A alimentação do Betta splendens – Zero a 30 dias

O sucesso na criação de Bettas, depende principalmente da correta alimentação das larvas em seus primeiros dias de vida, mas não se restringem a isso, pois outros fatores tais como temperatura, qualidade da água, iluminação, tamanho e forma do aquário, quantidade de água e cuidados fito sanitários são tão determinantes no sucesso quanto a correta alimentação, mas não serão abordados nesse artigo. Quando falo de sucesso, falo nada menos do que criar 100% dos filhotes nascidos ou numero muito próximo disso (meta).

Larvas de Betta splendens recém nascidas.
Larvas de Betta splendens recém nascidas.

Vamos começar a contar o tempo dos filhotes, no momento da desova. É importante que isso seja bem definido, pois 24 horas são um lapso de tempo relativamente grande nas fases iniciais dos peixinhos. Também, em decorrência de fatores ambientais tais como a temperatura, as etapas poderão ser mais curtas ou mais longas. Para exemplificarmos, o nascimento em temperatura de 30 ºC ou mais, ocorrerá em 36 horas aproximadamente e em temperaturas mais baixas poderá ultrapassar 48 horas. A desova, portanto, é o momento “zero” para início da contagem do tempo (marco zero).

Escolhidos os pais e determinado o aquário para a desova, águardamos o “momento zero”, quando o ninho de bolhas se encontra repleto de ovos, recém postos e fecundados. As posturas podem variar entre 100 e mais de mil ovos, em geral entre 200 e 300. Torço sempre que as ninhadas não sejam muito numerosas, mas é freqüente a ocorrência de ninhadas com mais de 500 ovos. Postos os ovos, começa a vigilância do macho e os cuidados com a prole. Inicia também a nossa preocupação com os filhotes, que em aproximadamente quatro dias, estarão dependendo exclusivamente do criador.

Os ovos eclodem e as larvas nascem. Temos então o momento 1 (um). É justamente nesse momento que necessitamos incentivar a produção de zooplâncton na água do aquário pois em mais dois dias, as larvas irão necessitar comer. Para isso, será necessário aumentar o alimento para os micro-organismos existentes no próprio aquário.

Nos dois primeiros dias, as larvas se manterão com reserva energética vitelínica e não necessitarão de alimentos. No entanto, a partir do terceiro dia, esgotada a reserva vitelínica, irão necessitar alimentar-se do meio em que se encontram.

Se nada for feito e deixarmos a ninhada sem alimentação, alguns filhotes irão sobreviver, com um desenvolvimento pequeno se comparado a alevinos adequadamente alimentados. Alguns em torno de 20 ou 30 peixinhos, mesmo sem receberem comida, chegarão aos quinze dias de idade, se presentes as demais condições para seu desenvolvimento. Encontrarão, no aquário, micro-organismos, que manterão vivos os mais fortes (ou mais adaptáveis). Esses micro-organismos presentes na água dos aquários, são denominados como plâncton e são de extrema importância nos primeiros dias de vida das larvas. Podem ser compostos por elementos vegetais, tais como as algas unicelulares e então são denominados de fitoplâncton, ou por minúsculos animais, geralmente protozoários e rotíferos e que então são denominados de zooplâncton. Na criação de peixes ornamentais, chamamos a isso de infusórios (creio que o termo seja decorrente do hábito de fazer-se uma “infusão” em outro recipiente para obtenção dele, o que eu acho contra indicado).

Se aumentarmos a quantidade de “insfusórios” no aquário, mais peixes chegarão aos 15 dias de vida, sem outra fonte de alimentos. Se, no entanto, for aumentada demasiadamente a quantidade de micro-organismos, todas as larvas morrerão, por falta de oxigênio dissolvido na água. Então, a lição que fica é a que, sempre é melhor errar por falta do que por excesso.

Infusórios são componentes do plâncton. Podem ser micro algas unicelulares (fictoplâncton) protozoários, rotíferos e outros organismos muito pequenos (zooplâncton). São todos de tamanho muito pequeno, quase microscópicos. É possível observá-los a olho nú, ou com o emprego de uma lupa, como pequenos bastonetes ou pontos brancos movimentando-se levemente na água. São nutritivas fontes de proteínas, fibras, aminoácidos, vitaminas e sais minerais. É também praticamente o único alimento que a larva consegue abocanhar nessa fase, e eu não conheço outra fonte de alimentação para os primeiros dias das larvas.

Eu obtenho o zoo plâncton, no próprio aquário da desova, introduzindo uma pequena casca de banana bem seca, no dia de nacimento das larvas. Os componentes que decorrem da dissolução na água, são nutrientes para os micro-organismos, como se fossem micro algas. Frutose (energia) e minerais originados pela dissolução na água, são fonte de energia para protozoários e rotíferos. Uma pitada de Spirulina em pó e mais uma pitada de Chlorella em pó, uma gota de polivitamínico para pássaros para cada 10 litros de água, irá enriquecer os protozoários e rotíferos que ficarão muito mais nutritivos. A água ficará levemente turva pelo aumento do plâncton, sem odor, rica em micro-organismos. Levemente esverdeada em função das algas. As larvas terão alimento adequado para seus primeiros dias de vida.

Infusórios manterão as larvas, como alimento exclusivo, até seu quarto dia de vida ou sexto dia da desova. Nesse momento algumas larvas já conseguirão abocanhar náuplios de Artemia recém eclodidos, porém nem todas conseguirão comê-los. É o momento 2 (dois), ou o momento em que eu retiro a casca de banana e introduzo o verme-do-vinagre (Turbatrix aceti). Prefiro ele aos náuplios de Artemias, nesse momento, porque vivem mais tempo em água doce. Apenas uma única introdução de vermes-do-vinagre. As larvas estarão ainda comendo zooplâncton. Uma excelente alternativa aos vermes-do-vinagre, são os microvermes. Apenas exigem mais cuidados para manutenção da cultura.

No quinto dia de nascimento, sétimo da desova, momento 3 (três), inicio a administração de náuplios de Artemia recém eclodidos, duas vezes ao dia. As larvas ainda estarão se alimentando com zoo plâncton existente no aquário. Gradativamente o alimento para os protozoários irá faltando, pela escassez de alimentos e a água ficará mais transparente, sem turbidez, sem cheiro, muito limpa. Todo o excesso de náuplios mortos, não comidos, deverá ser removido com uma pipeta ou com uma mangueirinha de ar comprimido. Os alevinos permanecerão com essa dieta até os vinte dias, momento 4 (quatro), quando teremos que introduzir, lentamente, Artemias congeladas e ração industrializada.

Os alevinos não estarão acostumados a comer alimentos inertes e teremos que ensiná-los. Lentamente, com muita paciência, nos próximos dias, estarão adaptados a alimentos inertes e entrarão em uma fase de grande desenvolvimento. Por volta de trinta dias de vida, os alevinos estarão com aproximadamente dois centímetros e poderemos restringir o fornecimento de náuplios às sobras, de quantidades produzidas para outras ninhadas de menor idade.

Com muito cuidado e dedicação e um pouco de sorte, meta atingida. Cem por cento dos filhotes sobreviveram aos 30 dias.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta splendens em Santa Catarina

Estações secas e chuvosas no aquário

ATENÇÃO! Este artigo nos ajuda a perceber, entender e até simular sinais da natureza para estimular reprodução de peixes em cativeiro, várias técnicas e considerações se aplicam também à reprodução da espécie Betta splendens em ambiente de confinamento.

Muitos peixes tropicais se reproduzem sazonalmente devido a mudanças de seus ambientes naturais. Na maioria das vezes eles o fazem no começo da estação chuvosa, porque ela trás um aumento do suprimento de comida e maior possibilidade dos alevinos encontrarem alimento e abrigo.

Recriar a maioria das mudanças possíveis que ocorrem durante as estações chuvosas pode ser um caminho para se obter a desova das espécies que, de outra forma, seriam muito difíceis de procriar. Algumas espécies são tão fáceis de procriar que não se faz necessário usar os métodos descritos abaixo, mas certas espécies precisam deles. Primeiro tente as regras básicas de reprodução mas se não conseguir, tente algumas das sugestões abaixo

A seguir uma compilação de maneiras de conseguir reprodução de peixes vindos de áreas onde as estações secas e chuvosas são marcantes como o Amazonas e o Rio Negro, na América do Sul. Os dados e idéias foram colhidas de diversas fontes incluindo livros, amigos, a internet e baseados também na minha própria experiência acasalando peixes-gato e Tetras sul-americanos.

A simulação das estações secas e chuvosas dura cerca de quatro semanas. Usando métodos simples alguns conseguiram reproduzir Panaque nigrolineatusSturisoma sp., e comedores de algas Siameses, que são considerados peixes muito difíceis de reproduzir.

Gatilhos reprodutores da natureza

Relacionadas abaixo estão as diferentes mudanças que podem ocorrer durante o início das estações chuvosas e que podem induzir as espécies a se reproduzirem. Elas não estão dispostas em qualquer ordem nem se sabe ao certo quais delas devem ocorrer simultaneamente para que ajudem a reprodução.

1Baixa pressão: Após um longo período de pressão alta ao final da estação seca, a pressão barométrica cai, com a chegada das primeiras chuvas
2Aumento da oferta de comida: Depois de um período de inanição após a estação seca, a oferta de comida aumenta drasticamente. Algumas espécies ficam esqueléticas pois em alguns casos podem ficar cerca de um mês sem comida. Certas espécies comem até detritos de outros peixes para se nutrir.
3Diversificação de alimentos: Durante a estação seca a comida escassa se resume a larvas e mosquitos que afundam, além de restos de plantas. Quando caem as chuvas, caem também mosquitos e outros insetos sobre a superfície da água, pólem de flores, sementes de frutas, larvas frescas e ovos, além de alevinos de outras espécies que começaram a reproduzir precocimente.
4Aumento no fluxo de água: O resultado das chuvas é o auemnto da vazão de água. O peixe se torna mais ativo. Algumas espécies migram contra a correnteza para atingir águas mais calmas e mais apropriadas para a desova.
5Aumento nos níveis de oxigênio: Chuva caindo na superfície da água aumenta o teor de oxigênio dissolvido. Aumenta na vazão também faz o teor de oxigênio subir. Em muitos casos o nível elevado de oxigênio é a condição que os ovos e os alevinos precisam, em seus primeiros dias.
6Diluição das substâncias dissolvidas na água: Quanto mais duradoura for a estação seca, mais sais, substâncias húmicas e material orgânico estarão concentrados na pouca água que sobra. Quando a chuva começa, a concentração dessas substâncias decresce, por causa da diluição. O rio, a correnteza, etc., vai se diluindo com a água da chuva que tem dureza igual a zero. Isto abaixa a dureza e muitas vezes o pH.
7Mudança na temperatura da água: A temperatura da água costuma cair quando o tempo fica nublado ou com a água fria das chuvas. Nos terrenos elevados as variações térmicas costumam ser maiores que em áreas de terras baixas (10°C comparado a alguns graus).
8Variação na profundidade da água: O aumento no volume de água causa um aumento na profundidade do rio. A pressão no fundo aumenta e o peixe ganha um espaço vertical maior para nadar. A distância para a superfície será maior para aquelas espécies que vão à superfície pegar ar.
9Maior disponibilidade de locais para a desova: Ao final da estação seca só existe água fluindo no meio do rio ou córrego e existe muito poucas plantas ou abrigos. Com o aumento na profundidade da água, os peixes podem encontrar novas áreas alagadas com plantas, raízes, troncos e sombras, onde podem esconder seus ovos e dar aos alevinos uma maior chance de se esconder.
10Mudanças na iluminação: A intensidade de luz e sua duração diminui por conta das nuvens em conexão com as chuvas. Algumas partes do dia podem se tornar muito escuras durante chuvas intensas. Com mais nuvens no céu a claridade da manhã demora mais a acontecer e o entardecer acontece precocemente.

Até o ângulo de incidência da luz varia durante o ano. Quanto mais afastado do equador, maior será a variação.

Note que certas espécies preferem total escuridão para desovar (elas habitam vegetação densa entre raízes e águas escuras).
11Aumento nos níveis de fitoplancton: Quando chega a estação chuvosa isto acontece em certas águas. Isto também é um sinal para peixes adultos desovarem pois há alimento para os pequenos filhotes por vir.
12Época certa do ano: Certas espécies possuem um relógio biológico muito forte, que está conectado à mudança das estações secas e chuvosas naquela região.
13Desovas de outras espécies: Hormônios de outros peixes na água podem ser um gatilho para a desova de certas espécies.
14Sons: Até mesmo o cair da chuva contra a superfície da água pode ser um sinal para a desova. Talvez também o som dos trovões.

Como nós simulamos isso no aquário?

Abaixo estão sugestões de como simular os mais variados estímulos citados acima. Quais escolher dependerá das espécies que se pretende obter a desova. Certas espéices podem precisar de apenas algumas, como boa alimentação e trocas de água por outra de temperatura mais baixa, enquanto outras precisam da maioria dos itens listados acima. A lista a seguir segue a mesma ordem que a de cima:

1Baixa pressão: Existem muitos relatos de pessoas que tiveram desovas em seus aquários durante períodos de baixa pressão. Entretanto, essas mesmas espécies poderiam ter desovado em períodos de alta pressão se as circunstâncias corretas estivessem presentes. Baixa pressão é impossível de simular em um aquário, então mantenha os olhos na previsão do tempo e comece a simular um tempo chuvoso durante esse período de baixa pressão.
2Aumento da oferta de comida: Se os peixes estão em boas condições quando em período de desova, eles podem ficar sem comida por várias semanas. Quando o alimento começa novamente a ficar fácil isso pode despertar seu instinto para desovar.
3Diversificação de alimentos: Trocar de alimentação pode disparar o gatilho para a desova. Em algumas águas Sul Americanas a quantidade de larvas de mosquito aumenta (especialmente larvas brancas) no começo da estação chuvosa. Se você não costuma oferecer tais larvas regularmente e resolve fazê-lo durante esta simulação de estação chuvosa isso poderá estimular a mudança de comportamento.
4Aumento no fluxo de água: Facilmente equacionável com diferentes tipos de bombas e filtros. Certas espécies desovam perto de locais com grande movimentação de água, como por exemplo em frente à saída do filtro.
5Aumento nos níveis de oxigênio: Use uma pedra porosa e compressor ou então deixe um filtro fazendo “splash” na superfície para aumentar o teor de oxigênio.
6Diluição das substâncias dissolvidas na água: Use turfa e sais como CaCO3, MgSO4 ou fertilizantes para manter a água com altas concentrações tanto de sais quanto de substâncias orgânicas durante esta simulação de estação seca. Depois, dilua com água o mais mole quanto possível quando a estação chuvosa começar (pode-se aqui usar água de Osmose Reversa).
7Mudança na temperatura da água: Use aquecedores submersos para manter a temperatura alta durante o período seco. Note que certas espécies não suportam temperaturas nem tão altas nem tão baixas e que também certas espécies preferem temperaturas mais elevadas para desovar. Tais espécies talvez procurem por grama alagada para desovar, onde o sol aquece o espelho d’água.

Para baixar a temperatura, alguns apenas diminuem a regulagem dos termostatos. Para resfriar mais ainda, alguns ventilam o local do aquário ou colocam blocos de gelo no aquário.
8Variação da profundidade da água: Baixe o nível da água para 25% do normal durante a estação seca. Eleve para o nível normal em alguns dias quando a estação chuvosa começa.
9Maior disponibilidade de locais para desova: Troque as plantas e decoração. Caso não use cascalho, plante algumas plantas em potes e faça cavernas com raízes para tornar o local aconchegante para a desova.
10Mudanças na iluminação:
♦ Intensidade luminosa: possuindo diversas lâmpadas no aquário se torna fácil manter apenas uma ligada ou até mesmo usar apenas a luz natural de sua casa. Outra técnica seria cobrir a tampa de vidro de seu aquário com folhas de papel.
♦ Duração do fotoperíodo: próximo ao equador, a duração de luz costuma ser de 12 a 14 horas ao longo do ano. À medida que nos afastamos do equador aumenta a diferença de tempo entre as estações. Diminua o tempo em 1 a 2 horas tanto de manhã como ao anoitecer. Use um timer.
♦ Ângulo de incidência da luz: difícil de simular no aquário.
11Aumento nos níveis de fitoplancton: Não é fácil de simular no aquário, mas pode-se tentar infusórios. Mesmo que isso não estimule a desova, pode ser uma boa primeira alimentação para certas espécies com alevinos bem pequenos.
12Época certa do ano: Peixes coletados na natureza podem necessitar que esteja na estação chuvosa na área de onde eles são capturados, para que desovem em nossos aquários. Descubra de onde a espécie é nativa e quando ocorre a estação chuvosa lá.

Peixes reproduzidos em cativeiro geralmente possuem seu senso de quando é a estação chuvosa e quando as chuvas estão menos intensas e as vezes podem ser reproduzidos ao longo do ano todo. O mesmo pode ser verdade para peixes que foram coletados ainda jovens. Se eles não vivenciaram uma estação chuvosa então pode ser mais fácil deles desovarem numa época distinta daquela em que eles normalmente desovariam na natureza.
13Desovas de outras espécies: Deixe uma outra espécie de desova mais fácil desovar no aquário em que você quer que determinada espécie desove. Isto funciona como um tratamento hormonal natural. Uma alternativa seria fazer a primeira espécie desovar num outro aquário e usar parte de sua água no aquário no qual estamos tentando a desova.
14Sons: Adicione água a seu aquário através de uma placa plástica contendo diversos pequenos orifícios. As gotas que cairão através dos furos irão simular os pingos de chuva caindo sobre a superfície da água.

Outras idéias que são usadas pelos criadores são:

Filtrar a água sobre calcário durante a estação chuvosa. Isto faz a água ficar mais dura, mas pode ser a mudança na química da água que faz com que certas espécies desovem.
Mova os peixes bem alimentados de um tanque com condições não ideais (sem substrato, parâmetros incorretos, muitos peixes atrapalhando, etc) para outro com as condições corretas para a desova. A mudança em si associada a todas as modificações que ocorreram podem levar o peixe a desovar (técnica usada na reprodução de vários Tetras).

Sugestões para um esquema de desova:

Preparações e dicas: Escolha um aquário do tamanho apropriado para a espécie em questão. O aquário precisa ter o volume que seja suficiente quando apenas 25% dele estiver com água. O principal problema é manter o nível de oxigênio alto o suficiente sem um filtro ou pedra porosa. Construa tocas e coloque algumas plantas. O aquário deverá simular o final da estação seca.

Substrato: Existe debate entre usar ou não. O mais comum é ter algum tipo de cascalho, mas turfa ou perlon pode ser usado. A introdução desse substrato de fundo ajuda a aumentar a superfície para que bactérias benéficas se multipliquem.

Vantagens de usar substrato:

♦ Algumas espécies preferem chão escuro, outras pálido, como certas Corydoras;
♦ Muitas espécies gostam de fuçar o fundo à procura de comida;
♦ Corre-se menos riscos de fungos atacarem pequenos alevinos de peixes de fundo;
♦ Ovos que caiam no substrato são mais difíceis dos pais acharem e comerem;
♦ Não existem reflexos vindos do chão.

Desvantagens de seu uso:

♦ Difícil verificar se toda comida foi consumida;
♦ Difícil de limpar sem sifonar (e correr o risco de sugar os ovos);
♦ Se você não sabe como o peixe desova então terá que montar o aquário com um pouco de cada coisa. As plantas podem ser variadas com plantas de folhas grandes (Samambaia de Java, Echinodorus, Anubias e Hydrocotyle), folhas delicadas (Myriophyllum, Cabomba e Egeria), estreitas (Valisneria) e outras (Musgo de Java, Najas). Plantas grandes podem ser plantadas em potes para fácil remoção. Use raízes, canos de PVC de diversos diâmetros, plantas plásticas. Todos esses acessórios devem ser devidamente desinfetados e livres de caramujos.
O tanque deve ser preechido com água vinda do tanque onde o peixe estava antes e ter a mesma temperatura. Certifique-se de que a água foi trocada recentemente (baixos teores de nitritos e nitratos).
Um filtro de vazão controlável deve ser usado.
A cobertura de lâmpadas deve ser capaz de oferecer um brilho intenso de luz.
O aquecedor deverá ser disposto próximo ao chão do aquário, porém fácil de ajustar. Certifique-se de que este aquecedor possa ser totalmente submerso.
Cubra as laterais com papel para evitar assustar os peixes enquanto se move pelo cômodo.
Não alimente com larvas de mosquito antes da tentativa de desova.
Certifique-se de ter turfa (a preta é preferível), cones de desova, folhas, extrator de turfa (carvão ativo/Purigen). Certifique-se de que a Dureza em Carbonatos esteja entre 2 e 3 KH para evitar surpresas de quedas de pH quando a turfa for colocada.
Escolha animais maduros e saudáveis na quantidade apropriada de machos e fêmeas dependendo da espécie e os coloque no tanque de desova. Eles devem ser bem alimentados para que suportem as duas semanas de estação seca.

Esquema de simulação

Fim da estação chuvosa: Ainda alguma comida e o nível das águas ainda não começou a cair.

Dia 01Alimente cerca de 1/10 do normal. As luzes devem agora ter um nível entre ensolarado e nublado por cerca de 14 horas. Filtro com vazão máxima.
Dia 02Baixe o nível da água em 10%, alimente 1/10 do normal. Coloque algum carbonato de cálcio e sulfato de magnésio para aumentar tanto a Dureza Total quanto a Dureza em Carbonatos 1° cada (uma alternativa seria tirar 20% da água e adicionar metade dessa quantidade de água Dura, se estiver disponível). Coloque uma dose de fertilizante para plantas conforme instrução do produto (isso oferece mais sais para a água).
Dia 03Baixe o nível da água em 10% e não alimente. Eleve a temperatura um grau.
Dia 04Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Alimente 1/10 do normal. Coloque turfa e cones de desova. Taninos serão liberados nos próximos dias.

Início da estação seca: Oferta de alimento diminue e cessa. Nível da água e corrente diminuem. Temperatura da água restante aumenta.

Dia 05Baixe o nível da água em 10%. Não alimente. Aumente a temperatura cerca de um grau. Diminua a vazão do filtro. Verifique o pH.
Dia 06Baixe o nível da água em 10%, alimente 1/10 do normal.
Dia 07Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Pare de alimentar até o dia 21. Aumente a temperatura cerca de um grau.
Dia 08Baixe o nível da água em 10%.
Dia 09Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Desligue pedras porosas ou bombas de circulação. Retire o filtro para limpeza. Deixe o filtro rodando em outro aquário para manter vivas as bactérias benéficas por uma semana, quando este filtro será novamente usado.
Dia 10Baixe o nível da água em 10%. A essa altura o nível da água deve estar em 25% da capacidade total do aquário. A temperatura deve estar próxima dos 28°C. Coloque turfa, cones de desova, folhas, etc. Adicione fertilizante. Aumente a iluminação para o máximo. Remova qulaquer planta flutuante. De início ao uso da cultura de infusórios. Verifique o pH.
Dias 11 a 19Deixe os peixes em paz.

Início da estação chuvosa: As primeiras nuvens já podem ser vistas no céu mas as chuvas não começaram a cair.

Dia 20Limpe o filtro que estava rodando no outro aquário. Diminua a iluminação tanto na intensidade quanto na duração (diminua para 10 horas). Retire a turfa e folhas. Verifique o pH.

Primeira chuva:

Dia 21Recoloque as plantas flutuantes. Adicione mais plantas do tipo que o peixe gosta para desovar. Adicione água limpa e mole (cerca de 20% do volume do tanque). A temperatura dessa água deve ser uns 3°C mais fria que a água do tanque. Recoloque o filtro e faça-o funcionar com metade de sua capacidade, se possível. Experimente desligar as luzes por umas duas horas no meio do dia para simular nuvens pesadas. Diminua a temperatura do termostato em 2°C. Alimente um pouco com larvas de mosquitos e artêmias salinas recém eclodidas. Adicione infusórios para que a água fique ligeiramente turva.
Dia 22Reponha mais 20% de água ao tanque com água 5°C mais fria. Aumente a vazão do filtro para o máximo, fazendo com que exista splash na superfície da água. Baixe a temperatura no termostato outros 2°C. Alimente bastante e com freqüência. Adicione infusório para turvar um pouco a água. Adicione alguma vitamina na água e fertilizante para plantas.
Dia 23Adicione mais 20% de água ao tanque com água 5°C mais fria. Ligue algum tipo de aeração, porém fraca. Baixe mais 2°C na temperatura do termostato. Alimente bastante e adicione mais infusório.
Dia 24Desligue o termostato se o peixe puder suportar a temperatura ambiente. Aeração a meia força. Complete o volume do tanque com água 5°C mais fria. Se for possível, abra uma janela durante a noite para baixar a temperatura ainda mais. Alimente bastante e coloque mais infusórios.

Alta estação das chuvas:

Dia 25Aeração em força total. Troca parcial de 50% e alimente bastante.
Dia 26 em dianteMantenha a aeração no máximo e faça trocas parciais de 50% e alimente bastante até que ocorra a desova.

Nota do tradutor: No dia 10 está sendo sugerido que as elevações de temperatura atinjam 28°C mas para muitos peixes tropicais que aguentem temperaturas mais elevadas, este valor pode passar de 28°C. 

Kristian Adolfsson
www.corydoras.net

Tradutor:

Marcos Mataratzis
Químico, Professor de Química e Aquarista. Administrador do fórum Vitória Reef.

Cuidados básicos com a água do seu Betta

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 15/07/2011 – Reprodução autorizada.

Quantos que nunca ouviram falar que o Betta é um dos peixinhos mais resistentes? Que pode viver perfeitamente em qualquer vidro de maionese?

Pois não é bem assim. O Betta suporta com facilidade uma ampla gama de condições da água, mas alguns fatores são de importância fundamental.

Não deve haver compostos de cloro ou cloramina dissolvidos na água. Claro, não deve haver metais tóxicos, produtos químicos nocivos ou venenos, como os pesticidas, presentes.

O pH deve estar próximo ao neutro (pH 7). Este é, para começar um dos fatores ignorados por muitos iniciantes ou inexperientes com o Betta.

Alguns até acabam colocando seus Bettas em água mineral. Um grande erro, pois nem sempre a água mineral parâmetros adequados para este peixe. Prefira usar água comum mesmo, mas conheça alguns parâmetros desta como por exemplo o pH e se tem ou não a presença de cloro. Para isso, basta adquirir em lojas do ramo, alguns testes que podem lhe trazer estas informações.

Se você usar plantas vivas com seus Bettas fique atento a sinais de parasitas. Da mesma forma, com o uso de plantas naturais você provavelmente precisará usar iluminação artificial, neste caso é necessário tomar o cuidado para o tempo em que a luz ficará ligada, para não haver formação de algas verdes. Caso for necessário, utilize um temporizador.

A maioria dos sistemas públicos de água fornece água de boa qualidade, exceto para o cloro dissolvido ou cloraminas*. Estes produtos químicos são usados para controlar as bactérias e devem ser neutralizados antes de usar. Envelhecimento da água por 24 horas irá remover o cloro, mas não removerá cloraminas. Estes compostos dissolvidos vai matar o seu Betta em poucas horas. Há muitos produtos disponíveis em lojas de animais que são fabricados especificamente para resolver este problema.

Para a remoção do cloro, proveniente da rede de abastecimento, coloque a água em um vasilhame (aberto) para descansar por 24 à 48 horas, tempo suficiente para o cloro evaporar. Ou então, como já mencionado use um bom anti-cloro.

Freqüentemente você poderá adicionar, após a troca de água, um pouco de sal (grosso comum ou marinho) no aquário para efetuar a profilaxia. Use a proporção de 1 a 3 g por litro de água.

Um dos grandes segredos para manter seu Betta saudável é a qualidade da água. Portanto, você poderá se utilizar de filtro químico/biológico ou conforme o caso efetuar com freqüência as TPAs (Trocas Parciais de Água) ou TTA (Troca Total de Água). Mas lembre-se, se for usar filtros, procure aqueles que causam pouca agitação da água.

O uso de produtos químicos tais como detergentes e outros devem ser evitados. Para a limpeza, prefira usar uma esponja que deverá ser reservada somente para esta finalidade com a própria água do aquário. Como alternativa, você também poderá usar uma solução de água com sal ou bicarbonato de sódio, ou então o permanganato de potássio.

Lembre-se, a boa qualidade da água é tão essencial ao seu Betta quanto o ar que respiramos! Evite alimentação em excesso para a própria saúde do seu peixe bem como para garantir a menor quantidade de fezes dentro do aquário que acabará causando uma elevação de amônia que é altamente prejudicial para os peixes. Por isso, evite sujeira dentro do aquário, se for necessário, retire esta com um conta-gotas ou pipeta.

Outro ponto bastante importante em relação a água é a temperatura desta que deve ficar entre 25 à 30 ºC. Existem termômetros próprios para aquários sendo vendidos em lojas do ramo. Se necessário, compre um bom termostato para manter a temperatura estável.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

(*) Existe uma possibilidade remota da água vinda da companhia de abastecimento vir com cloramina como fonte de cloro. Se for o caso, apenas os condicionadores à base de hidroxi-metano sulfinato de sódio ou equivalente devem ser usados. Anti-cloro e água descansada não removem a cloramina, mas a chance da água conter cloramina é bem pequenas (mais comum na Europa). Cabe ao aquarista verificar isto com um simples teste de amônia. Meça a amônia na água. Adicione anti-cloro (não serve condicionador, tem que ser anti-cloro mesmo) e em seguida meça a amônia novamente. Se a amônia subir é porque a água veio com cloramina.