Cultura de Vermes-de-Grindal

O Verme-de-Grindal (Enchytraeus buchholzi) é um pequeno verme branco, de aproximadamente 1 cm de comprimento quando adulto, que se utiliza na alimentação de peixes e alevinos. O nome de “Grindal” parece ser proveniente do nome da Senhora Grindal, uma sueca que foi a primeira a cultivá-lo como alimento em aquariofilia.

Vermes-de-Grindal.
Vermes-de-Grindal.

O grande interesse por estes vermes se deve a facilidade de cultivo, serem muito prolíferos e a voracidade com que são devorados pelos peixes. Outra coisa a se ter em conta é que são ótimos para alevinos de muitas espécies e despertam o apetite em peixes enfermos, debilitados ou que não estejam aceitando alimento comercial seco.

Os peixes se sentem atraídos pelo alimento vivo, por seu movimento, por seu sabor, mudando seu comportamento de forma surpreendente quando lhes oferecemos este tipo de alimento, suas cores se ressaltam, os movimentos são mais rápidos, se desperta o instinto de caça. Até os menores peixes são capazes de comê-los, desde que caibam em suas bocas.

Os benefícios do alimento vivo são sem dúvida conhecidos, o problema é como consegui-los e mantê-los. Por sorte, o verme-de-grindal é um dos mais fáceis de conseguir e de cuidar e nos permite oferecer uma dieta variada a nossos peixes.

Vejamos então passo a passo como iniciar um cultivo de vermes-de-grindal:

1) PREPARAÇÃO DO RECIPIENTE DE CULTIVO

O ideal antes de recebermos nossa primeira cêpa de vermes é preparar com antecedência o recipiente de cultivo.

Devemos levar em conta que os grindal são vermes que vivem sobre terra úmida e que também são fotófobos, evitam a luz. Por isso o recipiente ideal deve ser escuro para que não seja permitida a entrada de luz, apesar de que na realidade qualquer recipiente que possamos guardar em um local escuro, como um armário, serve.

O tamanho do recipiente também não tem importância, como mostraremos adiante; vamos mostrar aqui como adequar um recipiente plástico de 1 litro.

A primeira coisa a se fazer é cortar um pequeno quadrado de 3 X 3 cm na tampa. Ele servirá como respiradouro para evitar que o excesso de umidade se condense. Existem pessoas que não fazem furos na tampa, como aconselho, mas nesse caso temos que abrir diariamente a cultura para vigiá-la, pois existe o risco de se perder os vermes por excesso de umidade.

Corte na tampa do recipiente.
Corte na tampa do recipiente.

Depois disso, devemos proteger a janela de ventilação com algo suficiente fino para os vermes não saiam, mas que mantenha o local arejado. O melhor resultado que tive foi cortar um pedaço de meia-de-seda feminina e colá-lo dobrado sob a janela. Para colá-lo, qualquer cola de contato serve perfeitamente.

Colando pedaço de meia-de-seda na janela.
Colando pedaço de meia-de-seda na janela.

Alguns usam perlon para tapar as janelas de ventilação, mas eu não recomendo. O motivo disso é que esta vedação não serve apenas para evitar que os vermes saiam, mas também para evitar a entrada de ácaros. Os ácaros são muito menores que os próprios vermes e podem passar facilmente pelo perlon e qualquer outro tipo de malha. Sem dúvida, a trama das meias é tão fechada que evitam a entrada dos ácaros, e assim mesmo eu ponho duas camadas, por causa de algum rasgo acidental.

Uma vez que tenhamos colado os pedaços de meia, cobrimos a borda com mais cola para evitar que algum verme se meta por ali.

Deixando a cola secar.
Deixando a cola secar.

Deixamos então a cola secar em um lugar ventilado e pronto! Já temos o nosso recipiente. Como havia dito antes, serve qualquer pote, mas para nossa comodidade os de 1 litro são mais práticos.

Aconselho sempre ter pelo menos duas culturas de vermes em produção. Se algo ocorrer com uma, sempre temos a oportunidade de iniciar outra. Podemos ter duas culturas grandes e uma ou duas pequenas.

Aqui abaixo, podemos ver três exemplos: Um pote de sorvete, um de margarina e outro pote comum, com tampa.

Tipos de recipientes.
Tipos de recipientes.

Uma vez que nosso recipiente fique pronto, já pode receber seus novos ocupantes.

2) INÍCIO DA CULTURA

Como tínhamos dito antes, os vermes-de-grindal vivem em terra úmida e por esse motivo para reproduzí-los devemos proporcionar condições semelhantes.

Sei de criadores que tem conseguido mantê-los sobre perlon, espuma, esponja, etc. Eu particularmente já usei algum destes métodos e digo que nem sempre é fácil mantê-los e que nunca se chega a igualar a produção, velocidade de crescimento, coleta e manutenção que se consegue com substratos naturais como a turfa.

Vou explicar como preparar os dois tipos de substratos mais comuns que se utilizam para cultivar os vermes-de-grindal: a turfa e a fibra de coco.

Sustrato de turfa:

A turfa é um substrato a base de matéria vegetal, que se usa para o cultivo de plantas e que retém muito bem a umidade.

Geralmente o que encontramos mais facilmente é a terra adubada, que é o substrato universal para plantas. Pode-se utilizá-lo para criar vermes-de-grindal, mas a turfa tem muitas vantagens. A terra adubada contém turfa, restos de vegetais, areia e adubo, químico ou orgânico. Ao utilizarmos para os vermes-de-grindal veremos que os pequenos pedaços de madeira tornam a superfície pouco uniforme e dificultam a colheita dos vermes.

Por isso, o ideal seria encontrar turfa pura, sem aditivos. Podem-se encontrar turfas com várias denominações, como turfa vermelha, turfa de esfagno, etc. Qualquer uma delas nos servirá. A turfa tem o pH ácido que dificulta a proliferação de micro-organismos não desejados em nossa cultura.

O que podemos encontrar com mais facilidade são pequenos blocos de turfa adubada. O ideal seria que não tivéssemos adubos nem nenhuma substância química, mas essa turfa pode ser usada sem problemas.

O primeiro passo é deixar a quantidade adequada de molho em um recipiente com água, para que se perca parte do adubo. Depois, escorre-se com a ajuda de um coador e volta-se a deixá-la de molho por mais um tempo e escorre-se a água de novo. Agora está em condições de ser utilizada.

Drenando a turfa.
Drenando a turfa.

Existem pessoas que preferem ferver a turfa durante alguns minutos e outros a colocam em microondas para esterilizála. Eu já experimentei os dois métodos e também já a utilizei diretamente, apenas lavando-a e o resultado foi o mesmo. Os grindal crescerão da mesma forma e não aparecerão fungos nem ácaros em nenhuma das culturas. Assim sendo, prefiro não ter trabalho.

Sei que existem pessoas que usam bicarbonato na turfa para reduzir a acidez, mas eu nunca utilizei e produzo muitos vermes. Minha única recomendação é lavar a turfa duas vezes.

Uma vez que a turfa tenha sido deixada de molho, usaremos uma peneira metálica grande para drená-la.

Colocamos uma camada de 2 a 3 cm no recipiente e aplainamos com uma colher. Está pronta então para receber os vermes. Uma das peculiaridades dos vermes-de-grindal é que não se encontram com facilidade para comprar. Na verdade, é mais fácil conseguí-los com outros criadores. Assim o cultivo se difundiu pelo mundo a fora.

Colocando as porções de vermes nas depressões:

Uma cêpa de grindal é uma pequena porção de cultivo que contém, sobretudo, substrato e uma quantidade variável de vermes. Não nos preocuparemos com a quantidade de vermes que existe nessa cêpa, pois só necessitamos de dois para a reprodução e em poucas semanas a população inicial será multiplicada por cem.

A primeira cêpa de Vermes-de-Grindal.
A primeira cêpa de Vermes-de-Grindal.

Na hora de colocar a cêpa inicial na cultura, recomendo fazer duas pequenas depressões (se forem poucos vermes, uma só) para distribuir nelas a terra com os vermes. Devemos construir alguns morrinhos além das depressões. Parece curioso, mas você descobrirá que os grindal preferem colocar os ovos nos lugares mais altos da turfa. Cerca de 90% dos vermes escolherá por os ovos nestes montes.

Desenvolvimento dos Vermes-de-Grindal.
Desenvolvimento dos Vermes-de-Grindal.

Para finalizar, poremos em cima um pellet de ração de cachorro ou de gato, dependendo da quantidade de vermes que houver. Não adianta por muita comida se houverem poucos vermes, pois o alimento acabará se estragando antes de ser consumido.

Substrato de fibra de coco:

Já vimos como preparar o substrato de turfa, agora veremos como fazê-lo com fibra de coco.

Bloco de substrato de coco.
Bloco de substrato de coco.

A fibra de coco provém das cascas do fruto do mesmo nome, que é rica em celulose e lignina. É capaz de absorver 10 vezes seu peso em água, e mantém uma estrutura esponjosa.

A principal diferença da turfa, é que drena a água mais facilmente, com o que corremos menos risco de se perder a cultura, já que a água vai para o fundo do recipiente e a parte superior permanece apenas úmida, não encharcada.

Os vermes-de-grindal crescem tão bem em um substrato quanto no outro, se bem que se amontoam melhor na turfa. Assim mesmo, não é uma grande diferença e qualquer dos dois substratos é uma excelente opção.

A fibra de coco se vende em blocos prensados, e se encontram em lojas de jardinagem, pois podem ser usados em terrários.

Bloco de substrato de coco sendo hidratado.
Bloco de substrato de coco sendo hidratado.

A preparação é muito fácil: Retiramos o bloco do saco e colocamos o mesmo em um recipiente com água, na quantidade recomendada pelo fabricante. Neste caso de 3 litros a 5 litros, sendo 4 litros uma boa quantidade.

Bloco de substrato de coco se desfazendo.
Bloco de substrato de coco se desfazendo.

O bloco de fibra começará a absorver água e inchar, aumentando de volume. Conforme for se desmanchando, iremos revolvendo-a para que isso aconteça de maneira uniforme.

Neste momento teremos nossa fibra esponjosa e úmida, pronta para ser usada da mesma forma que foi explicado com a turfa.

Fibra de coco umedecida.
Fibra de coco umedecida.

A fibra umedecida que sobrar podemos guardar em um saco fechado, num local arejado. Já teremos a fibra pronta para ser utilizada quando precisarmos.

3) A ALIMENTAÇÃO DOS VERMES-DE-GRINDAL

Como foi dito, uma vez que coloquemos nossa cêpa inicial sobra a fibra de coco, é hora de oferecer um pouco de comida, que aceitarão com gosto.

Os vermes-de-grindal podem comer praticamente de tudo, farinha, cereais, etc, mas existe um alimento que é cômodo e perfeito para o seu desenvolvimento, fazendo com que cresçam rapidamente. Para que então usar outro tipo de comida?

O que recomendo para a alimentação dos grindal são os pellets de ração para cão ou gato, preferivelmente os normais, que são melhores que os com complementos vegetais ou coloridos.

Quanto ao tamanho dos pellets, apesar de parecer curioso, devemos tomar alguns cuidados, porque nos permitirão coletar os vermes com mais comodidade. A ração para gato é muito pequena e tendo-se uma grande quantidade de vermes, esta desaparecerá por completo em algumas horas e, quando formos alimentar os peixes, corremos o risco de colocarmos ração junto com os vermes, no aquário.

Por isso, depois de muita experimentação, cheguei a conclusão que quanto maior for o pellet, melhor. Assim os ideais são aqueles para raças de cão grandes. Eu utilizo umas que se vende para cães da raça boxer, que são grandes e planas, oferecendo uma grande superfície onde os vermes se acumulam ao redor.

Uma coisa devemos levar em conta, a quantidade de pellets que formos colocar deve estar relacionada a quantidade de vermes que tenhamos na cultura. Não devemos colocar um pellet grande em uma cultura inicial, porque antes que os vermes comam tudo, ele mofará.

Por isso, ao iniciarmos nossa cultura, bastará colocar um pequeno pedaço de pellet ou um pellet pequeno para alimentar os primeiros vermes. Uma vez que a cultura esteja em crescimento e comecemos a ver uma grande quantidade de vermes e ovos, podemos começar a colocar os pellets maiores, um ou dois, dependendo do tamanho do recipiente. Saberemos que colocamos a
quantidade correta quando em dois dias toda a ração tiver desaparecido. Será o momento de colocarmos novos pellets.

Apenas alguns dias depois do início de nossa cultura, a mesma apresentará o aspecto da primeira foto acima.

Cultura de Vermes-de-Grindal depois de alguns dias.
Cultura de Vermes-de-Grindal depois de alguns dias.

Duas semanas depois, a cultura está em seu apogeu e uma grande quantidade de vermes se empelotará em torno dos pellets.

Cultura de Vermes-de-Grindal depois de duas semanas.
Cultura de Vermes-de-Grindal depois de duas semanas.

Podemos ver também a evolução da mini-cultura no recipiente pequeno.

Mini-cultura de Vermes-de-Grindal.
Mini-cultura de Vermes-de-Grindal.

Apenas poucos dias depois de iniciar a cultura, podemos ver sobre as regiões mais altas da turfa umas pequenas bolinhas brancas, que são os ovos dos vermes-de-grindal, a futura geração.

Detalhe Vermes-de-Grindal e seus ovos.
Detalhe Vermes-de-Grindal e seus ovos.

Os reprodutores podem ser distinguidos facilmente porque são de porte maior (1 cm) e apresentam um abaulamento retangular de cor branca na metade de seu corpo, como as minhocas de terra.

4) ALIMENTANDO NOSSOS PEIXES

Quando tivermos nossa cultura com os pellets rodeados de vermes, é o momento de colher uma porção deles e iniciar uma nova cultura. Aconselho sempre ter no mínimo duas culturas, que devem ter duas semanas de diferença entre si, assim sendo, teremos sempre uma em plena produção para oferecer aos nossos peixes. Quando uma começar a decair, a outra estará em seu apogeu.

Vermes-de-Grindal no pellet.
Vermes-de-Grindal no pellet.
Colhendo Vermes-de-Grindal.
Colhendo Vermes-de-Grindal.

Se já tivermos outra cultura pronta, podemos passar diretamente a colheita dos vermes para alimentar nossos peixes.

Como foi dito antes, o principal motivo para colocarmos os pellets de maior tamanho quando existem muitos vermes, é que os mesmos se acumulam em grande quantidade em redor deles e é muito fácil colhermos sem substrato.

Sei que existe gente que colhe uma porção de substrato com os grindal, coloca o torrão dentro água ou em um coador, para limpar e após isto joga a água com os vermes no aquário.

Este é um trabalho que não temos quando utilizamos o método dos pellets grandes.

Se olharmos a foto “Vermes-de-Grindal no pellet”, veremos que os grindal formam uma capa de cerca de 1 cm de altura ao redor e por baixo do pellet, sem substrato. Serão estes os vermes que colheremos para nossos peixes.

A forma de colhermos pode ser tão variada quanto nossa criatividade permitir: podemos utilizar um palito, para colher pequenas porções (ideal para poucos peixes), uma colher plástica, um pincel, ou qualquer outra maneira que nos ocorra.

Quando os grindal se amontoam desta forma ao redor dos pellets, é muito fácil colher grandes quantidades sem tocar no substrato, tanto ao redor quanto sob os pellets.

É possível que quando pusermos os vermes-de-grindal à primeira vez em nosso aquário os peixes fiquem desconfiados, mas isso apenas até provarem os mesmos. É surpreendente como os néons de dois cm são capazes de comer até 10 vermes de uma vez só, ficando redondos de tão cheios. Não existe peixe que não goste dos mesmos e o seu movimento pela corrente de água desperta ainda mais o apetite dos peixes.

Não se preocupe se os vermes chegarem ao fundo, se tiver coridoras as mesmas darão conta deles, elas adoram. Revolverão o solo durante horas para se assegurar que não resta nenhum.

Tem-se falado muito que os vermes-de-grindal são muito gordos e não se deve utliizá-los mais que uma vez por semana. É certo que possuem quatro vezes mais gordura que blood worms, mas também tem o dobro de proteínas. É um dos alimentos mais energéticos para crescimento dos alevinos da maioria das espécies de peixes ornamentais.

O valor nutricional dos vermes-de-grindal vivos é de 10-12% de proteínas, contra cerca de 2,7 % de gorduras.

Os grindal adultos são uma deliciosa comida para os peixes de tamanho pequeno e médio, como os ovovivíparos como guppies, molinésias; labirintídeos como Bettas splendens e colisas; todos os tipos de tetras de tamanho pequeno e médio; peixes de fundo como coridoras e para praticamente todos os tipos de peixes.

Para os peixes de maior tamanho os vermes não deixam de ser uma deliciosa guloseima ou mini aperitivo, porque será praticamente impossível chegar a saciá-los com eles. É curioso ver como uma carpa de 20 cm pode distingui-los e se mover como louca tentando capturar a maior quantidade possível destes pequenos vermes.

Ao alimentar os alevinos de peixes, veremos que os grindal adultos são muito grandes para alevinos que medem menos de meio centímetro. Neste caso, o que interessa não são os grindal adultos, mas os recém nascidos. Quando uma cultura está abarrotada de vermes e a ponto de se perder, os adultos não prosperam e os grindal de tamanho pequeno proliferam. São estas culturas que nos proporcionam vermes que pequenos o suficiente para darmos a nossos alevinos. Uma vez que estejam crescendo, os alevinos serão capazes de comer grindal de maior tamanho, e nos surpreendemos com a voracidade que demonstram alguns filhotes tentando comer os vermes com quase o seu tamanho.

Uma curiosidade do vermes-de-grindal é que diferentemente da artêmia, permanece vivo por cerca de 24 horas no aquário, e os alevinos podem continuar comendo vermes vivos no fundo do aquário.

5) REINICIANDO UMA CULTURA

Conforme se passem algumas semanas, nos damos conta que nossa cultura tem tal quantidade de ovos que quase não há lugar para se ocupar e os vermes começam a colocá-los nas paredes do recipiente.

Os vermes adultos morrem e a cultura fica com um aspecto ruim, inclusive pode começar a cheirar mal. Colocar novos pellets não faz com que voltem a aparecer tantos vermes-de-grindal como estávamos acostumados.

É o momento de darmos por finalizada nossa cultura e reiniciar uma nova. Se tivermos sido precavidos teremos outra cultura em plena produção, de onde poderemos seguir colhendo os vermes enquanto a nova se reinicia.

Na hora de reiniciar a cultura tem gente que colhe uma porção de substrato, e outros inclusive lavam a turfa e voltam a utilizá-la. Pelo preço, eu prefiro não ter este trabalho e inicio com turfa fresca.

Colhemos todos os vermes que pudermos com um pouco de terra ao redor dos pellets (sem pegar os mesmos) e os colocamos em um prato. Tiramos toda a turfa velha e lavamos o recipiente e a tampa com água da torneira. Colocamos de novo turfa ou fibra de coco úmida e pomos os vermes que reservamos antes, da mesma forma de quando iniciamos a cultura.

Recolhendo Vermes-de-Grindal.
Recolhendo Vermes-de-Grindal.

Podemos adicionar mais vermes colhidos de outra cultura, assim asseguramos uma boa população. Pomos dois pellets e já teremos outra cultura pronta.

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE OS VERMES-DE-GRINDAL

P: Muito interessante o artigo, creio que vou me animar e iniciar uma cultura para meus peixes, mas onde consigo a cêpa inicial?

R: Vermes-de-grindal não se encontram em lojas de aquariofilia, se conseguem da forma que quase todos conseguimos: através da troca com outros criadores. É certo que quase todos se recordam de quem lhes deu sua primeira cêpa de grindal.

Não é nenhum prejuízo pegar um pouco de sua cultura e ofertar a um companheiro. Temos que ser solidários com os que não tem, para que nós mesmos consigamos se perdermos os nossos.

Pergunte em fóruns de aquariofilia se alguém pode lhe passar uma cultura inicial, crie uma lista inicial daqueles que possuem os vermes e você nunca mais ficará sem os mesmos. Se por acaso perder sua cultura, você pode escrever para aquele a quem você deu parte de sua cultura para que ele iniciasse a sua própria.

P: Iniciei minha cultura em turfa, mas no dia seguinte ao abri-la todos os vermes haviam desaparecido, outros não se movem e a cultura parece mal, o que aconteceu?

R: Provavelmente se deve ao excesso de água, os grindal são muito sensíveis a ele e é preferível faltar umidade que sobrar. Se não há ventilação ou ela é pouca e tivermos deixado a turfa muito encharcada, a umidade será excessiva e os grindal morrerão. Sua decomposição fará com que a cultura cheire mal.

P: Coloquei a turfa no recipiente, mas creio que não escorri o suficiente, pois a turfa verte água quando inclino a cultura. Tenho que tirar a turfa novamente ou existe algo que possa fazer para retirar o excesso de água?

R: Tanto se colocar uma turfa demasiado empapada como se nos excedermos ao molhar demais uma turfa demasiado seca, existe uma opção para absorver o excesso de água sem tirar a cultura.

Secando a turfa.
Secando a turfa.

Coloque uma toalha de papel absorvente dobrado sobre a turfa, em um dos cantos. Pode também inclinar a cultura para que a água se acumule ali. Quando o papel estiver encharcado, troque-o por outro e repita o processo até que a turfa deixe de ficar encharcada e o solo se mantenha úmido.

P: Como saber que a cultura está com excesso de água?

R: Os grindal necessitam de umidade, porém se a turfa estiver encharcada pode causar a morte deles. Incline o recipiente e veja se escorre água. Se ocorrer, existe água demais. Quando se passarem alguns dias, observe a superfície da cultura para ver se a mesma necessita de mais água.

A melhor maneira de umedecer é abrir a tampa da cultura e tomar com os dedos algumas gotas de água e ir deixando cair pelas paredes ao redor do recipiente. A umidade se distribuirá por igual em toda a cultura e a turfa absorverá bem a água.

Com a fibra de coco é menor a probabilidade que a parte superior da cultura tenha problemas de excesso de água já que ela drena melhor a água para baixo.

Por ouro lado, não é bom jogar água nas zonas onde os vermes se alimentam, já que dissolveremos os restos de comida e os mesmos se infiltrarão para o fundo do recipiente, assim como não é bom jogar água em cima dos pellets. Eles absorveriam a água e seriam mais propícios à proliferação de fungos.

P: Os pelllets estão com mofo, o que fazer?

R: O mofo necessita de solo úmido para crescer e encontra isso facilmente em nossas culturas de grindal. É praticamente impossível evitar que caia um esporo em nossa cultura, por isso o que podemos fazer é prevenir que eles se reproduzam. Coloque apenas a quantidade de comida necessária a quantidade de vermes que tiver: se tiver iniciando a cultura, só é necessário um pedaço de pellet. Quando existirem muitos ovos e muitos adultos, ponhas pellets grandes sem medo do mofo, porque os vermes os comerão antes que o mofo apareça.

Se assim mesmo o mofo aparecer no pellet, eu recomendo que o retire o quanto antes, antes que o solo seja contaminado. Recomenda-se uma revisão diária das culturas para detectar possíveis problemas (excesso de umidade, pragas, falta de comida) para intervenção o quanto antes.

Tire o pellet com o mofo e se puder, tente recuperar alguns do vermes que ficarem grudados nele, sem tocar demasiado no mofo, já que libertará os esporos. Se o mofo cresceu muito, com mais de 1 ou 2 cm, não devemos nem tentar salvar os vermes que tiver ao redor. Neste último caso o melhor será lavar bem o recipiente e iniciar nova cultura.

Quando o mofo tiver soltado os esporos em nossa cultura é mais fácil que ele volte.

P: Hoje ao abrir a cultura, vários mosquinhas negras pequenas saíram voando. O que são? São prejudiciais?

R: Se tratam seguramente de drosófilas ou moscas de fruta, seguramente entrou alguma na cultura e ali pôs os ovos. Não parecem afetar os vermes-de-grindal, salvo se competirem com eles pela comida. Vigie a cultura diariamente e faça com que saiam todas as moscas que aparecerem, se elas deixarem de aparecer, reinicie a cultura.

P: Os vermes deixaram de crescer, e olhando com mais detalhe, vi que existem minúsculos bichinhos amarelos como pontos se moverem. O que são?

R: São ácaros, a pior praga que pode afetar uma cultura de vermes-de-grindal. Medem apenas meio milímetro e são capazes de entrar por qualquer parte. Se não tiver a janela de ventilação coberta com uma capa de meia, dobrada, aconselho que o faça. É a única maneira de evitar que os ácaros entrem.

Os ácaros se alimentam dos pellets, e preferem que a turfa esteja seca. Reproduzem-se com grande velocidade e provavelmente infestarão todo o armário onde você guarda suas culturas.

Faça uma revista no local onde o recipiente estava. Provavelmente haverá centenas deles entrando e saindo para buscar comida. Limpe bem tudo ao redor.

Tome cuidado aonde colocar a tampa do recipiente quando estiver alimentando seus peixes e procure não deixar o recipiente aberto por muito tempo aberto em algum móvel ou outra superfície. Poderia subir um ácaro pelas paredes e entrar na cultura.

Tome cuidado também onde você guarda a ração, já que às vezes temos o recipiente dos vermes lacrado, mas o saco da ração semiaberto, e é por aí que entram os ácaros em nossa cultura, junto com a ração. Devemos guardar a ração em um recipiente com tampa hermética que feche bem, tal qual a cultura.

É muito difícil eliminar os ácaros por completo. Se você conseguir salvar uma parte de sua cultura sem ácaros, tire uma porção, coloque em um recipiente pequeno com turfa nova e observe. Na cultura anterior, tire toda a turfa, lave o recipiente bem e deixe pelo menos por duas horas no congelador, para que algum ácaro que tenha ficado dentro não venha a reiniciar a praga. Coloca de novo turfa limpa e tente conseguir uma nova cultura que não seja infestada por nenhum ácaro, assim terá certeza de não introduzi-los novamente em sua cultura.

Se resolver tentar recuperar sua cultura eliminando os ácaros, a solução é colher aproximadamente uma dúzia de vermes adultos e deixa-los de molho em um pouco de água. Os ácaros que possam estar presos nos vermes se afogarão enquanto os vermes sobreviverão sem problemas.

Tire toda a turfa e lave bem o recipiente congelando-o do modo anterior, coloca de novo a turfa limpa e os grindal resgatados. Um pequeno pedaço de pellet será suficiente. Com sorte poderá reiniciar de novo a cultura sem ácaros.

Os ácaros não prejudicarão os grindal e a cultura deverá prosperar como estava anteriormente. Para se manter uma cultura saudável e produtiva devemos evitar a presença destes bichos.

P: Depois de quanto tempo devo reiniciar a cultura?

R: É difícil dizer exatamente com quantos dias devemos reiniciar as culturas, porque depende de muitos fatores. A temperatura e a velocidade de crescimento e reprodução, a quantidade de comida e de vermes, etc. Somente a experiência nos dirá quando é o momento de reiniciar a cultura.

Os dejetos dos vermes, os que vão morrendo e os restos de comida pouco a pouco vão poluindo o substrato, tornando-o inadequado para os novos vermes que vão nascendo, inclusive gerando um mal odor. Notaremos que haverá menor quantidade de vermes e que eles se desenvolverão mais lentamente, além do que todo o substrato estará coberto de ovos.

Terá chegado o momento de lavar tudo muito bem e começar de novo.

P: Qual a temperatura ideal para manter minha cultura de grindal?

R: Bom, os vermes são capazes de se desenvolver em uma boa faixa de temperatura, porém, em temperaturas abaixo de 18 ºC, se desenvolverão menos, o mesmo para temperaturas superiores a 32 ºC. O ideal é mantê-los na temperatura do interior de uma casa, entre 22-26 °C.

O melhor lugar para guardar o recipiente da cultura é um armário escuro, como por exemplo, a mesa do aquário, e devemos procurar não cobrir as janelas de ventilação. Recomendo vigiar diariamente a cultura para que não tenhamos problemas.

P: Descuidei-me da cultura e ela está toda seca, não vejo nenhum verme. Todos morreram? Que posso fazer?

R: É mais provável que todos os adultos tenham morrido, mesmo assim restarão alguns ovos, e é possível que a cultura se reinicie. Umedeça a turfa e coloque um pequeno pedaço de pellet. Se tiver sorte, dos ovos nascerão alguns vermes e você poderá recuperar sua cultura.

P: Tenho um aquário comunitário de 120 litros com ovovivíparos, coridoras e um caracol grande, Qual a quantidade de vermes e de quanto em quanto tempo devo dar-lhes?

R: É difícil de dizer, como explicamos antes, o grindal não tem tanta gordura como pensávamos, por isso, pode ser perfeitamente incluído no cardápio em uma dieta variada. Além disso, é um alimento vivo, que possui enzimas que facilitam a digestão dos peixes que os comem, fazendo com que as proteínas sejam melhor aproveitadas.

Podemos oferecer aos nossos peixes pequenas porções várias vezes por semana, na quantidade mais ou menos suficiente para saciar a um peixe do tamanho de um guppy, já que assim os coridoras também receberão sua parte. Se preferir que os peixes os comam na superfície, devem ser dados aos poucos, com um palito. Assim eles prestarão mais atenção e os alcançarão antes que cheguem ao fundo.

P: Meu Betta splendens está doente com o apodrecimento das nadadeiras e está muito debilitado. O tenho medicado em uma betteira, ele está com as nadadeiras fechadas e não quer comer. Que posso dar-lhe?

R: A solução se chama grindal. Estes vermes são capazes de despertar o apetite dos peixes mais debilitados, e também daqueles que não estão aceitando ração. O alimento vivo (daphnias, larvas de mosquito) chama mais a atenção dos peixes que os alimentos secos, e são uma boa opção para que eles recuperem as forças e o apetite antes de voltar a introduzir de novo uma dieta mais equilibrada.

P: Tenho muitos grindal, já enchi os peixes com eles e os mesmos não os querem mais. Já iniciei uma nova cultura e me sobraram muitos vermes. Que posso fazer com eles?

R: Bom, podes dar umas cêpas àqueles criadores que não o possuem. E depois, existe uma opção que tenho feito ultimamente, congelá-los. Devemos ter em conta que nem sempre se a cultura tem muitos vermes está melhor, ao contrário, há de se ter um termo médio. Quando vemos muitos vermes adultos ao redor dos pellets, devemos retirá-los, já que morreriam sem termos podido aproveitá-los, e contaminar a cultura.

Colocando os Vermes-de-Grindal no blister (embalagem).
Colocando os Vermes-de-Grindal no blister (embalagem).

Deve-se manter um equilíbrio entre adultos e cuidar que não fiquem muitos ao redor dos pellets.

Normalmente uma cultura em seu melhor momento é capaz de produzir praticamente uma colher cheia de vermes a cada dois dias, no que podemos aproveitar para congelá-los.

Eu utilizo embalagens vazias de comprimidos (blisters), uma vez que os tenha utilizado totalmente. São realmente práticos, já que dão a quantidade ideal para um aquário de tamanho médio-grande. Sendo uma quantidade maior, provavelmente os peixes se satisfariam antes de consumi-los todos.

Colhendo com um palito vamos pegando os vermes sem substrato, e vamos enchendo os reservatórios da embalagem.

Não nos preocupemos que os vermes possam escapar, eles não o farão! Como foi dito no início, eles são fotófobos. Quando colocados na luz, tentarão se empelotar no recipiente da embalagem, em lugar de escapar. Coloco-os no congelador imediatamente. Não se preocupe com isto também, já que da mesma forma os vermes tentarão empelotar-se para buscar calor. Quando for usá-los estarão na mesma posição em que foram colocados.

Teremos vermes para vários meses, prontos para ser utilizados quando quisermos, alimentando nossos peixes numerosas vezes. Quando for preciso basta sacar uma pastilha de vermes da embalagem e deixa-la descongelar em uma tampinha.

Uma vez descongelada podemos colocá-la diretamente no aquário ou em porções.

Vermes-de-Grindal congelados em blister (embalagem).
Vermes-de-Grindal congelados em blister (embalagem).

Em relação ao grindal vivo, o congelado tem uma porcentagem de água menor, mas um valor nutritivo similar. A diferença é que os congelados não se movem, são arrastados pela corrente ou caem no fundo. Comparando o comportamento dos peixes ao oferecer o alimento vivo ou congelado, parecem se comportar com mais vivacidade quando os grindal se movem, mas aceitam perfeitamente o grindal descongelado.

P: Tenho muitos vermes e um amigo me pediu uma cêpa. Como posso enviá-los pelo correio?

R: Não há problema em enviar os vermes pelo correio [Nota do editor: No Brasil, não é permitido o transporte de micro-organismos vivos via serviço postal], só deves preparar um recipiente adequado. Por exemplo, uma embalagem de molhos que restaurantes nos dão para levar para casa, um pote de filme fotográfico, um tubo para exame de fezes ou urina, etc. Praticamente qualquer recipiente pequeno que se possa fechar hermeticamente.

Exemplo de cêpa de Vermes-de-Grindal prontos para envio (transporte).
Exemplo de cêpa de Vermes-de-Grindal prontos para envio (transporte).

Existe uma diferença na hora de embalá-los para envio, não devem ter janelas de ventilação, já que por ali poderiam escapar. Por isso, é importante que a turfa que pusermos seja menos molhada que em nossa cultura. O excesso de umidade poderia ser uma das causas da morte dos vermes no trajeto. Coloquemos turfa limpa e uma boa quantidade de vermes.

Podemos enviá-los por encomenda normal, pois podem passar vários dias sem problemas. Se resolvermos colocar um pouco de comida, deve ser mínimo, apenas um pedacinho de pellet e apenas se o substrato não tiver muito úmido, pois a comida o absorveria e estragaria.

Bom, esperamos que tenhamos servido de utilidade para um conhecimento melhor deste alimento vivo, que na verdade é muito fácil de manter e é muito bom para os peixes!


Elena C. “Gaua”

Tradução livre: Paulinho Freitas

Sugestões para estrutura de exposição de Betta splendens em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins

É muito comum encontrarmos em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins, Betta splendens expostos de forma, no mínimo inadequada, em pequeno volume d’água, que geralmente está imunda, com restos de alimentos e excretas no fundo.

Este espetáculo deprimente sempre foi alvo de severas críticas, posicionamentos duros e apaixonados por parte de frequentadores das lojas, frequentadores de fóruns, grupos de discussões, redes sociais, protetores dos animais e da natureza. Estas condições estão longe de ser as ideais para a vida e saúde dos animais e depõem negativamente contra a imagem de uma empresa.

Parece não existir regulamentação sobre o tema até o presente momento, estabelecendo regras claras sobre o tema. Se existem, desconheço. Na falta de tal instrumento, apresento sugestões razoáveis, factíveis, economicamente viáveis e tecnicamente aceitáveis:

1) Aquário de vidro, termo-plástico ou acrílico; capaz de acomodar de 2,5/3,0 litros de água. Este aquário expositor deve ter tampa, para evitar acidentes com os peixes, que podem saltar para fora do aquário. Esta tampa também ajuda a manter o ar que está imediatamente acima da superfície da água, relativamente quente. Lembre-se que Bettas respiram essencialmente o ar atmosférico, através de seus labirintos e que são peixes de região geográfica de clima quente.

Padronize o tamanho dos aquários. Esteticamente fica mais agradável para quem explora o expositor e facilita sobremaneira o manejo diário.

2) Evite colocar substrato nestes aquários. Eles dificultam a limpeza de fundo, permitindo que colônias de fungos e bactérias cresçam de forma descontrolada. Além disto, os peixes podem se ferir durante o processo de captura com puçá (redinha).

3) Introduza plantas aquáticas naturais nos aquários. Além do fantástico efeito visual, elas valorizam a cor do peixe e ajudam a manter a saúde da água do aquário. Plantas que se alimentem de nutrientes existentes na água e que sejam pouco exigentes com relação a iluminação, tais como: Vesicularia dubyana, Pseudotaxiphylium distichaceum, Najas indica, Hydrila verticillata, Nymphoides aquatica, Ceratophyllum demersum, Elodea densa, etc.

4) Estes aquários devem ficar lado a lado. Mantenha uma folha de papel obstruindo 2/3 da área de visão dos peixes. Assim sempre que avistarem os peixes dos aquários vizinhos (e isto não acontecerá o tempo todo, ao ponto de gerar estresse para os animais), ficarão se exibindo uns aos outros, exibindo suas cores e formas exuberantes, defendendo seus respectivos territórios, viris, interessados em procriação e muito provavelmente nidificando.

5) Promova limpeza de fundo nos aquários todos os dias, com a ajuda de uma pipeta ou sifão. Remova excretas e restos de alimentos.

6) Promova TPAs (Trocas Parciais de Água) de aproximadamente 30% da água a cada 2 ou 3 dias. Use água isenta de cloro e metais pesados. Uso de condicionadores de água são recomendáveis. A adição de sal-grosso (de churrasco), na proporção de 1g/litro de água é recomendável. O sal é um bactericida natural, que em pequena dosagem, de forma preventiva, fará muito bem ao animal.

7) Monitore constantemente os parâmetros da água. Principalmente sua temperatura e pH. Promova correções, se necessário for, ajustando estes parâmetros, para os níveis tolerados pela espécie. Sempre de forma bem lenta.

Em regiões geográficas onde acontecem mudanças bruscas de temperatura ao longo do mesmo dia, em pequenos intervalos de tempo é recomendável a instalação de aquecedores nas betteiras, compatíveis com o volume de água, controlados por termostato.

É sempre bom reforçar que é menos estressante para o animal, adaptá-lo ao pH da água que você pode oferecer a ele, de forma bem lenta, do que ficar tentando colocar a água em algum parâmetro específico que você entenda ser o ideal. Lembre-se que você, provavelmente, irá comercializar estes peixes na sua região geográfica, para aquaristas que fazem uso da mesma fonte hídrica (água doce), que sua loja tem acesso e é para esta água (parâmetros) que você deve adaptar os peixes, para que eles se adaptem com menos estresse ao manejo que seus clientes possivelmente darão aos peixes comercializados por sua loja.

8) Ao embalar o peixe para seu cliente, procure usar a água da betteira de exposição, meça o pH e temperatura da água no momento da embalagem, escreva esta informação no saquinho plástico (use caneta de tinta permanente). De preferência faça isto com o acompanhamento do cliente, oriente-o a adaptar o peixe para parâmetros similares, de forma bem lenta, em seu destino. Ofereça ao cliente a mesma ração que você costuma alimentar os animais, para facilitar a adaptação do animal ao novo manejo. Mesmo que seja um bocadinho da ração, suficiente para uma adaptação para outra ração que o cliente prefira oferecer aos seus peixes.

9) Cuidado com seu manejo sanitário. Mantenha os puçás em solução de água sanitária ou água com grande concentração de sal e enxágüe-os muito bem antes de introduzí-los nas betteiras. Lave suas mãos muito bem antes de introduzí-la na água de um aquário.

10) Sempre que você receber um novo lote de Bettas em sua loja, procure mantê-los em quarentena, numa área reservada. Observe a vitalidade dos animais, coloração, apetite, etc. Suspeitando de problemas, peça ao veterinário responsável por sua loja, para examinar os animais, antes de oferecê-los ao público.

Perceba que todas as sugestões apresentadas são perfeitamente factíveis. Melhoram substancialmente as condições ambientais para os animais e sua saúde, podem reduzir as perdas de exemplares dentro do seu estabelecimento e consequentemente reduzem prejuízos. Por outro lado, aumentam suas chances de venda, aumento no nível de satisfação dos clientes, cria-se uma imagem positiva do seu estabelecimento para os frequentadores da loja, fidelizando-os. Mesmo na eventual falta de regulamentação, use o bom senso, pense na sua responsabilidade para com os animais que decidiu expor e vender em sua loja e trabalhe na construção de um “case” de sucesso (da SUA empresa).

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Especiais agradecimentos aos colegas (criadores da espécie, representantes de associações de criadores, lojistas, biólogos, veterinários, pesquisadores e operadores do direito), que muito contribuíram para a construção desta proposta (em ordem alfabética): John Klaus Kanenberg, Lorena Felisberto Goulart Pereira, Luiz Guilherme (Wyatt), Marcelo Assano, Max Wagner Saches Lucas, Ricardo Assunção, Ricardo Liang, Robert dos Santos, Roberto de Souza Godinho, Rodrigo Dutra, Thiago A. V. Cruz, Wesley Mendes, Wilson de Oliveira Vianna.

Manejo sanitário de peixes ornamentais

Provavelmente provocarei alguma polêmica ao afirmar que o método até hoje utilizado pela grande maioria dos aquaristas/criadores brasileiros, ou seja, a de adaptar o peixe para a água do aquário, não é um método correto. Talvez você esteja no grupo que faça desta forma, no meu entender errada. Vou tentar abaixo provar isso para você. Se escrevi alguma besteira, por favor me corrija.

O saco onde o peixe foi transportado pode ser considerado um ambiente quase que fechado. Mesmo se o peixe não foi alimentado um dia antes do embarque, o processo metabólico do peixe produz amônia como um subproduto, secretado através das guelras e da urina.

Na prática, se nós medirmos o pH da água do saco onde os peixes foram transportados não funciona bem porque os ácidos secretados pelo peixe vão causar a diminuição do pH, e a amônia é menos tóxica com pH menor. Como o peixe respira no saco, o dióxido de carbono é liberado na água e um pouco dele é difundido no ar preso na parte superior do saco.

O dióxido de carbono na água ajuda a formar ácido carbônico. Quanto mais tempo o peixe ficar no saco, mais dióxido de carbono é produzido, deslocando o oxigênio e causando um leve esvaziamento do saco. O peixe então se torna levemente asfixiado.

O peixe se torna sonolento, diminuindo sua consciência. O peixe fica sob estresse e o seu manuseio o debilita causando danos ao seu muco. Qualquer agente patogênico que estivesse presente no aquário original teria facilidade em infectar o peixe, pois o seu sistema imunológico estaria nesse momento comprometido. Também a quantidade de matéria orgânica presente no saco seria propicia ao crescimento de bactérias e parasitas.

Nesse ponto em que o peixe chega na sua casa ele está muito vulnerável à doenças. A água do saco é uma água doente, tóxica.

A doença está na água, nos lados do saco, e na superfície externa do saco também. Se você colocar para flutuar o saco no seu aquário, alguns dos agentes patogênicos que existissem no aquário original poderiam estar sendo introduzidos no seu novo aquário. Agora você abre o saco e deixa ele flutuar. Realmente uma má ideia, pois logo que você abre o saco o dióxido de carbono escapa, e um ar relativamente rico em oxigênio logo entra. O dióxido de carbono rapidamente evapora da água. O pH sobe. A amônia no saco repentinamente se torna altamente tóxica com o nível alto de pH. O peixe fica estressado e o seu sistema imunológico declina. Você então começa a adicionar a água do seu aquário para o saco. Agora você faz com que os níveis de pH e dureza da água do saco comecem a oscilar. Isso causa mais estresse para o peixe. Com isso você força o peixe por uma ou mais horas a ir se adaptando aos parâmetros da água do seu aquário, causando mais estresse ao peixe.

Normalmente leva semanas para um peixe se ajustar aos novos parâmetros de uma água nova, e você o força para que isso ocorra em 1 ou 2 horas e isso não é bom no estado de fraqueza atual do peixe.

Ajustar um peixe para um pH mais alto, maior dureza da água (GH) ou maior valor de temperatura é melhor do que para valores mais baixos. Entretanto como o pH é uma escala logarítmica, um grau de diferença é dez vezes maior. O limite para mudanças de pH é de um grau, mudanças de temperatura é de 1 grau Celsius. Dureza é um pouco mais flexível para mudanças, mas você deve chegar o mais próximo possível. Se a variação da troca for muito grande você corre o risco de colocar o peixe em choque. O parâmetro mais importante a se conseguir é o pH correto.

Por isso é importante saber (perguntar ao vendedor) em que água seu peixe foi criado, se o seu criador utilizava sal nos seus aquários, quais os valores de pH e GH. É importante retornar o peixe a esses valores o mais rápido possível.

Essa teoria acima foi-me passada por um criador alemão que foi meu sócio numa criação de guppies nos anos 70, que dificilmente perdia peixes por manuseio errado. Se eu contasse todas suas técnicas muitos ririam, como, por exemplo, jogar água fervendo num aquário com peixes em choque e imediatamente tirá-los daquela situação, voltando os peixes a nadarem normalmente. Eu presenciei tudo isso, e diversas das técnicas eu posteriormente repeti sozinho com sucesso.

Sei que é difícil pessoas que fazem determinados procedimentos há vários anos aceitarem um novo manejo, por isso falei em criar polêmica, opiniões contraditórias. Do modo como a maioria das pessoas fazem também dá certo, mas os peixes com certeza sofrem mais para se adaptar. O método que eu acho mais correto é: Pedir informações ao fornecedor do peixe sobre os parâmetros da água em que os peixes foram criados/enviados, tais como pH, temperatura, GH (dureza) e salinidade.

Preparar um aquário uma semana antes da chegada do peixe e preparar a água nos mesmos parâmetros das informações que você recebeu do fornecedor dos peixes.

Após a chegada dos peixes, deixe o saco no mesmo ambiente do aquário até a estabilização da temperatura (saco fora do aquário), e não coloque o saco em contato com a água do seu aquário pois o saco pode estar transportando agentes patogênicos.

Adicione um condicionador à água do aquário que proteja o muco do peixe. Isso vai ajudar a defesa contra possíveis doenças.

Coloque formalina, ou outro produto com a mesma função, no seu aquário. A formalina vai evaporar e causar ínfimo dano ao ciclo do nitrogênio do seu aquário.

Nunca coloque peixe novo misturado com seus antigos peixes, pois eles podem passar doenças uns para os outros.

Não coloque água do seu aquário dentro do saco. Assim que o saco é aberto o dióxido de carbono vai escapar, o pH vai subir, e os seus peixes entrarão em choque. Imediatamente após abrir o saco coloque um pouco de neutralizador de amônia no saco e meça os parâmetros da água do saco.

Verifique os parâmetros da água que veio junto com o peixe e compare com os valores informados pelo fornecedor. É esperado que o valor de pH tenha diminuído. Se tiver qualquer dúvida, como por exemplo, se passaram informações incorretas para você quanto a água original dos peixes, ajuste o aquário para os parâmetros da água do saco. Se os parâmetros estão realmente baixos, como pH abaixo de 7, coloque os parâmetros do seu aquário ligeiramente acima.

Se o aquário tem os mesmos parâmetros, jogue fora a água do saco e colocando o peixe numa rede e imediatamente o coloque no aquário. Não contamine a água do seu aquário com a água que veio dentro do saco.

Não alimente o peixe no primeiro dia, e dê pouca comida para ele na primeira semana.

Troque por dia 10% da água do aquário até que o ciclo de nitrogênio seja estabelecido e continue esse procedimento até que a água atinja os mesmos parâmetros dos seus outros aquários.

Procedendo dessa maneira as chances de nada de desagradável acontecer com seu novo peixe estarão aumentadas.

Carlos Beserra (in memoriam)

Procriando Betta splendens

Uma das primeiras dificuldades que criadores de Betta splendens se deparam, é com a reprodução de seus peixes em cativeiro. Não por que esta espécie seja difícil de procriar nestas condições, exista algum segredo, mas sim pela desinformação e despreparo.

O criador não precisa se preocupar em ensinar o peixe a se reproduzir, isto é instintivo e natural. Ele precisa se preocupar em criar as condições ideais para que isto aconteça. Se acercar de cuidados e infra-estrutura.

A primeira providência e talvez a mais crítica de todas é começar a cultivar micro-organismos vivos, que servirão de alimentos para as larvas de Bettas, logo após o nascimento. Sem eles, não devem se atrever a começar o acasalamento, sob pena de ver a ninhada morrer, um peixe após o outro, diante de seus olhos, completamente impotentes.

Hoje você encontra na web tutoriais passo-a-passo e inóculos para cultivar micro-organismos como: vermes-do-vinagre, microvermes, vermes-de-grindall, entre vários outros. Também encontra tutoriais para eclodir cistos de artemias franciscanas (salinas), essenciais para as larvas de Bettas. Todos micro-organismos de fácil manejo, que não ocupam muito espaço e acabam se tornando uma fonte de prazer, da mesma forma que o aquarismo gera.

Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.
Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.

A segunda providência é conseguir uma caixa plástica pequena, com tampa, com aproximadamente: 30 cm (C) x 20 cm (L) x 10 cm (A) ou um aquário de aproximadamente 20 litros (com tampa). Este será o ambiente para procriação e desenvolvimento das larvas de Bettas até 90 dias de vida, aproximadamente.

Esta caixa (ou aquário) deve ficar instalada num ambiente tranqüilo, onde não haja grande movimentação de pessoas e/ou animais domésticos que possam assustar os peixes e por a perder o acasalamento ou até mesmo a ninhada. Ao menor sinal de perigo, os pais comerão os ovos ou os filhotes e abandonarão o processo (acasalamento ou cuidados com o ninho).

Coloque nesta caixa (ou aquário), uma coluna de água variando entre 5 e 10 cm de altura, nunca mais do que isto. Se os ovos cairem ao fundo, numa profundidade de água maior, podem inviabilizar o desenvolvimento das larvas. Esta água deve ser isenta de cloro e metais pesados, pH estável (na faixa entre 6,8 e 7,4 – ideal: 7,0) e temperatura também estável (na faixa entre 24 e 30 °C – ideal: 27 °C). Providencie um apoio para o ninho-bolha (não obrigatório), que pode ser um pedaço de folha de amendoeira, um pedaço de plástico ou até mesmo um copinho de café descartável, cortado ao meio. Ele pode ser aderido à borda da caixa (ou aquário), com uma fita adesiva (fita crepe, por exemplo). Minha preferência pessoal pela folha de amendoeira é em função de sua propriedade fungicida/bactericida natural (isto vai deixar a água com cor de chá em poucas horas, não se preocupe com isto). Se você escolher um caminho diferente, adicione fungicida industrializado na água, na dosagem recomendada pelo fabricante. Isto fará com que mais ovos vinguem, que não sejam atacados por fungos. Também adicione 1 g de sal-grosso, para cada litro de água.

Providencie abrigos para a fêmea se esconder do macho, caso ele resolva ficar violento demais e sem paciência de esperar a fêmea estar totalmente pronta para o acasalamento. Pode ser: plantas naturais (musgo de java, samambaia d’água, etc – compatíveis com o pH da sua água), seixos (pedras de fundo de rio, arredondadas – sem arestas cortantes) ou tubos de PVC (espalhe 2 ou 3 “cotovelos” pelo fundo). É raro, mas estes abrigos podem servir até ao macho em alguns casos, onde a fêmea possui temperamento indócil. Isto vai reduzir os riscos de perder matrizes por conta acasalamentos tempestuosos.

Você vai precisar de um cilindro transparente e incolor para conter a fêmea durante 4 dias aproximadamente, dentro desta caixa (ou aquário), longe do alcance do macho, mas em seu campo visual a todo momento, para que possa acontecer a corte e para que ele fique estimulado a construir o ninho-bolha. Você pode usar um pet de água mineral transparente e incolor, cortando seu fundo e parte afunilada da boca, produzindo uma peça cilíndrica. Quando chegar o momento adequado, você vai poder levantar levemente este pet, liberando a fêmea para o acasalamento, sem mexer demais com a água, para não desmanchar o ninho-bolha.

Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).
Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).

Pronto! Agora você criou a infra-estrutura e o ambiente adequado para que o acasalamento ocorra e a ninhada vinge.

Vamos para a fase do acasalamento dos Bettas… Selecione exemplar macho e fêmea saudáveis, de preferência com linhagens definidas e estabilizadas, para obter filhotes compatíveis com a sua linha de trabalho genético. Mas se você é um principiante e quer apenas aprender este manejo, concentre-se apenas em escolher os peixes que mais lhe agradam esteticamente, que estejam em pleno vigor físico e bem alimentados. Aqui vai uma dica importante: escolha uma fêmea ligeiramente menor que o macho, para facilitar a cópula do casal.

Se você é uma pessoa ocupada, dispõe de pouco tempo, programe a soltura do casal na caixa de cria e desenvolvimento das larvas de Bettas (ou aquário), para dias onde você possa acompanhar, fotografar, se deleitar com este espetáculo da natureza. A procriação deste peixe é magnífica, um show.

Coloque o macho na caixa de cria e desenvolvimento de larvas de Bettas (ou aquário), para que se sinta o dono do território. Ele deve ficar sozinho neste espaço por 2 dias aproximandamente. Decorrido este tempo, introduza a fêmea, contida num cilindro transparente e incolor, afastado das bordas da caixa (ou aquário), de forma a permitir que o macho circule o cilindro, se exibindo para a fêmea, fazer a corte.

Este período de exposição deve durar aproximadamente 4 dias. Ao mesmo tempo que o macho corteja a fêmea, ele deve contruir o ninho-bolha, para receber os ovos da postura da fêmea. Por outro lado, a fêmea recebendo estímulos, começa a produzir ovos. Ao final do quarto dia de “namoro”, levante o cilindro suavemente para não desmanchar o ninho-bolha.

No outro dia, pela manhã, existe uma enorme possibilidade do casal já haver se entendido e dão início ao acasalamento propriamente dito.

Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).
Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).

O macho leva a fêmea para baixo do ninho-bolha e o acasalamento se inicia. Geralmente a fêmea neste momento está totalmente submissa ao macho e procura nadar com a cabeça mais baixa. Ambos procuram se colocar lado a lado, em sentidos opostos e vão se “empurrando”, como se medissem forças. Num determinado momento a fêmea se afasta um pouco e nada em direção ao macho, dando um giro no corpo, nadando de barriga para cima. Ao passar ao lado do macho ele dobra seu corpo, envolvendo a fêmea e lhe dá um apertão (suave), ao mesmo tempo que fecunda os ovos. Ambos dão uma pequena relaxada e caem desmaiados ao fundo aquário. Enquanto a fêmea vai ao fundo, liberando os ovos. O macho, tão logo recupera o controle de seu corpo, passa a recolher os ovos com a boca e vai depositando no ninho-bolha. Este processo pode durar horas, inúmeros abraços ocorrerão, até que os ovos da fêmea se esgotem. Naturalmente ela se afasta, foge do macho e neste momento você deve retirá-la da caixa plástica (ou aquário), sem agitar a água, sem correrias. Geralmente ela fica tão esgotada que fica prostrada e permite ser capturada, sem muito esforço para fugir.

Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).
Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).

O macho assume o controle da ninhada sozinho. Ele vai melhorando e reparando o ninho-bolha, de acordo com a necessidade.

Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).
Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).

No máximo 48 horas após, as larvas nascem e ficam “espetadas” no ninho. Quando caem ao fundo (na vertical), por que são pesadas, estão com o sacos vitelinos ainda cheios, o macho as recolhe na boca e as repõe no ninho-bolha. Tarefa inglória, nascem aproximadamente 300 filhotes. Ele fica a todo momento recolhendo as larvas e as recolocando no ninho-bolha.

Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.
Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.

Os filhotes, nesta fase da vida, se alimentam do saco vitelino, que aos poucos vão se exaurindo e quando isto acontece eles conseguem nadar na horizontal. Passadas outras 48 horas, desde a eclosão dos ovos, a maioria das larvas já nada na horizontal e o macho está nitidamente exausto. Ao final do dia é chegada a hora de retirar o macho da caixa plástica (ou aquário). Pegue-o com uma rede de tramas largas, para não capturar larvas acidentalmente ou com sua própria mão, com muito cuidado.

No outro dia, pela manhã, as larvas passarão a ser sua responsabilidade e precisam começar a comer. Comer aqueles micro-organismos que você previamente começou a cultivar, se preparando para o nascimento deles.

Coloque uma pedra porosa bem fraquinha nesta caixa de desenvolvimento das larvas (ou aquário), tome o cuidado para mantê-la sempre tampada para manter o ar bem úmido acima da lâmina d’água. Pode retirar o suporte para o ninho, as proteções oferecidas para a fêmea. Se você usou plantas naturais como abrigo, pode deixá-las na caixa (ou aquário).

Comece a alimentar suas larvas de Betta splendens, sempre em pequenas doses, o maior número de vezes possível, durante o período de insolação. Se possível de hora em hora. Se houver sobras, remova-as com o auxílio de uma pipeta ou sifão, com muito cuidado para não sugar larvas.

Varie a dieta das larvas, ofereça basicamente alimentos vivos e pós bem finos. Depois dos 30 dias, já é possível começar a introduzir na dieta as rações industrializadas.

Os próximos 40 a 50 dias de vida das de Bettas são bem críticos. A maioria da ninhada vai demorar este tempo para ter o labirinto formado. Labirinto é por onde os Betta splendens respiram, fora da água. Então evite ficar abrindo a caixa para não dissipar o calor do ar que está acima da lâmina d’água, cuidado com os parâmetros da água (pH e temperatura) e mantenha esta água saudável evitando sobras de comida, por exemplo.

Reprodução de Betta splendens em cativeiro

Em geral os Betta splendens já estão prontos para o acasalamento por volta dos 3 meses de vida, porém é recomendável que isto não aconteça antes dos 5 meses, esperando que todas as características fenotípicas do peixe aflorem. Para decidir com mais assertividade, quais exemplares você deve utilizar nos acasalamentos, exemplares que exibam as melhores características que você deseja trabalhar.

Se reproduzem facilmente e geram proles numerosas (mais de 300 larvas em cada ninhada – nem todas sobrevivem, mas um número expressivo vinga).

O cortejo e o acasalamento oferecem um espetáculo belíssimo e arrebatador de se assistir.

Comumente o macho é colocado num aquário pequeno (+/- 20 litros) com coluna d’água de aproximadamente 10 cm (vide condições ideais da água em “Manejo Básico”), para começar a se sentir dono do território.

Depois de 2 dias, aproximadamente, a fêmea é introduzida no aquário, mas dentro de um vidro transparente, sem fundo, onde é vista, mas não tocada pelo macho.

Fêmea protegida, mas ao alcance visual do macho.
Fêmea protegida, mas ao alcance visual do macho.

O macho imediatamente começa o seu ritual de exibição para a fêmea e passa a construir um ninho com bolhas de ar, na superfície d’água.

Este processo pode durar até 8 dias, em casos extremos. A fêmea se mostra preparada para o acasalamento, quando seu oviduto estiver dilatado, com uma ponta branca, apresentando no corpo listas verticais (nas fêmeas de cor escura isto é visível). Ela dá sinais de submissão ao macho.

Neste momento o macho já está com o ninho totalmente pronto (enorme colchão de bolhas) e é hora de libertar a fêmea (com cuidado para não agitar a água e desmanchar o ninho de bolhas), que deverá ter, a esta altura, um comportamento submisso, se deixando levar para baixo do ninho.

É conveniente providenciar abrigo para a fêmea se proteger, caso o macho se mostre muito violento ou ela ainda não esteja totalmente pronta para o acasalamento. Podem ser: pedras sem arestas, seixos de rio, plantas aquáticas naturais (musgo de java, samanbaia d’água, etc) ou até cotovelos de PVC, como na foto acima.

Os dois ficam algum tempo nas preliminares mas logo acontecerá o primeiro de vários abraços delicados e suaves que o macho dará na fêmea, espremendo-a para liberação dos ovos, fertilizando-os neste instante.

Acasalamento de WP (White Platinum) Macho e WO (White Opaque) Fêmea.
Acasalamento de WP (White Platinum) Macho e WO (White Opaque) Fêmea.

Os ovos, dezenas de cada vez, são expelidos e vão caindo lentamente no fundo do aquário. Geralmente a fêmea fica meio atordoada por alguns instantes e enquanto se recupera, o macho vai coletando em sua boca, ovo por ovo e depois os deposita no colchão de bolhas. Estas rotinas de abraços, posturas, fecundações, coletas, acomodação dos ovos se repetem por várias vêzes.

Concluída a postura, a fêmea é retirada do aquário por que o macho assume a guarda do ninho, se preciso com bastante violência, não permitindo a aproximação da fêmea. No habitat natural ela naturalmente guardaria distância segura do macho, mas confinada no aquário, poderá ser morta.

Pelos próximos 2 (dois) dias, o macho protege e arruma o ninho o tempo todo. Após o nascimento las larvas, por mais 2 (dois) dias ele pega os filhotes que caem do ninho e os recoloca no colchão, até que já possam se virar sozinhos. Neste momento quem é retirado do aquário de procriação é o macho, senão as larvas é que correm perigo de serem devoradas pelo pai. A partir daí você é totalmente responsável pela ninhada, monitorando a qualidade da água, oferecendo alimentos vivos, à princípio, e depois, no momento adequado, por introduzir rações balanceadas na dieta dos filhotes.

Condicionadores de água

Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários. Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.

Ele tinha razão. Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.

Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário. A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente.

Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes.

Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador. Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.

A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados.

Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”. Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.

Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.

Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo. Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.

Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.

Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.

Clarificantes

Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.

Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros. Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.

Aclimatadores

Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.

Prorrogadores de trocas parciais

Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.

Controladores de Amônia

O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar… Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio – NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.

Sérgio Gomes
Artigo publicado originalmente na Revista AquaMagazine nº 04 (2008) – Reprodução autorizada.

Climatização de estufas de peixes ornamentais com uso de condicionadores de ar

A vantagem do uso do condicionador de ar domestico é seu custo operacional, bem mais baixo que o custo dos aquecedores elétricos ou a gás. O custo com energia dos aquecedores a gás ou elétricos e principalmente desses, é muito mais elevado do que o custo com energia do condicionador de ar. Por ser um transferidor de calor, de um ambiente para outro, ele utiliza a energia elétrica apenas para impulsionar o embolo de seu compressor e movimentar as pás de seu pequeno ventilador. Ele, ao contrario dos aquecedores por resistências elétricas, não transforma energia elétrica em energia térmica. O condicionador de ar, através de expansão e compressão do gás refrigerante, transfere calor de um ambiente externo para um ambiente interno, podendo inverter o ciclo e funcionar de forma inversa. Então, se necessitarmos aquecer a estufa no inverno, ele irá transferir calor de fora para dentro da estufa. No verão, quando necessitarmos refrigerar a estufa, ele procederá de forma inversa, transferindo calor do ambiente interno para o ambiente externo.

A vantagem é evidente em conforto, pois o aquecimento é feito em grandes quantidades de calor, porém a baixa temperatura, o que evita o desconfortável efeito das resistências, que deixam o ar pesado, queimam oxigênio e geram desconforto.

Outra vantagem já foi falada acima e refere-se ao consumo de energia elétrica, muito menor que o consumo das resistências.

Mas nem tudo são flores. A aquisição do condicionador de ar custará muito mais caro. O retorno do investimento, por economia de energia elétrica, no entanto, dependendo do clima e do tamanho e isolação térmica da estufa, poderá acontecer ainda dentro do primeiro ano.

No mercado, existem basicamente, dois tipos de aparelhos. Os chamados “Condicionadores de ar de janela”, e os do tipo ´Split´. Esses últimos, um pouco mais caros, porém mais modernos e eficientes, com instalação bastante simples.

A grande condicionante para utilização dos condicionadores de ar é, no entanto, a temperatura externa esperada para a região. Eles desligam quando a temperatura externa chegar a 4º C. Então, em regiões de clima muito frio, recomendo a instalação de um aquecedor elétrico com termostato, em paralelo com o condicionador de ar. Em caso de desligamento por temperatura extrema, o termostato do aquecedor irá acioná-lo, evitando o esfriamento da estufa.

Uma estufa como a minha, com 12 metros quadrados, fica bem atendida com um aparelho de 9.000 BTU’s e que custa aproximadamente R$ 900,00. Haverá o custo de instalação se for do tipo Split, o que costuma custar mais R$ 400,00. Se puder dispor de um valor mais elevado, poderá optar por um aparelho de 12.000 BTU’s. Lembre no entanto que o tamanho da estufa e sua isolação térmica do ambiente, irá determinar a potência do aparelho.

Deverá ser considerado ao isolar a estufa, que o ar quente sobe e que para aquecer no inverno, com eficiência, a parte superior da mesma (pé direito) deverá ser baixa e bem isolada. Já no verão ocorrerá o contrario, pois o ar frio permanece junto ao piso, exigindo que as paredes, portas e janelas sejam melhor isoladas.

Concluindo, tenho como uma boa alternativa para climatização de estufas, o emprego de aparelhos de condicionamento de ar do tipo doméstico, com ciclo reverso, (quente e frio) independentemente de serem Split ou de janela.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta Splendens em Santa Catarina

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
0,022
0,039
0,073
7,4
22
0,003
0,006
0,011
0,023
0,040
0,074
25
0,004
0,007
0,014
0,028
0,049
0,092
28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

A nutrição dos peixes ornamentais

Desde que o homem começou a criar peixes em reservatórios, ele tem se esforçado para prover estes com as melhores condições de sobrevida e desenvolvimento. Ir ao encontro das necessidades nutricionais de todas as espécies de peixes mantidas em criatórios, considerando o fato de que estas podem ser herbívoras, omnívoras ou carnívoras, tem sido uma das maiores façanhas da piscicultura nas últimas décadas. Os peixes são um grupo de animais muito diverso, e conseguir satisfazer os requerimentos nutricionais de cada espécie com valor comercial, é realmente um grande desafio. Os aquaristas ao redor do mundo têm sido informados pelos tão renomados “especialistas” em nutrição animal aquática, de que não existe um único alimento capaz de satisfazer todos os requerimentos nutricionais dos peixes ornamentais, e como tal promovem a recomendação da dieta variada como a melhor maneira de assegurar que tais necessidades sejam totalmente atendidas. O que acontece na realidade é que, substituindo um produto alimentar deficiente por outro igualmente incompleto sob o ponto de vista nutricional, não se resolve a questão alimentar dos peixes em manutenção ou criação. É sem dúvida muito melhor contar com um único produto, que contenha toda a variedade de nutrientes necessários para cobrir todas as necessidades nutricionais dos peixes.

Temos assistido nos últimos 25 anos a grandes mudanças na indústria alimentícia de animais domésticos, cujo exemplo maior seriam os cães e os gatos, com inúmeras marcas de rações sendo usadas pelos donos e criadores destes animais. Algumas destas rações secas são comercializadas como dietas holísticas, com algumas marcas oferecendo fórmulas à base de vegetais, que contêm até ervas medicinais e tonificantes. Estas formulações de alta qualidade oferecem uma nutrição completa e balanceada, e a maioria dos donos as fornecem com exclusividade e durante todo o período de vida de seus animais de estimação. Os cães e os gatos alimentados desta maneira são muito mais saudáveis, vivem mais tempo e com muito menos doenças, e muito desta melhoria de condições se deve a uma dieta completa e balanceada que o fornecimento único de rações tem realizado. No entanto, se perguntarmos a este mesmo dono de cachorros como ele alimenta os peixes do seu aquário, provavelmente ele nos mostrará alguns potes de ração seca floculada e/ou granulada, outros pacotes de comida liofilizada, bandejas de alimentos congelados no freezer … como o Mr. Spock diria no seriado Jornada nas Estrelas, “isto é altamente ilógico”.

Alimentos comerciais para peixes

Os avanços científicos através do século XX permitiram também que se mantivessem peixes em aquários com mais facilidade e conveniência do que nunca tinha acontecido, apesar de alguns segmentos da indústria de alimentação de peixes terem estacionado há mais ou menos trinta anos atrás, quando parecia que não haveria mais perspectivas de evolução e melhoramentos. Estima-se que haja em torno de 60 milhões de aquaristas em todo o mundo, mas o assunto da nutrição de peixes continua sendo o aspecto mais mal compreendido de todas as facetas da manutenção e criação destes animais aquáticos, com todas as mentiras, mitos e falácias sendo regurgitados repetidamente de tal maneira que alguns destes passaram a ser aceitos como fatos e verdades. A nutrição dos peixes mantidos em aquários e tanques é um dos aspectos mais importantes da manutenção de muitas espécies vivas em cativeiro, e no entanto é uma das menos discutidas e compreendidas na atualidade. Os aquaristas de uma maneira geral gastam centenas ou milhares de dólares em equipamentos para seus aquários, mas quando se trata de determinar qual a melhor dieta que deverão usar para seus peixes, normalmente seguem a tendência geral de utilizar uma alimentação variada preconizada por seus amigos, ou escolhem o tipo de alimento conforme a figura da espécie de peixe fotografada no rótulo. É claro que um pote de ração com a figura de um Paracanthurus hepatus (Tang azul real, peixe ornamental marinho) no rótulo deve conter alimento adequado para esta espécie, correto? Bem, talvez sim, mas pode ser que não também.

Conhecendo os rótulos

Este assunto parece causar muita confusão na cabeça dos aquaristas, de maneira que se torna necessário abordá-lo neste artigo. Na sua maior parte a indústria de rações é auto-regulada, o que quer dizer que se torna fácil manipular uma lista de ingredientes para se favorecer o próprio produto. Por exemplo, se o teor de cinzas é muito alto na ração, a maneira mais fácil de o fabricante contornar o problema é simplesmente não mencionar este parâmetro no rótulo. O teor de cinzas de uma ração vem dos ossos, conchas e escamas dos animais marinhos utilizados na ração, que possuem altas concentrações de cálcio e fósforo; de uma certa maneira, esse teor é inevitável. Mas a cinza proveniente dos minerais de ingredientes crus como as algas Kelp e Spirulina, apesar de benéficos, devem ser limitados. Se uma quantidade excessiva for usada, pode ter um efeito negativo, pois os peixes conseguem assimilar tanto conteúdo mineral que depois o expelem para o ambiente, poluindo a água do aquário ou tanque. Um fabricante de ração menos escrupuloso pode usar pouquíssima quantidade de um ingrediente cru como a alga Spirulina , mas colorir artificialmente a sua ração com uma anilina verde, e promovê-la como uma ração à base desta alga microscópica recomendada especificamente para peixes herbívoros. Mas se o aquarista ler o rótulo cuidadosamente, em alguns casos poderá descobrir que a ração fabricada para peixes herbívoros na verdade é baseada em muita farinha de peixe, e que contem muito pouca alga ou matéria vegetal, e em vez disto possui muito “enchimento” como milho, farelo, batata, etc.

O fabricante pode listar lagosta e siri nos seus ingredientes para dar um significado de qualidade, mas na realidade trata-se apenas das partes não aproveitáveis destes animais. Ele pode também listar muitas espécies de peixes que fazem parte da farinha, mas a farinha de peixe continua sendo um ingrediente único; explicando, se usamos 500 Kg de farinha de peixe por tonelada de ração, não importa de quantas espécies de peixes essa farinha é constituída, pois elas continuam fazendo parte de uma única farinha de peixe, e no final são os mesmos 500 Kg de farinha de peixe por tonelada de ração. E o segundo ou o terceiro ingrediente costuma ser o agente ligante, como a farinha de trigo, por exemplo. Muitos aquaristas desavisados leem muitas espécies de peixes na listagem de ingredientes, seguidos por farinha de trigo, e são levados a acreditar que esta ração em particular deve possuir uma alta concentração de proteína de peixe e pouco ingrediente ligante. Na verdade trata-se de mais uma ração genérica à base de farinha de peixe. Todos as rações aquáticas necessitam de um agente ligante de qualidade, senão seus ingredientes se dissolverão rapidamente quando imersos na água. Rações de qualidade usam um máximo de 25% de liga (substância, agente ligante), enquanto que rações de qualidade inferior podem possuir até 50% de farinha ligante.

Pode haver também uma grande amplitude de opções de utilização dos nutrientes nas diversas categorias de ingredientes usados. Assim, farinha de camarão é tipicamente constituída das cabeças e cascas destes crustáceos, e muitas farinhas de peixe são constituídas dos restos do processamento das indústrias de sardinhas, por exemplo. No entanto, lamentamos informar que uma ração de alta qualidade usa nada mais nada menos que os peixes por inteiro, como Krill, mexilhões, arenques, etc., e não os desperdícios das indústrias de processamento.

“A prova do pudim é feita ao comê-lo”

É possível que uma das principais razões pelas quais a dieta variada tem sido promovida por todos esses anos, seja devido ao fato de que até à década passada a maior parte das rações comerciais não conseguiam fornecer uma nutrição completa? Ou os lucros e a política têm um papel preponderante nesta filosofia há longo tempo sustentada? A maioria das revistas e periódicos do ramo da aquariofilia são voltadas para a difusão sobre a manutenção ideal de peixes, e fornecem assim um bom serviço de assistência aos aquaristas, mas por causa dos anúncios dos fabricantes e dos fundos que sustentam este tipo de publicações, elas não podem publicar estudos comparativos sobre o desempenho das diversas rações existentes no mercado.

Cremos que a maioria dos aquaristas, no entanto, gostaria de ver o resultado de um experimento controlado onde se estudasse o desempenho das principais rações “top of the line” existentes no mercado. Bem, este tipo de estudos têm sido feitos. Em 2002, um estudo aprofundado foi realizado em cerca de 33 tipos de rações mais conceituadas no mercado, por um grupo de veterinários de Cingapura. Novamente em Fevereiro de 2007 o colégio Sparsholt da Grã-Bretanha completou um experimento nutricional com ciclídeos do lago Malawi, mas infelizmente todos estes estudos e principalmente o resultado deles obtido não foi divulgado, devido à política dos interesses envolvidos. Acreditamos por isso que cada aquarista deve levar a efeito seus próprios testes, por mais que não sigam os parâmetros extremamente controlados e rígidos dos experimentos científicos. Parece-nos a única maneira de o aquarista achar seus próprios resultados e compartilhá-los com outros entusiastas do hobby, para se promover enfim o assunto há tão longo tempo negligenciado da nutrição dos peixes. Chegue à sua própria conclusão, em vez de ficar regurgitando o que os fabricantes defendem. Não devemos isto aos nossos hóspedes aquáticos, quer dizer, não devemos proporcionar aos nossos peixes uma vida longa e saudável?

Em 1996, quando publicamos o livro “Marine Aquarium Companion” , considerávamos certas espécies de peixes marinhos, como o peixe-escorpião por exemplo (Pterois sp.), condenadas à morte quando mantidas no confinamento do aquário, devido à sua dieta especializada no meio ambiente marinho natural. Àquela época achávamos que nenhum alimento artificial poderia manter as espécies marinhas mais delicadas a longo prazo, e que o peixe-escorpião era uma espécie pacífica de peixe! Logo descobrimos que qualquer peixe à beira da morte tem um comportamento forçosamente pacífico. Na verdade, um peixe-escorpião saudável e que está prosperando é um animal bastante agressivo, e logo descobriríamos isto quando conseguimos formular a ração adequada para esta e outras espécies marinhas similares.

São omnívoras a maior parte das espécies de peixes?

Para o aquarista marinho, os Tangs azuis do Atlântico (Acanthurus coeruleus) são considerados peixes primariamente herbívoros. Apesar de serem na verdade peixes que “pastam” nas rochas cobertas de algas, com lábios e dentes apropriados para cortarem estas plantas aquáticas, na verdade sabemos por estudos de nutrição com esta espécie que ela necessita muito mais do que apenas algas para serem mantidas no confinamento do aquário. Um estudo feito na Universidade da Flórida pela Dra Ruth Francis Floyd e seu colega Dr. Chris Tilghman, sobre a alimentação do Blue Tang, mostrou que, numa população desta espécie de peixe dividida em três grupos, os exemplares alimentados com ração de proteína marinha sofreram uma mortalidade de apenas 30% enquanto que o restante dos indivíduos sobreviventes deste grupo tiveram um ganho de peso de 400%; os dois outros grupos, alimentados um com ração exclusiva para herbívoros e o outro apenas com a alga marinha do gênero Ulva, tiveram altas taxas de mortalidade (80%) e todos os exemplares apresentavam sinais clínicos de desnutrição, como emagrecimento acentuado. Apesar das informações sobre este importante experimento terem sido explanadas na Conferência Internacional sobre Peixes Marinhos, que aconteceu em Buena Vista Lake, Flórida, em Novembro de 2001, fora deste evento os resultados nunca se fizeram conhecidos.

Enquanto os ictiologistas estão muito ocupados descrevendo e classificando novas espécies de peixes a cada ano, existe muito ainda por saber sobre a biologia e o comportamento destas mesmas espécies e daquelas já descritas. Apesar de todos os peixes possuírem métodos especializados de alimentação no meio natural, e ingerirem preferencialmente certos materiais em detrimento de outros, na maior parte das vezes eles são oportunistas e comem de tudo um pouco que conseguem abocanhar, complementando a sua alimentação com nutrientes de outras fontes que não apenas as preferenciais. Assim, mesmo os Blue Tangs, apesar de serem herbívoros especializados, ingerem uma certa quantidade de nutrientes de outras fontes que não apenas as algas. Os ciclídeos de água doce dos lagos africanos Malawi e Tanganika são das espécies de peixes mais especializadas nos hábitos alimentares encontradas no nosso planeta, e ainda aqui todas são oportunistas quando a ocasião se depara. Muitas pessoas se preocupam demais com a quantidade de matéria vegetal que algumas espécies de peixes comem, quando deveriam saber qual a verdadeira origem das fontes de proteína no ambiente natural. A realidade é que apesar das algas dominarem o conteúdo estomacal da maioria das espécies de ciclídeos africanos, e estes terem sido portanto classificados como peixes herbívoros, os alimentos que na verdade os fazem crescer são ninfas e larvas de insetos, crustáceos, caramujos e zooplancton, e não o material vegetal. Isto é algo que a maioria dos aquaristas não leva em consideração. Alguns aficcionados do hobby podem achar que alimentar um peixe-cirurgião com uma dieta de algas pode ser mais natural do que com uma ração granulada ou floculada, mas isto não poderia estar mais distante da verdade, e os resultados da pesquisa feita na Universidade da Flórida demonstram isto. No meio ambiente natural, os peixes herbívoros têm que se alimentar constantemente por pelo menos 12 horas ao dia, para conseguirem ingerir nutrientes suficientes. Durante este período eles também descarregam fezes e urina contínuamente. No meio ambiente confinado do aquário ou tanque, estes mesmos peixes não possuem uma quantidade ilimitada de algas para pastarem o tempo todo, e mesmo que o aquarista conseguisse alimentá-los a cada hora, isto adicionaria quantidades massivas de poluição ao ambiente confinado do recipiente. Um aquário não representa nem uma ínfima fração do volume de água disponível no oceano ou num lago. De maneira que peixes classificados como herbívoros possam prosperar num aquário ou tanque, eles devem ingerir uma quantidade suficiente de nutrientes da sua dieta, e a situação que acontece no meio silvestre não tem a mínima chance de ser duplicada em confinamento.

Os peixes carnívoros se alimentam de outros peixes no seu meio ambiente natural, mas estes outros peixes na verdade encontram-se “recheados” de outras formas de vida, como espécimes do fito e do zooplancton, pois fazem parte de toda uma cadeia alimentar. Assim, todas estas presas e seus predadores fornecem uma nutrição balanceada que não pode ser comparada a apenas fornecer peixes vivos ou congelados como alimento. Assim como os espécimes mantidos em confinamento, mesmo os carnívoros no meio ambiente natural consomem uma certa quantidade de matéria vegetal, para obterem nutrientes variados que podem estar faltando na sua dieta. A realidade é que os carnívoros não se alimentam apenas de carne, da mesma maneira que os herbívoros não ingerem apenas vegetais.

Ao longo dos anos a maioria dos aquaristas têm sido levados a acreditar que os peixes classificados como herbívoros devem comer uma dieta à base de vegetais, de maneira a prosperarem em cativeiro, mas isto simplesmente não é o caso. Nós mesmos da New Life falhamos redondamente no passado quando tentamos criar uma fórmula específica para peixes herbívoros, usando apenas ingredientes vegetais, e aprendemos depois com nossos erros. Poderíamos ter feito lucros financeiros comercializando uma ração que tivesse este tipo de apelo, mas teria sido pouco ético fazer isto. Nós simplesmente não poderíamos fabricar e vender uma ração que realmente não beneficiasse o alvo de nossa atenção, os peixes.

Proteína: os blocos de construção

Muitos hobbystas se ligam nas porcentagens de proteínas mostradas nos rótulos das embalagens de rações, sem entenderem de verdade o que esses números significam. Por exemplo, o nível de porcentagem de proteína não informa nada sobre a qualidade dessa proteína. O valor da proteína está diretamente relacionado ao conteúdo de aminoácidos, como a Arginina, a Histidina, a Isoleucina, a Leucina, a Lisina, a Metionina, a Fenilalanina, a Treonina, o Triptofano, e a Valina, que essencialmente são os blocos de construção das proteínas, para os músculos e o crescimento. A porcentagem da proteína mostrada no rótulo não nos diz como a proteína foi processada, ou mesmo se ela se encontra sob uma forma que o peixe possa prontamente digerir e utilizar. A não ser que a proteína contida na ração possa ser totalmente digerida pelos peixes, o nível de porcentagem da proteína crua no rótulo não terá nenhum significado.

Proteína de alta qualidade que é fácilmente digerida pelos peixes nunca causa problemas gastrointestinais, não importa se aqueles são herbívoros, omnívoros ou carnívoros. A proteína em excesso é na sua maior parte excretada como desperdício. A idéia difundida de que o excesso de proteína causa inchaço abdominal ou qualquer outro tipo de problemas gastrointestinais, é totalmente imprecisa. Proteína de baixa qualidade, ou outros ingredientes difíceis de digerir é que normalmente são os causadores de problemas gástricos nos peixes. Os aquaristas que mantêm peixes carnívoros querem o maior teor de proteína na ração que puderem encontrar, e aqueles que mantêm herbívoros parecem querer o menor, e nenhum deles parece entender os princípios básicos envolvidos. O nosso conselho é que se deve esquecer os números encontrados nos rótulos, e concentrar-se na qualidade da proteína.

Os ingredientes listados no rótulo da embalagem da ração deverão ser a primeira consideração sobre a qualidade do conteúdo de proteína. Deve-se evitar aqueles que contêm muito grão como farelo de trigo, milho, farinhas vegetais, batata, ou soja, como primeiros ingredientes listados, uma vez que estes costumam ser os mais prevalentes. Procurar, em vez disto, por ingredientes de alta qualidade, como proteínas derivadas de arenque inteiro, Krill, mexilhão e lula, como sendo os primeiros itens da lista.

Muita gente pensa que a farinha de peixe seja uma fonte fraca de proteínas, mas isto não é verdade. A farinha de peixe é utilizada na indústria alimentar animal numa infinidade de aplicações que incluem rações para animais de estimação, aves e concentrados protéicos, sendo uma excelente fonte de proteínas rica em aminoácidos essenciais, ácidos graxos e vitaminas e minerais. Farinha de peixe de alta qualidade é obtida a partir do processamento de peixes inteiros, como o arenque, e não de sub-produtos da moagem dos restos da indústria pesqueira. Este último tipo de farinha de peixe costuma perder a qualidade ao longo do tempo, e como geralmente é constituída de restos de cabeças, escamas e espinhas, costuma fornecer um excessivo conteúdo de cinzas à ração. Alguns rótulos de rações simplesmente nem listam o conteúdo de cinzas. Óbviamente que é muito mais barato para um fabricante de rações usar este tipo de ingrediente cru do que uma fonte de proteína de alta qualidade como o Krill sul-antártico, arenque inteiro, mexilhões ou lulas. Se a farinha de peixe não está listada como ingrediente principal e o conteúdo de cinza é menor do que 9%, normalmente indica que muita soja, glúten de milho ou farinha de sangue estão sendo utilizados. Apesar de algumas espécies de peixes como a carpa japonesa decorativa (nishikigoi) conseguirem assimilar grandes quantidades de soja e glúten de milho, a maior parte das espécies de peixes tropicais ornamentais não consegue isto, e a farinha de sangue, apesar de ter um nível alto de proteína, é pobre em muitos aminoácidos essenciais.

Carbohidratos

Os peixes não usam carbohidratos de maneira muito eficiente, e em rações de qualidade eles são usados mais como agente ligante durante o processo de manufatura. Sem farinha de algum grão a ração simplesmente se desfaz na água. Devido ao fato de que os carbohidratos são uma fonte barata de energia nas rações, algumas fórmulas utilizam grandes quantidades deste tipo de nutriente para baratear os custos. A lógica usada é: se é mais barato, porque não usar? As farinhas de grãos têm o seu lugar nas rações para peixes, servindo como substâncias ligantes e ajudando na síntese dos lipídios e proteínas. Todavia, se quantidades excessivas forem usadas, os peixes podem estocar como gordura em seus organismos, ou podem aumentar a quantidade de desperdício sólido expelido. Isto leva a uma poluição excessiva sendo adicionada ao aquário ou tanque. Os produtos derivados dos grãos também são muito difíceis de digerir em muitas espécies de peixes, e quando usados em excesso podem causar problemas gastrointestinais devido à digestibilidade e absorção deficientes. Consequentemente, as bactérias patogênicas começam a se multiplicar no trato intestinal, dobrando de número populacional a cada vinte minutos, resultando no entumescimento (inchaço) abdominal. Na maioria dos casos esta condição é extremamente contagiosa e o resultado final é quase sempre fatal.

Lipídios: quanto é demais?

Os lipídios (gorduras – ácidos graxos ômega 3 e 6) são nutrientes altamente energéticos que suprem aproximadamente duas vezes a energia que os carboidratos e as proteínas são capazes de fornecer, e tipicamente compreendem cerca de 5 a 10% das dietas de peixes tropicais. Os lipídios também fornecem ácidos graxos essenciais e servem como veículos de transporte para as vitaminas lipo-solúveis.

Acúmulo de gordura no fígado tem sido designado como um dos problemas metabólicos mais comuns em peixes, e frequentemente causa a morte destes. A conexão entre lipídios em excesso e a doença de acúmulo de gordura no fígado dos peixes tem sido algo bem comum e conhecido na indústria da aquacultura por muitos anos. O Departamento de Pesca e Ciências Aquáticas da Universidade da Flórida confirmou recentemente esta tendência, num estudo que envolveu ciclídeos africanos como sujeitos do experimento. Ainda assim a tendência recente em algumas rações para peixes é usar níveis altos de gorduras na dieta, de maneira a substituir parcialmente o nível de proteína. Apesar desta prática ajudar a reduzir custos na formulação das rações, ela tem efeitos deletérios na saúde dos peixes, como excessiva deposição de gordura no fígado destes animais. Na nossa opinião 5% de lipídios na ração não é um nível de composição da dieta que vá de encontro a todo o requerimento energético dos peixes, mas com esta taxa eles podem compensar com a ingestão de proteína para compensar algum do dispêndio de energia. Usando este nível de inserção de lipídios, não haverá em nenhum momento gordura em excesso para ser metabolizada e depositada no fígado. É preciso saber que existe uma grande diferença entre um peixe gordo, e um peixe com tônus muscular.

Digestibilidade

Se o custo da ração é um ponto importante a considerar, e normalmente o é, precisamos no entanto de prestar atenção ao fator conversão alimentar, o que a maioria dos aquaristas não faz. Não se pode comparar rações apenas pelo seu preço, pois isto é impossível de se fazer! Na maioria dos casos, a ração mais cara é na verdade a melhor, por possuir ingredientes mais digeríveis e consequentemente uma taxa de conversão alimentar bem menor (quantidade de ração fornecida versus ganho de peso). Mesmo para o aquarista que possui apenas um ou dois aquários, a economia pode ser substancial, entre uma ração de alta qualidade e de fácil digestão e absorção, e outra que possui ingredientes de baixa qualidade e pouca absorção. Muitos aquaristas podem até nem notar a diferença, mas quando se começa a gerenciar dezenas ou centenas de tanques ou aquários, os restos dos arraçoamentos freqüentes começam a ficar bem aparentes. Da mesma maneira, a diferença de custo no total da ração utilizada ao longo de todo um ano pode ser significativa.

Quando se utiliza uma ração Premium de alta qualidade para se arraçoar os peixes, pode-se ficar surpreso de quão pouca quantidade se utiliza dela para manter os peixes em ótimas condições de saúde e crescimento.

Anti-oxidantes e porquê eles são necessários

A simples menção do assunto anti-oxidantes alimentares causa um acalorado debate entre os mantenedores de peixes, especialmente quando o produto é a etoxiquina. Todo o problema levantado à volta deste produto nasceu de um simples rumor, que atingiu proporções de um mito urbano graças aos debates muitas vezes sem conhecimento de causa nos chats de fóruns da Internet. A única razão pela qual este produto preservativo foi questionado deu-se por causa de um experimento realizado com ratos em 1987, no qual se forneceu a etoxiquina a estes animais a um nível de dose de 5000 ppm, muito acima do permitido e recomendado nas rações em geral. O resultado deste estudo sugeriu um potencial carcinogênico da etoxiquina, e desde então este produto tem sido culpado de uma miríade de problemas de origem nutricional, nenhum dos quais teve, no entanto, sua origem comprovada no anti-oxidante. Considerando a larga utilização deste produto na maioria das rações para animais de estimação, seria de se esperar que a esta altura dos acontecimentos uma epidemia de câncer teria atingido toda a população de cães, gatos, peixes e outros animais mantidos pelo homem. Não existe um único caso documentado de que a etoxiquina, usada dentro dos limites aprovados de inserção nas rações, tenha causado qualquer tipo de condição de doença a longo prazo nos animais mencionados. O fato verdadeiro é que este único anti-oxidante tem salvo as vidas de inúmeros tipos de pets evitando que estes sofram sérios problemas de envenenamento causados pelas gorduras potencialmente rancificantes contidas nas rações.

Sem o anti-oxidante, o óleo contido na ração piscícola ficaria rancificado em pouco tempo. Os aquaristas devem saber que todos os produtos à base de peixe ou farinha de peixe contêm etoxiquina. Não tem como fugir disto. Cada tipo de alimento marinho como Krill, peixe, camarão, lula, etc., já vem com uma pequena quantidade de etoxiquina, pois isto faz parte das leis e regulamentos da Guarda Costeira dos Estados Unidos que requer que todos os barcos pesqueiros que entram nos portos americanos apliquem este preservativo no seu produto de pesca. Isto é obrigatório por lei, por questões sanitárias e de saúde pública, para preservar o produto da pesca de rancificações. Assim, qualquer fabricante de ração que utilize qualquer produto de origem marinha como ingrediente na sua formulação, terá sempre alguma etoxiquina na análise final, mesmo que não coloque deliberadamente este preservativo no seu produto manufaturado. Mas se ainda assim o fabricante usar etoxiquina na confecção do seu alimento, não existe nada de absolutamente errado neste procedimento: este anti-oxidante é um produto aprovado pela FDA (Food and Drugs Administration) dos E.U.A. para utilização em rações animais e para consumo humano, desde que na formulação sua concentração não ultrapasse os 150 ppm.

Em Julho de 1997, depois de saírem os resultados sobre o último estudo sobre a etoxiquina, o Centro de Medicina Veterinária da FDA solicitou aos fabricantes de rações para cães que reduzissem o nível do preservativo para 75 ppm, para permitir uma margem de segurança maior às cadelas lactantes e seus filhotes. Isto porque, uma vez que a cadela em lactação se alimenta 2 a 3 vezes mais ao dia do que em condições de não-reprodução, qualquer aumento na ingestão causa uma exposição proporcional a qualquer substância existente na ração. O estudo mostrou que os níveis habituais de 150 ppm utilizados não tinham efeitos adversos em condições de manutenção normais, mas que a redução para 75 ppm criava uma margem adicional de segurança para as cadelas em lactação e seus filhotes.

Até à data, a FDA não encontrou qualquer evidência científica ou médica de que a etoxiquiina, utilizada nos níveis adequados e permitidos, tem qualquer efeito nocivo para a saúde do homem ou dos animais. Nenhuma reclamação documentada também sobre este assunto veio parar aos seus arquivos, nem uma sequer. É preciso ter em mente que qualquer substância pode advir tóxica em dosagens altas, incluídas aqui as vitaminas lipo-solúveis. Nenhum nutricionista recomendaria a eliminação completa das vitaminas A, B, D, E e K da dieta só porque níveis altos destas podem ser tóxicos, apesar de ser exatamente este o raciocínio das pessoas quando discutem sobre substâncias anti-oxidantes como a etoxiquina. Quando usados em pequenas quantidades para prevenir a rancidez, os preservativos anti-oxidantes são valiosos e importantes componentes da dieta.

Hormônios

O uso de hormônios masculinos (testosterona) é altamente ilegal nos U.S.A., e por boas razões. O uso a longo prazo de esteróides nas rações tem estado associado a deformações no esqueleto, susceptibilidade crescente a infecções, e a mudanças patológicas no fígado, rins e trato digestivo dos peixes. Fêmeas que são alimentadas com esteróides sexuais desenvolvem colorações tão ativas quanto as dos machos de sua mesma espécie, e machos juvenis se colorem mais rápidamente num estágio precoce ainda do seu desenvolvimento. Os efeitos deletérios destas práticas surgem logo depois, quando se remove a dieta à base de hormônio: as fêmeas perdem a cor exacerbada, advêm estéreis, e os machos perdem também a coloração precoce e nunca mais a ganham de novo. Rações de alta qualidade para peixes contêm realçadores naturais das cores encontrados na natureza, que permitem aos peixes ganharem coloração máxima à medida que amadurecem. O objetivo ideal para um fabricante de rações para peixes é imitar o que é encontrado na natureza, e não inventar num tubo de ensaio.

A variedade é o sabor da vida?

Os peixes ficam monótonos quando são alimentados com um só tipo de comida? Quando se faz esta pergunta aos aquaristas a maioria tende a responder em uníssono: “A variedade é o sabor da vida” ou “Você gostaria de comer a mesma coisa o tempo todo?” Estas são todas interjeições humanas. Se uma boa ração consegue manter os peixes em condições de saúde e crescimento, isto não deve ser nenhum problema. Os peixes são criaturas de hábito; eles não são capazes de reações como ficarem “aborrecidos” ou entrarem em “monotonia” só porque não recebem uma alimentação variada!

Os peixes podem então prosperar com um só tipo de alimento? A resposta é sim! Os peixes requerem uma dieta variada, mas se uma única ração é confeccionada a partir de uma grande variedade de ingredientes de alta qualidade, a variedade que os aquaristas procuram pode ser encontrada num único produto, numa única formulação, numa única ração. Se um fabricante conseguir reunir todos os ingredientes encontrados numa variedade de formulações diferentes, e criar uma ração que contenha todos estes nutrientes num balanceamento apropriado, não é a mesma coisa que fornecer aos peixes todos estes alimentos separadamente? Se forem usados apenas ingredientes de primeira qualidade, na verdade esta ração única pode ser muito melhor para a nutrição dos peixes. Este conceito tem sido provado na aquacultura comercial de peixes de corte há cerca de um século: não há nada de novo em se alimentar uma determinada espécie de peixe em cultivo com uma dieta balanceada utilizando-se de uma única ração. O que a maioria dos aquaristas deveria saber é que a indústria da aquacultura está por detrás de todo o conhecimento desenvolvido pelos fabricantes de rações granuladas, e que a ciência desenvolvida para aquela atividade foi a base para a confecção de todas as rações floculadas e granuladas usadas para os peixes ornamentais. No entanto, a maior parte desta pesquisa da aquacultura envolveu espécies de peixes para o consumo humano; com a exceção da cor da carne de certas espécies como o salmão, a truta e o camarão, a coloração geral dos peixes e a longevidade destes nunca foi o principal objetivo destes estudos. Assim, as rações desenvolvidas para os peixes ornamentais tropicais tiveram que assegurar um baixo conteúdo em lipídios, uma alta concentração de proteína animal de origem marinha, e uma variedade de ingredientes realçadores das cores, como o Krill (Euphausia superba), a alga microscópica Spirulina (Spirulina platensis), ou o pigmento natural Astaxantina (Haematococcus pluvialis).

Flocos versus grânulos

Qualquer discussão que envolva ração para peixes necessita uma breve explicação sobre os dois tipos básicos de alimento existentes: flocos e grânulos. Enquanto os flocos foram o tipo de ração mais popular para os aquaristas nos últimos cinqüenta anos, as operações comerciais de peixes ornamentais e de corte aprenderam há muito tempo que os grânulos são a escolha superior para todas as aplicações de arraçoamento. Os grânulos são preferidos em detrimento dos flocos uma vez que eles são mais densos na sua composição, muito mais estáveis na água, e gasta-se menos quantidade por volume no arraçoamento. Os flocos, por serem finos e com mais superfície, absorvem água muito rápidamente, e lixiviam nesta as vitaminas hidrossolúveis em um curto período de tempo. Alguns estudos sugerem que uma vez que os flocos são jogados na água do aquário, a maior parte das vitaminas hidrossolúveis (como a vitamina C) são lixiviadas dentro de 60 a 90 segundos. Para as espécies de peixes ornamentais de 2 a 7 cm de tamanho, os grânulos são sem dúvida o melhor método de alimentação.

Matéria vegetal e Spirulina

Nos anos recentes a alga Spirulina foi promovida a plano de destaque, de tal modo que não há aquarista ou fabricante de rações que não a recomende. Apesar desta micro-alga ser mesmo um ingrediente cru de alta qualidade, e ter o seu lugar garantido na maioria das aplicações alimentícias, ela possui um alto teor de vitamina A e de minerais. Uma vez que a vitamina A é lipossolúvel, quantidades excessivas podem causar intoxicação nos peixes. Enquanto que uma inclusão de 5 a 10% na ração aumenta a taxa de crescimento, com o bônus adicional de avivar a cor azul nos peixes, quantidades de inclusão maiores colorem os peixes artificialmente, e causam problemas de saúde relacionados à toxidez da vitamina A. A maior parte das boas rações para peixes já contêm Spirulina suficiente, e fornecer mais desta alga do que é requerida é no mínimo contra-producente.

A fibra vem da matéria vegetal, e deve ser mantida a um nível razoável na ração. A não ser que ações enzimáticas e bacterianas tomem lugar no trato intestinal, a maior parte dos peixes não consegue digerir a celulose. A fibra tem um efeito laxante no trato digestivo dos peixes, e muita quantidade dela causa diarréia. Esta por sua vez encurta o tempo de retenção e dificulta a absorção dos nutrientes no intestino. A maior parte das vezes, muita quantidade de uma coisa boa, pode ser uma coisa ruim.

Alimentos vivos, congelados e coração de boi

Com a maioria das espécies de peixes existe sempre o risco de mortalidade na larvicultura, devido ao requerimento especial de presas vivas para as larvas começarem a se alimentar. É por causa disto que os piscicultores usam náuplios de artêmia salina, micro-vermes, etc., para fazerem com que as larvas adquiram o reflexo de abocanharem alimento. As larvas alimentadas com náuplios de artêmia salina possuem uma taxa de crescimento mais uniforme do que aquelas às quais se fornece um alimento em pó seco, mas uma vez que estas passam das duas semanas de idade, uma ração seca de alta qualidade ultrapassa em muitos casos o desempenho das presas vivas. A maioria dos alimentos vivos podem aumentar também o risco de se adicionar ao meio de cultura patógenos indesejáveis, doenças e poluentes, como é o caso dos vermes Tubifex, que além disto possuem um alto teor de gordura que pode causar problemas de saúde nos peixes a médio prazo.

A maioria dos alimentos preparados e congelados (ração úmida) possui um alto teor de água (80%), e o processo de congelamento faz com que as membranas das células dos tecidos animais se rompam devido à contração e posterior expansão no descongelamento. E quando este alimento é descongelado e “enxaguado” com água corrente, muitos dos nutrientes se lixiviam e o que resta acaba sendo básicamente cascas com muito pouco valor nutricional. Os alimentos vivos e congelados têm um lugar no mundo da manutenção de peixes, tão sómente porque na realidade algumas espécies em determinados estágios de desenvolvimento necessitam destes para despertar em si o instinto de abocanhar os primeiros alimentos que se mexem à sua frente ou que possuem um atrativo inicial bem suculento. Mas uma vez que este comportamento esteja desenvolvido e estabelecido, a conversão do peixe para uma ração seca e nutricionalmente completa deve ser a transição natural, para assegurar a sua saúde geral e longevidade.

A carne do coração de boi tem sido outro alimento popular entre os criadores de acarás-disco, pois condiciona os reprodutores para a desova e faz os alevinos crescerem também. Apesar deste alimento funcionar, pode também ser responsável por um tempo de vida mais curto para os exemplares desta espécie de peixe, pois os restos de carne de coração de boi têm o maior potencial para a poluição da água do aquário ou tanque. Muitos criadores de discos na Ásia trocam a água de suas baterias de reservatórios cerca de 2 a 3 vezes ao dia, para manter uma qualidade satisfatória do meio aquático para os seus peixes. A razão porque os discos são peixes muito difíceis de aceitar ração granulada, é porque desde cedo os seus criadores utilizam coração de boi para alimentar os alevinos, e os peixes são criaturas de hábito. Com algum esforço por parte do mantenedor, os acarás-disco podem ser treinados a aceitar um alimento seco mais limpo e nutricionalmente balanceado.

Estes alimentos vivos e congelados funcionam então? Sim, e desde que o homem começou a criar peixes, estes foram os primeiros a serem usados, mas muitas das rações hoje existentes começaram a ficar disponíveis a apenas trinta anos atrás. As rações comerciais evoluíram bastante nos anos recentes, e apesar do suplemento da dieta de um peixe com alimentos vivos ou congelados poder ser considerado uma variação quando se necessita realmente disso, o uso de uma ração seca comercial de alta qualidade vai de encontro ao que o peixe necessita para um ótimo crescimento, uma boa saúde, e a longevidade a cada dia. Enquanto que os alimentos vivos e congelados podem funcionar a curto prazo, a longo prazo só a ração seca consegue isto. A grande objeção que temos também a alimentar os peixes com alimentos vivos e congelados em conjunto com a ração seca é que, devido à diferença de palatabilidade entre os três tipos de comida, os peixes sempre vão preferir os alimentos vivos e congelados em detrimento da ração seca, mesmo que a longo prazo seja muito mais saudável que eles se alimentem apenas desta última. Isto pode ser comparado às preferências das crianças humanas, que preferem doces e bolos a uma refeição balanceada: é preciso desencorajar este tipo de tendência que depende mais da satisfação dos sentidos do que própriamente da necessidade de uma nutrição adequada.

Arraçoamento

O ato de alimentar os peixes parece ser fácil, mas na verdade é uma das coisas mais difíceis de ensinar. Em nossos 35 anos de atividades no negócio da piscicultura, raramente tivemos um empregado que soubesse alimentar adequadamente na quantidade os peixes em criação e/ou manutenção. É necessário ter a sensibilidade do quantitativo a ser fornecido, para não se alimentar demais ou de menos. Na maioria das vezes é uma arte, tanto quanto é uma ciência. A primeira regra de ouro é: na dúvida, sub-alimente. Se necessário, você poderá sempre retificar a situação mais tarde, aumentando a quantidade. Todavia, se você sobre-alimentar, poderá incorrer em problemas de qualidade do meio aquático dificilmente corrigíveis.

Enquanto que a grande maioria dos aquaristas costumam sobre-alimentar seus peixes, também existem aqueles que sub-alimentam, a tal ponto que seus peixes parecem continuamente anoréxicos. Muitos aquaristas de recifes marinhos se enquadram nesta última classificação, por causa da preocupação excessiva com os níveis de nitrato e fosfato na água. Se os peixes estiverem gordos, deve-se simplesmente segurar mais a ração e alimentar menos; se os peixes estiverem magros, alimente-os mais. O aquarista deve saber que é ele que está no controle, e não o peixe. Um peixe saudável sempre pedirá por comida, mas se este não mostra interesse no alimento, o aquarista tem um problema. Ou o peixe está doente, ou em condições de qualidade de água muito ruins.

Quando se arraçoa com grânulos, o tamanho adequado destes é muito importante. Peixes grandes conseguem ingerir grânulos pequenos, mas se os grânulos são muito grandes para a boca dos peixes, eles normalmente os “cospem” de volta, ou expelem uma grande porção do grânulo na coluna d’água enquanto mastigam aquilo que conseguiram abocanhar. A chave é usar um grânulo que o peixe consiga engolir inteiro. Se no aquário existe uma mistura de peixes de tamanhos diferentes, pode-se misturar grânulos de tamanhos diferentes também para assegurar que todos os peixes recebam sua cota de alimento.

Outro erro freqüente cometido por alguns hobbystas é o pré-amolecimento dos grânulos em água, na crença errônea de que isto ajuda na digestão e previne que os grânulos inchem dentro do tubo digestivo dos peixes. Este é outro dos mitos criados no mundo do aquarismo: as pessoas simplesmente não conhecem a quantidade de enzimas e ácidos gástricos secretados pelos peixes em seus tubos digestivos quando consomem alimento! Os duros grânulos rápidamente viram papa em pouco tempo. Se uma ração causa problemas gastro-intestinais num peixe, isso se deve aos ingredientes de baixas qualidade e digestão, como excesso de grãos e sub-produtos destes. Quando se pré-amolece grânulos de ração em água, perde-se os nutrientes e as vitaminas e minerais hidrossolúveis.

Outros nutrientes importantes

Nos anos recentes a vitamina C tem sido discutida extensivamente, enquanto outras de papel vital foram esquecidas. Vitaminas como a A, a D2, a D3, a E, a K, a B6, a B12, a Tiamina, a Riboflavina, o ácido Pantotênico, a Niacina, a Biotina, a Colina, o Mioinositol, e minerais como o Cálcio, o Fósforo, o Magnésio, o Sódio, o Potássio, o Cloro, o Ferro, o Cobre, Zinco, Manganês, Selênio e Iodo, todos estes são elementos essenciais numa ração bem balanceada. Infelizmente muitos aquaristas e mantenedores de peixes continuam desinformados sobre o papel de todos estes elementos na dieta de seus peixes. Usando o mineral Cobre como exemplo, muitas pessoas ainda não compreendem o papel deste elemento-traço necessário a todos os seres vivos, incluindo os peixes. É um componente de muitas enzimas e essencial para a atividade destas. Mesmo a água do mar contem Cobre (apesar de algum sob a forma de sulfato de cobre), e apesar disto muitos aquaristas ficam preocupados com a presença deste elemento na ração. Na água, um nível de 0,8 ppm de Cu (cobre) é tóxico para a maioria dos peixes, mas sulfato de cobre presente na ração pode ter a sua concentração tão alta quanto 700 a 1000 ppm, que o único efeito neste caso seria um retardamento no crescimento. Toxidez causada pelo elemento Cobre, via rações comerciais, quando apenas quantidades em traços são usadas, não representa nenhum problema para os peixes, mesmo em espécies sensíveis de peixes de recifes de coral.

Alho é um outro ingrediente-chave em rações de qualidade, e quando o nível adequado de inclusão é usado, pode ter um papel importante na manutenção da saúde dos peixes a longo prazo. Enquanto que este ingrediente pode ser utilizado para aumentar a palatabilidade geral da ração, o seu objetivo principal são as suas propriedades anti-parasíticas. Temos usado alho nas nossas rações há 15 anos, e apesar de não termos efetuado nenhum experimento controlado para quantificarmos os benefícios do seu uso, temos notado uma diminuição drástica dos surtos de doenças em nossos viveiros de piscicultura. Desde que começamos a adicionar alho em nossas rações granuladas, não tivemos mais um caso sequer da “Florida Deep Well Disease” (doença nos peixes causada pelas bactérias patogênicas dos gêneros Aeromonas e Pseudomonas sp.). Ao longo dos últimos anos tem havido inúmeros estudos envolvendo o uso de alho e da alicina, o princípio ativo do alho. Num desses estudos mais importantes, descobriu-se que a inclusão de alho na ração, na taxa de 3%, aumenta a digestibilidade geral da proteína, dos carboidratos e das gorduras, ao mesmo tempo que diminui a contagem de bactérias no intestino e nos músculos dos peixes, e no meio aquático onde estes são mantidos. Os peixes em cuja dieta se inclui o alho, aumentam também sua tolerância ao stress de manejo.

Quais são os constituintes de uma ração de qualidade superior?

Apesar de existirem ainda muitos assuntos a serem desenvolvidos no que se refere à nutrição animal aquática, especialmente em se tratando das centenas de espécies de peixes ornamentais, na nossa opinião a melhor aproximação é usar uma ração com ingredientes de alta qualidade que satisfaça os requerimentos nutricionais de todas as espécies. Os peixes de água doce podem parecer medíocres com uma dieta deficiente, mas a maioria consegue sobreviver. Os peixes marinhos, por outro lado, necessitam de uma dieta nutricional completa e bem balanceada: é uma questão de vida ou morte, principalmente em se tratando de algumas espécies sensíveis como é o caso dos peixes-cirurgiões, os peixes-anjo e os peixes-borboleta.

As seguintes diretrizes básicas podem ser utilizadas para a escolha de uma ração de qualidade superior:

  • Palatabilidade: os peixes são orientados por seus sentidos olfativos e de paladar. A verdade é que, se o peixe não for atraído para o alimento, não importa o quão superior e de qualidade este seja, não terá nenhuma utilidade.
  • Energia: o alimento como entrada de energia tem que superar o gasto de energia (para a locomoção, funções metabólicas, etc.), especialmente em se tratando de peixes marinhos. Mesmo que os peixes estejam comendo, se os seus requerimentos de energia não forem satisfeitos e se não houver alguma sobra, eles irão perdendo energia até cessarem de existir.
  • Proteína: tem que ter ingredientes facilmente digeríveis e que possam ser absorvidos tanto por peixes herbívoros, como omnívoros e carnívoros. Como constatado antes, os peixes não têm como obter uma fonte abundante de nutrientes nos microcosmos que são os aquários. Qualquer que seja a ração a ser fornecida, esta deverá possuir todos os quesitos nutricionais diários para que os peixes possam prosperar. Rações de qualidade superior geralmente produzem menos desperdícios e sobras, logo menos poluição no aquário.
  • Coloração: uma ração superior de alta qualidade deve ser capaz de fomentar todo o espectro natural de cores do peixe em manutenção, e não exagerar ou distorcer estas tonalidades, como o que acontece quando se usa quantidades excessivas de pigmentos naturais.
  • Lipídios: o conteúdo de gorduras na ração deve ser mantido abaixo de 10%, para evitar a doença degenerativa do fígado, exceto no caso dos estágios juvenis dos peixes, que requerem lipídios como fonte imediata de energia de maneira a “espalhar” o nível de proteína para construção da musculatura.
  • Longevidade: deve-se escolher uma ração que possa manter a saúde dos peixes a longo prazo, quer dizer, por anos, e não apenas meses. Temos conseguido manter peixes marinhos por cerca de dez anos, e estes não mostram sinais de envelhecimento! Quanto tempo podem viver os peixes se suas necessidades nutricionais são atendidas? Suspeitamos que em muitos casos este tempo possa atingir a cota dos vinte anos. E aqui não estamos nos referindo àquelas espécies fáceis de se manter em cativeiro, como os peixes-palhaço (Amphiprion sp.) ou as donzelas e os peixes-gatilho, mas sim às consideradas ultra-delicadas pela maioria dos aquaristas marinhos, como os peixes-cirurgiões, os peixes-anjos e os peixes-borboletas.
  • Poluição: uma ração de qualidade superior normalmente produz menos desperdício, menos sobras, e assim menos poluentes para o aquário. Em outras palavras, proteína não-digerida em excesso, fibra, minerais (cinza) serão expelidos através das brânquias e fezes fomentando os níveis de fosfato e compostos nitrogenados (amônia, nitrito e nitrato). Esta é a razão porque ingredientes como Kelp, Spirulina e grãos deverão ser mantidos em níveis de porcentagem razoáveis. Os peixes simplesmente não conseguem utilizar toda a fibra e minerais incluídos em demasia na ração. É preciso saber-se que aquilo que entra, tem que eventualmente sair.

Muitos poderão perguntar se uma tal ração, que preencha todos os critérios listados neste artigo, poderá existir?!

É com grande satisfação que nós, da New Life Spectrum, podemos dizer que sim. O conceito filosófico descrito e mais de 30 anos de experiência cumulativa em piscicultura comercial foram os alicerces para a formulação de uma tal ração. Para algumas pessoas isto poderá soar como auto-propaganda, mas se nós não afirmássemos e revelássemos tal fato, seríamos culpados de esconder o jogo com medo das críticas. Na nossa opinião, seria anti-ético não mencionarmos a nossa ração, da mesma maneira que seria anti-ético para alguém que descobrisse uma droga que curasse a malária e escondesse a descoberta para si, com receio de que as pessoas criticassem e desaprovassem a auto-promoção e o potencial ganho financeiro que essa descoberta pudesse proporcionar. Não consideramos dizer a verdade como auto-promoção, e a nossa filosofia de negócios sempre foi “marketing através da informação e da educação”. No final a verdade sempre prevalecerá, e as falsas premissas ficarão expostas. Até hoje, nenhum dos tão renomados “experts” em nutrição animal aquática foi capaz de provar que estávamos errados.

Os aquaristas e mantenedores de peixes que usam a ração da New Life Spectrum em conjunto com outros alimentos podem atribuir o bom estado geral de seus peixes à sua “dieta variada”. Mas isto está longe da verdade. Se retirarem o fornecimento da nossa ração, chances existem de que os peixes comecem a demonstrar deterioração das cores e da saúde dentro de 30 dias. Se eles quiserem que seus peixes mostrem o melhor de suas cores e saúde, experimentem alimentar apenas com a nossa ração da New Life Spectrum, exclusivamente. Nossa empresa é a única que dá este tipo de garantia: alimentem os seus peixes exclusivamente com a nossa ração por dez dias, e se não notarem melhoras nas suas cores e vitalidade, nós devolvemos o dinheiro. Escrevemos “notarem” porque na verdade são necessários pelo menos 30 dias para se confirmarem os resultados benéficos de se alimentar os peixes com a ração da New Life Spectrum. É por isto que nossa garantia só é válida com o uso exclusivo da nossa ração.

A eficácia da ração da New Life Spectrum está na simplicidade de um único alimento que fornece aos peixes uma dieta completa e balanceada. Alguns aquaristas são até capazes de manter peixes saudáveis com trocas freqüentes da água do aquário (adicionando com isto elementos-traço ao meio), adição de vitaminas e minerais, e fornecimento de várias fontes diferentes de alimentos que compõe uma dieta balanceada. Mas com a ração da New Life Spectrum qualquer pessoa pode conseguir o mesmo sem o trabalho de ter que arrumar todos aqueles ingredientes naturais, e manter peixes prosperando de uma maneira confiável e consistente. Resumindo, o aquarista pode utilizar metodologia complexa de alimentação e conseguir que os peixes prosperem, ou pode usar um método mais simples de fornecimento de uma única ração e ver os seus peixes prosperarem do mesmo jeito. A escolha é inteiramente sua.

Mas se o aquarista utiliza vitaminas em excesso, pode causar hipervitaminose nos seus peixes; se pouca quantidade é em vez disso utilizada, os peixes ficarão doentes. Quando aquele utiliza um “mix” de alimentos, de alguma maneira ele tenta ir de encontro à dieta balanceada que os peixes necessitam; mas sabe o aquarista exatamente a quantidade de cada elemento presente no sua mistura?! Na verdade, trata-se de trabalho de adivinhação, no melhor dos casos. No caso da nossa ração, experimentamos por cerca de dez anos até chegar à proporção ideal de cada ingrediente, de cada elemento. A natureza humana tende a resistir às mudanças, e é por isto que este novo conceito encontra resistência na grande maioria dos hobbystas, acostumados à velha idéia de fornecer uma alimentação variada aos seus peixes.

Nós sabemos exatamente o quê e quanto os peixes estão ingerindo com a nossa ração da New Life Spectrum. Nossos principais ingredientes são as fontes mais digeríveis de proteína, mas ingredientes de qualidade, como Krill ou arenque inteiro, custam dinheiro, e isto resulta num alimento um pouco mais caro para o aquarista ou menos lucro para nós, os fabricantes. Mas, no final das contas, os resultados alcançados com o fornecimento da nossa ração para os peixes compensam, e acabam se tornando uma economia de recursos, tempo, e dinheiro. Encorajamos assim os aquaristas a experimentar este novo-velho conceito, e a reverem os fatos e a pensarem por si mesmos.

Pablo Tepoot
New Life Spectrum Fish Food

Tradução:

José Carlos C. Motta
jmotta@shvgas.com.br
Biólogo por formação acadêmica, durante 15 anos da sua vida trabalhou no setor de aqüicultura, mais particularmente na criação de camarões de água doce, o gigante da Malásia. Estagiou na criação de peixes de corte, e depois de algum tempo se voltou para os peixes ornamentais, paixão que nutre até hoje, depois de já ter estado à frente de duas pisciculturas ornamentais.

Oodinium na criação de Betta splendens

Resolvi escrever sobre este tema por conta do grande volume de mensagens que recebo sobre o tema. É preciso deixar claro que não tenho habilitação técnica para fazer tratado científico sobre o tema, tão pouco prescrever medicamentos ou tratamentos. Sou apenas um aquarista veterano, que aprendeu o pouco que sabe na base da tentativa, erros e acertos. Portanto, leia este material, faça suas ponderações pessoais, pesquise mais sobre o tema, e siga o caminho SUGERIDO, por sua conta e risco, se achar conveniente.

Se você identificou falhas na argumentação, informações equivocadas, por favor, escreva-me. Corrigirei a informação e ficarei agradecido pela ajuda. Toda ajuda é sempre bem vinda!

O Oodinium é uma doença muito comum na criação de Betta splendens, infelizmente. Se propaga de forma rápida, e pode por a perder sua criação inteira (larvas, juvenis e adultos), em questão de horas.

Sinais

Os animais apresentam sinais semelhantes ao Ichthyophthirius (Ictio). Aparecem pontos brancos pequenos espalhados pelo corpo, nadadeiras e branquias do animal, em seguida aparecem as lesões na pele, dando aspecto de poeira dourada ou de veludo, por vezes branco ou amarelo aveludada. Geralmente o animal fica prostrado, a cauda fica fechada, deixa de se alimentar, a respiração fica ofegante e observa-se constantes tentativas do animal se coçar nas paredes e/ou no fundo do aquário. Projetando-se a luz de uma lanterna sobre o corpo do peixe, esta “poeira” é facilmente identificada.

Conhecendo o inimigo a ser combatido

Trata-se de um parasita dinoflagelado. Seu ciclo de vida começa na água. Ele fica a espera de um hospedeiro adequado, de passagem. Quando o encontra, se fixa nele, geralmente e inicialmente nas brânquias. Ao conseguir se fixar, forma uma casca dura para se proteger do meio ambiente a passa a se alimentar das células da pele do peixe. Nesta fase cística, toma a aparência de “poeira”, cobrindo o corpo do animal. Depois de alguns dias o cisto se deposita no fundo do aquário, liberando nova geração de parasitas, realimentando o ciclo.

Tratamento sugerido

  1. Transfira este peixe para um novo aquário, limpo, livre da doença. Lavado previamente com água sanitária e muito bem enxaguado;
  2. Coloque água limpa neste aquário, isenta de cloro e/ou metais pesados. Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Lembre-se, Bettas respiram essencialmente fora da água, então diminua o esforço do peixe para subir à tona para respirar. Bastará a ele virar a boca para cima e puxar o ar;
  3. Adicione um pouco de sal-grosso nesta água (sal de churrasco). A ponta de uma colher de chá de sal-grosso, por litro de água. Isto ajudará no tratamento;
  4. Eleve a temperatura da água em 1 °C ou 2 °C. Aquecedores com termostatos integrados, submersíveis, são os mais indicados para este propósito (são mais precisos);
  5. Adicione um Oodinicida na água, respeitando as indicações de quantidade do fabricante. Uso com muito sucesso, há anos, o Oodinicida da Atlantys®. É barato e eficiente;
  6. Cubra o aquário com um pano grosso. O aquário deve ficar totalmente no escuro. Este dinoflagelado precisa da luz para se manter vivo, enquanto não encontra o hospedeiro adequado para se fixar. Com a ausência de luz, você conseguirá interromper o ciclo de vida do parasita.

Por 5 (cinco) dias ininterruptos, troque a água total, adicione sal-grosso e Oodinicida na água, conforme indicado acima, mantendo o aquário no escuro o tempo todo.

Geralmente, após o segundo dia de tratamento, o peixe já parece estar curado, já começa a se alimentar e fica mais ativo. Apesar disto, continue o tratamento pelo número de dias sugerido.

Prevenção é a melhor solução

Lembre-se que muitas doenças, inclusive o Oodinium, acabam se manifestando ou se intensificando em momentos de estresse do peixe (mudanças repentinas no parâmetros da água, manejo inadequado, transporte, etc).

Adote como procedimento padrão, sempre que adquirir um novo animal, colocá-lo em quarentena. O mantenha por 40 dias, sob atenta observação. Jamais o introduza em aquários coletivos (fêmeas, no caso de Bettas) ou bateria de “betteiras”, onde haja circulação de água entre os aquários, sem observá-lo em quarentena.

Se possível, não introduza equipamentos usados em um aquário, noutro aquário. Tenha equipamentos exclusivos para cada aquário (puçás, sifões, pipetas, etc). Não sendo possível, sempre lave-os muito bem com água sanitária, enxaguando em seguida, em água corrente, antes de introduzí-los noutro aquário. Observe também que suas mãos devem ser lavadas cuidadosamente e atentamente após manuseio de cada aquário.