Procriando Betta splendens

Uma das primeiras dificuldades que criadores de Betta splendens se deparam, é com a reprodução de seus peixes em cativeiro. Não por que esta espécie seja difícil de procriar nestas condições, exista algum segredo, mas sim pela desinformação e despreparo.

O criador não precisa se preocupar em ensinar o peixe a se reproduzir, isto é instintivo e natural. Ele precisa se preocupar em criar as condições ideais para que isto aconteça. Se acercar de cuidados e infra-estrutura.

A primeira providência e talvez a mais crítica de todas é começar a cultivar micro-organismos vivos, que servirão de alimentos para as larvas de Bettas, logo após o nascimento. Sem eles, não devem se atrever a começar o acasalamento, sob pena de ver a ninhada morrer, um peixe após o outro, diante de seus olhos, completamente impotentes.

Hoje você encontra na web tutoriais passo-a-passo e inóculos para cultivar micro-organismos como: vermes-do-vinagre, microvermes, vermes-de-grindall, entre vários outros. Também encontra tutoriais para eclodir cistos de artemias franciscanas (salinas), essenciais para as larvas de Bettas. Todos micro-organismos de fácil manejo, que não ocupam muito espaço e acabam se tornando uma fonte de prazer, da mesma forma que o aquarismo gera.

Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.
Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.

A segunda providência é conseguir uma caixa plástica pequena, com tampa, com aproximadamente: 30 cm (C) x 20 cm (L) x 10 cm (A) ou um aquário de aproximadamente 20 litros (com tampa). Este será o ambiente para procriação e desenvolvimento das larvas de Bettas até 90 dias de vida, aproximadamente.

Esta caixa (ou aquário) deve ficar instalada num ambiente tranqüilo, onde não haja grande movimentação de pessoas e/ou animais domésticos que possam assustar os peixes e por a perder o acasalamento ou até mesmo a ninhada. Ao menor sinal de perigo, os pais comerão os ovos ou os filhotes e abandonarão o processo (acasalamento ou cuidados com o ninho).

Coloque nesta caixa (ou aquário), uma coluna de água variando entre 5 e 10 cm de altura, nunca mais do que isto. Se os ovos cairem ao fundo, numa profundidade de água maior, podem inviabilizar o desenvolvimento das larvas. Esta água deve ser isenta de cloro e metais pesados, pH estável (na faixa entre 6,8 e 7,4 – ideal: 7,0) e temperatura também estável (na faixa entre 24 e 30 °C – ideal: 27 °C). Providencie um apoio para o ninho-bolha (não obrigatório), que pode ser um pedaço de folha de amendoeira, um pedaço de plástico ou até mesmo um copinho de café descartável, cortado ao meio. Ele pode ser aderido à borda da caixa (ou aquário), com uma fita adesiva (fita crepe, por exemplo). Minha preferência pessoal pela folha de amendoeira é em função de sua propriedade fungicida/bactericida natural (isto vai deixar a água com cor de chá em poucas horas, não se preocupe com isto). Se você escolher um caminho diferente, adicione fungicida industrializado na água, na dosagem recomendada pelo fabricante. Isto fará com que mais ovos vinguem, que não sejam atacados por fungos. Também adicione 1 g de sal-grosso, para cada litro de água.

Providencie abrigos para a fêmea se esconder do macho, caso ele resolva ficar violento demais e sem paciência de esperar a fêmea estar totalmente pronta para o acasalamento. Pode ser: plantas naturais (musgo de java, samambaia d’água, etc – compatíveis com o pH da sua água), seixos (pedras de fundo de rio, arredondadas – sem arestas cortantes) ou tubos de PVC (espalhe 2 ou 3 “cotovelos” pelo fundo). É raro, mas estes abrigos podem servir até ao macho em alguns casos, onde a fêmea possui temperamento indócil. Isto vai reduzir os riscos de perder matrizes por conta acasalamentos tempestuosos.

Você vai precisar de um cilindro transparente e incolor para conter a fêmea durante 4 dias aproximadamente, dentro desta caixa (ou aquário), longe do alcance do macho, mas em seu campo visual a todo momento, para que possa acontecer a corte e para que ele fique estimulado a construir o ninho-bolha. Você pode usar um pet de água mineral transparente e incolor, cortando seu fundo e parte afunilada da boca, produzindo uma peça cilíndrica. Quando chegar o momento adequado, você vai poder levantar levemente este pet, liberando a fêmea para o acasalamento, sem mexer demais com a água, para não desmanchar o ninho-bolha.

Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).
Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).

Pronto! Agora você criou a infra-estrutura e o ambiente adequado para que o acasalamento ocorra e a ninhada vinge.

Vamos para a fase do acasalamento dos Bettas… Selecione exemplar macho e fêmea saudáveis, de preferência com linhagens definidas e estabilizadas, para obter filhotes compatíveis com a sua linha de trabalho genético. Mas se você é um principiante e quer apenas aprender este manejo, concentre-se apenas em escolher os peixes que mais lhe agradam esteticamente, que estejam em pleno vigor físico e bem alimentados. Aqui vai uma dica importante: escolha uma fêmea ligeiramente menor que o macho, para facilitar a cópula do casal.

Se você é uma pessoa ocupada, dispõe de pouco tempo, programe a soltura do casal na caixa de cria e desenvolvimento das larvas de Bettas (ou aquário), para dias onde você possa acompanhar, fotografar, se deleitar com este espetáculo da natureza. A procriação deste peixe é magnífica, um show.

Coloque o macho na caixa de cria e desenvolvimento de larvas de Bettas (ou aquário), para que se sinta o dono do território. Ele deve ficar sozinho neste espaço por 2 dias aproximandamente. Decorrido este tempo, introduza a fêmea, contida num cilindro transparente e incolor, afastado das bordas da caixa (ou aquário), de forma a permitir que o macho circule o cilindro, se exibindo para a fêmea, fazer a corte.

Este período de exposição deve durar aproximadamente 4 dias. Ao mesmo tempo que o macho corteja a fêmea, ele deve contruir o ninho-bolha, para receber os ovos da postura da fêmea. Por outro lado, a fêmea recebendo estímulos, começa a produzir ovos. Ao final do quarto dia de “namoro”, levante o cilindro suavemente para não desmanchar o ninho-bolha.

No outro dia, pela manhã, existe uma enorme possibilidade do casal já haver se entendido e dão início ao acasalamento propriamente dito.

Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).
Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).

O macho leva a fêmea para baixo do ninho-bolha e o acasalamento se inicia. Geralmente a fêmea neste momento está totalmente submissa ao macho e procura nadar com a cabeça mais baixa. Ambos procuram se colocar lado a lado, em sentidos opostos e vão se “empurrando”, como se medissem forças. Num determinado momento a fêmea se afasta um pouco e nada em direção ao macho, dando um giro no corpo, nadando de barriga para cima. Ao passar ao lado do macho ele dobra seu corpo, envolvendo a fêmea e lhe dá um apertão (suave), ao mesmo tempo que fecunda os ovos. Ambos dão uma pequena relaxada e caem desmaiados ao fundo aquário. Enquanto a fêmea vai ao fundo, liberando os ovos. O macho, tão logo recupera o controle de seu corpo, passa a recolher os ovos com a boca e vai depositando no ninho-bolha. Este processo pode durar horas, inúmeros abraços ocorrerão, até que os ovos da fêmea se esgotem. Naturalmente ela se afasta, foge do macho e neste momento você deve retirá-la da caixa plástica (ou aquário), sem agitar a água, sem correrias. Geralmente ela fica tão esgotada que fica prostrada e permite ser capturada, sem muito esforço para fugir.

Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).
Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).

O macho assume o controle da ninhada sozinho. Ele vai melhorando e reparando o ninho-bolha, de acordo com a necessidade.

Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).
Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).

No máximo 48 horas após, as larvas nascem e ficam “espetadas” no ninho. Quando caem ao fundo (na vertical), por que são pesadas, estão com o sacos vitelinos ainda cheios, o macho as recolhe na boca e as repõe no ninho-bolha. Tarefa inglória, nascem aproximadamente 300 filhotes. Ele fica a todo momento recolhendo as larvas e as recolocando no ninho-bolha.

Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.
Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.

Os filhotes, nesta fase da vida, se alimentam do saco vitelino, que aos poucos vão se exaurindo e quando isto acontece eles conseguem nadar na horizontal. Passadas outras 48 horas, desde a eclosão dos ovos, a maioria das larvas já nada na horizontal e o macho está nitidamente exausto. Ao final do dia é chegada a hora de retirar o macho da caixa plástica (ou aquário). Pegue-o com uma rede de tramas largas, para não capturar larvas acidentalmente ou com sua própria mão, com muito cuidado.

No outro dia, pela manhã, as larvas passarão a ser sua responsabilidade e precisam começar a comer. Comer aqueles micro-organismos que você previamente começou a cultivar, se preparando para o nascimento deles.

Coloque uma pedra porosa bem fraquinha nesta caixa de desenvolvimento das larvas (ou aquário), tome o cuidado para mantê-la sempre tampada para manter o ar bem úmido acima da lâmina d’água. Pode retirar o suporte para o ninho, as proteções oferecidas para a fêmea. Se você usou plantas naturais como abrigo, pode deixá-las na caixa (ou aquário).

Comece a alimentar suas larvas de Betta splendens, sempre em pequenas doses, o maior número de vezes possível, durante o período de insolação. Se possível de hora em hora. Se houver sobras, remova-as com o auxílio de uma pipeta ou sifão, com muito cuidado para não sugar larvas.

Varie a dieta das larvas, ofereça basicamente alimentos vivos e pós bem finos. Depois dos 30 dias, já é possível começar a introduzir na dieta as rações industrializadas.

Os próximos 40 a 50 dias de vida das de Bettas são bem críticos. A maioria da ninhada vai demorar este tempo para ter o labirinto formado. Labirinto é por onde os Betta splendens respiram, fora da água. Então evite ficar abrindo a caixa para não dissipar o calor do ar que está acima da lâmina d’água, cuidado com os parâmetros da água (pH e temperatura) e mantenha esta água saudável evitando sobras de comida, por exemplo.

Condicionadores de água

Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários. Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.

Ele tinha razão. Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.

Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário. A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente.

Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes.

Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador. Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.

A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados.

Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”. Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.

Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.

Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo. Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.

Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.

Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.

Clarificantes

Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.

Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros. Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.

Aclimatadores

Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.

Prorrogadores de trocas parciais

Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.

Controladores de Amônia

O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar… Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio – NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.

Sérgio Gomes
Artigo publicado originalmente na Revista AquaMagazine nº 04 (2008) – Reprodução autorizada.

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
0,022
0,039
0,073
7,4
22
0,003
0,006
0,011
0,023
0,040
0,074
25
0,004
0,007
0,014
0,028
0,049
0,092
28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

Oodinium na criação de Betta splendens

Resolvi escrever sobre este tema por conta do grande volume de mensagens que recebo sobre o tema. É preciso deixar claro que não tenho habilitação técnica para fazer tratado científico sobre o tema, tão pouco prescrever medicamentos ou tratamentos. Sou apenas um aquarista veterano, que aprendeu o pouco que sabe na base da tentativa, erros e acertos. Portanto, leia este material, faça suas ponderações pessoais, pesquise mais sobre o tema, e siga o caminho SUGERIDO, por sua conta e risco, se achar conveniente.

Se você identificou falhas na argumentação, informações equivocadas, por favor, escreva-me. Corrigirei a informação e ficarei agradecido pela ajuda. Toda ajuda é sempre bem vinda!

O Oodinium é uma doença muito comum na criação de Betta splendens, infelizmente. Se propaga de forma rápida, e pode por a perder sua criação inteira (larvas, juvenis e adultos), em questão de horas.

Sinais

Os animais apresentam sinais semelhantes ao Ichthyophthirius (Ictio). Aparecem pontos brancos pequenos espalhados pelo corpo, nadadeiras e branquias do animal, em seguida aparecem as lesões na pele, dando aspecto de poeira dourada ou de veludo, por vezes branco ou amarelo aveludada. Geralmente o animal fica prostrado, a cauda fica fechada, deixa de se alimentar, a respiração fica ofegante e observa-se constantes tentativas do animal se coçar nas paredes e/ou no fundo do aquário. Projetando-se a luz de uma lanterna sobre o corpo do peixe, esta “poeira” é facilmente identificada.

Conhecendo o inimigo a ser combatido

Trata-se de um parasita dinoflagelado. Seu ciclo de vida começa na água. Ele fica a espera de um hospedeiro adequado, de passagem. Quando o encontra, se fixa nele, geralmente e inicialmente nas brânquias. Ao conseguir se fixar, forma uma casca dura para se proteger do meio ambiente a passa a se alimentar das células da pele do peixe. Nesta fase cística, toma a aparência de “poeira”, cobrindo o corpo do animal. Depois de alguns dias o cisto se deposita no fundo do aquário, liberando nova geração de parasitas, realimentando o ciclo.

Tratamento sugerido

  1. Transfira este peixe para um novo aquário, limpo, livre da doença. Lavado previamente com água sanitária e muito bem enxaguado;
  2. Coloque água limpa neste aquário, isenta de cloro e/ou metais pesados. Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Lembre-se, Bettas respiram essencialmente fora da água, então diminua o esforço do peixe para subir à tona para respirar. Bastará a ele virar a boca para cima e puxar o ar;
  3. Adicione um pouco de sal-grosso nesta água (sal de churrasco). A ponta de uma colher de chá de sal-grosso, por litro de água. Isto ajudará no tratamento;
  4. Eleve a temperatura da água em 1 °C ou 2 °C. Aquecedores com termostatos integrados, submersíveis, são os mais indicados para este propósito (são mais precisos);
  5. Adicione um Oodinicida na água, respeitando as indicações de quantidade do fabricante. Uso com muito sucesso, há anos, o Oodinicida da Atlantys®. É barato e eficiente;
  6. Cubra o aquário com um pano grosso. O aquário deve ficar totalmente no escuro. Este dinoflagelado precisa da luz para se manter vivo, enquanto não encontra o hospedeiro adequado para se fixar. Com a ausência de luz, você conseguirá interromper o ciclo de vida do parasita.

Por 5 (cinco) dias ininterruptos, troque a água total, adicione sal-grosso e Oodinicida na água, conforme indicado acima, mantendo o aquário no escuro o tempo todo.

Geralmente, após o segundo dia de tratamento, o peixe já parece estar curado, já começa a se alimentar e fica mais ativo. Apesar disto, continue o tratamento pelo número de dias sugerido.

Prevenção é a melhor solução

Lembre-se que muitas doenças, inclusive o Oodinium, acabam se manifestando ou se intensificando em momentos de estresse do peixe (mudanças repentinas no parâmetros da água, manejo inadequado, transporte, etc).

Adote como procedimento padrão, sempre que adquirir um novo animal, colocá-lo em quarentena. O mantenha por 40 dias, sob atenta observação. Jamais o introduza em aquários coletivos (fêmeas, no caso de Bettas) ou bateria de “betteiras”, onde haja circulação de água entre os aquários, sem observá-lo em quarentena.

Se possível, não introduza equipamentos usados em um aquário, noutro aquário. Tenha equipamentos exclusivos para cada aquário (puçás, sifões, pipetas, etc). Não sendo possível, sempre lave-os muito bem com água sanitária, enxaguando em seguida, em água corrente, antes de introduzí-los noutro aquário. Observe também que suas mãos devem ser lavadas cuidadosamente e atentamente após manuseio de cada aquário.

Permanganato de Potássio, um aliado do aquarista

O Permanganato de Potássio não é algo recomendado para iniciantes, e tem sua eficácia comprovada por muitos criadores de peixes. Também é muito utilizada no setor veterinário, no tratamento de aves e outros animais.
A substância foi utilizada ao longo de anos, nos tratamentos de várias doenças, com seu uso inclusive em seres humanos, mas hoje ao redor do mundo o uso da substância é controlada por ser um agente mutagênico e carcinogênico. Trata-se de uma substância comprovadamente perigosa.
A substância continua em uso no Brasil sendo inclusive recomendada no site do Ministério da Sáude.

Aquário comprado, já definiu o layout, com um tronco e uma raiz saindo por detrás de um belo arranjo de pedras e que será cercado por lindas plantas aquáticas, então é só encher de água e pronto não é?

Não! Todo material a ser utilizado num aquário deve, ou pelo menos deveria ser tratado previamente antes de ser inserido no mesmo, pois podem conter bactérias, parasitas, fungos, ovos de insetos e caramujos e os esporos das famigeradas algas que apesar de importantes num ecosistema é o terror de muitos aquaristas.

Uma simples lavada debaixo de água corrente pode não ser suficiente para resolver os problemas acima, então o que fazer? Ai é que entra o nosso aliado, o Permanganato de Potássio.

O Permanganato de Potássio foi descoberto em 1659 pelo químico alemão Johann Rudolf Glauber, quando fundiu uma mistura do mineral Pirolusita com Carbonato de Potássio. Nessa fusão obteve um material que dissolvido em água formou uma solução verde de Manganato de Potássio que, lentamente, mudou para a cor violeta devido a formação do Permanganato de Potássio.

O Permanganato de Potássio é um composto químico de função química sal, inorgânico, formado pelos íons potássio (K+) e Permanganato (MNO4) . É um forte agente oxidante. No estado sólido ou líquido apresenta uma coloração violeta bastante intensa que, na proporção de 1,5 g por litro de água (em média), torna-se vermelho forte.

O Permanganato de Potássio misturado com Glicerina, Etanol ou Ácido Sulfúrico pode ter uma reação explosiva, não é esse o nosso objetivo aqui, portanto fica a observação.

Também não deve ser ingerido sem recomendação médica é claro, pois uma alta dose pode ser fatal.

Pulando a parte química da coisa, vamos ao método de utilização do Permanganato de Potássio.

Antes de começar fica como recomendação utilizar luvas descartáveis ao manusear o Permanganato de Potássio, seja o comprimido, seja a solução já dissolvida, pois ele mancha a pele deixando o local de contato marrom mas que desaparece em menos de 24 horas.

Luvas descartáveis.
Luvas descartáveis.

O Permanganato de Potássio pode ser encontrado em farmácias na forma de comprimidos, o que vou utilizar aqui tem 100 mg.

Comprimidos de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Comprimidos de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio

Como usar no tratamento de plantas?

No tratamento de plantas eu utilizo um ou dois comprimidos de 100 mg para cada 10 litros de água. Vejam as fotos abaixo:

Balde com 10 litros de água.
Balde com 10 litros de água.

Em um balde com 10 litros de água adicione adicione 1 comprimido de 100 mg Permanganato de Potássio.

Adicione 1 comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio.
Adicione 1 comprimido de 100 mg de Permanganato de Potássio.

Movimente a água para ajudar a dissolver o comprimido, se moer previamente o comprimido pode pular esta etapa.

Movimente a água para dissolver o Permanganato de Potássio.
Movimente a água para dissolver o Permanganato de Potássio.

Após movimentar bem a água para dissolver o Permanganato, adicione as plantas que deseja tratar.

Adicione as plantas que deseja tratar.
Adicione as plantas que deseja tratar.
Imersão das plantas por 08 horas em solução menos agressiva.
Imersão das plantas por 08 horas em solução menos agressiva.

Como adicionei apenas 100 mg de Permanganato de Potássio, ficou uma solução menos agressiva (10 mg/litro) então deixei as plantas de molho na solução por 8 horas.

Após esse período, retire as plantas da solução de Permanganato e lave em água corrente, em seguida coloque num balde com água e anticloro.

Retire as plantas e lave em água corrente.
Retire as plantas e lave em água corrente.
Deixe as plantas em água com anticloro.
Deixe as plantas em água com anticloro.

Deixe as plantas em água com anticloro [Zoom].
Deixe as plantas em água com anticloro [Zoom].
No caso das plantas, esse processo eliminará os esporos de algas, fungos, bactérias, caramujos e não influenciará no desenvolvimento de uma planta saudável. Porém se as plantas estiverem em péssimas condições podem não suportar este tratamento.

Gostaria de lembrar que este processo não elimina as algas de uma planta contaminada, apenas os esporos que nela estiverem.

Como usar no tratamento de troncos e pedras?

Para tratamento de troncos e pedras deve-se utilizar uma quantidade maior de Permanganato, uns 5 comprimidos de 100 mg por litro de água, seguindo os mesmos passos dos citados no tratamento de plantas.

Também pode-se usar a quantidade acima para um tratamento rápido das plantas, nesse caso deixe no máximo uns 15 minutos na solução, pois a mesma ficará bem concentrada, mas eu prefiro tratar de forma lenta e segura.

Como usar no tratamento de peixes?

Muitos aquaristas experientes utilizam o Permanganato no tratamento de fungos e parasitas em peixes.

Ele atua de forma eficaz no tratamento de:

  • Aeromonas
  • Argulose (piolho de peixe);
  • Chilodonella (Quilodonelose);
  • Chondrococcus columnaris (limo dos peixes);
  • Costiose;
  • Dactilogirose (Flukes);
  • Girodactilose;
  • Ictio (doença dos pontos brancos);
  • Lerneose (verme âncora);
  • Pseudomonas;
  • Saprolegniose (mofo dos peixes); e
  • Tricodiníase.

Porém isso deve ser feita de forma cuidadosa num aquário hospital, nunca no aquário principal.

Coloque o peixe a ser tratado no aquário hospital com 50% de água do aquário principal e 50% de água condicionada (anticloro) e com pH e temperatura equivalente.

Deve-se utilizar uma dose baixa de Permanganato, cerca de 1 PPM (1 parte por milhão) o que daria cerca de 1 mg por litro.

Como o comprimido em questão vem com 100 mg recomendo moer o mesmo antes e dividir em 10 partes iguais, utilizando uma parte para cada 10 litros.

Adicione a solução no aquário hospital, fazendo o tratamento diariamente até a cura do peixe fazendo uma troca parcial de água diariamente de 30% e repondo a mesma quantidade da solução diluída na mesma proporção.

Em algumas doenças será necessário utilizar uma dose maior (10 a 20 PPM) de Permanganato de Potássio para tratar de forma eficaz, porém o peixe deverá ficar de 60 a 90 minutos no máximo nessa solução:

  • Argulose (piolho de peixe);
  • Chilodonella (Quilodonelose); e
  • Costiose.

Existem alguns tratamentos de choque com doses maiores, porém devido ao grande risco de perder o peixe e como não recomendo prefiro não descrever aqui.

O uso de Permanganato de Potássio é na maioria das vezes muito menos agressivo e tóxico do que o tratamento com medicamentos a base de Cobre por exemplo e com eficiência de igual valor.

O tratamento de peixes com Permanganato é um assunto polêmico, principalmente para os envolvidos com fabricantes de medicamentos específicos, os quais deixo claro que não sou contra e até recomendo a utilização por iniciantes. O que não podemos é desmerecer soluções eficientes e que estão ao alcance de todos.

Adilson Borszcz
Autorização de Publicação Aquaflux


Artigo publicado originalmente no website Aquaflux – Reprodução autorizada pelo autor e mantenedores do website.

Fontes:

  • Experiência própria
  • WIKIPEDIA

Obtenha mais sucesso no manejo de ninhadas de Bettas

Betta splendens, como qualquer ser vivo, tem seu ciclo de sono e de atividade, relacionado ao fotoperíodo natural…. No ambiente do aquário não pode ser diferente quanto a esse quesito.

Desrespeitar o fotoperíodo natural estressa muito os animais, coloca os indivíduos sob vigília forçada, ininterrupta e cruel para se defender dos demais filhotes da ninhada que ocupam o mesmo aquário, tanto na disputa por território, como por comida. Este estresse pode comprometer o sistema imunológico dos animais e abre portas para o ataque oportunista de bactérias, fungos, parasitas ou vírus. O animal que fica mais horas ativo certamente come mais e acaba engordando e não necessariamente tem seu desenvolvimento melhorado (semelhante ao frango de corte), o tiro pode sair pela culatra, os animais podem ter seu desenvolvimento prejudicado e a saúde comprometida. Perceba, buscar um Betta splendens maior, acelerando o processo de desenvolvimento adotando práticas de aumento de fotoperíodo ou até mesmo não oferecer período de repouso (luz acesa 24hs/dia), não é saudável para os animais e provavelmente vai reduzir o tempo de vida deles de forma significativa (Ah! Vai doer no seu bolso também – a energia elétrica é cara).

No meu manejo, até os meus Bettas reprodutores, com ninhadas para cuidar, ficam no escuro com os alevinos no período noturno, e sempre tive muito sucesso nas quantidades de indivíduos que chegam a idade adulta; todos extremamente saudáveis e bem desenvolvidos!

Seguindo minha lista de procedimentos padrões colocarei em caixa alta e negrito, aquilo que acredito ser de maior importância para o crescimento dos Bettas: ÁGUA, ÁGUA e ÁGUA!

Claro que a alimentação tem seu papel fundamental, mas, sem água boa, nada acontece.

Ambos os fatores estão entrelaçados, porém, a água de boa qualidade é mais primordial do que uma alimentação mais rica e/ou em maior volume.

Se oferecer boa alimentação para filhotes com qualidade de água comprometida versus alimentação mais racionada mas com água de excelente qualidade, o resultado no segundo grupo é infinitamente melhor do que no primeiro grupo.

Faça a experiência: ofereça náuplios de artêmia franciscana, vermes-do-vinagre, spirulina, ração de boa qualidade, intercalando-as, várias vezes ao dia, claro, em quantidades razoáveis, compatível ao volume de filhotes, para 2 (dois) grupos distintos de filhotes da mesma ninhada, escolhidos aleatoriamente. Para o primeiro grupo de filhotes não se preocupe tanto com a qualidade da água (sem exageros, por favor, senão não sobrará um filhote vivo sequer). Para o segundo grupo, promova trocas parciais diárias de água de 50%, bem lentas, sempre equalizando os parâmetros da água (pH e temperatura) e pode se dar ao luxo de reduzir o volume de alimentação pela metade para este grupo.

Em ambos os casos, o ciclo de noite/dia, deverá ser respeitado, naturalmente. Ao final de 1 mês, compare os resultados das ninhadas. O segundo grupo vai se desenvolver muito mais que o primeiro, apesar de comer menos (em quantidade).

Alevinos de Betta splendens sendo alimentados com náuplios de artêmias franciscanas (salinas).
Alevinos de Betta splendens sendo alimentados com náuplios de artêmias franciscanas (salinas).

Outro fator de vital importância é a relação quantidade de indivíduos versus área da superfície do aquário (é área mesmo e não volume, OK?)

Para o Betta o que vale é a lâmina d’água, a superfície do aquário, o deslocamento horizontal. Deixe-me explicar melhor:

Se tivermos 2 aquários com mesmo volume de água, porém, um mais comprido e baixo (coluna d’água menor), e outro, menos comprido, e com altura maior de coluna d’água, esse último comportará menos Bettas do que o primeiro.

À medida que forem tendo sucesso na quantidade de indivíduos por ninhada – tipo 100, 200 bettinhas -, ao final de um mês (ou mesmo um pouco antes), separe a ninhada em mais aquários.

Isso fará com que os filhotes tenham mais espaço com menos estresse entre eles e o aumento de tamanho e a quantidade será espetacular (sempre haverá aquele bettinha alfa para apoquentar os outros e “mandar no pedaço”, e os demais, têm que ter espaço para se afastar dele)!

Siga este roteiro e certamente acabará obtendo muito sucesso com suas ninhadas de Betta splendens. Claro que tive e, ainda continuo tendo, alguns insucessos com ninhadas, como todo mundo que se mete a criar Bettas, vez ou outra, acaba enfrentando. Aliás, aquele que disser que nunca teve um insucesso, das duas, uma: nunca criou Bettas, ou está mentindo. O insucesso, infelizmente, faz parte do processo.

Desejo que você tenha muito sucesso em suas criações de Bettas – tanto em quantidade, saúde e, principalmente, com boa genética (Bettas de qualidade). Sucesso!

Doenças mais comuns nos Bettas

Artigo publicado originalmente no website:  www.oaquario.com.br – Reprodução autorizada (20/08/2010).

Embora o Betta seja um peixe resistente a doenças ele pode ser acometido por algumas moléstias comuns de aquário em conseqüência de má manutenção do mesmo ou de alimentação deficiente em que não suprimos todas as necessidades básicas dele.

Tenha sempre em mente que peixe que vive em ambiente estável, bem cuidado e possui uma boa alimentação raramente ficará doente.

Podemos dividir as doenças em:

  1. Genéticas ou congênitas;
  2. Causadas por parasitas e fungos;
  3. Causadas por vírus e bactérias;
  4. Causadas por problemas na água.

1. Doenças genéticas ou congênitas:

São doenças que em que o peixe já nasce com elas, são alterações ou mutações às vezes graves, sua cura é praticamente impossível.

Normalmente surgem quando não tomamos cuidado em nossas reproduções, ou seja, não temos critérios ou seriedade nos cruzamentos, cruzando peixes muito próximos e até irmãos surgem assim os problemas de consangüinidade que resulta nos seguintes sintomas:

♦ Peixes com vida curta;
♦ Falta de nadadeiras ou nadadeiras torcidas;
♦ Deformação na espinha dorsal;
♦ Deformação da bexiga natatória, causando dificuldade no nado do peixe;
♦ Tumores externos – pequenos caroços na pele do peixe que vão tomando todo o seu corpo até a morte;
♦ Tumores internos – o peixe apresenta alterações no seu metabolismo;
♦ Alterações de cor;
♦ Esterilidade – o peixe não se reproduz;
♦ Nascimento de peixes siameses – peixes unidos pelo ventre, cabeça, etc.

2. Doenças causadas por parasitas e fungos (sintomas e tratamento):

Achyla ou Saprolegnia: Fungos, manchas brancas ou tufos semelhantes a algodão. Deve ser tratada com um bom fungicida comercial ou ainda verde de malaquita na proporção de 2 gotas para cada 4 litros de água. Em casos mais difíceis pode-se usar também Tripaflavina (50 mg/20 litros) por 2 ou 3 dias.

Oodinium pillularis: Parasita muito perigoso. Pode devastar um aquário em poucas horas. O primeiro sintoma é falta de apetite, depois a respiração torna-se ofegante (asfixia), os peixes vão à superfície, ficam desequilibrados. Pode haver nas escamas um brilho fraco, como veludo. Use um bom fungicida, parasiticida ou oodinicida comercial, ou então, Aureomicina (15 mg/1 litro) durante 4 dias.

Costia: Falta de apetite, manchas esbranquiçadas, ramificações vermelhas nas nadadeiras. Fungicida e parasiticida comercial ou Tripanoflavina (1 g/100 litros).

Ictio: É a doença mais comum. Pequenos pontos brancos nas nadadeiras ou em todo o corpo, nadadeiras fechadas – os peixes costumam se esfregar no cascalho ou nas pedras. Parasiticida comercial ou verde de malaquita (1 g/25 litros), ou azul de metileno (5 gotas/10 litros), ou ainda sal grosso (1 colher de chá para cada 4 litros). Atente para o fato de que este tratamento deve ser seguido de elevação da temperatura para 28/29 °C.

3. Doenças causadas por bactérias e vírus:

Nadadeiras roídas: Pode ter várias causas geralmente são bactérias. As nadadeiras ficam esbranquiçadas e se desfazem. O pH ácido favorece o seu aparecimento, neste caso, antes de iniciar o tratamento corrija o pH (elevando-o). Em seguida use um bactericida comercial ou azul de metileno a 5%. Em casos mais graves pode se usar também Tripaflavina (1 g/100 litros) ou Aureomicina (10 mg/1 litro), por 2 ou 3 dias, ou ainda, Tetraciclina (50 mg/2 litros), durante 7 dias, trocando a água e o medicamento, mantendo o “aquário-hospital” em local escuro.

Fungos na boca: Grossa camada de fungos na boca parecida com algodão. O fungo pode estar associado a bactérias que se localizam em ferimentos. Fungicida e bactericida comercial ou o mesmo procedimento do tratamento para fungos acima.

Dactylogyrus ou Gyrodactylus: Falta de apetite, inflamação e inchaço nas brânquias, turvação dos olhos, respiração ofegante. Parasiticida comercial especifico para esta doença ou azul de metileno (3 ml de solução a 1% para 10 litros).

Hidropsia (ventre volumoso): É causada por bactérias que atacam os órgãos internos paralisando-os. Os peixes ficam barrigudos e com as escamas eriçadas. Pode ser incurável. Bactericida comercial potente ou 250 mg de Aureomicina para cada 20 litros ou ainda 50 mg de Tetraciclina para cada 2 litros por 7 dias com trocas diárias de água e medicamento e manter o “aquário-hospital” em local escuro.

Tuberculose ou Barriga seca: O peixe fica magro, com o ventre retraído. Pode ser causada por alimentação de má qualidade e pouco variada. O estado de debilidade do peixe pode tornar a cura difícil bactericida comercial potente ou estreptomicina.Raramente tem cura.

Olhos inchados (Pop-Eye): Pode ser causado por bactérias (tuberculose, hidropsia), por fungos (Ichthyosporidium) ou. por vermes. O sintoma é seus olhos inchados. Paraciticida e bactericida.

Buraco na cabeça (Hole-in-Head): Doença dos acarás. Ataca os órgãos internos, causando danos que podem ser irreversíveis. Falta de apetite. Na fase final aparecem inchações e perfurações na cabeça e no corpo. Não é muito contagiosa usar bactericida.

4. Doenças causadas por problema na água:

Água muito ácida: Nadadeiras fechadas, escamas eriçadas, natação irregular, tremores. Elevar o pH com alcalinizante.

Água muito alcalina: Perda de brilho nas escamas, respiração ofegante junto à superfície. Pode haver perda de escamas. Diminuir o pH com acidificante.

Bem acho que deu para pegar uma boa ajuda, espero que tenham sorte e consigam salvar seus peixes com isto.

Boa Sorte!

Marcos Monteforte

Cuidados básicos com a água do seu Betta

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 15/07/2011 – Reprodução autorizada.

Quantos que nunca ouviram falar que o Betta é um dos peixinhos mais resistentes? Que pode viver perfeitamente em qualquer vidro de maionese?

Pois não é bem assim. O Betta suporta com facilidade uma ampla gama de condições da água, mas alguns fatores são de importância fundamental.

Não deve haver compostos de cloro ou cloramina dissolvidos na água. Claro, não deve haver metais tóxicos, produtos químicos nocivos ou venenos, como os pesticidas, presentes.

O pH deve estar próximo ao neutro (pH 7). Este é, para começar um dos fatores ignorados por muitos iniciantes ou inexperientes com o Betta.

Alguns até acabam colocando seus Bettas em água mineral. Um grande erro, pois nem sempre a água mineral parâmetros adequados para este peixe. Prefira usar água comum mesmo, mas conheça alguns parâmetros desta como por exemplo o pH e se tem ou não a presença de cloro. Para isso, basta adquirir em lojas do ramo, alguns testes que podem lhe trazer estas informações.

Se você usar plantas vivas com seus Bettas fique atento a sinais de parasitas. Da mesma forma, com o uso de plantas naturais você provavelmente precisará usar iluminação artificial, neste caso é necessário tomar o cuidado para o tempo em que a luz ficará ligada, para não haver formação de algas verdes. Caso for necessário, utilize um temporizador.

A maioria dos sistemas públicos de água fornece água de boa qualidade, exceto para o cloro dissolvido ou cloraminas*. Estes produtos químicos são usados para controlar as bactérias e devem ser neutralizados antes de usar. Envelhecimento da água por 24 horas irá remover o cloro, mas não removerá cloraminas. Estes compostos dissolvidos vai matar o seu Betta em poucas horas. Há muitos produtos disponíveis em lojas de animais que são fabricados especificamente para resolver este problema.

Para a remoção do cloro, proveniente da rede de abastecimento, coloque a água em um vasilhame (aberto) para descansar por 24 à 48 horas, tempo suficiente para o cloro evaporar. Ou então, como já mencionado use um bom anti-cloro.

Freqüentemente você poderá adicionar, após a troca de água, um pouco de sal (grosso comum ou marinho) no aquário para efetuar a profilaxia. Use a proporção de 1 a 3 g por litro de água.

Um dos grandes segredos para manter seu Betta saudável é a qualidade da água. Portanto, você poderá se utilizar de filtro químico/biológico ou conforme o caso efetuar com freqüência as TPAs (Trocas Parciais de Água) ou TTA (Troca Total de Água). Mas lembre-se, se for usar filtros, procure aqueles que causam pouca agitação da água.

O uso de produtos químicos tais como detergentes e outros devem ser evitados. Para a limpeza, prefira usar uma esponja que deverá ser reservada somente para esta finalidade com a própria água do aquário. Como alternativa, você também poderá usar uma solução de água com sal ou bicarbonato de sódio, ou então o permanganato de potássio.

Lembre-se, a boa qualidade da água é tão essencial ao seu Betta quanto o ar que respiramos! Evite alimentação em excesso para a própria saúde do seu peixe bem como para garantir a menor quantidade de fezes dentro do aquário que acabará causando uma elevação de amônia que é altamente prejudicial para os peixes. Por isso, evite sujeira dentro do aquário, se for necessário, retire esta com um conta-gotas ou pipeta.

Outro ponto bastante importante em relação a água é a temperatura desta que deve ficar entre 25 à 30 ºC. Existem termômetros próprios para aquários sendo vendidos em lojas do ramo. Se necessário, compre um bom termostato para manter a temperatura estável.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

(*) Existe uma possibilidade remota da água vinda da companhia de abastecimento vir com cloramina como fonte de cloro. Se for o caso, apenas os condicionadores à base de hidroxi-metano sulfinato de sódio ou equivalente devem ser usados. Anti-cloro e água descansada não removem a cloramina, mas a chance da água conter cloramina é bem pequenas (mais comum na Europa). Cabe ao aquarista verificar isto com um simples teste de amônia. Meça a amônia na água. Adicione anti-cloro (não serve condicionador, tem que ser anti-cloro mesmo) e em seguida meça a amônia novamente. Se a amônia subir é porque a água veio com cloramina.

Como lidar com mudanças de pH no aquário

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 21/11/2011 – Reprodução autorizada.

Este é um assunto recorrente entre criadores e hobbystas de peixes ornamentais. Mas até onde este parâmetro é necessário ser levado tão a sério? É realmente necessário um controle preciso quanto ao pH da água de um determinado aquário?

Escala de pH.
Escala de pH.

Peixes em geral, no seu habitat natural, vivem em um amplo espectro de níveis de pH sem problema algum. Em lojas de aquarismo, também não é muito diferente, pois existem muitas espécies de peixes bem como um número elevado de aquários e nem todos procuram se preocupar muito com mais este “detalhe”.

Mas e em nossas casas? Procuramos seguir a risca o que a vasta literatura nos ensina. Aclimatamos nossos peixes a um mundo perfeito, com temperaturas quase constantes, água cristalina e não somente o pH como também outros parâmetros são verificados quase que como um técnico de laboratório o faria.  Isso só os torna menos resistentes a oscilações.

Utilizar recursos de adição de agentes químicos para deixar a água mais ácida ou mais alcalina não é uma boa prática. Vamos supor que ocorra uma mudança muito drástica no valor deste parâmetro. Estas mudanças drásticas são altamente prejudiciais para a saúde dos peixes.

No entanto, existem algumas coisas que você pode fazer para ajustar os níveis de pH de forma lenta e gradual. Para diminuir os níveis de pH, adicione um pedaço de madeira (troncos, galhos, etc) ou outros materiais (folhas de amendoeira, xaxim, turfa, etc) como decoração do aquário. Para aumentar os níveis, em vez disso, adicione algum alcalinizante natural (dolomita, aragonita, conchas, halimeda, etc). Fazer isso não vai alterar drasticamente o nível de pH da água e vai dar o seu tempo de vida aquática ajustar-se.

Mudanças repentinas nos níveis de pH podem, por vezes, ocorrer em aquários. Estas mudanças repentinas são prejudiciais para os peixes e precisam de solução urgente. Você deve se focalizar em identificar e eliminar a causa. Jamais deverá lutar contra os efeitos destas mudanças bruscas e repentinas. A primeira coisa a ser feita é verificar a fonte da água, embora nem sempre seja ela a causa, mas é bom ter certeza.

A segunda coisa que você deve se preocupar é se houve acréscimo de algo novo dentro do aquário. A nova decoração, cascalho, novas mídias no filtro, qualquer outra coisa. Geralmente é a introdução de algo novo que acaba causando a mudança rápida do pH. Retire os itens que você acha que está causando a mudança, efetue uma troca de 50% da água, em seguida, monitore por alguns dias. Isto na maioria dos casos deve resolver o problema.

É sempre prudente evitar estas alterações bruscas de pH. Afinal, a prevenção sempre é melhor do que remediar!

Minimize o número de produtos químicos que você despeja na água do aquário.

Não fique mudando a decoração do aquário. Após a adição de algo novo na água do aquário, haverá a necessidade de um tempo para as novas adaptações e mudanças freqüentes só servirão para perturbar o equilíbrio já estabelecido.

Não se esqueça da manutenção periódica que devem ser realizadas. Trocas parciais de água é uma solução perfeita para manter os níveis de pH e o equilíbrio do ambiente em seu aquário.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

Primeiros Socorros para Betta splendens

As sugestões apresentadas abaixo refletem as experiências empíricas acumuladas ao longo dos anos que manejo esta espécie (> 47). Não estou credenciado a fazer diagnósticos e prescrever tratamentos. Ciente disto, avalie as sugestões apresentadas e siga-as por sua conta e risco, se entender que deve. Este manejo pode variar ligeiramente de criador, para criador. Mas em sua essência, os manejos serão bem parecidos.

Antes de mais nada é importante dizer que a grande maioria de doenças que surgem em nossas criações de peixes são provocadas por estresse. A capacidade imunológica do animal, quando estressado, cai dratiscamente, permitindo que doenças oportunistas ataquem os animais. Portanto detectar a fonte do estresse é tão ou mais importante do que tentar medicar o animal, para que o problema não se repita ou agrave.

Na criação de Betta splendens, o que acontece mais é ataque de fungos, bactérias, parasitas (principalmente Ictio e Oodinium), desordem da bexiga natatória (DBN), e Pop Eye. Dificilmente acontecerá algo diferente que fuja destas situações.

Se você não tem experiência suficiente para definir exatamente o problema que seu peixe enfrenta, existem algumas ações simples que você pode providenciar, para tentar reanimar o animal. Quando e se algo chegar a se manifestar de forma bem explícita, você entra com medicação industrializada.

Siga estas sugestões:

♦ Transfira o peixe para um “aquário hospital”. Pode ser um pet de refrigerante cortado.

Enquanto seu peixe está em tratamento, lave o aquário dele muito bem com água corrente. Deixe-o de molho em água sanitária por algumas horas. Enxágüe muito bem e deixe-o ao sol para evaporação dos gases do cloro e ultima limpeza com os raios UV.

♦ No “aquário hospital” use 100% de água nova, isenta de cloro e metais pesados (pH e temperatura da água devem estar equalizados com a água do aquário original do peixe).

Se você faz uso de água de poço artesiano, é altamente recomendável o uso de condicionador de água para eliminação de metais pesados que “podem” estar presentes nesta água. A água tratada pelo sistema de abastecimento público não requer nada além do uso de anti-cloro. Se você puder usar condicionador de água, também para este tipo de água (água tratada pelo sistema de abastecimento de sua cidade), lhe garanto que mal não fará ao animal. Em sua composição existe um protetor para a mucosa do peixe.

Troque a água do “aquário hospital” todos os dias, 100% e aplique os produtos sugeridos acima novamente. Repito. a água, além de estar isenta de cloro e metais pesados, deve estar com pH e temperatura equalizada com os parâmetros da água em que o peixe está, para não estressá-lo ainda mais.

♦ Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Desta forma o peixe precisa apenas virar a boca para cima, para respirar, puxar o ar da atmosfera.

Lembre-se que o Betta splendens respira essencialmente através de seus labirintos, um sistema similar ao pulmão humano. Reduzindo o esforço do animal para subir à tona para respirar, ele concentra suas energias na cura.

Adicione sal-grosso, “de churrasco mesmo”, na água. Durante a crise na proporção de 3g/litro de água. Fora da crise, e de forma preventiva, aplique 1g/litro de água. O sal tem propriedades curativas, é um competente bactericida natural.

♦ Adicione, se possível, folha de amendoeira (Terminalia catappa L.) na água, na razão de 1 cm2/litro de água. Esta folha tem propriedades curativas: bactericida, fungicida e anti-inflamatória. A cada troca de água, substitua o pedaço desta folha, na mesma medida indicada anteriormente

Aumente a temperatura da água em 1 ou 2 °C. Isto costuma ser tonificante para peixes.

Se você não tem um sistema de controle de temperatura da água, integrado a um termostato, é bom providenciar. A estabilidade da temperatura da água é muito importante para não estressar o animal ainda mais, num momento em que ele já está tão fragilizado. 

♦ Preferencialmente ofereça apenas alimentos vivos neste momento, sempre em pequenas quantidades. Havendo sobras, remova-as com a ajuda de uma pipeta.

Algumas opções de alimentos vivos: náuplios ou indivíduos adultos de artemias salinas (Artemia franciscana), microvermes (Anguilula silusiae), vermes-do-vinagre (Turbatrix aceti), enquitréias (Enchytraeus albidus), vermes-de-grindall (Enchytraeus buchholzi).

Sem medo de errar, se você acompanhar e observar atentamente seus animais, cotidianamente, perceberá rapidamente qualquer mudança de comportamento do animal, podendo aplicar as sugestões acima indicadas, resolvendo o problema de imediato.

Perceba que até o presente momento não citei nada sobre medicação industrializada. Você pode e deve usá-la, principalmente se estas medidas acima não surtiram os efeitos esperados.

É provável que a esta altura dos acontecimentos você já tenha uma idéia clara do problema que afeta seu peixe. Se não tem, sugiro que consulte o manual da Sera™: Como manter saudáveis os seus peixes ornamentais. Em minha humilde opinião, o melhor material de consulta gratuito, disponível no momento em que escrevo este texto. É evidente que o fabricante indica os produtos de sua fabricação, excelentes por sinal (que fique registrado), mas nada impede que você use este material para tentar identificar a doença e procure por soluções alternativas no mercado, que sejam passíveis de serem encontradas no comércio local de sua cidade, que caibam no seu bolso.

Desejo que você consiga recuperar a saúde do seu animal, seguindo estas sugestões. Aja rapidamente, não espere o problema se agravar para tomar as providências necessárias.