Manejo sanitário de peixes ornamentais

Provavelmente provocarei alguma polêmica ao afirmar que o método até hoje utilizado pela grande maioria dos aquaristas/criadores brasileiros, ou seja, a de adaptar o peixe para a água do aquário, não é um método correto. Talvez você esteja no grupo que faça desta forma, no meu entender errada. Vou tentar abaixo provar isso para você. Se escrevi alguma besteira, por favor me corrija.

O saco onde o peixe foi transportado pode ser considerado um ambiente quase que fechado. Mesmo se o peixe não foi alimentado um dia antes do embarque, o processo metabólico do peixe produz amônia como um subproduto, secretado através das guelras e da urina.

Na prática, se nós medirmos o pH da água do saco onde os peixes foram transportados não funciona bem porque os ácidos secretados pelo peixe vão causar a diminuição do pH, e a amônia é menos tóxica com pH menor. Como o peixe respira no saco, o dióxido de carbono é liberado na água e um pouco dele é difundido no ar preso na parte superior do saco.

O dióxido de carbono na água ajuda a formar ácido carbônico. Quanto mais tempo o peixe ficar no saco, mais dióxido de carbono é produzido, deslocando o oxigênio e causando um leve esvaziamento do saco. O peixe então se torna levemente asfixiado.

O peixe se torna sonolento, diminuindo sua consciência. O peixe fica sob estresse e o seu manuseio o debilita causando danos ao seu muco. Qualquer agente patogênico que estivesse presente no aquário original teria facilidade em infectar o peixe, pois o seu sistema imunológico estaria nesse momento comprometido. Também a quantidade de matéria orgânica presente no saco seria propicia ao crescimento de bactérias e parasitas.

Nesse ponto em que o peixe chega na sua casa ele está muito vulnerável à doenças. A água do saco é uma água doente, tóxica.

A doença está na água, nos lados do saco, e na superfície externa do saco também. Se você colocar para flutuar o saco no seu aquário, alguns dos agentes patogênicos que existissem no aquário original poderiam estar sendo introduzidos no seu novo aquário. Agora você abre o saco e deixa ele flutuar. Realmente uma má ideia, pois logo que você abre o saco o dióxido de carbono escapa, e um ar relativamente rico em oxigênio logo entra. O dióxido de carbono rapidamente evapora da água. O pH sobe. A amônia no saco repentinamente se torna altamente tóxica com o nível alto de pH. O peixe fica estressado e o seu sistema imunológico declina. Você então começa a adicionar a água do seu aquário para o saco. Agora você faz com que os níveis de pH e dureza da água do saco comecem a oscilar. Isso causa mais estresse para o peixe. Com isso você força o peixe por uma ou mais horas a ir se adaptando aos parâmetros da água do seu aquário, causando mais estresse ao peixe.

Normalmente leva semanas para um peixe se ajustar aos novos parâmetros de uma água nova, e você o força para que isso ocorra em 1 ou 2 horas e isso não é bom no estado de fraqueza atual do peixe.

Ajustar um peixe para um pH mais alto, maior dureza da água (GH) ou maior valor de temperatura é melhor do que para valores mais baixos. Entretanto como o pH é uma escala logarítmica, um grau de diferença é dez vezes maior. O limite para mudanças de pH é de um grau, mudanças de temperatura é de 1 grau Celsius. Dureza é um pouco mais flexível para mudanças, mas você deve chegar o mais próximo possível. Se a variação da troca for muito grande você corre o risco de colocar o peixe em choque. O parâmetro mais importante a se conseguir é o pH correto.

Por isso é importante saber (perguntar ao vendedor) em que água seu peixe foi criado, se o seu criador utilizava sal nos seus aquários, quais os valores de pH e GH. É importante retornar o peixe a esses valores o mais rápido possível.

Essa teoria acima foi-me passada por um criador alemão que foi meu sócio numa criação de guppies nos anos 70, que dificilmente perdia peixes por manuseio errado. Se eu contasse todas suas técnicas muitos ririam, como, por exemplo, jogar água fervendo num aquário com peixes em choque e imediatamente tirá-los daquela situação, voltando os peixes a nadarem normalmente. Eu presenciei tudo isso, e diversas das técnicas eu posteriormente repeti sozinho com sucesso.

Sei que é difícil pessoas que fazem determinados procedimentos há vários anos aceitarem um novo manejo, por isso falei em criar polêmica, opiniões contraditórias. Do modo como a maioria das pessoas fazem também dá certo, mas os peixes com certeza sofrem mais para se adaptar. O método que eu acho mais correto é: Pedir informações ao fornecedor do peixe sobre os parâmetros da água em que os peixes foram criados/enviados, tais como pH, temperatura, GH (dureza) e salinidade.

Preparar um aquário uma semana antes da chegada do peixe e preparar a água nos mesmos parâmetros das informações que você recebeu do fornecedor dos peixes.

Após a chegada dos peixes, deixe o saco no mesmo ambiente do aquário até a estabilização da temperatura (saco fora do aquário), e não coloque o saco em contato com a água do seu aquário pois o saco pode estar transportando agentes patogênicos.

Adicione um condicionador à água do aquário que proteja o muco do peixe. Isso vai ajudar a defesa contra possíveis doenças.

Coloque formalina, ou outro produto com a mesma função, no seu aquário. A formalina vai evaporar e causar ínfimo dano ao ciclo do nitrogênio do seu aquário.

Nunca coloque peixe novo misturado com seus antigos peixes, pois eles podem passar doenças uns para os outros.

Não coloque água do seu aquário dentro do saco. Assim que o saco é aberto o dióxido de carbono vai escapar, o pH vai subir, e os seus peixes entrarão em choque. Imediatamente após abrir o saco coloque um pouco de neutralizador de amônia no saco e meça os parâmetros da água do saco.

Verifique os parâmetros da água que veio junto com o peixe e compare com os valores informados pelo fornecedor. É esperado que o valor de pH tenha diminuído. Se tiver qualquer dúvida, como por exemplo, se passaram informações incorretas para você quanto a água original dos peixes, ajuste o aquário para os parâmetros da água do saco. Se os parâmetros estão realmente baixos, como pH abaixo de 7, coloque os parâmetros do seu aquário ligeiramente acima.

Se o aquário tem os mesmos parâmetros, jogue fora a água do saco e colocando o peixe numa rede e imediatamente o coloque no aquário. Não contamine a água do seu aquário com a água que veio dentro do saco.

Não alimente o peixe no primeiro dia, e dê pouca comida para ele na primeira semana.

Troque por dia 10% da água do aquário até que o ciclo de nitrogênio seja estabelecido e continue esse procedimento até que a água atinja os mesmos parâmetros dos seus outros aquários.

Procedendo dessa maneira as chances de nada de desagradável acontecer com seu novo peixe estarão aumentadas.

Carlos Beserra (in memoriam)

Procriando Betta splendens

Uma das primeiras dificuldades que criadores de Betta splendens se deparam, é com a reprodução de seus peixes em cativeiro. Não por que esta espécie seja difícil de procriar nestas condições, exista algum segredo, mas sim pela desinformação e despreparo.

O criador não precisa se preocupar em ensinar o peixe a se reproduzir, isto é instintivo e natural. Ele precisa se preocupar em criar as condições ideais para que isto aconteça. Se acercar de cuidados e infra-estrutura.

A primeira providência e talvez a mais crítica de todas é começar a cultivar micro-organismos vivos, que servirão de alimentos para as larvas de Bettas, logo após o nascimento. Sem eles, não devem se atrever a começar o acasalamento, sob pena de ver a ninhada morrer, um peixe após o outro, diante de seus olhos, completamente impotentes.

Hoje você encontra na web tutoriais passo-a-passo e inóculos para cultivar micro-organismos como: vermes-do-vinagre, microvermes, vermes-de-grindall, entre vários outros. Também encontra tutoriais para eclodir cistos de artemias franciscanas (salinas), essenciais para as larvas de Bettas. Todos micro-organismos de fácil manejo, que não ocupam muito espaço e acabam se tornando uma fonte de prazer, da mesma forma que o aquarismo gera.

Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.
Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.

A segunda providência é conseguir uma caixa plástica pequena, com tampa, com aproximadamente: 30 cm (C) x 20 cm (L) x 10 cm (A) ou um aquário de aproximadamente 20 litros (com tampa). Este será o ambiente para procriação e desenvolvimento das larvas de Bettas até 90 dias de vida, aproximadamente.

Esta caixa (ou aquário) deve ficar instalada num ambiente tranqüilo, onde não haja grande movimentação de pessoas e/ou animais domésticos que possam assustar os peixes e por a perder o acasalamento ou até mesmo a ninhada. Ao menor sinal de perigo, os pais comerão os ovos ou os filhotes e abandonarão o processo (acasalamento ou cuidados com o ninho).

Coloque nesta caixa (ou aquário), uma coluna de água variando entre 5 e 10 cm de altura, nunca mais do que isto. Se os ovos cairem ao fundo, numa profundidade de água maior, podem inviabilizar o desenvolvimento das larvas. Esta água deve ser isenta de cloro e metais pesados, pH estável (na faixa entre 6,8 e 7,4 – ideal: 7,0) e temperatura também estável (na faixa entre 24 e 30 °C – ideal: 27 °C). Providencie um apoio para o ninho-bolha (não obrigatório), que pode ser um pedaço de folha de amendoeira, um pedaço de plástico ou até mesmo um copinho de café descartável, cortado ao meio. Ele pode ser aderido à borda da caixa (ou aquário), com uma fita adesiva (fita crepe, por exemplo). Minha preferência pessoal pela folha de amendoeira é em função de sua propriedade fungicida/bactericida natural (isto vai deixar a água com cor de chá em poucas horas, não se preocupe com isto). Se você escolher um caminho diferente, adicione fungicida industrializado na água, na dosagem recomendada pelo fabricante. Isto fará com que mais ovos vinguem, que não sejam atacados por fungos. Também adicione 1 g de sal-grosso, para cada litro de água.

Providencie abrigos para a fêmea se esconder do macho, caso ele resolva ficar violento demais e sem paciência de esperar a fêmea estar totalmente pronta para o acasalamento. Pode ser: plantas naturais (musgo de java, samambaia d’água, etc – compatíveis com o pH da sua água), seixos (pedras de fundo de rio, arredondadas – sem arestas cortantes) ou tubos de PVC (espalhe 2 ou 3 “cotovelos” pelo fundo). É raro, mas estes abrigos podem servir até ao macho em alguns casos, onde a fêmea possui temperamento indócil. Isto vai reduzir os riscos de perder matrizes por conta acasalamentos tempestuosos.

Você vai precisar de um cilindro transparente e incolor para conter a fêmea durante 4 dias aproximadamente, dentro desta caixa (ou aquário), longe do alcance do macho, mas em seu campo visual a todo momento, para que possa acontecer a corte e para que ele fique estimulado a construir o ninho-bolha. Você pode usar um pet de água mineral transparente e incolor, cortando seu fundo e parte afunilada da boca, produzindo uma peça cilíndrica. Quando chegar o momento adequado, você vai poder levantar levemente este pet, liberando a fêmea para o acasalamento, sem mexer demais com a água, para não desmanchar o ninho-bolha.

Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).
Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).

Pronto! Agora você criou a infra-estrutura e o ambiente adequado para que o acasalamento ocorra e a ninhada vinge.

Vamos para a fase do acasalamento dos Bettas… Selecione exemplar macho e fêmea saudáveis, de preferência com linhagens definidas e estabilizadas, para obter filhotes compatíveis com a sua linha de trabalho genético. Mas se você é um principiante e quer apenas aprender este manejo, concentre-se apenas em escolher os peixes que mais lhe agradam esteticamente, que estejam em pleno vigor físico e bem alimentados. Aqui vai uma dica importante: escolha uma fêmea ligeiramente menor que o macho, para facilitar a cópula do casal.

Se você é uma pessoa ocupada, dispõe de pouco tempo, programe a soltura do casal na caixa de cria e desenvolvimento das larvas de Bettas (ou aquário), para dias onde você possa acompanhar, fotografar, se deleitar com este espetáculo da natureza. A procriação deste peixe é magnífica, um show.

Coloque o macho na caixa de cria e desenvolvimento de larvas de Bettas (ou aquário), para que se sinta o dono do território. Ele deve ficar sozinho neste espaço por 2 dias aproximandamente. Decorrido este tempo, introduza a fêmea, contida num cilindro transparente e incolor, afastado das bordas da caixa (ou aquário), de forma a permitir que o macho circule o cilindro, se exibindo para a fêmea, fazer a corte.

Este período de exposição deve durar aproximadamente 4 dias. Ao mesmo tempo que o macho corteja a fêmea, ele deve contruir o ninho-bolha, para receber os ovos da postura da fêmea. Por outro lado, a fêmea recebendo estímulos, começa a produzir ovos. Ao final do quarto dia de “namoro”, levante o cilindro suavemente para não desmanchar o ninho-bolha.

No outro dia, pela manhã, existe uma enorme possibilidade do casal já haver se entendido e dão início ao acasalamento propriamente dito.

Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).
Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).

O macho leva a fêmea para baixo do ninho-bolha e o acasalamento se inicia. Geralmente a fêmea neste momento está totalmente submissa ao macho e procura nadar com a cabeça mais baixa. Ambos procuram se colocar lado a lado, em sentidos opostos e vão se “empurrando”, como se medissem forças. Num determinado momento a fêmea se afasta um pouco e nada em direção ao macho, dando um giro no corpo, nadando de barriga para cima. Ao passar ao lado do macho ele dobra seu corpo, envolvendo a fêmea e lhe dá um apertão (suave), ao mesmo tempo que fecunda os ovos. Ambos dão uma pequena relaxada e caem desmaiados ao fundo aquário. Enquanto a fêmea vai ao fundo, liberando os ovos. O macho, tão logo recupera o controle de seu corpo, passa a recolher os ovos com a boca e vai depositando no ninho-bolha. Este processo pode durar horas, inúmeros abraços ocorrerão, até que os ovos da fêmea se esgotem. Naturalmente ela se afasta, foge do macho e neste momento você deve retirá-la da caixa plástica (ou aquário), sem agitar a água, sem correrias. Geralmente ela fica tão esgotada que fica prostrada e permite ser capturada, sem muito esforço para fugir.

Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).
Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).

O macho assume o controle da ninhada sozinho. Ele vai melhorando e reparando o ninho-bolha, de acordo com a necessidade.

Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).
Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).

No máximo 48 horas após, as larvas nascem e ficam “espetadas” no ninho. Quando caem ao fundo (na vertical), por que são pesadas, estão com o sacos vitelinos ainda cheios, o macho as recolhe na boca e as repõe no ninho-bolha. Tarefa inglória, nascem aproximadamente 300 filhotes. Ele fica a todo momento recolhendo as larvas e as recolocando no ninho-bolha.

Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.
Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.

Os filhotes, nesta fase da vida, se alimentam do saco vitelino, que aos poucos vão se exaurindo e quando isto acontece eles conseguem nadar na horizontal. Passadas outras 48 horas, desde a eclosão dos ovos, a maioria das larvas já nada na horizontal e o macho está nitidamente exausto. Ao final do dia é chegada a hora de retirar o macho da caixa plástica (ou aquário). Pegue-o com uma rede de tramas largas, para não capturar larvas acidentalmente ou com sua própria mão, com muito cuidado.

No outro dia, pela manhã, as larvas passarão a ser sua responsabilidade e precisam começar a comer. Comer aqueles micro-organismos que você previamente começou a cultivar, se preparando para o nascimento deles.

Coloque uma pedra porosa bem fraquinha nesta caixa de desenvolvimento das larvas (ou aquário), tome o cuidado para mantê-la sempre tampada para manter o ar bem úmido acima da lâmina d’água. Pode retirar o suporte para o ninho, as proteções oferecidas para a fêmea. Se você usou plantas naturais como abrigo, pode deixá-las na caixa (ou aquário).

Comece a alimentar suas larvas de Betta splendens, sempre em pequenas doses, o maior número de vezes possível, durante o período de insolação. Se possível de hora em hora. Se houver sobras, remova-as com o auxílio de uma pipeta ou sifão, com muito cuidado para não sugar larvas.

Varie a dieta das larvas, ofereça basicamente alimentos vivos e pós bem finos. Depois dos 30 dias, já é possível começar a introduzir na dieta as rações industrializadas.

Os próximos 40 a 50 dias de vida das de Bettas são bem críticos. A maioria da ninhada vai demorar este tempo para ter o labirinto formado. Labirinto é por onde os Betta splendens respiram, fora da água. Então evite ficar abrindo a caixa para não dissipar o calor do ar que está acima da lâmina d’água, cuidado com os parâmetros da água (pH e temperatura) e mantenha esta água saudável evitando sobras de comida, por exemplo.

Climatização de estufas de peixes ornamentais com uso de condicionadores de ar

A vantagem do uso do condicionador de ar domestico é seu custo operacional, bem mais baixo que o custo dos aquecedores elétricos ou a gás. O custo com energia dos aquecedores a gás ou elétricos e principalmente desses, é muito mais elevado do que o custo com energia do condicionador de ar. Por ser um transferidor de calor, de um ambiente para outro, ele utiliza a energia elétrica apenas para impulsionar o embolo de seu compressor e movimentar as pás de seu pequeno ventilador. Ele, ao contrario dos aquecedores por resistências elétricas, não transforma energia elétrica em energia térmica. O condicionador de ar, através de expansão e compressão do gás refrigerante, transfere calor de um ambiente externo para um ambiente interno, podendo inverter o ciclo e funcionar de forma inversa. Então, se necessitarmos aquecer a estufa no inverno, ele irá transferir calor de fora para dentro da estufa. No verão, quando necessitarmos refrigerar a estufa, ele procederá de forma inversa, transferindo calor do ambiente interno para o ambiente externo.

A vantagem é evidente em conforto, pois o aquecimento é feito em grandes quantidades de calor, porém a baixa temperatura, o que evita o desconfortável efeito das resistências, que deixam o ar pesado, queimam oxigênio e geram desconforto.

Outra vantagem já foi falada acima e refere-se ao consumo de energia elétrica, muito menor que o consumo das resistências.

Mas nem tudo são flores. A aquisição do condicionador de ar custará muito mais caro. O retorno do investimento, por economia de energia elétrica, no entanto, dependendo do clima e do tamanho e isolação térmica da estufa, poderá acontecer ainda dentro do primeiro ano.

No mercado, existem basicamente, dois tipos de aparelhos. Os chamados “Condicionadores de ar de janela”, e os do tipo ´Split´. Esses últimos, um pouco mais caros, porém mais modernos e eficientes, com instalação bastante simples.

A grande condicionante para utilização dos condicionadores de ar é, no entanto, a temperatura externa esperada para a região. Eles desligam quando a temperatura externa chegar a 4º C. Então, em regiões de clima muito frio, recomendo a instalação de um aquecedor elétrico com termostato, em paralelo com o condicionador de ar. Em caso de desligamento por temperatura extrema, o termostato do aquecedor irá acioná-lo, evitando o esfriamento da estufa.

Uma estufa como a minha, com 12 metros quadrados, fica bem atendida com um aparelho de 9.000 BTU’s e que custa aproximadamente R$ 900,00. Haverá o custo de instalação se for do tipo Split, o que costuma custar mais R$ 400,00. Se puder dispor de um valor mais elevado, poderá optar por um aparelho de 12.000 BTU’s. Lembre no entanto que o tamanho da estufa e sua isolação térmica do ambiente, irá determinar a potência do aparelho.

Deverá ser considerado ao isolar a estufa, que o ar quente sobe e que para aquecer no inverno, com eficiência, a parte superior da mesma (pé direito) deverá ser baixa e bem isolada. Já no verão ocorrerá o contrario, pois o ar frio permanece junto ao piso, exigindo que as paredes, portas e janelas sejam melhor isoladas.

Concluindo, tenho como uma boa alternativa para climatização de estufas, o emprego de aparelhos de condicionamento de ar do tipo doméstico, com ciclo reverso, (quente e frio) independentemente de serem Split ou de janela.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta Splendens em Santa Catarina

Obtenha mais sucesso no manejo de ninhadas de Bettas

Betta splendens, como qualquer ser vivo, tem seu ciclo de sono e de atividade, relacionado ao fotoperíodo natural…. No ambiente do aquário não pode ser diferente quanto a esse quesito.

Desrespeitar o fotoperíodo natural estressa muito os animais, coloca os indivíduos sob vigília forçada, ininterrupta e cruel para se defender dos demais filhotes da ninhada que ocupam o mesmo aquário, tanto na disputa por território, como por comida. Este estresse pode comprometer o sistema imunológico dos animais e abre portas para o ataque oportunista de bactérias, fungos, parasitas ou vírus. O animal que fica mais horas ativo certamente come mais e acaba engordando e não necessariamente tem seu desenvolvimento melhorado (semelhante ao frango de corte), o tiro pode sair pela culatra, os animais podem ter seu desenvolvimento prejudicado e a saúde comprometida. Perceba, buscar um Betta splendens maior, acelerando o processo de desenvolvimento adotando práticas de aumento de fotoperíodo ou até mesmo não oferecer período de repouso (luz acesa 24hs/dia), não é saudável para os animais e provavelmente vai reduzir o tempo de vida deles de forma significativa (Ah! Vai doer no seu bolso também – a energia elétrica é cara).

No meu manejo, até os meus Bettas reprodutores, com ninhadas para cuidar, ficam no escuro com os alevinos no período noturno, e sempre tive muito sucesso nas quantidades de indivíduos que chegam a idade adulta; todos extremamente saudáveis e bem desenvolvidos!

Seguindo minha lista de procedimentos padrões colocarei em caixa alta e negrito, aquilo que acredito ser de maior importância para o crescimento dos Bettas: ÁGUA, ÁGUA e ÁGUA!

Claro que a alimentação tem seu papel fundamental, mas, sem água boa, nada acontece.

Ambos os fatores estão entrelaçados, porém, a água de boa qualidade é mais primordial do que uma alimentação mais rica e/ou em maior volume.

Se oferecer boa alimentação para filhotes com qualidade de água comprometida versus alimentação mais racionada mas com água de excelente qualidade, o resultado no segundo grupo é infinitamente melhor do que no primeiro grupo.

Faça a experiência: ofereça náuplios de artêmia franciscana, vermes-do-vinagre, spirulina, ração de boa qualidade, intercalando-as, várias vezes ao dia, claro, em quantidades razoáveis, compatível ao volume de filhotes, para 2 (dois) grupos distintos de filhotes da mesma ninhada, escolhidos aleatoriamente. Para o primeiro grupo de filhotes não se preocupe tanto com a qualidade da água (sem exageros, por favor, senão não sobrará um filhote vivo sequer). Para o segundo grupo, promova trocas parciais diárias de água de 50%, bem lentas, sempre equalizando os parâmetros da água (pH e temperatura) e pode se dar ao luxo de reduzir o volume de alimentação pela metade para este grupo.

Em ambos os casos, o ciclo de noite/dia, deverá ser respeitado, naturalmente. Ao final de 1 mês, compare os resultados das ninhadas. O segundo grupo vai se desenvolver muito mais que o primeiro, apesar de comer menos (em quantidade).

Alevinos de Betta splendens sendo alimentados com náuplios de artêmias franciscanas (salinas).
Alevinos de Betta splendens sendo alimentados com náuplios de artêmias franciscanas (salinas).

Outro fator de vital importância é a relação quantidade de indivíduos versus área da superfície do aquário (é área mesmo e não volume, OK?)

Para o Betta o que vale é a lâmina d’água, a superfície do aquário, o deslocamento horizontal. Deixe-me explicar melhor:

Se tivermos 2 aquários com mesmo volume de água, porém, um mais comprido e baixo (coluna d’água menor), e outro, menos comprido, e com altura maior de coluna d’água, esse último comportará menos Bettas do que o primeiro.

À medida que forem tendo sucesso na quantidade de indivíduos por ninhada – tipo 100, 200 bettinhas -, ao final de um mês (ou mesmo um pouco antes), separe a ninhada em mais aquários.

Isso fará com que os filhotes tenham mais espaço com menos estresse entre eles e o aumento de tamanho e a quantidade será espetacular (sempre haverá aquele bettinha alfa para apoquentar os outros e “mandar no pedaço”, e os demais, têm que ter espaço para se afastar dele)!

Siga este roteiro e certamente acabará obtendo muito sucesso com suas ninhadas de Betta splendens. Claro que tive e, ainda continuo tendo, alguns insucessos com ninhadas, como todo mundo que se mete a criar Bettas, vez ou outra, acaba enfrentando. Aliás, aquele que disser que nunca teve um insucesso, das duas, uma: nunca criou Bettas, ou está mentindo. O insucesso, infelizmente, faz parte do processo.

Desejo que você tenha muito sucesso em suas criações de Bettas – tanto em quantidade, saúde e, principalmente, com boa genética (Bettas de qualidade). Sucesso!