Bateria de Betteiras

A Betteira:

Minhas betteiras têm 15 cm X 15,3 cm X 9 cm. A água fica com 12 cm de altura e a capacidade fica perto de 1,6 litros por betteira. Os vidros são de 3 mm e aconselha-se a lixar as bordas cortantes dos vidros antes de armar os aquários. São todos colados com borracha de silicone sem antifungo.

As medidas dos vidros por betteira são:

  • 1 vidro para o fundo com 15 cm X 9 cm;
  • 2 vidros para as laterais de 15 cm X 15 cm;
  • 1 vidro para a frente de 15 cm X 8,4 cm;
  • 1 vidro para a parte inferior da traseira de 12 cm X 8,4 cm;
  • 1 vidro para a parte superior traseira de 2,7 cm X 9 cm.

O posicionamento dos vidros é o seguinte:

  • Os vidros laterais, frontal e traseiro inferior são colados por sobre o vidro do fundo;
  • O vidro frontal e o traseiro inferior são montados por dentro dos vidros laterais;
  • O vidro traseiro superior é montado por fora dos vidros laterais e atrás do vidro inferior, deixando uma fresta de 3 mm entre os vidros.

Montando a betteira:

Passo 1

Cola-se 1 vidro lateral e o vidro da frente entre si e sobre o vidro de fundo.
Cola-se 1 vidro lateral e o vidro da frente entre si e sobre o vidro de fundo.

Passo 2

Cola-se o vidro traseiro inferior.
Cola-se o vidro traseiro inferior.

Passo 3

Cola-se a outra lateral.
Cola-se a outra lateral.

Passo 4

Por último o vidro traseiro superior. Note que ele é colocado por trás e como ele mede 2,7 cm fica uma folga de 3 mm por onde a água sai, mas o betta não.

Passo 5

Veja como fica por trás.
Veja como fica por trás.

Existem pessoas que preferem montar os vidros em volta do vidro do fundo, ao invés de por sobre ele. Não há problema, bastando alterar as medidas de modo que o aquário fique com 9 cm de largura.

A estante:

Eu utilizo cantoneiras próprias para estante que são vendidas sob vários tamanhos. Uso barras de 1 metro e 4 cantoneiras de 20 cm por barra.

As cantoneiras têm o seguinte aspecto:

Aspecto das cantoneiras de alumínio.

As barras são assim:

Aspecto das barras de sustentação de alumínio.
Aspecto das barras de sustentação de alumínio.

Dê preferência às de alumínio ou niqueladas, para resistir à umidade.

Fixam-se as barras na parede, na vertical, fazendo um pequeno desnível de uma para outra, para que a água tenha caimento para dentro dos filtros e encaixam-se as cantoneiras para servirem de suporte às prateleiras.

As prateleiras são na verdade pequenos aquários de vidro grosso, de 6 mm, onde as betteiras são colocadas e que servem de calha para a saída da água.

O tamanho de cada prateleira vai depender da quantidade de betteiras que você desejar colocar por andar. Como utilizo barras de 1 m, só posso colocar 4 andares de prateleiras. Já vi barras de até 2 m. Isso fica a vontade do freguês. Cada prateleira deverá ser calculada para 10 cm por betteira, por exemplo, se desejo uma prateleira para 10 betteiras, ela deverá ter 1 metro. Isto acontece porque as betteiras devem ter um espaço entre si para que se coloquem os separadores para que os machos não se vejam a todo o momento. O número de barras presas na parede dependerá do tamanho da prateleira. Até um metro podem-se colocar duas ou três. Acima disso três, no mínimo.

As medidas dos vidros para uma prateleira (todos são vidros de 6 mm):

  • 1 vidro de fundo de 19 cm X 1 metro (de acordo com o tamanho);
  • 2 vidros frontal e traseiro de 3 cm X 1 metro;
  • 1 vidro lateral de 17,8 cm X 3 cm;
  • 1 vidro lateral de 15 cm X 3cm;
  • 1 vidro para base da saída da água de 3 cm X 7cm;
  • 1 vidro para as laterais da saída da água de 3 cm X 3 cm, cortado ao meio em diagonal;
  • 1 vidro de 1 cm X 3 cm, para fazer a pingadeira.

A quantidade total de vidros dependerá da quantidade de prateleiras.

Como montar a prateleira:

Cole a lateral maior e a traseira sobre o fundo. Logo após o vidro da frente e a lateral menor. Ficando a prateleira assim.

Visão da prateleira.
Visão da prateleira.

A fenda que se encontra na lateral com o vidro menor servirá para saída da água. Deixa-se a cola endurecer.

Fazendo a saída da água:

Passo 1

Cola-se o vidro de 3 cm X 7 cm por baixo da prateleira/aquário (virando de cabeça para baixo), de modo a sobrar 3 cm, como na figura.
Cola-se o vidro de 3 cm X 7 cm por baixo da prateleira/aquário (virando de cabeça para baixo), de modo a sobrar 3 cm, como na figura.

Passo 2

Cola-se as duas metades do vidro de 3 cm X 3 cm cortado ao meio em diagonal.
Cola-se as duas metades do vidro de 3 cm X 3 cm cortado ao meio em diagonal.

Passo 3

Por último cola-se a pingadeira.
Por último cola-se a pingadeira.

A estante montada com as prateleiras e as betteiras ficaria assim:

Estante montada com as prateleiras e as betteiras.
Estante montada com as prateleiras e as betteiras.

Como as betteiras tem 15 cm de comprimento e a prateleira 19 cm, fica um vão atrás das betteiras por onde a água escorre.

A saída de água:

Saída de água com tubos e ipsilons de pvc de 40mm.
Saída de água com tubos e ipsilons de pvc de 40mm.

A entrada de água:

A entrada de água é feita com tubos de 20 mm de pvc, sendo que eu coloco 1 registro de gaveta (aquele com uma alavanca) em cada prateleira para poder regular a vazão d’água. Pode-se fazer o sistema de água de duas maneiras. Com filtragem, com é o meu, onde faço trocas diárias diretamente do filtro, ou com troca direta, ou seja, a água entra por um lado e é descartada pela saída da água, indo para o esgoto. Depende apenas da sua disponibilidade de água.

Os tubos de pvc de 20 mm são furados, depois de marcados, com uma arame fino quente. O furo não pode ser pequeno demais, senão entope com facilidade. Depois de montado fica assim:

Sistema de entrada e de saída.
Sistema de entrada e de saída.

Este é o sistema de entrada e de saída. Agora farei um esquema para filtragem e outro para troca direta.

Troca direta de água:

Basta ligar o sistema a uma caixa d’água que tenha água tratada, ou seja sem cloro e com as especificações necessárias a saúde dos peixes. Veja o esquema:

Troca direta de água: Sistema ligado a uma caixa d'água que tenha água isenta de cloro e metais pesados.
Troca direta de água: Sistema ligado a uma caixa d’água que tenha água isenta de cloro e metais pesados.

A entrada de água se faz por meio de uma mangueira de água de ½ polegada, unida ao sistema por um adaptador.

A saída vai direto para um recipiente que é ligado ao esgoto. Não se deve ligá-la diretamente ao esgoto, pois caso algum betta pule, será levado pela corrente de água para o recipiente.

A água não precisa ficar ligada todo o tempo, pode ser ligada e desligada de tempos em tempos, apenas para renovar a água das betteiras.

A sujeira no fundo das betteiras pode ser retirada em grande parte aumentando-se a vazão de entrada da água, que revolve o fundo e retira os detritos.

Mesmo ficando um pouco de sujeira no fundo, devido a troca constante de água, o nível de amônia na água não aumentará muito e não interferirá no desenvolvimento dos peixes. Eu aspiro as betteiras com uma mangueira de ar 1 vez por semana apenas.

Vejamos agora o esquema com filtragem:

Sistema de filtragem baseado naquele usado por Francisco Maraschin, da FM Bettas, de Rezende.
Sistema de filtragem baseado naquele usado por Francisco Maraschin, da FM Bettas, de Rezende.

A filtragem é feita primeiramente por lã sintética, seguida por pedriscos e por areia grossa. Troco parcialmente a água diariamente, tirando água da parte de entrada do filtro, por sobre a lã de vidro e recoloco a água diretamente da parte onde fica a bomba, que deve ser Sarlo 2000 ou equivalente, como a Aqua 2300, também muito boa.

O preço final pode ser barateado usando-se garrafas pets de 2 litros em vez de betteiras de vidro, cortadas e com um talho de aproximadamente 3 mm atrás para a água sair, cerca de 3 cm abaixo da borda da garrafa. O filtro pode ser substituído por filtros mecânicos ou por caixas plásticas divididas. Bem, tudo depende da criatividade de cada um. Este sistema pode ser acrescido de Filtros UV na saída da bomba.

Paulo de Freitas
pr.freitas@ig.com.br
Aquarista amador, desde 1973. Criador de Bettas, Guppies, Killis e Bandeiras.

Como escolher um peixe saudável?

Nota do editor: As dicas do autor se aplicam também aos Betta splendens, com as devidas adaptações, pois os exemplares machos desta espécie são expostos em aquários individuais (betteiras) nas lojas de aquarismo.

A hora de irmos às lojas de aquarismo comprar os peixes é, sem sombra de dúvidas, a mais excitante. Depois de meses planejando o aquário, comprando os equipamentos, montando-o perfeitamente e esperando ciclar é a vez de adquirirmos os protagonistas que tanto almejamos. Porém algumas vezes, seja por descuido ou distração, seja por negligência ou falta de conhecimento, acabamos por comprar peixes que estão contaminados com alguma enfermidade, logo o caos acontece: aquele peixinho que estava doente contamina todos os outros que estavam saudáveis e as mortes começam, algumas vezes dizimando toda a população do aquário. Isso acaba desmotivando e até afastando os mais entusiastas desse incrível hobby.

Mas é mais fácil do que se costuma imaginar evitar esses tipos terríveis de problemas, tomando medidas preventivas simples e fáceis. Qualquer um é capaz de tomá-las e caso se tornassem regras obrigatórias, o número de desastres no aquarismo seria reduzido no mínimo em 50%. Essas medidas aplicam-se tanto para aquários que já possuem peixes quanto para os ainda não populados.

A primeira trata-se de um conjunto de pequenas observações a serem feitas visualmente e a segunda da obtenção de um aquário quarentena. Essas duas medidas juntas formam uma barreira 98% segura, confiável e fácil.

Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.
Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.

Para facilitar ainda mais o entendimento, as medidas foram organizadas em vários pontos separados e bem claros:

  • Observe sempre muito bem os peixes nas baterias de aquários de exposição, fique atento e não deixe os detalhes para trás, ele fazem diferença no final;
  • Se você já sabe a espécie de peixe que deseja comprar, vá até o aquário e observe todos os peixes nele contidos, mesmo que não sejam a espécie pretendida, procure por peixes ativos, coloridos, com as nadadeiras abertas, escamas brilhantes, pele lisa, respiração e comportamento normal;
  • Não compre os peixes se eles estiverem com pontos brancos espalhados pelo corpo, manchas brancas, tufos brancos como algodão, feridas/machucados/tufos na boca ou no corpo, nadadeiras roídas, faltando escamas, pequenos vasos sanguíneos dilatados tanto pelo corpo como pelas nadadeiras, com ânus inchado;
  • Não compre o peixe se ele estiver se comportando de forma diferente do habitual, se estiver isolado do grupo e escondido, se estiver com a barriga para dentro (em forma de arco), se estiver com a respiração ofegante (o peixe está sempre na superfície), o peixe estar de barriga para cima ou com ela muito inchada, acima do normal;
  • Não compre o peixe logo que o lojista o trazer da distribuidora, espere uns 2 a 3 dias, pois o estresse da viagem pode disfarçar assim como pode criar algum sintoma que não existe;
  • Uma dica útil é antes de comprar os peixes pedir para o lojista alimentá-los, você consegue descobrir duas coisas importantes de uma só vez: se o peixe não se alimentar pode estar certo de que tem algum problema e se o peixe realmente está comendo a ração (é comum os lojistas indicarem um alimento diferente do habitual, logo quando chega em casa os peixes simplesmente não comem) pois algumas espécies só comem alimentos vivos, por exemplo;
  • Confira a presença de sistema de filtragem, seja individual por aquário ou um grande filtro para a bateria inteira. A exposição mesmo que temporária a amônia, nitrito e nitrato pode enfraquecer os peixes, deixando-os suscetíveis a doenças. Termostato com uma temperatura regulada e fixa também é muito importante;
  • Observe se os aquários são separados por vidros ou por apenas telas furadas, que permitem que a mesma água circule diretamente por todos os aquários. Isso é muito arriscado porque se um adoecer pode transmitir sua moléstia para todos os outros peixes, por estarem em contato com a mesma água;
  • Mesmo que o lojista recomendar, não aplique fungicidas, bactericidas ou parasiticidas na água dos seus peixes, nem como medida preventiva. Isso é muitíssimo perigoso pois pode intoxicar seus animais e também até matá-los;
  • Mantenha sempre que possível um aquário extra que sirva de quarentena, ele não precisa ser muito grande e deve conter sistema de filtragem com perlon e mídias biológicas. Não coloque carvão ativado ou purigem, pois podem absorver possíveis medicamentos. Sempre que comprar um peixe novo, deixe-o neste aquário por um período de 40 até 60 dias, pois existem muitas doenças que só se manifestam após muito tempo do peixe contaminado. E faça isso mesmo que seguido os passos anteriores.

Tenha sempre um aquário de quarentena: ainda é possível transformar esse aquário em hospital, caso algum peixe ainda assim fique doente; em maternidade, caso algum peixe venha a se reproduzir e em depósito de água emergencial caso precise fazer uma TPA urgente ou caso o aquário quebre, por exemplo.

Assimile essas dicas e passe a usá-las no seu dia-a-dia. Isso garantirá um aquário equilibrado e estável, com peixes saudáveis que viverão por muitos e muitos anos, dando a seus criadores inúmeras alegrias.

Um último recado: lembrem-se sempre, é muito melhor prevenir agora do que ter que remediar depois.

Mateus Camboim

Autorização de Publicação Aquaflux
Artigo publicado originalmente no website Aquaflux, em 12/05/2011 – Reprodução autorizada pelos mantenedores do website.