(DBN) Desordem da Bexiga Natatória

Pesquisando sobre a Desordem de Bexiga Natatória (DBN) ou, em inglês, Swim Bladder Disorder (SBD) – que é uma anormalidade indesejável nos Betta splendens, geralmente descartada pelos criadores, encontrei algumas informações interessantes sobre o tema, pulverizadas em vários textos publicados em grupos de discussões e fóruns, espalhados na web. Resolvi condensar estas informações num único texto, traduzindo e adaptando traduções de outrem, enxertando comentários e observações de alguns criadores de Betta splendens, para produzir um material que sirva de base, de apoio para estudos e experimentações de colegas criadores.

Diagnóstico:

Um dia seu Betta splendens está muito bem – nadando feliz e construindo seu ninho de bolhas. No dia seguinte, está nadando torto, não está ativo e talvez com um pequeno embotamento na cor ou inchado.

Betta splendens com distúrbio da bexiga natatória apresentando nado irregular. Foto de origem desconhecida, meramente ilustrativa.
Betta splendens com distúrbio da bexiga natatória apresentando nado irregular. Foto de origem desconhecida, meramente ilustrativa..

Isto sugere que exista problema na bexiga natatória do animal, que está situada na espinha do peixe, entre sua barriga e sua cauda. Se a bexiga ficar grande, inchada ou apertada, pode fazer com que seu peixe nade com dificuldade.

Geralmente com a bexiga natatória apresentando problema, o peixe nadará de lado ou ficará no fundo. Parece que o Betta splendens perde sua capacidade de flutuar. Os jovens filhotes ficam “deslizando” pelo fundo do aquário, em suas barrigas, como se não pudessem nadar de outra maneira. Os mais velhos flutuam lateralmente, como se “quisessem furar” a superfície. Outros adultos flutuam com a cauda para baixo, verticalmente.

Possíveis Causas:

  1. Uma teoria é que, pelo menos, um tipo de DBN seja genética, passada de geração para geração. Isto faz sentido, se peixes com DBN estão sendo vendidos ou dados como presentes a outros criadores, que, por sua vez, os reproduzem sendo dito que não é genético. Isto espalha o gene DBN. Isto, naturalmente, se existir tal gene.
  2. Outra teoria é que um tipo de DBN pode ser causado pela alimentação em excesso com náuplios/adultos de artemias franciscanas (salinas). Pois as bolhas de ar escondidas nos náuplios/adultos de artemias franciscanas (salinas), bolhas estas que ficam presas nestes organismos em decorrência da aeração forçada em sua criação, bolhas que fazem com que a bexiga natatória se desenvolva incorretamente. Uma bexiga natatória pequena ou mal desenvolvida não retornará ao normal.
  3. Câncer ou tuberculose em um órgão perto da bexiga natatória. Isto talvez seja curável, porque a origem do problema está em outro órgão.
  4. Rápida variação nas temperaturas pode provocar a DBN.
  5. Rápido aumento da coluna d´água nos aquários com as larvas da espécie.
  6. Infestações bacterianas ou de parasitas podem ser, também uma causa.
  7. Comum em Betta splendens de cauda dupla (DT), o corpo curto, produzirá uma bexiga natatória mal formada ou curta, fazendo com que estes flutuem verticalmente.
  8. Gripe é um problema mais comum do que parece.
  9. Mudança súbita na dieta é também uma causa comum, nos adultos.
  10. Por fim, existe outra teoria, que sugere que a DBN seja um efeito, o reflexo de outros problemas existentes no organismo do animal.

Prevenção:

Alguns criadores de Betta splendens não alimentam seus peixes por um dia, ou por uma semana, para limpar o trato digestivo dos animais. Este é um método muito usado para impedir a DBN e/ou a constipação intestinal.

Outra opção de alimentação para impedir a DBN é aumentar o número de vezes que se oferece alimentos aos Betta splendens, para duas ou mais vezes ao dia, sempre em pequenas quantidades, ao invés de oferecer apenas uma refeição diária, com grande quantidade de comida. Isto reduz a quantidade de entrada de alimento de uma só vez, e permite que o sistema digestivo do animal, processe a comida mais facilmente. Observe que o estômago do Betta splendens tem, aproximadamente, o tamanho do aro do olho dele, portanto pouco alimento já será suficiente.

A variedade na dieta dos Betta splendens é importante para prevenir doenças e assegurar que os peixes estejam recebendo os nutrientes necessários para permanecerem saudáveis.

Tratamento:

Tente manter a dieta dos seus peixes balanceada e não os alimente em demasia. A bexiga natatória corrigir-se-á logo e seu mascote começará a nadar normalmente outra vez.

Similar à prisão de ventre, você pode também tentar não alimentar seus peixes por 24/48 horas. Em seguida, pegue uma ervilha cozida e a descasque. Alimente o(s) animal(ais) com uma parcela pequena dela na extremidade de um palito de dente. Tenha a certeza de que seus Betta splendens estejam evacuando bem, porque isto significar que a DBN e/ou a prisão de ventre estão sob controle.

Procedimentos adicionais:

A água limpa é sempre importante para um Betta splendens, mas é especialmente benéfica para todo peixe que enfrenta uma doença. Sempre mantenha seu Betta splendens entre 24/30 °C, para ajudá-lo a se sentir mais confortável e levantar seu sistema imunológico. Recomendo veementemente que você leia outro artigo de nossa lavra, publicado neste site, onde indicamos os primeiros socorros para Betta splendens.

Recomendações:

Se a DBN não estiver ameaçando, nem degradando a qualidade de vida do animal, deve-se deixá-lo viver. Se você optar por descartá-lo, faça o descarte de forma rápida e sem sofrimento para o animal (Leia: Descarte técnico de peixes ornamentais).

Fontes:

  • Betta Splendens Brasil (Grupo de Discussões)
  • Fish Junkies
  • Pet Fish
  • Pet QnA

Primeiros Socorros para Betta splendens

As sugestões apresentadas abaixo refletem as experiências empíricas acumuladas ao longo dos anos que manejo esta espécie (> 47). Não estou credenciado a fazer diagnósticos e prescrever tratamentos. Ciente disto, avalie as sugestões apresentadas e siga-as por sua conta e risco, se entender que deve. Este manejo pode variar ligeiramente de criador, para criador. Mas em sua essência, os manejos serão bem parecidos.

Antes de mais nada é importante dizer que a grande maioria de doenças que surgem em nossas criações de peixes são provocadas por estresse. A capacidade imunológica do animal, quando estressado, cai dratiscamente, permitindo que doenças oportunistas ataquem os animais. Portanto detectar a fonte do estresse é tão ou mais importante do que tentar medicar o animal, para que o problema não se repita ou agrave.

Na criação de Betta splendens, o que acontece mais é ataque de fungos, bactérias, parasitas (principalmente Ictio e Oodinium), desordem da bexiga natatória (DBN), e Pop Eye. Dificilmente acontecerá algo diferente que fuja destas situações.

Se você não tem experiência suficiente para definir exatamente o problema que seu peixe enfrenta, existem algumas ações simples que você pode providenciar, para tentar reanimar o animal. Quando e se algo chegar a se manifestar de forma bem explícita, você entra com medicação industrializada.

Siga estas sugestões:

♦ Transfira o peixe para um “aquário hospital”. Pode ser um pet de refrigerante cortado.

Enquanto seu peixe está em tratamento, lave o aquário dele muito bem com água corrente. Deixe-o de molho em água sanitária por algumas horas. Enxágüe muito bem e deixe-o ao sol para evaporação dos gases do cloro e ultima limpeza com os raios UV.

♦ No “aquário hospital” use 100% de água nova, isenta de cloro e metais pesados (pH e temperatura da água devem estar equalizados com a água do aquário original do peixe).

Se você faz uso de água de poço artesiano, é altamente recomendável o uso de condicionador de água para eliminação de metais pesados que “podem” estar presentes nesta água. A água tratada pelo sistema de abastecimento público não requer nada além do uso de anti-cloro. Se você puder usar condicionador de água, também para este tipo de água (água tratada pelo sistema de abastecimento de sua cidade), lhe garanto que mal não fará ao animal. Em sua composição existe um protetor para a mucosa do peixe.

Troque a água do “aquário hospital” todos os dias, 100% e aplique os produtos sugeridos acima novamente. Repito. a água, além de estar isenta de cloro e metais pesados, deve estar com pH e temperatura equalizada com os parâmetros da água em que o peixe está, para não estressá-lo ainda mais.

♦ Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Desta forma o peixe precisa apenas virar a boca para cima, para respirar, puxar o ar da atmosfera.

Lembre-se que o Betta splendens respira essencialmente através de seus labirintos, um sistema similar ao pulmão humano. Reduzindo o esforço do animal para subir à tona para respirar, ele concentra suas energias na cura.

Adicione sal-grosso, “de churrasco mesmo”, na água. Durante a crise na proporção de 3g/litro de água. Fora da crise, e de forma preventiva, aplique 1g/litro de água. O sal tem propriedades curativas, é um competente bactericida natural.

♦ Adicione, se possível, folha de amendoeira (Terminalia catappa L.) na água, na razão de 1 cm2/litro de água. Esta folha tem propriedades curativas: bactericida, fungicida e anti-inflamatória. A cada troca de água, substitua o pedaço desta folha, na mesma medida indicada anteriormente

Aumente a temperatura da água em 1 ou 2 °C. Isto costuma ser tonificante para peixes.

Se você não tem um sistema de controle de temperatura da água, integrado a um termostato, é bom providenciar. A estabilidade da temperatura da água é muito importante para não estressar o animal ainda mais, num momento em que ele já está tão fragilizado. 

♦ Preferencialmente ofereça apenas alimentos vivos neste momento, sempre em pequenas quantidades. Havendo sobras, remova-as com a ajuda de uma pipeta.

Algumas opções de alimentos vivos: náuplios ou indivíduos adultos de artemias salinas (Artemia franciscana), microvermes (Anguilula silusiae), vermes-do-vinagre (Turbatrix aceti), enquitréias (Enchytraeus albidus), vermes-de-grindall (Enchytraeus buchholzi).

Sem medo de errar, se você acompanhar e observar atentamente seus animais, cotidianamente, perceberá rapidamente qualquer mudança de comportamento do animal, podendo aplicar as sugestões acima indicadas, resolvendo o problema de imediato.

Perceba que até o presente momento não citei nada sobre medicação industrializada. Você pode e deve usá-la, principalmente se estas medidas acima não surtiram os efeitos esperados.

É provável que a esta altura dos acontecimentos você já tenha uma idéia clara do problema que afeta seu peixe. Se não tem, sugiro que consulte o manual da Sera™: Como manter saudáveis os seus peixes ornamentais. Em minha humilde opinião, o melhor material de consulta gratuito, disponível no momento em que escrevo este texto. É evidente que o fabricante indica os produtos de sua fabricação, excelentes por sinal (que fique registrado), mas nada impede que você use este material para tentar identificar a doença e procure por soluções alternativas no mercado, que sejam passíveis de serem encontradas no comércio local de sua cidade, que caibam no seu bolso.

Desejo que você consiga recuperar a saúde do seu animal, seguindo estas sugestões. Aja rapidamente, não espere o problema se agravar para tomar as providências necessárias.