Riscos à saúde envolvendo aquarismo

Cuidados básicos de segurança ao se manusear um aquário

Geralmente aquários são feitos de vidro, que é um material bem cortante, e acidentes graves podem acontecer. Muito cuidado com bordas trincadas, em especial as tampas, que é uma fonte comum de cortes. No caso da tampa quebrar, bastante atenção também a cacos que possam cair dentro do aquário, pedaços pequenos podem ser bem difíceis de serem vistos dentro da água, com sérios riscos de cortes durante a limpeza do aquário.

Lembre-se também que aquários são pesados, geralmente seu peso (em quilogramas) é um pouco maior do que seu volume em litros (ou seja, um aquário de 50 L pesa um pouco mais do que 50 kg). Nunca tente mover um aquário cheio. Sempre coloque uma placa de algum material macio (como isopor) entre o aquário e o móvel onde ele ficará. E obviamente, aquários precisam ser bem projetados, com vidros de espessura adequada, colas adequadas e travas adequadas.

Outro detalhe óbvio mas importante é o cuidado que se deve tomar com equipamentos elétricos, fios submersos dobrados, corroídos e etc. Lâmpadas também não podem estar em contato com a água, sob risco de estourarem. Este cuidado deve ser redobrado em marinhos, pela corrosão maior que a maresia provoca nos equipamentos emersos perto do aquário. Quando das TPA’s (trocas parciais de água) e outras manutenções dentro do aquário, é mais seguro desligar tudo o que é elétrico. Uma dica interessante é fazer um “loop” com o cabo energético a fim de evitar que a água escorra pelo cabo e atinja algum componente eletrônico ou mesmo a tomada de energia.

Intoxicações

Cuidados básicos devem ser tomados com medicamentos, reagentes químicos e outros produtos do aquário. Cuidado com crianças e animais, que podem inadvertidamente ingerir estes materiais. Outro material bastante tóxico é o metal contido em lâmpadas fluorescentes. No caso de lâmpadas quebradas, bastante atenção com a limpeza no local, e no descarte dos fragmentos. Claro, cuidado também para não se cortar!

Acidentes com animais traumatizantes e venenosos

Vários peixes marinhos possuem ferrões ou mordidas venenosas; os mais conhecidos são o peixe-leão, escorpião e a moréia. Em geral, criadores destas espécies estão cientes deste fato, estando mais bem preparados para lidar com acidentes. Porém, alguns peixes de água doce também são venenosos, fato pouco conhecido pela maioria dos aquaristas. Destaque para arraias de água doce, com um poderoso ferrão na base da cauda; acidentes mais graves envolvendo aquários de água doce são atribuídas a este animal. Outro peixe que poucos sabem ser venenoso é o mandi (peixe-gato da família Pimelodidae), com ferrões venenosos na nadadeira dorsal. O veneno é bem menos poderoso do que o da arraia, mas leva a quadros bastante dolorosos.

Todos estes acidentes com animais venenosos devem ser imediatamente tratados com água quente, mergulhando o local acometido em água quente, numa temperatura alta mas suportável. O veneno destes peixes é termolábil, e esta conduta imediata é fundamental. A procura por um serviço hospitalar logo após também é mandatória.

Além do mandi, todos os demais peixes-gato possuem espinhos nas nadadeiras, e podem causar ferimentos se manuseados sem o devido cuidado. Outros peixes que também tem mecanismos de defesa na forma de espinhos são as Bótias de água doce (abaixo dos olhos) e tangs marinhos (lâminas na base do pedúnculo caudal).

Acidentes com ouriços-do-mar podem também acontecer, seus espinhos são quebradiços, e muitas vezes só podem ser retirados em ambiente hospitalar. Outra causa de acidentes são cnidários, como corais e anêmonas, além de alguns vermes marinhos, que podem causar dermatites bem graves. Podem ser controladas por compressas ou imersão do local acometido em água marinha gelada (água doce dispara mais as células urticantes, agravando o quadro). Banhos de vinagre também auxiliam, inativando o veneno.

Obviamente, a manipulação de peixes agressivos, como piranhas, tubarões e traíras deve ser feito com bastante atenção.

Acidentes com Esterilizadores UV

Esterilizadores ultravioleta são utilizados em aquarismo para eliminar agentes em suspensão na água, desde algas verdes a fungos, virus, protozoários e bacilos de algumas doenças que por eles passam. São sistemas baseados em lâmpadas que emitem radiação ultravioleta (UV), que tem uma potente ação germicida. Por isso o termo “filtro” não é correto. A água do aquário circula em um compartimento fechado onde é exposta à radiação esterilizante, mas este local é isolado, impedindo o vazamento desta radiação além de seus limites.

A radiação UV é uma radiação eletromagnética semelhante à luz. Porém, não é visível, seu espectro de onda tem frequência maior do que a da cor violeta (a de maior frequência dentro do espectro visível), daí seu nome. A lâmpada UV destes equipamentos (em geral, de vapor de mercúrio) emite um espectro amplo, que se estende desde a luz visível (numa cor violeta), passando pela luz “negra” e o UV propriamente dito. Isto quer dizer que se você olhasse para a lâmpada acesa (por favor, não faça isso!), ela teria uma cor violeta, mas o UV emitido não seria perceptível.

Estes aparelhos são hermeticamente fechados, não permitindo vazamento da radiação. Esterilizadores de boa qualidade possuem uma trava de segurança; quando aberto um circuito é desarmado, interrompendo a corrente e apagando a lâmpada. Geralmente, quando ocorrem acidentes, são com sistemas feitos em casa (também chamados de DIY, sigla de Do It Yourself ou Faça Você Mesmo), quando algum desavisado liga a lâmpada sem proteção, ou um esterilizador mal feito, sem um isolamento adequado.

Vale lembrar também que a energia irradiada é imediatamente absorvida, não havendo radiação residual na água esterilizada. Da mesma forma, a lâmpada desligada não oferece perigo algum.

Os efeitos agudos da radiação UV são nos olhos e na pele. Nos olhos, a manifestação mais comum é uma inflamação dolorosa na córnea e conjuntiva (fotoqueratite), cujo efeito não é imediato, surgindo de 6 a 12 horas após a exposição. Há cura espontânea em 48 horas, sem deixar seqüelas. Existem várias outras lesões graves já bem documentadas em casos de exposição crônica ao UV, como catarata e lesão de retina. Há pouca literatura envolvendo exposições agudas, mas certamente um risco teórico existe. Os efeitos na pele são mais extensos, mas o risco de lesões graves é menor. Inclui um quadro de eritema idêntico à queimadura solar, que surge cerca de 24 horas após a exposição. Há vermelhidão, calor, dor e sensibilidade no local. É um quadro auto-limitado, regride espontaneamente sem agravos. Existe também um risco teórico significativo de aumento na incidência de câncer de pele.

Apesar da maioria dos efeitos da exposição aguda ao UV serem auto-limitados, é prudente procurar auxílio médico imediato se houver algum acidente.

Em resumo, esterilizadores UV são aparelhos que utilizam radiação de alta energia, com potenciais riscos à saúde humana, dependendo da dose e forma de exposição. Precisam ser manuseados com bastante cuidado, especialmente os DIY, e os riscos precisam ser bem conhecidos por nós aquaristas.

Amianto e caixas d´água

O amianto (também conhecido como asbesto) é um mineral fibroso, que tinha vasta utilização na indústria pelas suas propriedades físicas, uma excepcional resistência ao fogo e corrosão, isolamento acústico, além de ser leve e com baixo custo de produção. Foi muito utilizada na confecção de caixas d´água, telhas, pastilhas de freios de automóveis, roupas de segurança contra fogo, etc.

Infelizmente, a inalação de fibras de amianto é extremamente perigosa, devido ao maior risco de desenvolvimento futuro de câncer (pulmão e pleura), além de outras doenças graves, como fibrose pulmonar. Uma vez aspiradas, as fibras microscópicas de amianto são retidas no pulmão, e nunca mais eliminadas. A ingestão é outra via de contaminação. Causam um processo de agressão contínua aos tecidos locais, que em longo prazo leva ao desenvolvimento de tumores. O risco muitas vezes é negligenciado pelo fato de o câncer se desenvolver após um período longo após a exposição, podendo ter uma latência de até 40 anos.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da OMS classifica o amianto no grupo 1 (mais grave) dos 75 agentes reconhecidamente cancerígenos para os seres humanos. Acredita-se que a incidência de câncer de pulmão em trabalhadores com exposição ocupacional seja 10 vezes maior do que na população geral. Sua ação potencializa a carcinogênese do cigarro, com risco 90 vezes maior do que o da população.

O amianto já foi banido em 52 países, entre eles nossos vizinhos, Chile, Argentina e Uruguai. No Brasil, sua utilização ainda é permitida, com restrições. O Congresso Nacional tem um projeto para que ela diminua progressivamente e seja totalmente abolida.

Para caixas d´água por exemplo, em boa parte o material já foi substituído por outros, como polietileno e fibra de vidro. Ainda se fabricam caixas de fibrocimento, que contém amianto na sua composição, mas em baixa concentração. Porém, caixas d´água antigas descartadas podem ser facilmente adquiridas em demolições e lojas de materiais usados, por preços baixos. E nestes materiais, há alta concentração de fibras de amianto.

Não há risco em consumir a água destas caixas d´água. Se usado como aquário, também não causa problemas para os peixes, somente alcaliniza a água, o que é facilmente solucionado com um verniz, de epoxi ou poliuretano por exemplo.

O problema é quando por algum motivo for necessário serrar ou furar uma destas caixas (por exemplo, para criar uma janela com vidro numa das laterais da caixa), com risco de aspiração do pó. Deve-se sempre usar uma máscara com filtro (pode ser só um filtro mecânico, nem precisa ter carvão). Claro, deve ser feito em local aberto e arejado.

Muito cuidado para descartar o pó também; o ideal é misturar o pó a alguma resina ou cola, para não expor o lixeiro, o vizinho, etc. Lavar bem a roupa que foi usada no procedimento também é essencial, o que deve ser feito imediatamente após o uso e quem a lava deve ser conscientizado do perigo e dos cuidados a tomar. É bom usar luvas pois as farpas de amianto espetam a pele e podem causar irritação, mas pelo menos não causam doenças graves neste local, podendo porém ocasionarem verrugas de asbesto – as fibras se alojam na pele e são envolvidas por esta, produzindo crescimentos benignos parecidos a calos.

Infecções

Aquela água cristalina do seu aquário na realidade é uma sopa fervilhante de vida invisível. Isto é ótimo para a saúde do seu aquário, mas pode carregar uma série de patógenos que podem causar doenças em seres humanos.

O germe mais comum é o Staphylococcus, mas agentes mais agressivos já foram identificados em aquários domésticos, como Pseudomonas e Clostridium, estes últimos agentes da Gangrena gasosa e do Tétano.

Sempre que houver contato com a água do aquário, cuidados básicos devem ser tomados, lavando-se as mãos com água e sabão. Muito cuidado também com as TPA’s… quem já não engoliu um pouco de água ao aspirar a água com uma mangueira?

A atenção deve ser redobrada em aquários com répteis e anfíbios. Estes animais são reservatórios e veículos de Salmonella, um organismo que pode causar infecções digestivas sérias em seres humanos. Outros patógenos preocupantes já foram isolados nestes tanques, como o vibrião da cólera e a Edwardsiella.

Alimentos vivos também devem ser manuseados com cuidado, em especial o Tubifex, que muitas vezes é coletado em esgotos. Não é propriamente uma infecção, mas um relato cada vez mais comum é de alergia a “Bloodworms” (larvas de mosquito quironomídeo), em especial na sua forma congelada.

Como toda infecção, aquelas adquiridas de aquários e peixes também têm sua instalação e gravidade bastante dependentes do grau de imunidade do indivíduo. Portadores de doenças crônicas, de doenças imunodepressoras ou em uso de medicamentos que deprimem o sistema imune devem ter bastante cuidado ao manusear o aquário.

Tuberculose píscea

Esta doença afeta peixes, anfíbios e outros animais aquáticos, mas pode também acometer seres humanos. O Mycobacterium marinum é um organismo comum, de ampla distribuição, encontrado tanto em água doce quanto salgada, apesar do que o nome possa sugerir. Pertence ao mesmo gênero dos agentes causadores de micobacterioses em humanos, como a tuberculose e a hanseníase.

A doença em humanos é bastante rara, com uma incidência estimada entre 0,04 a 0,27 casos/ano por 100.000 habitantes (estatística francesa e norte-americana). Somente como comparação, a incidência de casos novos detectados de tuberculose no Brasil é de 37,12 casos/ano por 100.000 habitantes (2008). Entretanto, é uma doença importante, por ser de difícil diagnóstico, fundamental para um tratamento correto.

Esta doença já é conhecida desde 1939. No início foi relatada em usuários de piscinas públicas. Atualmente esta forma é bem rara devido ao uso de Cloro. Hoje, é uma doença tipicamente associada a pessoas que manipulam aquários ornamentais, daí os nomes populares “granuloma do aquário”, “doença do manipulador de peixes”, e “síndrome do dedo do criador de peixes”.

A infecção se dá durante a manutenção do tanque, com entrada do germe através de um corte na pele (um machucado nas mãos dentro da água, ou um ferimento pré-existente, muitas vezes imperceptível). Geralmente o germe é rapidamente eliminado pelo sistema imune, mas pode evoluir para doença, semanas a meses após a exposição.

Por ser um micro-organismo adaptado a animais de sangue frio, não se desenvolve bem a 37°C (temperatura corpórea humana). Assim, quando ocorre doença, em geral ela é restrita à pele. Inicialmente se forma uma pequena nodulação avermelhada próxima ao local de inoculação. Esta lesão tem crescimento lento; pode também haver saída de um material purulento, mas em pequena quantidade. O aspecto lembra bastante uma pequena “espinha”, mas com pouca reação inflamatória (dor, calor e vermelhidão) no local. Em alguns casos, pode haver uma extensão pelo sistema linfático, dando um aspecto bem típico, com a formação de lesões superficiais enfileiradas ao longo do antebraço e braço.

Esta forma superficial é a mais comum. Raramente, esta infecção pode acometer planos mais profundos, envolvendo tendões, estruturas articulares e até ossos. Muitas vezes isto é precipitado por um tratamento errado no local com corticóides. Finalmente, existe uma forma bastante rara, com infecção disseminada e quase todos os casos descritos foram em pessoas com o sistema imune debilitado, como indivíduos que receberam transplantes.

O diagnóstico é feito pela identificação do germe no material colhido nos locais acometidos. Pode haver cura espontânea, mas geralmente é necessário um tratamento longo com antibióticos, com duração de alguns meses. Em alguns casos pode ser necessária também uma limpeza cirúrgica dos tecidos envolvidos.

Apesar de ser uma doença bem incomum, é uma condição que precisa ser conhecida por todos os aquaristas. Pela sua raridade, a maioria dos médicos não conhece esta doença. Seus sinais e sintomas são inespecíficos, o quadro é arrastado. Não são raros relatos de pacientes consultando vários profissionais sem um diagnóstico correto, retardando ainda mais o tratamento. Ou tratamentos inadequados, agravando o quadro. Desta forma, é fundamental a conscientização de todos nós, aquaristas, que em última análise representamos o “grupo de risco”, potenciais vítimas desta doença. Fornecer a informação da presença de aquários domésticos é fundamental no momento da consulta médica. Cuidados básicos de higiene também fazem toda a diferença: lavar bem as mãos após a manipulação rotineira do aquário, cuidados com ferimentos nas mãos, especialmente em tanques com peixes com suspeita de doença são recomendações básicas.

A idéia deste texto não é instaurar caos e pânico entre aquaristas. É uma doença bem rara, tratável, mas cujo diagnóstico é bem difícil pelas razões acima expostas. Aqui, a informação é a arma mais poderosa.

Walther Ishikawa
wishikawa@nethall.com.br

Obs.: Material publicado originalmente no fórum AquaHobby

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Condicionadores de água

Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários. Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.

Ele tinha razão. Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.

Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário. A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente.

Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes.

Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador. Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.

A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados.

Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”. Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.

Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.

Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo. Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.

Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.

Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.

Clarificantes

Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.

Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros. Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.

Aclimatadores

Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.

Prorrogadores de trocas parciais

Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.

Controladores de Amônia

O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar… Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio – NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.

Sérgio Gomes
Artigo publicado originalmente na Revista AquaMagazine nº 04 (2008) – Reprodução autorizada.

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
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John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

Aquário adequado para Betta splendens

Existem alguns princípios básicos da aquariofilia que precisam ser seguidos para garantir a saúde de seus peixes e a beleza dos seus aquários. Aqui vamos abordar os principais e suas aplicações relacionadas aos Betta splendens.

Formato do Aquário

Existe no mercado uma grande variedade de opções de aquários, que vão desde o formato de globo, aos exóticos multi-facetados, passando pelos tradicionais retangulares.

Aquários de formatos diversos, de exóticos aos multifacetados. Imagens ilustrativas.
Aquários de formatos diversos, de exóticos aos multifacetados. Imagens ilustrativas.

Estes últimos, os retangulares, são os mais indicados pois: possuem maior superfície de água em contato com o ar (mais troca gasosa entre oxigênio e gás carbônico); são mais práticos para instalação de equipamentos (luminárias, filtros, aquecedores, termostatos); propiciam melhor visualização do seu interior, sem distorcer a imagem do(s) peixe(s); facilitam as tarefas de limpeza e manutenção.

Aquário retangular. Imagem ilustrativa.
Aquário retangular. Imagem ilustrativa.

O uso de tampa, de vidro ou qualquer outro material translúcido, que possa cobrir o aquário ou, pelo menos, boa parte da superfície, é conveniente pois reduz a evaporação de água (diminui a necessidade de reposição de água), conserva melhor a temperatura da água (economia de energia elétrica com os aquecedores), protege a luminária (curto-circuitos provocados por respingos d’água), protege a água de poeira e outras impurezas que possam cair sobre o aquário e a morte de peixes saltadores (Bettas costumam saltar para fora da água).

Tamanho do Aquário

Evidentemente sua capacidade de investimento e espaço disponível terão grande peso na compra do equipamento, porém leve em conta que os aquários maiores são de mais fácil manutenção, alcançam mais rapidamente o equilíbrio biológico e o sustentam de forma mais eficaz. Tenha em mente que, em condições ideais, para cada centímetro de peixe adulto, você deverá oferecer 1 litro de água [2]. Esta regra aplicada aos Bettas que possuem 7 cm, em média, quando adultos, precisam de aproximadamente 7 litros para viver bem e com saúde.

Para calcular o volume de um aquário retangular, usando todas as medidas em centímetros, multiplique seu comprimento por sua largura e o resultado, pela altura. Por fim, divida o resultado por 1.000, para ter o volume em litros. Exemplo: 50 cm (comprimento) x 30 cm (largura) x 30 cm (altura) = 45.000/1.000 = 45 litros.

Na prática um aquário nunca é cheio até a borda e em casos onde exista elementos decorativos (substrato, pedras, plantas, adornos, etc.), isto deve ser considerado no cálculo do volume de água real. Em média você pode reduzir em 15% o volume, ou seja, seguindo nosso exemplo, nosso aquário de 45 litros teria um volume de água na casa de 38,25 litros (45 litros x 0,85 = 38,25 litros).


Aquarios Para Procriação de Bettas

Novamente os mais indicados são os de formato retangular, de aproximadamente 20 litros.

Quanto ao material, podem ser de vidro [3], plástico, acrílico e até mesmo uma caixa de isopor. Devem ter tampa, para ajudar a manter a temperatura da água e do ar acima dela.

Reza a lenda que você deve remover o fundo de isopor e colar um pedaço de papel cartão preto, na lâmina debaixo do aquário, por fora. O fundo escuro vai ajudar o macho a visualizar os ovos, para apanhá-los e depositá-los no ninho-bolha. Depois cole outra placa de isopor, para ajudar a tamponar a temperatura da água, minimizar a propagação das vibrações do ambiente para a água e proteger a delicada lâmina de vidro da base do aquário, que em geral, para aquários deste tamanho, não passam de 4 mm ou 5 mm. Sinceramente, abandonei este procedimento de colocar um fundo escuro no aquário há anos e não percebi diferença alguma nos resultados obtidos (tamanho das proles), nem percebi dificuldade maior para o Betta macho visualizar e apanhar os ovos no fundo do aquário. Mas conhecer este manejo não faz mal algum. Use-o, se entender necessário.

Adição de fundo negro para facilitar o Betta macho recolher os ovos no fundo do aquário.
Adição de fundo negro para facilitar o Betta macho recolher os ovos no fundo do aquário.

Aquários Para “Enjarrar” Juvenis de Bettas

Como o número de peixes nascidos por ninhada pode ser elevado, na casa de 200 indivíduos, ou mais, isto pode ser uma grande dificuldade no momento da separação dos filhotes machos. O ideal é que eles fiquem separados uns dos outros, pois são territorialistas e irão se enfrentar para disputar a dominância de um espaço comum. Esta separação é chamada pelos criadores, como “enjarrar”.

Por uma questão de custos é muito comum criadores se valerem de vidros de palmito, pets de refrigerantes cortados, copos descartáveis; só para citar algumas opções.

Jovens Bettas "enjarrados". Imagem ilustrativa.
Jovens Bettas “enjarrados”. Imagem ilustrativa.

Na medida em que os juvenis machos forem crescendo, se possível, é conveniente que sejam acomodados em betteiras maiores.

Em nosso criatório, por ter exíguo espaço disponível e facilidade de manejo, optamos por “betteiras” de 3 litros.

Nossa escolha para "enjarrar" exemplares adultos de Bettas em nosso criame. Betteiras acrílicas de 3 litros.
Nossa escolha para “enjarrar” exemplares adultos de Bettas em nosso criame. Betteiras acrílicas de 3 litros.

Nota(s):

  • [1] É possível manter aquários coletivos de Betta splendens machos, desde que sejam acostumados, ainda jovens neste manejo. Porém, as caudas dos peixes ficarão danificadas, prejudicando o visual do peixe, muitas vezes de forma definitiva, mas isto não afetará a carga genética do peixe, nem sua capacidade reprodutiva. Muito possivelmente, o macho mais feio do grupo será exatamente o dominante do aquário, pois é o que mais vai se envolver em competições pela dominância do espaço. Particularmente não gosto deste manejo, mas ele é possível.
  • [2] Use o bom senso na definição do espaço necessário para o seu peixe, acima de tudo. Não queira que seu peixe tenha qualidade de vida num espaço ínfimo, mas se o seu espaço e o sua possibilidade de investimento não permitem a adoção de um aquário tido como ideal, tente chegar no meio-termo.
  • [3] Se você mora em regiões frias ou onde existe grande variação de temperatura ao decorrer do dia, opte por aquários que não sejam de vidro. Que sejam feitos de materiais que façam menos troca de calor com o ambiente. No mínimo, você irá economizar um bocado com o consumo de energia elétrica para que os seus aquecedores consigam manter a temperatura da água mais estável.

Fontes:

  • A montagem e a decoração do aquário (Manual) – Sera®
  • DAMAZIO, Alex. Criando o Betta. Editora Interciência.
  • Seu novo aquário – Alcon®
  • SILVA, Marcus Marques da, Aquarismo Básico – Técnicas para Iniciantes. Centro Cultural Aquarista Jr.
  • SILVA, Marcus Marques da, Betta splendens – Guia Prático. Centro Cultural Aquarista Jr.

Uso da folha de Amendoeira na criação de Betta splendens

As folhas  da Amendoeira (Terminalia catappa L.) são usadas como tônico e coadjuvante no tratamento de peixes ornamentais. Notadamente por criadores de Betta splendens.

Estudos indicam que estão presentes em suas folhas elementos com propriedades bactericidas, fungicidas e parasiticidas. Estimulam a reprodução dos peixes, intensificam suas cores e os acalmam.

Identificando a árvore:

A Amendoeira (Terminalia catappa L.; Combretaceae) é uma árvore de grandes dimensões que pode atingir 35 m de altura. É típica de regiões tropicais.

Também é chamada popularmente de: Amendoeira-da-Praia, Chapéu de Sol, Sete-Copas, Amêndoa, Amêndoa de Java, Amêndoa de Malabar, Amêndoa de Cingapura, Amêndoa de Mar, Amêndoa Selvagem, Amendoeira Brava, Amendoeira Tropical, Amendoeira-da-Índia, Amendoeira-do-Pará, Anoz, Árvore-de-Anoz, Castanhola, Figueira-da-Índia, Guarda-Chuva, Guarda-Sol, Noz-da-Praia, Pé-de-Cuca, Terminália, Tropical Almond, Almendro, Badamier, Myrobalan, Kwang de Huu, Kobateishi.

Tem a copa bastante larga, fornecendo bastante sombra. É cultivada como árvore ornamental. É muito comum no Brasil, embora não seja uma planta nativa, ocorre a partir da região Sudeste, pois necessita de calor para se desenvolver. A semente é muito dura, envolve a amêndoa alongada. Desenvolve-se perfeitamente nos terrenos salgados, arenosos e resiste ao efeito dos ventos, sendo uma das plantas mais recomendadas para as praias. A sua madeira é vermelha, sólida e resistente à água, tendo sido utilizada para fazer canoas na antiga Polinésia.

A árvore é conhecida por produzir um veneno em suas folhas para se defender contra parasitas e insetos. Quando as folhas secas caem na água, uma tintura marrom é liberada. A tintura está cheia de ácidos orgânicos, como húmicos e taninos que abaixam o pH da água, absorvem substâncias químicas prejudiciais e ajudam a acalmar e criar um ambiente tranqüilo para o peixe.

Peixes que vivem ao redor da água onde as árvores de Amendoeira são achadas, são muito mais vibrantes, bonitos e saudáveis.

Classificação científica:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Myrtales
  • Família: Combretaceae
  • Gênero: Terminalia
  • Espécie: T. catappa
  • Nome binomial: Terminalia catappa L.

    Sinônimos botânicos: Catappa domestica Rumph.Terminalia badamia sensu Tul.,Terminalia rubrigemnis Tul.

Coletando e preparando as folhas para uso:

Preferencialmente devem ser colhidas ainda na árvore, verdes e tenras, bem lavadas e secas à sombra. São usadas secas (bem secas).

Não colete folhas no chão, pois podem conter contaminantes indesejáveis.

Altas temperaturas podem diminuir ou até anular o efeito de alguns compostos importantes contidos nas folhas (por exemplo Tanino – fungicida/bactericida), oxidando ou até volatizando os mesmos. Portanto não desidrate as folhas ao sol ou em micro-ondas, como sugerem alguns textos que circulam na web.

Como usar as folhas da Amendoeira:

Para tratamento direto em betteiras (aquários), coloque uma pequena fração, pedaço compatível com a quantidade de água existente na betteira, aproximadamente 1 cm2/litro.

Se você vai usar a folha com outro tipo de peixe, saiba que a proporção adequada de diluição é de 1 folha grande/56 litros (o mesmo que 15 galões). A folha grande mede, aproximadamente 25 cm de comprimento, por 15 cm de largura.

A água ficará com a coloração de chá (marrom claro) e acabará se acidificando (pH por polta de 6,8). Depois de 5 dias imersas na água, devem ser retiradas e jogadas fora.

  • Efeitos esperados no processo terapêutico:
    • Recuperação do vigor físico;
    • Aumento da capacidade imunológica;
    • Tranqüilizante;
    • Intensificação das cores.
  • Efeitos esperados no processo reprodutivo:
    • Estímulo à reprodução;
    • Diminuição/ausência de ovos fungados (ovos brancos);
    • Redução de baixas de alevinos nos primeiros dias de vida.

Se você entender que o tratamento foi satisfatório, faça uma TPA (Troca Parcial de Água) de 30% e retome o ritmo normal de seu manejo.

Caso você entenda que o tratamento não foi totalmente satisfatório, estenda o tratamento por até 15 dias. Sempre promovendo as TPAs e trocando a folha a cada 5 dias.

As folhas da Amendoeira, assim como todo e qualquer produto fitoterápico, precisam ser usadas com cuidado, apenas até alcançar o efeito desejado. A exposição constante aos princípios ativos das folhas podem, a longo prazo, passar a causar problemas de saúde aos peixes. O remédio pode passar a fazer o papel de veneno.

Fontes:

  • AquaHobby
  • Arboles Ornamentales
  • Fórum Aquário
  • Naturia
  • NG Bettas
  • PlantaMed
  • Revista Aquarium (n° 50 / Ano VIII / Set-Out/2005)
  • Seb-Ecologia
  • SiamsBestBettas
  • Wikipedia
  • Xylema