24 horas são um lapso de tempo relativamente grande nas fases iniciais dos peixinhos. Também, em decorrência de fatores ambientais tais como a temperatura, as etapas poderão ser mais curtas ou mais longas. Para exemplificarmos, o nascimento em temperatura de 30 ºC ou mais, ocorrerá em 36 horas aproximadamente e em temperaturas mais baixas poderá ultrapassar 48 horas. A desova, portanto, é o momento “zero” para início da contagem do tempo (marco zero).

Escolhidos os pais e determinado o aquário para a desova, águardamos o “momento zero”, quando o ninho de bolhas se encontra repleto de ovos, recém postos e fecundados. As posturas podem variar entre 100 e mais de mil ovos, em geral entre 200 e 300. Torço sempre que as ninhadas não sejam muito numerosas, mas é freqüente a ocorrência de ninhadas com mais de 500 ovos. Postos os ovos, começa a vigilância do macho e os cuidados com a prole. Inicia também a nossa preocupação com os filhotes, que em aproximadamente quatro dias, estarão dependendo exclusivamente do criador.

Os ovos eclodem e as larvas nascem. Temos então o momento 1 (um). É justamente nesse momento que necessitamos incentivar a produção de zooplâncton na água do aquário pois em mais dois dias, as larvas irão necessitar comer. Para isso, será necessário aumentar o alimento para os micro-organismos existentes no próprio aquário.

Nos dois primeiros dias, as larvas se manterão com reserva energética vitelínica e não necessitarão de alimentos. No entanto, a partir do terceiro dia, esgotada a reserva vitelínica, irão necessitar alimentar-se do meio em que se encontram.

Se nada for feito e deixarmos a ninhada sem alimentação, alguns filhotes irão sobreviver, com um desenvolvimento pequeno se comparado a alevinos adequadamente alimentados. Alguns em torno de 20 ou 30 peixinhos, mesmo sem receberem comida, chegarão aos quinze dias de idade, se presentes as demais condições para seu desenvolvimento. Encontrarão, no aquário, micro-organismos, que manterão vivos os mais fortes (ou mais adaptáveis). Esses micro-organismos presentes na água dos aquários, são denominados como plâncton e são de extrema importância nos primeiros dias de vida das larvas. Podem ser compostos por elementos vegetais, tais como as algas unicelulares e então são denominados de fitoplâncton, ou por minúsculos animais, geralmente protozoários e rotíferos e que então são denominados de zooplâncton. Na criação de peixes ornamentais, chamamos a isso de infusórios (creio que o termo seja decorrente do hábito de fazer-se uma “infusão” em outro recipiente para obtenção dele, o que eu acho contra indicado).

Se aumentarmos a quantidade de “insfusórios” no aquário, mais peixes chegarão aos 15 dias de vida, sem outra fonte de alimentos. Se, no entanto, for aumentada demasiadamente a quantidade de micro-organismos, todas as larvas morrerão, por falta de oxigênio dissolvido na água. Então, a lição que fica é a que, sempre é melhor errar por falta do que por excesso.

Infusórios são componentes do plâncton. Podem ser micro algas unicelulares (fictoplâncton) protozoários, rotíferos e outros organismos muito pequenos (zooplâncton). São todos de tamanho muito pequeno, quase microscópicos. É possível observá-los a olho nú, ou com o emprego de uma lupa, como pequenos bastonetes ou pontos brancos movimentando-se levemente na água. São nutritivas fontes de proteínas, fibras, aminoácidos, vitaminas e sais minerais. É também praticamente o único alimento que a larva consegue abocanhar nessa fase, e eu não conheço outra fonte de alimentação para os primeiros dias das larvas.

Eu obtenho o zoo plâncton, no próprio aquário da desova, introduzindo uma pequena casca de banana bem seca, no dia de nacimento das larvas. Os componentes que decorrem da dissolução na água, são nutrientes para os micro-organismos, como se fossem micro algas. Frutose (energia) e minerais originados pela dissolução na água, são fonte de energia para protozoários e rotíferos. Uma pitada de Spirulina em pó e mais uma pitada de Chlorella em pó, uma gota de polivitamínico para pássaros para cada 10 litros de água, irá enriquecer os protozoários e rotíferos que ficarão muito mais nutritivos. A água ficará levemente turva pelo aumento do plâncton, sem odor, rica em micro-organismos. Levemente esverdeada em função das algas. As larvas terão alimento adequado para seus primeiros dias de vida.

Infusórios manterão as larvas, como alimento exclusivo, até seu quarto dia de vida ou sexto dia da desova. Nesse momento algumas larvas já conseguirão abocanhar náuplios de Artemia recém eclodidos, porém nem todas conseguirão comê-los. É o momento 2 (dois), ou o momento em que eu retiro a casca de banana e introduzo o verme-do-vinagre (Turbatrix aceti). Prefiro ele aos náuplios de Artemias, nesse momento, porque vivem mais tempo em água doce. Apenas uma única introdução de vermes-do-vinagre. As larvas estarão ainda comendo zooplâncton. Uma excelente alternativa aos vermes-do-vinagre, são os microvermes. Apenas exigem mais cuidados para manutenção da cultura.

No quinto dia de nascimento, sétimo da desova, momento 3 (três), inicio a administração de náuplios de Artemia recém eclodidos, duas vezes ao dia. As larvas ainda estarão se alimentando com zoo plâncton existente no aquário. Gradativamente o alimento para os protozoários irá faltando, pela escassez de alimentos e a água ficará mais transparente, sem turbidez, sem cheiro, muito limpa. Todo o excesso de náuplios mortos, não comidos, deverá ser removido com uma pipeta ou com uma mangueirinha de ar comprimido. Os alevinos permanecerão com essa dieta até os vinte dias, momento 4 (quatro), quando teremos que introduzir, lentamente, Artemias congeladas e ração industrializada.

Os alevinos não estarão acostumados a comer alimentos inertes e teremos que ensiná-los. Lentamente, com muita paciência, nos próximos dias, estarão adaptados a alimentos inertes e entrarão em uma fase de grande desenvolvimento. Por volta de trinta dias de vida, os alevinos estarão com aproximadamente dois centímetros e poderemos restringir o fornecimento de náuplios às sobras, de quantidades produzidas para outras ninhadas de menor idade.

Com muito cuidado e dedicação e um pouco de sorte, meta atingida. Cem por cento dos filhotes sobreviveram aos 30 dias.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta splendens em Santa Catarina

Aquário adequado para Betta splendens

Existem alguns princípios básicos da aquariofilia que precisam ser seguidos para garantir a saúde de seus peixes e a beleza dos seus aquários. Aqui vamos abordar os principais e suas aplicações relacionadas aos Betta splendens.

Formato do Aquário

Existe no mercado uma grande variedade de opções de aquários, que vão desde o formato de globo, aos exóticos multi-facetados, passando pelos tradicionais retangulares.

Aquários de formatos diversos, de exóticos aos multifacetados. Imagens ilustrativas.
Aquários de formatos diversos, de exóticos aos multifacetados. Imagens ilustrativas.

Estes últimos, os retangulares, são os mais indicados pois: possuem maior superfície de água em contato com o ar (mais troca gasosa entre oxigênio e gás carbônico); são mais práticos para instalação de equipamentos (luminárias, filtros, aquecedores, termostatos); propiciam melhor visualização do seu interior, sem distorcer a imagem do(s) peixe(s); facilitam as tarefas de limpeza e manutenção.

Aquário retangular. Imagem ilustrativa.
Aquário retangular. Imagem ilustrativa.

O uso de tampa, de vidro ou qualquer outro material translúcido, que possa cobrir o aquário ou, pelo menos, boa parte da superfície, é conveniente pois reduz a evaporação de água (diminui a necessidade de reposição de água), conserva melhor a temperatura da água (economia de energia elétrica com os aquecedores), protege a luminária (curto-circuitos provocados por respingos d’água), protege a água de poeira e outras impurezas que possam cair sobre o aquário e a morte de peixes saltadores (Bettas costumam saltar para fora da água).

Tamanho do Aquário

Evidentemente sua capacidade de investimento e espaço disponível terão grande peso na compra do equipamento, porém leve em conta que os aquários maiores são de mais fácil manutenção, alcançam mais rapidamente o equilíbrio biológico e o sustentam de forma mais eficaz. Tenha em mente que, em condições ideais, para cada centímetro de peixe adulto, você deverá oferecer 1 litro de água [2]. Esta regra aplicada aos Bettas que possuem 7 cm, em média, quando adultos, precisam de aproximadamente 7 litros para viver bem e com saúde.

Para calcular o volume de um aquário retangular, usando todas as medidas em centímetros, multiplique seu comprimento por sua largura e o resultado, pela altura. Por fim, divida o resultado por 1.000, para ter o volume em litros. Exemplo: 50 cm (comprimento) x 30 cm (largura) x 30 cm (altura) = 45.000/1.000 = 45 litros.

Na prática um aquário nunca é cheio até a borda e em casos onde exista elementos decorativos (substrato, pedras, plantas, adornos, etc.), isto deve ser considerado no cálculo do volume de água real. Em média você pode reduzir em 15% o volume, ou seja, seguindo nosso exemplo, nosso aquário de 45 litros teria um volume de água na casa de 38,25 litros (45 litros x 0,85 = 38,25 litros).


Aquarios Para Procriação de Bettas

Novamente os mais indicados são os de formato retangular, de aproximadamente 20 litros.

Quanto ao material, podem ser de vidro [3], plástico, acrílico e até mesmo uma caixa de isopor. Devem ter tampa, para ajudar a manter a temperatura da água e do ar acima dela.

Reza a lenda que você deve remover o fundo de isopor e colar um pedaço de papel cartão preto, na lâmina debaixo do aquário, por fora. O fundo escuro vai ajudar o macho a visualizar os ovos, para apanhá-los e depositá-los no ninho-bolha. Depois cole outra placa de isopor, para ajudar a tamponar a temperatura da água, minimizar a propagação das vibrações do ambiente para a água e proteger a delicada lâmina de vidro da base do aquário, que em geral, para aquários deste tamanho, não passam de 4 mm ou 5 mm. Sinceramente, abandonei este procedimento de colocar um fundo escuro no aquário há anos e não percebi diferença alguma nos resultados obtidos (tamanho das proles), nem percebi dificuldade maior para o Betta macho visualizar e apanhar os ovos no fundo do aquário. Mas conhecer este manejo não faz mal algum. Use-o, se entender necessário.

Adição de fundo negro para facilitar o Betta macho recolher os ovos no fundo do aquário.
Adição de fundo negro para facilitar o Betta macho recolher os ovos no fundo do aquário.

Aquários Para “Enjarrar” Juvenis de Bettas

Como o número de peixes nascidos por ninhada pode ser elevado, na casa de 200 indivíduos, ou mais, isto pode ser uma grande dificuldade no momento da separação dos filhotes machos. O ideal é que eles fiquem separados uns dos outros, pois são territorialistas e irão se enfrentar para disputar a dominância de um espaço comum. Esta separação é chamada pelos criadores, como “enjarrar”.

Por uma questão de custos é muito comum criadores se valerem de vidros de palmito, pets de refrigerantes cortados, copos descartáveis; só para citar algumas opções.

Jovens Bettas "enjarrados". Imagem ilustrativa.
Jovens Bettas “enjarrados”. Imagem ilustrativa.

Na medida em que os juvenis machos forem crescendo, se possível, é conveniente que sejam acomodados em betteiras maiores.

Em nosso criatório, por ter exíguo espaço disponível e facilidade de manejo, optamos por “betteiras” de 3 litros.

Nossa escolha para "enjarrar" exemplares adultos de Bettas em nosso criame. Betteiras acrílicas de 3 litros.
Nossa escolha para “enjarrar” exemplares adultos de Bettas em nosso criame. Betteiras acrílicas de 3 litros.

Nota(s):

  • [1] É possível manter aquários coletivos de Betta splendens machos, desde que sejam acostumados, ainda jovens neste manejo. Porém, as caudas dos peixes ficarão danificadas, prejudicando o visual do peixe, muitas vezes de forma definitiva, mas isto não afetará a carga genética do peixe, nem sua capacidade reprodutiva. Muito possivelmente, o macho mais feio do grupo será exatamente o dominante do aquário, pois é o que mais vai se envolver em competições pela dominância do espaço. Particularmente não gosto deste manejo, mas ele é possível.
  • [2] Use o bom senso na definição do espaço necessário para o seu peixe, acima de tudo. Não queira que seu peixe tenha qualidade de vida num espaço ínfimo, mas se o seu espaço e o sua possibilidade de investimento não permitem a adoção de um aquário tido como ideal, tente chegar no meio-termo.
  • [3] Se você mora em regiões frias ou onde existe grande variação de temperatura ao decorrer do dia, opte por aquários que não sejam de vidro. Que sejam feitos de materiais que façam menos troca de calor com o ambiente. No mínimo, você irá economizar um bocado com o consumo de energia elétrica para que os seus aquecedores consigam manter a temperatura da água mais estável.

Fontes:

  • A montagem e a decoração do aquário (Manual) – Sera®
  • DAMAZIO, Alex. Criando o Betta. Editora Interciência.
  • Seu novo aquário – Alcon®
  • SILVA, Marcus Marques da, Aquarismo Básico – Técnicas para Iniciantes. Centro Cultural Aquarista Jr.
  • SILVA, Marcus Marques da, Betta splendens – Guia Prático. Centro Cultural Aquarista Jr.

Oodinium na criação de Betta splendens

Resolvi escrever sobre este tema por conta do grande volume de mensagens que recebo sobre o tema. É preciso deixar claro que não tenho habilitação técnica para fazer tratado científico sobre o tema, tão pouco prescrever medicamentos ou tratamentos. Sou apenas um aquarista veterano, que aprendeu o pouco que sabe na base da tentativa, erros e acertos. Portanto, leia este material, faça suas ponderações pessoais, pesquise mais sobre o tema, e siga o caminho SUGERIDO, por sua conta e risco, se achar conveniente.

Se você identificou falhas na argumentação, informações equivocadas, por favor, escreva-me. Corrigirei a informação e ficarei agradecido pela ajuda. Toda ajuda é sempre bem vinda!

O Oodinium é uma doença muito comum na criação de Betta splendens, infelizmente. Se propaga de forma rápida, e pode por a perder sua criação inteira (larvas, juvenis e adultos), em questão de horas.

Sinais

Os animais apresentam sinais semelhantes ao Ichthyophthirius (Ictio). Aparecem pontos brancos pequenos espalhados pelo corpo, nadadeiras e branquias do animal, em seguida aparecem as lesões na pele, dando aspecto de poeira dourada ou de veludo, por vezes branco ou amarelo aveludada. Geralmente o animal fica prostrado, a cauda fica fechada, deixa de se alimentar, a respiração fica ofegante e observa-se constantes tentativas do animal se coçar nas paredes e/ou no fundo do aquário. Projetando-se a luz de uma lanterna sobre o corpo do peixe, esta “poeira” é facilmente identificada.

Conhecendo o inimigo a ser combatido

Trata-se de um parasita dinoflagelado. Seu ciclo de vida começa na água. Ele fica a espera de um hospedeiro adequado, de passagem. Quando o encontra, se fixa nele, geralmente e inicialmente nas brânquias. Ao conseguir se fixar, forma uma casca dura para se proteger do meio ambiente a passa a se alimentar das células da pele do peixe. Nesta fase cística, toma a aparência de “poeira”, cobrindo o corpo do animal. Depois de alguns dias o cisto se deposita no fundo do aquário, liberando nova geração de parasitas, realimentando o ciclo.

Tratamento sugerido

  1. Transfira este peixe para um novo aquário, limpo, livre da doença. Lavado previamente com água sanitária e muito bem enxaguado;
  2. Coloque água limpa neste aquário, isenta de cloro e/ou metais pesados. Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Lembre-se, Bettas respiram essencialmente fora da água, então diminua o esforço do peixe para subir à tona para respirar. Bastará a ele virar a boca para cima e puxar o ar;
  3. Adicione um pouco de sal-grosso nesta água (sal de churrasco). A ponta de uma colher de chá de sal-grosso, por litro de água. Isto ajudará no tratamento;
  4. Eleve a temperatura da água em 1 °C ou 2 °C. Aquecedores com termostatos integrados, submersíveis, são os mais indicados para este propósito (são mais precisos);
  5. Adicione um Oodinicida na água, respeitando as indicações de quantidade do fabricante. Uso com muito sucesso, há anos, o Oodinicida da Atlantys®. É barato e eficiente;
  6. Cubra o aquário com um pano grosso. O aquário deve ficar totalmente no escuro. Este dinoflagelado precisa da luz para se manter vivo, enquanto não encontra o hospedeiro adequado para se fixar. Com a ausência de luz, você conseguirá interromper o ciclo de vida do parasita.

Por 5 (cinco) dias ininterruptos, troque a água total, adicione sal-grosso e Oodinicida na água, conforme indicado acima, mantendo o aquário no escuro o tempo todo.

Geralmente, após o segundo dia de tratamento, o peixe já parece estar curado, já começa a se alimentar e fica mais ativo. Apesar disto, continue o tratamento pelo número de dias sugerido.

Prevenção é a melhor solução

Lembre-se que muitas doenças, inclusive o Oodinium, acabam se manifestando ou se intensificando em momentos de estresse do peixe (mudanças repentinas no parâmetros da água, manejo inadequado, transporte, etc).

Adote como procedimento padrão, sempre que adquirir um novo animal, colocá-lo em quarentena. O mantenha por 40 dias, sob atenta observação. Jamais o introduza em aquários coletivos (fêmeas, no caso de Bettas) ou bateria de “betteiras”, onde haja circulação de água entre os aquários, sem observá-lo em quarentena.

Se possível, não introduza equipamentos usados em um aquário, noutro aquário. Tenha equipamentos exclusivos para cada aquário (puçás, sifões, pipetas, etc). Não sendo possível, sempre lave-os muito bem com água sanitária, enxaguando em seguida, em água corrente, antes de introduzí-los noutro aquário. Observe também que suas mãos devem ser lavadas cuidadosamente e atentamente após manuseio de cada aquário.

Permanganato de Potássio, um aliado do aquarista

O Permanganato de Potássio não é algo recomendado para iniciantes, e tem sua eficácia comprovada por muitos criadores de peixes. Também é muito utilizada no setor veterinário, no tratamento de aves e outros animais.
A substância foi utilizada ao longo de anos, nos tratamentos de várias doenças, com seu uso inclusive em seres humanos, mas hoje ao redor do mundo o uso da substância é controlada por ser um agente mutagênico e carcinogênico. Trata-se de uma substância comprovadamente perigosa.
A substância continua em uso no Brasil sendo inclusive recomendada no site do Ministério da Sáude.

Aquário comprado, já definiu o layout, com um tronco e uma raiz saindo por detrás de um belo arranjo de pedras e que será cercado por lindas plantas aquáticas, então é só encher de água e pronto não é?

Não! Todo material a ser utilizado num aquário deve, ou pelo menos deveria ser tratado previamente antes de ser inserido no mesmo, pois podem conter bactérias, parasitas, fungos, ovos de insetos e caramujos e os esporos das famigeradas algas que apesar de importantes num ecosistema é o terror de muitos aquaristas.

Uma simples lavada debaixo de água corrente pode não ser suficiente para resolver os problemas acima, então o que fazer? Ai é que entra o nosso aliado, o Permanganato de Potássio.

O Permanganato de Potássio foi descoberto em 1659 pelo químico alemão Johann Rudolf Glauber, quando fundiu uma mistura do mineral Pirolusita com Carbonato de Potássio. Nessa fusão obteve um material que dissolvido em água formou uma solução verde de Manganato de Potássio que, lentamente, mudou para a cor violeta devido a formação do Permanganato de Potássio.

O Permanganato de Potássio é um composto químico de função química sal, inorgânico, formado pelos íons potássio (K+) e Permanganato (MNO4) . É um forte agente oxidante. No estado sólido ou líquido apresenta uma coloração violeta bastante intensa que, na proporção de 1,5 g por litro de água (em média), torna-se vermelho forte.

O Permanganato de Potássio misturado com Glicerina, Etanol ou Ácido Sulfúrico pode ter uma reação explosiva, não é esse o nosso objetivo aqui, portanto fica a observação.

Também não deve ser ingerido sem recomendação médica é claro, pois uma alta dose pode ser fatal.

Pulando a parte química da coisa, vamos ao método de utilização do Permanganato de Potássio.

Antes de começar fica como recomendação utilizar luvas descartáveis ao manusear o Permanganato de Potássio, seja o comprimido, seja a solução já dissolvida, pois ele mancha a pele deixando o local de contato marrom mas que desaparece em menos de 24 horas.

Luvas descartáveis.
Luvas descartáveis.

O Permanganato de Potássio pode ser encontrado em farmácias na forma de comprimidos, o que vou utilizar aqui tem 100 mg.

Comprimidos de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Comprimidos de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio

Como usar no tratamento de plantas?

No tratamento de plantas eu utilizo um ou dois comprimidos de 100 mg para cada 10 litros de água. Vejam as fotos abaixo:

Balde com 10 litros de água.
Balde com 10 litros de água.

Em um balde com 10 litros de água adicione adicione 1 comprimido de 100 mg Permanganato de Potássio.

Adicione 1 comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Adicione 1 comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio.

Movimente a água para ajudar a dissolver o comprimido, se moer previamente o comprimido pode pular esta etapa.

Movimente a água para dissolver o Permanganato de Potássio.
Movimente a água para dissolver o Permanganato de Potássio.

Após movimentar bem a água para dissolver o Permanganato, adicione as plantas que deseja tratar.

Adicione as plantas que deseja tratar.
Adicione as plantas que deseja tratar.
Imersão das plantas por 08 horas em solução menos agressiva.
Imersão das plantas por 08 horas em solução menos agressiva.

Como adicionei apenas 100 mg de Permanganato de Potássio, ficou uma solução menos agressiva (10 mg/litro) então deixei as plantas de molho na solução por 8 horas.

Após esse período, retire as plantas da solução de Permanganato e lave em água corrente, em seguida coloque num balde com água e anticloro.

Retire as plantas e lave em água corrente.
Retire as plantas e lave em água corrente.
Deixe as plantas em água com anticloro.
Deixe as plantas em água com anticloro.

Deixe as plantas em água com anticloro [Zoom].
Deixe as plantas em água com anticloro [Zoom].
No caso das plantas, esse processo eliminará os esporos de algas, fungos, bactérias, caramujos e não influenciará no desenvolvimento de uma planta saudável. Porém se as plantas estiverem em péssimas condições podem não suportar este tratamento.

Gostaria de lembrar que este processo não elimina as algas de uma planta contaminada, apenas os esporos que nela estiverem.

Como usar no tratamento de troncos e pedras?

Para tratamento de troncos e pedras deve-se utilizar uma quantidade maior de Permanganato, uns 5 comprimidos de 100 mg por litro de água, seguindo os mesmos passos dos citados no tratamento de plantas.

Também pode-se usar a quantidade acima para um tratamento rápido das plantas, nesse caso deixe no máximo uns 15 minutos na solução, pois a mesma ficará bem concentrada, mas eu prefiro tratar de forma lenta e segura.

Como usar no tratamento de peixes?

Muitos aquaristas experientes utilizam o Permanganato no tratamento de fungos e parasitas em peixes.

Ele atua de forma eficaz no tratamento de:

  • Aeromonas
  • Argulose (piolho de peixe);
  • Chilodonella (Quilodonelose);
  • Chondrococcus columnaris (limo dos peixes);
  • Costiose;
  • Dactilogirose (Flukes);
  • Girodactilose;
  • Ictio (doença dos pontos brancos);
  • Lerneose (verme âncora);
  • Pseudomonas;
  • Saprolegniose (mofo dos peixes); e
  • Tricodiníase.

Porém isso deve ser feita de forma cuidadosa num aquário hospital, nunca no aquário principal.

Coloque o peixe a ser tratado no aquário hospital com 50% de água do aquário principal e 50% de água condicionada (anticloro) e com pH e temperatura equivalente.

Deve-se utilizar uma dose baixa de Permanganato, cerca de 1 PPM (1 parte por milhão) o que daria cerca de 1 mg por litro.

Como o comprimido em questão vem com 100 mg recomendo moer o mesmo antes e dividir em 10 partes iguais, utilizando uma parte para cada 10 litros.

Adicione a solução no aquário hospital, fazendo o tratamento diariamente até a cura do peixe fazendo uma troca parcial de água diariamente de 30% e repondo a mesma quantidade da solução diluída na mesma proporção.

Em algumas doenças será necessário utilizar uma dose maior (10 a 20 PPM) de Permanganato de Potássio para tratar de forma eficaz, porém o peixe deverá ficar de 60 a 90 minutos no máximo nessa solução:

  • Argulose (piolho de peixe);
  • Chilodonella (Quilodonelose); e
  • Costiose.

Existem alguns tratamentos de choque com doses maiores, porém devido ao grande risco de perder o peixe e como não recomendo prefiro não descrever aqui.

O uso de Permanganato de Potássio é na maioria das vezes muito menos agressivo e tóxico do que o tratamento com medicamentos a base de Cobre por exemplo e com eficiência de igual valor.

O tratamento de peixes com Permanganato é um assunto polêmico, principalmente para os envolvidos com fabricantes de medicamentos específicos, os quais deixo claro que não sou contra e até recomendo a utilização por iniciantes. O que não podemos é desmerecer soluções eficientes e que estão ao alcance de todos.

Adilson Borszcz
Autorização de Publicação Aquaflux


Artigo publicado originalmente no website Aquaflux – Reprodução autorizada pelo autor e mantenedores do website.

Fontes:

  • Experiência própria
  • WIKIPEDIA

Como escolher um peixe saudável?

Nota do editor: As dicas do autor se aplicam também aos Betta splendens, com as devidas adaptações, pois os exemplares machos desta espécie são expostos em aquários individuais (betteiras) nas lojas de aquarismo.

A hora de irmos às lojas de aquarismo comprar os peixes é, sem sombra de dúvidas, a mais excitante. Depois de meses planejando o aquário, comprando os equipamentos, montando-o perfeitamente e esperando ciclar é a vez de adquirirmos os protagonistas que tanto almejamos. Porém algumas vezes, seja por descuido ou distração, seja por negligência ou falta de conhecimento, acabamos por comprar peixes que estão contaminados com alguma enfermidade, logo o caos acontece: aquele peixinho que estava doente contamina todos os outros que estavam saudáveis e as mortes começam, algumas vezes dizimando toda a população do aquário. Isso acaba desmotivando e até afastando os mais entusiastas desse incrível hobby.

Mas é mais fácil do que se costuma imaginar evitar esses tipos terríveis de problemas, tomando medidas preventivas simples e fáceis. Qualquer um é capaz de tomá-las e caso se tornassem regras obrigatórias, o número de desastres no aquarismo seria reduzido no mínimo em 50%. Essas medidas aplicam-se tanto para aquários que já possuem peixes quanto para os ainda não populados.

A primeira trata-se de um conjunto de pequenas observações a serem feitas visualmente e a segunda da obtenção de um aquário quarentena. Essas duas medidas juntas formam uma barreira 98% segura, confiável e fácil.

Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.
Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.

Para facilitar ainda mais o entendimento, as medidas foram organizadas em vários pontos separados e bem claros:

  • Observe sempre muito bem os peixes nas baterias de aquários de exposição, fique atento e não deixe os detalhes para trás, ele fazem diferença no final;
  • Se você já sabe a espécie de peixe que deseja comprar, vá até o aquário e observe todos os peixes nele contidos, mesmo que não sejam a espécie pretendida, procure por peixes ativos, coloridos, com as nadadeiras abertas, escamas brilhantes, pele lisa, respiração e comportamento normal;
  • Não compre os peixes se eles estiverem com pontos brancos espalhados pelo corpo, manchas brancas, tufos brancos como algodão, feridas/machucados/tufos na boca ou no corpo, nadadeiras roídas, faltando escamas, pequenos vasos sanguíneos dilatados tanto pelo corpo como pelas nadadeiras, com ânus inchado;
  • Não compre o peixe se ele estiver se comportando de forma diferente do habitual, se estiver isolado do grupo e escondido, se estiver com a barriga para dentro (em forma de arco), se estiver com a respiração ofegante (o peixe está sempre na superfície), o peixe estar de barriga para cima ou com ela muito inchada, acima do normal;
  • Não compre o peixe logo que o lojista o trazer da distribuidora, espere uns 2 a 3 dias, pois o estresse da viagem pode disfarçar assim como pode criar algum sintoma que não existe;
  • Uma dica útil é antes de comprar os peixes pedir para o lojista alimentá-los, você consegue descobrir duas coisas importantes de uma só vez: se o peixe não se alimentar pode estar certo de que tem algum problema e se o peixe realmente está comendo a ração (é comum os lojistas indicarem um alimento diferente do habitual, logo quando chega em casa os peixes simplesmente não comem) pois algumas espécies só comem alimentos vivos, por exemplo;
  • Confira a presença de sistema de filtragem, seja individual por aquário ou um grande filtro para a bateria inteira. A exposição mesmo que temporária a amônia, nitrito e nitrato pode enfraquecer os peixes, deixando-os suscetíveis a doenças. Termostato com uma temperatura regulada e fixa também é muito importante;
  • Observe se os aquários são separados por vidros ou por apenas telas furadas, que permitem que a mesma água circule diretamente por todos os aquários. Isso é muito arriscado porque se um adoecer pode transmitir sua moléstia para todos os outros peixes, por estarem em contato com a mesma água;
  • Mesmo que o lojista recomendar, não aplique fungicidas, bactericidas ou parasiticidas na água dos seus peixes, nem como medida preventiva. Isso é muitíssimo perigoso pois pode intoxicar seus animais e também até matá-los;
  • Mantenha sempre que possível um aquário extra que sirva de quarentena, ele não precisa ser muito grande e deve conter sistema de filtragem com perlon e mídias biológicas. Não coloque carvão ativado ou purigem, pois podem absorver possíveis medicamentos. Sempre que comprar um peixe novo, deixe-o neste aquário por um período de 40 até 60 dias, pois existem muitas doenças que só se manifestam após muito tempo do peixe contaminado. E faça isso mesmo que seguido os passos anteriores.

Tenha sempre um aquário de quarentena: ainda é possível transformar esse aquário em hospital, caso algum peixe ainda assim fique doente; em maternidade, caso algum peixe venha a se reproduzir e em depósito de água emergencial caso precise fazer uma TPA urgente ou caso o aquário quebre, por exemplo.

Assimile essas dicas e passe a usá-las no seu dia-a-dia. Isso garantirá um aquário equilibrado e estável, com peixes saudáveis que viverão por muitos e muitos anos, dando a seus criadores inúmeras alegrias.

Um último recado: lembrem-se sempre, é muito melhor prevenir agora do que ter que remediar depois.

Mateus Camboim

Autorização de Publicação Aquaflux
Artigo publicado originalmente no website Aquaflux, em 12/05/2011 – Reprodução autorizada pelos mantenedores do website.

 

O frio chegou! Saiba como aquecer seu Betta splendens

Entra ano, sai ano, invariavelmente na época do outono/inverno hobbystas aflitos enviam consultas para o Betta Brasil, pedindo orientações para aquecer seus mascotes, de forma que passem incólumes por estas estações climáticas, quando as temperaturas despencam em algumas regiões do Brasil.

Betta splendens vivem muito bem na faixa de temperatura entre 24 e 30 °C, mas suportam razoavelmente bem, viver acima ou abaixo desta faixa, desde que sua adaptação ao novo parâmetro aconteça de forma lenta.

Com relação ao frio, conheço relatos de criadores que afirmam que seus Betta splendens “suportaram” temperaturas baixas na ordem de 17/18 °C. Não duvido. Aliás, acho muito provável que animais saudáveis e jovens “suportem” tal situação sem grandes prejuízos. Mas sempre haverá prejuízo e risco de morte para o animal.

No frio o metabolismo do Betta splendens fica bem mais lento, ele acaba se alimentando menos, se movimentando e se exercitando menos, passa a consumir suas reservas internas. Por conseqüência direta ele para de crescer, se desinteressa por acasalamentos, sua capacidade imunológica diminui, contribuindo para que doenças oportunistas se aproveitem da situação, atacando o animal.

Não posso deixar de chamar a atenção para um detalhe importante… Mesmo que a temperatura esteja dentro dos parâmetros bem aceitos pelo animal, eventuais mudanças de temperatura devem acontecer de forma lenta. Variações rápidas de temperatura estressam os peixes e permitem que doenças oportunistas se aproveitem da situação, atacando o animal.

Isto posto, acho que lhe ficou claro que a temperatura da água dos aquários de seus Betta splendens, devem estar estáveis o tempo todo, não apenas no outono/inverno. Este período é o mais crítico, mas esta preocupação deve ser constante, o ano todo.

Eu sei, você está preocupado com seu bolso, com o valor da sua conta de consumo de energia elétrica. Comungo de sua preocupação, mas a partir do momento que decidimos retirar animais da natureza, colocando-os sob nossos cuidados, dentro de nossas casas, temos obrigação e a responsabilidade de procurar oferecer-lhes as melhores condições possíveis no ambiente de cativeiro. Estou errado? Se você não concorda, acho que você ainda não está preparado para abraçar o hobby.

Tipos de aquecedores elétricos e termostatos

Os aquecedores elétricos mais baratos existentes no mercado, são os famosos “bananinhas”, que devem trabalhar sempre de forma consorciada com um termostato, para automatizar o processo de ligar e desligar o aquecedor, sempre que a temperatura chegar no limite que você configurou no aparelho. Sem a ação do termostato, você corre o risco de super aquecer a água, literalmente cozinhando o peixe ainda vivo..

Termostato e aquecedor tipo "bananinha" (Imagens meramente ilustrativas)
Termostato e aquecedor tipo “bananinha” (Imagens meramente ilustrativas).

O termostato da ilustração se fixa na lateral do aquário e oferece uma tomada fêmea para acoplamento de aquecedor tipo “bananinha”. Ele, por sua vez, se conecta à rede elétrica de sua casa, através de uma tomada macho.

Este mesmo tipo de termostato, que se fixa na lateral do aquário, também pode ser adquirido no mercado com aquecedor integrado. Menos fio passando no entorno do aquário, mais praticidade e mais segurança para você e sua residência.

Também existe para venda, termostato integrado com aquecedor submersível. O conjunto fica totalmente mergulhado na água do aquário, podendo ficar camuflado atrás de plantas aquáticas, pedras e adornos. Além de ser mais discreto, é mais seguro e oferece ajustes de temperatura bem mais precisos. Alguns modelos até oferecem dispositivo de segurança, que desligam automaticamente o equipamento se forem retirado da água e não se quebram em função da rápida mudança de temperatura.

Termostato submersível, integrado com aquecedor (imagem meramente ilustrativa).
Termostato submersível, integrado com aquecedor (imagem meramente ilustrativa).

Quanto mais sofisticado o equipamento, maior será seu investimento, sem dúvida. Porém você deve levar em conta sua segurança, a segurança dos animais e a segurança de sua residência. Podendo, faça o investimento certo e “praticamente definitivo”. Fiz questão de salientar o “praticamente definitivo”, por que nada é eterno. Pode até durar mais, ser mais resistente, mas em algum momento também vai quebrar e/ou ficar extremamente obsoleto.

Para dimensionar a potência do aquecedor adequado para o seu projeto, siga esta tabela:

Aquecedor – Dimensionamento de Potência
Galões/Litros
5 ºC / 9 ºF
10 ºC / 18 ºF
15 ºC / 27 ºF
05 gal/025 L
025 watts
050 watts
      075 watts
10 gal/050 L
050 watts
075 watts
      075 watts
20 gal/075 L
050 watts
075 watts
      150 watts
25 gal/100 L
075 watts
100 watts
      200 watts
40 gal/150 L
100 watts
150 watts
      300 watts
50 gal/200 L
150 watts
200 watts
      200 watts
65 gal/250 L
200 watts
250 watts
2 x 250 watts
75 gal/300 L
250 watts
300 watts
2 x 300 watts

Instruções:

Subtraia a temperatura média da estufa/local em que o aquário está posicionado, da temperatura que você deseja manter na água do aquário.

Encontre o tamanho de seu aquário na coluna da esquerda e mova para coluna que mostra o número de graus que o aquário precisa para ser aquecido.

Se a exigência de aquecimento está entre níveis, mova-a para o mais próximo valor superior.

Em tanques maiores, ou onde a temperatura da estufa/local do aquário está significativamente abaixo da temperatura de água desejada, podem ser requeridos dois aquecedores.

Aquecedores devem ser instalados em cantos opostos do aquário para aquecê-lo mais uniformemente.

Exemplo:
Temperatura média do ambiente
= 68 °F
Temperatura desejada da água
= 77 °F
Aquecimento exigido
= 09 °F
Logo p/ o ambiente :
Tanque
= 20 galões
Aquecedor requerido
= 50 watts

Dicas para otimizar seu investimento com os equipamentos e redução de custos de consumo de energia elétrica

ALERTA DE RISCO! PARA TODAS AS PROPOSTAS ABAIXO, VOCÊ DEVE MANTER CONTROLE PERMANENTE DA TEMPERATURA DA ÁGUA, ATRAVÉS DE UM TERMÔMETRO (POR EXEMPLO, DO TIPO ADESIVO, ADERIDO AO VIDRO DO AQUÁRIO). TERMOSTATOS, AQUECEDORES TIPO “BANANINHA” OU SISTEMAS INTEGRADOS; SÃO EQUIPAMENTOS ELETRO/ELETRÔNICOS PASSÍVEIS DE FALHAS TÉCNICAS , AQUECENDO EM DEMASIA OU DEIXANDO DE AQUECER A ÁGUA – É RARO, MAS NÃO IMPOSSÍVEL DE ACONTECER.

Para quem tem apenas um peixe para manter aquecido, sugiro o uso de termostato submersível, integrado com o aquecedor. Colocar ou não um filtro externo (físico, químico e biológico), é apenas uma sugestão para manter a água bem limpa, sem precisar promover TPAs (Trocas Parciais de Água) de 30%, dia sim, dia não. Este prazo pode ser mais elástico com adoção de filtragem.

Sugestão para quem precisa aquecer um único exemplar de Betta splendens.
Sugestão para quem precisa aquecer um único exemplar de Betta splendens.

Se você tem poucos peixes e não está disposto a fazer grande investimento com equipamentos, pode fazer uso de garrafas pets cortadas e furadas, para que possa haver circulação de água entre os potes de contenção de animais e o aquário. Neste caso o filtro externo (físico, químico e biológico), é recomendável, pois existem vários peixes co-habitando o mesmo espaço, excretando na água.

Projeto econômico de aquário coletivo, com sistema de controle de temperatura, aquecimento e filtragem de água.
Projeto econômico de aquário coletivo, com sistema de controle de temperatura, aquecimento e filtragem de água.

Uma variação para esta proposta é a construção de aquário com divisórias. Neste caso, a menos que você integre ao projeto um sistema de circulação de água eficiente, o filtro externo (físico, químico e biológico), perde o sentido. A ilustração mostra vista frontal e superior rebatida, do mesmo projeto.

Aquário com múltiplas divisórias, com paredes comunicantes com o sistema de aquecimento e controle de temperatura.
Aquário com múltiplas divisórias, com paredes comunicantes com o sistema de aquecimento e controle de temperatura.

Se você possui vários aquários pequenos, todos com o mesmo volume de água, pode instalar um termostato na lateral de um dos aquários e ligar em paralelo os aquecedores “bananinhas” de mesma potência em todos os aquários. O controle de temperatura é feito em apenas em um dos aquários, mas todos terão temperaturas muito parecidas, pois contemplam o mesmo volume de água. Dimensione o termostato adequadamente, ele deve suportar a carga de todos os aquecedores do seu sistema.

Termostato controla a temperatura de um aquário, mas comanda o liga/desliga de todos os aquecedores. Todos os aquecedores devem ter a mesma potência e todos os aquários, o mesmo volume de água para ser aquecido.
Termostato controla a temperatura de um aquário, mas comanda o liga/desliga de todos os aquecedores. Todos os aquecedores devem ter a mesma potência e todos os aquários, o mesmo volume de água para ser aquecido.

Para evitar o aquecimento da água, acidentes desta natureza, você pode ligar em série os aquecedores “bananinhas”. Assim, se um deles apresentar problemas, o circuito elétrico se rompe e o conjunto todo deixa de funcionar.

Optando por este caminho, é preciso dimensionar o termostato adequadamente, ele deve suportar a carga de todos os aquecedores do seu sistema e recalcular a potência dos aquecedores. Dois aquecedores de 30 Watts ligados em série, por exemplo, individualmente e na prática aquecerão como se fossem aquecedores de 15 Watts. Se você não sabe dimensionar o seu sistema, procure um eletricista para lhe dar esta consultoria. É mais adequado e seguro.

A partir destas idéias e sugestões, você pode criar sua própria solução, montar seu próprio projeto, de forma a atender suas necessidades específicas e capacidade de investimento.