Microvermes

Este material tem como objetivo incentivar e apresentar aos criadores hobbystas de Betta splendens a prática de cultivo de alimentos vivos para introdução na dieta do seu plantel, com apresentação de detalhes práticos, pinceladas de informações científicas (o básico) e muito de nossa experimentação. Não temos a pretensão de apresentar aqui um trabalho científico, e nem temos competência técnica para tal. Não somos os donos da receita infalível, tão pouco podemos oferecer garantias ou assumir responsabilidades se sua cultura não vingar.

Estamos compartilhando o pouco que sabemos com você, como leigos e criadores hobbystas da espécie, na expectativa de poder ajudá-lo em sua criação.

APRESENTAÇÃO

Os microvermes (Anguilula silusiae) se apresentam geralmente com tamanho variando entre 1 e 3 mm de comprimento, se movimentam continuamente, possuem forma cilíndrica, são translúcidos e não apresentam segmentação.

São muito prolíferos. São excelentes como opção alimentar para os primeiros dias de vida das pequenas larvas de Betta splendens, ricos em gordura e proteína. É possível basear a dieta nos microvermes até que os peixes possam ingerir outra forma de alimento como: náuplios de artemias franciscanas, moinas, daphnias, enquitréias, etc.

PARA INICIAR A SUA CULTURA DE MICROVERMES VOCÊ VAI PRECISAR

  1. Embalagem plástica com tampa (que vede bem) e transparente, de aproximadamente 1 litro;
  2. Saco plástico preto, capaz de envolver o pote escolhido;
  3. Pincel de cerdas macias;
  4. Água isenta de cloro;
  5. Farinha de aveia; e
  6. StartUp de cultura (inóculo)
Kit para iniciar sua cultura de microvermes
Kit para iniciar sua cultura de microvermes

OBTENDO O “STARTUP” (INÓCULO) DA CULTURA

Sem dúvida a melhor forma de se conseguir o “StartUp” (inóculo) da cultura é com outros criadores que fazem cultivo de microvermes para alimentação do plantel, mas na falta ou impossibilidade de se ter acesso a um, o jeito é cair no mercado, em sua maioria informal (uma grande loteria).

Sugerimos que negocie com o vendedor a remessa sempre pelo meio mais rápido possível, o que pode significar aumento no custo do frete. Entrega rápida, cultura preservada. Pondere e não faça a chamada “economia porca”.

PASSO A PASSO

Coloque no pote um pouco de farinha de aveia, aproximadamente 1 cm de altura (não mais do que 1/3 da altura do pote). Adicione água isenta de cloro de forma lenta e vá mexendo, para produzir um “mingau com consistência parecida com mel” (encontrar este ponto é o 1º grande segredo para manter suas culturas de microvermes vivas). Mais para líquida (densa) do que para sólida. Mexa bem e deixe descansando por 24 hs aproximadamente. Decorrido o prazo, se for preciso, adicione mais água, até se obter a “consistência de mel” novamente.

Meio de cultura apresenta mingau em "ponto de mel" - a cahave do sucesso para a cultura de microvermes.
Meio de cultura apresenta mingau em “ponto de mel” – a cahave do sucesso para a cultura de microvermes.

Adicione o “StartUp” da cultura (inóculo) e mexa suavemente com o pincel. Evite agitar o “mingau” demais, para que ele não suje a parede do pote.

Feche o pote e envolva-o num plástico preto, de forma a isolá-lo da luz e a ajudar a manter a cultura numa temperatura mais estável. Guarde-o em local quente (algo em torno de 26 °C é o ideal) e seco.

Mantenha sua cultura em local escuro e quente.
Mantenha sua cultura em local escuro e quente.

Diariamente abra o pote e mexa suavemente a cultura com o pincel, para permitir que os gases da fermentação venham à superfície do “mingau” e se dissipem. Se possível, faça isto 2 ou 3 vezes ao dia (mexer a cultura diariamente, no mínimo 1 vez, é o 2º grande segredo para manter suas culturas de microvermes vivas).

COLETA E OFERECIMENTO ÁS LARVAS DE Betta splendens

Dois dias após o início da cultura, já é possível fazer coletas. Quando você abrir o pote diariamente, antes de mexer a cultura, vai observar os microvermes subindo nas paredes do pote, milhões deles, e depois de alguns instantes, eles se aglomeram formando uma placa visguenta.

Coleta de microvermes na parede do pote de cultura.
Coleta de microvermes na parede do pote de cultura.

Passe o pincel suavemente nesta placa, chacoalhe o pincel num pote com água isenta de cloro e jogue esta água no aquário. Ofereça sempre em pequenas quantidades e em pontos diferentes do aquário de engorda. Os microvermes serão vistos descendo para o fundo do aquário e mesmo antes de chegar ao fundo começarão a ser devorados pelas larvas de Betta splendens. Após alguns minutos será possível observar (quem tem bom olho ou com um auxilio de uma lupa) milhares de microvermes que escaparam de ser consumidos de imediato, tremulando no fundo do aquário e levam muito tempo para morrer (12 hs) quando lá estão.

As larvas de Betta splendens, nesse momento, estarão próximos ao fundo catando esses microvermes que estão no chão do aquário. Nunca coloque o pincel direto dentro da cultura de microvermes para servi-los, pois isto poluiria a água do aquário com a aveia da cultura, o que pode matar as larvas frágeis.

Você vai sentir cheiro de fermentação sempre que abrir o pote da cultura. É normal. com o tempo você se acostuma com ele. Não é nada exagerado. Lembre-se, a cultura deve ser mexida com o pincel diariamente, no mínimo uma vez, para permitir que os gases da fermentação se dissipem.

MULTIPLICANDO RENOVANDO A CULTURA

Sempre mantenha 2 ou 3 potes de culturas ativas para servir aos seus peixes e a cada 15 dias renove as culturas. Feita a renovação, espere que comecem a produzir e jogue fora as antigas.

O procedimento da multiplicação e renovação da cultura é o mesmo usado para iniciar uma. Só que agora você não precisa buscar fora o “StartUp” (inóculo), você já tem, só precisa transplantar uma colher de sopa da outra cultura (“mingau”) para o novo pote. De resto, tudo igual.

MÉTODO ALTERNATIVO DE CULTIVO

Uma variação que nos foi passada pelo Sr. Pedro Emídio Leite Moraes Ferreira – Fortaleza/CE (nossos sinceros agradecimentos a ele), que testamos e deu muito certo, precisa ser compartilhada:

CULTURA NO PÃO DE FORMA INTEGRAL DE AVEIA

  1. Pegue uma fatia de pão integral e borrife água sobre ela, sem ensopá-la;
  2. Coloque o inóculo de microvermes sobre a fatia de pão molhada; e
  3. Acomode esta fatia num pote com tampa e depois recubra-o com um plástico preto.

Em poucos dias sua cultura estará em condições de permitir coletas. Faça uso de um pincel com cerdas macias para promovê-las, seguindo as mesmas orientações apresentadas para o cultivo tradicional. Este método oferece a vantagem de não precisar fazer aerações constantes na cultura, para eliminação dos gases.

Esperamos que para você também dê certo e que seus peixes cresçam lindos e acima de tudo, saudáveis!

Observação: Todas as marcas registradas mencionadas aqui, são propriedades de seus respectivos fabricantes e/ou criadores.

Oodinium na criação de Betta splendens

Resolvi escrever sobre este tema por conta do grande volume de mensagens que recebo sobre o tema. É preciso deixar claro que não tenho habilitação técnica para fazer tratado científico sobre o tema, tão pouco prescrever medicamentos ou tratamentos. Sou apenas um aquarista veterano, que aprendeu o pouco que sabe na base da tentativa, erros e acertos. Portanto, leia este material, faça suas ponderações pessoais, pesquise mais sobre o tema, e siga o caminho SUGERIDO, por sua conta e risco, se achar conveniente.

Se você identificou falhas na argumentação, informações equivocadas, por favor, escreva-me. Corrigirei a informação e ficarei agradecido pela ajuda. Toda ajuda é sempre bem vinda!

O Oodinium é uma doença muito comum na criação de Betta splendens, infelizmente. Se propaga de forma rápida, e pode por a perder sua criação inteira (larvas, juvenis e adultos), em questão de horas.

Sinais

Os animais apresentam sinais semelhantes ao Ichthyophthirius (Ictio). Aparecem pontos brancos pequenos espalhados pelo corpo, nadadeiras e branquias do animal, em seguida aparecem as lesões na pele, dando aspecto de poeira dourada ou de veludo, por vezes branco ou amarelo aveludada. Geralmente o animal fica prostrado, a cauda fica fechada, deixa de se alimentar, a respiração fica ofegante e observa-se constantes tentativas do animal se coçar nas paredes e/ou no fundo do aquário. Projetando-se a luz de uma lanterna sobre o corpo do peixe, esta “poeira” é facilmente identificada.

Conhecendo o inimigo a ser combatido

Trata-se de um parasita dinoflagelado. Seu ciclo de vida começa na água. Ele fica a espera de um hospedeiro adequado, de passagem. Quando o encontra, se fixa nele, geralmente e inicialmente nas brânquias. Ao conseguir se fixar, forma uma casca dura para se proteger do meio ambiente a passa a se alimentar das células da pele do peixe. Nesta fase cística, toma a aparência de “poeira”, cobrindo o corpo do animal. Depois de alguns dias o cisto se deposita no fundo do aquário, liberando nova geração de parasitas, realimentando o ciclo.

Tratamento sugerido

  1. Transfira este peixe para um novo aquário, limpo, livre da doença. Lavado previamente com água sanitária e muito bem enxaguado;
  2. Coloque água limpa neste aquário, isenta de cloro e/ou metais pesados. Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Lembre-se, Bettas respiram essencialmente fora da água, então diminua o esforço do peixe para subir à tona para respirar. Bastará a ele virar a boca para cima e puxar o ar;
  3. Adicione um pouco de sal-grosso nesta água (sal de churrasco). A ponta de uma colher de chá de sal-grosso, por litro de água. Isto ajudará no tratamento;
  4. Eleve a temperatura da água em 1 °C ou 2 °C. Aquecedores com termostatos integrados, submersíveis, são os mais indicados para este propósito (são mais precisos);
  5. Adicione um Oodinicida na água, respeitando as indicações de quantidade do fabricante. Uso com muito sucesso, há anos, o Oodinicida da Atlantys®. É barato e eficiente;
  6. Cubra o aquário com um pano grosso. O aquário deve ficar totalmente no escuro. Este dinoflagelado precisa da luz para se manter vivo, enquanto não encontra o hospedeiro adequado para se fixar. Com a ausência de luz, você conseguirá interromper o ciclo de vida do parasita.

Por 5 (cinco) dias ininterruptos, troque a água total, adicione sal-grosso e Oodinicida na água, conforme indicado acima, mantendo o aquário no escuro o tempo todo.

Geralmente, após o segundo dia de tratamento, o peixe já parece estar curado, já começa a se alimentar e fica mais ativo. Apesar disto, continue o tratamento pelo número de dias sugerido.

Prevenção é a melhor solução

Lembre-se que muitas doenças, inclusive o Oodinium, acabam se manifestando ou se intensificando em momentos de estresse do peixe (mudanças repentinas no parâmetros da água, manejo inadequado, transporte, etc).

Adote como procedimento padrão, sempre que adquirir um novo animal, colocá-lo em quarentena. O mantenha por 40 dias, sob atenta observação. Jamais o introduza em aquários coletivos (fêmeas, no caso de Bettas) ou bateria de “betteiras”, onde haja circulação de água entre os aquários, sem observá-lo em quarentena.

Se possível, não introduza equipamentos usados em um aquário, noutro aquário. Tenha equipamentos exclusivos para cada aquário (puçás, sifões, pipetas, etc). Não sendo possível, sempre lave-os muito bem com água sanitária, enxaguando em seguida, em água corrente, antes de introduzí-los noutro aquário. Observe também que suas mãos devem ser lavadas cuidadosamente e atentamente após manuseio de cada aquário.