Sugestões para estrutura de exposição de Betta splendens em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins

É muito comum encontrarmos em estabelecimentos comerciais de aquarismo e afins, Betta splendens expostos de forma, no mínimo inadequada, em pequeno volume d’água, que geralmente está imunda, com restos de alimentos e excretas no fundo.

Este espetáculo deprimente sempre foi alvo de severas críticas, posicionamentos duros e apaixonados por parte de frequentadores das lojas, frequentadores de fóruns, grupos de discussões, redes sociais, protetores dos animais e da natureza. Estas condições estão longe de ser as ideais para a vida e saúde dos animais e depõem negativamente contra a imagem de uma empresa.

Parece não existir regulamentação sobre o tema até o presente momento, estabelecendo regras claras sobre o tema. Se existem, desconheço. Na falta de tal instrumento, apresento sugestões razoáveis, factíveis, economicamente viáveis e tecnicamente aceitáveis:

1) Aquário de vidro, termo-plástico ou acrílico; capaz de acomodar de 2,5/3,0 litros de água. Este aquário expositor deve ter tampa, para evitar acidentes com os peixes, que podem saltar para fora do aquário. Esta tampa também ajuda a manter o ar que está imediatamente acima da superfície da água, relativamente quente. Lembre-se que Bettas respiram essencialmente o ar atmosférico, através de seus labirintos e que são peixes de região geográfica de clima quente.

Padronize o tamanho dos aquários. Esteticamente fica mais agradável para quem explora o expositor e facilita sobremaneira o manejo diário.

2) Evite colocar substrato nestes aquários. Eles dificultam a limpeza de fundo, permitindo que colônias de fungos e bactérias cresçam de forma descontrolada. Além disto, os peixes podem se ferir durante o processo de captura com puçá (redinha).

3) Introduza plantas aquáticas naturais nos aquários. Além do fantástico efeito visual, elas valorizam a cor do peixe e ajudam a manter a saúde da água do aquário. Plantas que se alimentem de nutrientes existentes na água e que sejam pouco exigentes com relação a iluminação, tais como: Vesicularia dubyana, Pseudotaxiphylium distichaceum, Najas indica, Hydrila verticillata, Nymphoides aquatica, Ceratophyllum demersum, Elodea densa, etc.

4) Estes aquários devem ficar lado a lado. Mantenha uma folha de papel obstruindo 2/3 da área de visão dos peixes. Assim sempre que avistarem os peixes dos aquários vizinhos (e isto não acontecerá o tempo todo, ao ponto de gerar estresse para os animais), ficarão se exibindo uns aos outros, exibindo suas cores e formas exuberantes, defendendo seus respectivos territórios, viris, interessados em procriação e muito provavelmente nidificando.

5) Promova limpeza de fundo nos aquários todos os dias, com a ajuda de uma pipeta ou sifão. Remova excretas e restos de alimentos.

6) Promova TPAs (Trocas Parciais de Água) de aproximadamente 30% da água a cada 2 ou 3 dias. Use água isenta de cloro e metais pesados. Uso de condicionadores de água são recomendáveis. A adição de sal-grosso (de churrasco), na proporção de 1g/litro de água é recomendável. O sal é um bactericida natural, que em pequena dosagem, de forma preventiva, fará muito bem ao animal.

7) Monitore constantemente os parâmetros da água. Principalmente sua temperatura e pH. Promova correções, se necessário for, ajustando estes parâmetros, para os níveis tolerados pela espécie. Sempre de forma bem lenta.

Em regiões geográficas onde acontecem mudanças bruscas de temperatura ao longo do mesmo dia, em pequenos intervalos de tempo é recomendável a instalação de aquecedores nas betteiras, compatíveis com o volume de água, controlados por termostato.

É sempre bom reforçar que é menos estressante para o animal, adaptá-lo ao pH da água que você pode oferecer a ele, de forma bem lenta, do que ficar tentando colocar a água em algum parâmetro específico que você entenda ser o ideal. Lembre-se que você, provavelmente, irá comercializar estes peixes na sua região geográfica, para aquaristas que fazem uso da mesma fonte hídrica (água doce), que sua loja tem acesso e é para esta água (parâmetros) que você deve adaptar os peixes, para que eles se adaptem com menos estresse ao manejo que seus clientes possivelmente darão aos peixes comercializados por sua loja.

8) Ao embalar o peixe para seu cliente, procure usar a água da betteira de exposição, meça o pH e temperatura da água no momento da embalagem, escreva esta informação no saquinho plástico (use caneta de tinta permanente). De preferência faça isto com o acompanhamento do cliente, oriente-o a adaptar o peixe para parâmetros similares, de forma bem lenta, em seu destino. Ofereça ao cliente a mesma ração que você costuma alimentar os animais, para facilitar a adaptação do animal ao novo manejo. Mesmo que seja um bocadinho da ração, suficiente para uma adaptação para outra ração que o cliente prefira oferecer aos seus peixes.

9) Cuidado com seu manejo sanitário. Mantenha os puçás em solução de água sanitária ou água com grande concentração de sal e enxágüe-os muito bem antes de introduzí-los nas betteiras. Lave suas mãos muito bem antes de introduzí-la na água de um aquário.

10) Sempre que você receber um novo lote de Bettas em sua loja, procure mantê-los em quarentena, numa área reservada. Observe a vitalidade dos animais, coloração, apetite, etc. Suspeitando de problemas, peça ao veterinário responsável por sua loja, para examinar os animais, antes de oferecê-los ao público.

Perceba que todas as sugestões apresentadas são perfeitamente factíveis. Melhoram substancialmente as condições ambientais para os animais e sua saúde, podem reduzir as perdas de exemplares dentro do seu estabelecimento e consequentemente reduzem prejuízos. Por outro lado, aumentam suas chances de venda, aumento no nível de satisfação dos clientes, cria-se uma imagem positiva do seu estabelecimento para os frequentadores da loja, fidelizando-os. Mesmo na eventual falta de regulamentação, use o bom senso, pense na sua responsabilidade para com os animais que decidiu expor e vender em sua loja e trabalhe na construção de um “case” de sucesso (da SUA empresa).

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Especiais agradecimentos aos colegas (criadores da espécie, representantes de associações de criadores, lojistas, biólogos, veterinários, pesquisadores e operadores do direito), que muito contribuíram para a construção desta proposta (em ordem alfabética): John Klaus Kanenberg, Lorena Felisberto Goulart Pereira, Luiz Guilherme (Wyatt), Marcelo Assano, Max Wagner Saches Lucas, Ricardo Assunção, Ricardo Liang, Robert dos Santos, Roberto de Souza Godinho, Rodrigo Dutra, Thiago A. V. Cruz, Wesley Mendes, Wilson de Oliveira Vianna.

Microvermes

Este material tem como objetivo incentivar e apresentar aos criadores hobbystas de Betta splendens a prática de cultivo de alimentos vivos para introdução na dieta do seu plantel, com apresentação de detalhes práticos, pinceladas de informações científicas (o básico) e muito de nossa experimentação. Não temos a pretensão de apresentar aqui um trabalho científico, e nem temos competência técnica para tal. Não somos os donos da receita infalível, tão pouco podemos oferecer garantias ou assumir responsabilidades se sua cultura não vingar.

Estamos compartilhando o pouco que sabemos com você, como leigos e criadores hobbystas da espécie, na expectativa de poder ajudá-lo em sua criação.

APRESENTAÇÃO

Os microvermes (Anguilula silusiae) se apresentam geralmente com tamanho variando entre 1 e 3 mm de comprimento, se movimentam continuamente, possuem forma cilíndrica, são translúcidos e não apresentam segmentação.

São muito prolíferos. São excelentes como opção alimentar para os primeiros dias de vida das pequenas larvas de Betta splendens, ricos em gordura e proteína. É possível basear a dieta nos microvermes até que os peixes possam ingerir outra forma de alimento como: náuplios de artemias franciscanas, moinas, daphnias, enquitréias, etc.

PARA INICIAR A SUA CULTURA DE MICROVERMES VOCÊ VAI PRECISAR

  1. Embalagem plástica com tampa (que vede bem) e transparente, de aproximadamente 1 litro;
  2. Saco plástico preto, capaz de envolver o pote escolhido;
  3. Pincel de cerdas macias;
  4. Água isenta de cloro;
  5. Farinha de aveia; e
  6. StartUp de cultura (inóculo)
Kit para iniciar sua cultura de microvermes
Kit para iniciar sua cultura de microvermes

OBTENDO O “STARTUP” (INÓCULO) DA CULTURA

Sem dúvida a melhor forma de se conseguir o “StartUp” (inóculo) da cultura é com outros criadores que fazem cultivo de microvermes para alimentação do plantel, mas na falta ou impossibilidade de se ter acesso a um, o jeito é cair no mercado, em sua maioria informal (uma grande loteria).

Sugerimos que negocie com o vendedor a remessa sempre pelo meio mais rápido possível, o que pode significar aumento no custo do frete. Entrega rápida, cultura preservada. Pondere e não faça a chamada “economia porca”.

PASSO A PASSO

Coloque no pote um pouco de farinha de aveia, aproximadamente 1 cm de altura (não mais do que 1/3 da altura do pote). Adicione água isenta de cloro de forma lenta e vá mexendo, para produzir um “mingau com consistência parecida com mel” (encontrar este ponto é o 1º grande segredo para manter suas culturas de microvermes vivas). Mais para líquida (densa) do que para sólida. Mexa bem e deixe descansando por 24 hs aproximadamente. Decorrido o prazo, se for preciso, adicione mais água, até se obter a “consistência de mel” novamente.

Meio de cultura apresenta mingau em "ponto de mel" - a cahave do sucesso para a cultura de microvermes.
Meio de cultura apresenta mingau em “ponto de mel” – a cahave do sucesso para a cultura de microvermes.

Adicione o “StartUp” da cultura (inóculo) e mexa suavemente com o pincel. Evite agitar o “mingau” demais, para que ele não suje a parede do pote.

Feche o pote e envolva-o num plástico preto, de forma a isolá-lo da luz e a ajudar a manter a cultura numa temperatura mais estável. Guarde-o em local quente (algo em torno de 26 °C é o ideal) e seco.

Mantenha sua cultura em local escuro e quente.
Mantenha sua cultura em local escuro e quente.

Diariamente abra o pote e mexa suavemente a cultura com o pincel, para permitir que os gases da fermentação venham à superfície do “mingau” e se dissipem. Se possível, faça isto 2 ou 3 vezes ao dia (mexer a cultura diariamente, no mínimo 1 vez, é o 2º grande segredo para manter suas culturas de microvermes vivas).

COLETA E OFERECIMENTO ÁS LARVAS DE Betta splendens

Dois dias após o início da cultura, já é possível fazer coletas. Quando você abrir o pote diariamente, antes de mexer a cultura, vai observar os microvermes subindo nas paredes do pote, milhões deles, e depois de alguns instantes, eles se aglomeram formando uma placa visguenta.

Coleta de microvermes na parede do pote de cultura.
Coleta de microvermes na parede do pote de cultura.

Passe o pincel suavemente nesta placa, chacoalhe o pincel num pote com água isenta de cloro e jogue esta água no aquário. Ofereça sempre em pequenas quantidades e em pontos diferentes do aquário de engorda. Os microvermes serão vistos descendo para o fundo do aquário e mesmo antes de chegar ao fundo começarão a ser devorados pelas larvas de Betta splendens. Após alguns minutos será possível observar (quem tem bom olho ou com um auxilio de uma lupa) milhares de microvermes que escaparam de ser consumidos de imediato, tremulando no fundo do aquário e levam muito tempo para morrer (12 hs) quando lá estão.

As larvas de Betta splendens, nesse momento, estarão próximos ao fundo catando esses microvermes que estão no chão do aquário. Nunca coloque o pincel direto dentro da cultura de microvermes para servi-los, pois isto poluiria a água do aquário com a aveia da cultura, o que pode matar as larvas frágeis.

Você vai sentir cheiro de fermentação sempre que abrir o pote da cultura. É normal. com o tempo você se acostuma com ele. Não é nada exagerado. Lembre-se, a cultura deve ser mexida com o pincel diariamente, no mínimo uma vez, para permitir que os gases da fermentação se dissipem.

MULTIPLICANDO RENOVANDO A CULTURA

Sempre mantenha 2 ou 3 potes de culturas ativas para servir aos seus peixes e a cada 15 dias renove as culturas. Feita a renovação, espere que comecem a produzir e jogue fora as antigas.

O procedimento da multiplicação e renovação da cultura é o mesmo usado para iniciar uma. Só que agora você não precisa buscar fora o “StartUp” (inóculo), você já tem, só precisa transplantar uma colher de sopa da outra cultura (“mingau”) para o novo pote. De resto, tudo igual.

MÉTODO ALTERNATIVO DE CULTIVO

Uma variação que nos foi passada pelo Sr. Pedro Emídio Leite Moraes Ferreira – Fortaleza/CE (nossos sinceros agradecimentos a ele), que testamos e deu muito certo, precisa ser compartilhada:

CULTURA NO PÃO DE FORMA INTEGRAL DE AVEIA

  1. Pegue uma fatia de pão integral e borrife água sobre ela, sem ensopá-la;
  2. Coloque o inóculo de microvermes sobre a fatia de pão molhada; e
  3. Acomode esta fatia num pote com tampa e depois recubra-o com um plástico preto.

Em poucos dias sua cultura estará em condições de permitir coletas. Faça uso de um pincel com cerdas macias para promovê-las, seguindo as mesmas orientações apresentadas para o cultivo tradicional. Este método oferece a vantagem de não precisar fazer aerações constantes na cultura, para eliminação dos gases.

Esperamos que para você também dê certo e que seus peixes cresçam lindos e acima de tudo, saudáveis!

Observação: Todas as marcas registradas mencionadas aqui, são propriedades de seus respectivos fabricantes e/ou criadores.

Procriando Betta splendens

Uma das primeiras dificuldades que criadores de Betta splendens se deparam, é com a reprodução de seus peixes em cativeiro. Não por que esta espécie seja difícil de procriar nestas condições, exista algum segredo, mas sim pela desinformação e despreparo.

O criador não precisa se preocupar em ensinar o peixe a se reproduzir, isto é instintivo e natural. Ele precisa se preocupar em criar as condições ideais para que isto aconteça. Se acercar de cuidados e infra-estrutura.

A primeira providência e talvez a mais crítica de todas é começar a cultivar micro-organismos vivos, que servirão de alimentos para as larvas de Bettas, logo após o nascimento. Sem eles, não devem se atrever a começar o acasalamento, sob pena de ver a ninhada morrer, um peixe após o outro, diante de seus olhos, completamente impotentes.

Hoje você encontra na web tutoriais passo-a-passo e inóculos para cultivar micro-organismos como: vermes-do-vinagre, microvermes, vermes-de-grindall, entre vários outros. Também encontra tutoriais para eclodir cistos de artemias franciscanas (salinas), essenciais para as larvas de Bettas. Todos micro-organismos de fácil manejo, que não ocupam muito espaço e acabam se tornando uma fonte de prazer, da mesma forma que o aquarismo gera.

Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.
Alevinos de Betta splendens (Turquesa Melânico), com aproximadamente 60 dias de vida, recebem vermes-do-vinagre.

A segunda providência é conseguir uma caixa plástica pequena, com tampa, com aproximadamente: 30 cm (C) x 20 cm (L) x 10 cm (A) ou um aquário de aproximadamente 20 litros (com tampa). Este será o ambiente para procriação e desenvolvimento das larvas de Bettas até 90 dias de vida, aproximadamente.

Esta caixa (ou aquário) deve ficar instalada num ambiente tranqüilo, onde não haja grande movimentação de pessoas e/ou animais domésticos que possam assustar os peixes e por a perder o acasalamento ou até mesmo a ninhada. Ao menor sinal de perigo, os pais comerão os ovos ou os filhotes e abandonarão o processo (acasalamento ou cuidados com o ninho).

Coloque nesta caixa (ou aquário), uma coluna de água variando entre 5 e 10 cm de altura, nunca mais do que isto. Se os ovos cairem ao fundo, numa profundidade de água maior, podem inviabilizar o desenvolvimento das larvas. Esta água deve ser isenta de cloro e metais pesados, pH estável (na faixa entre 6,8 e 7,4 – ideal: 7,0) e temperatura também estável (na faixa entre 24 e 30 °C – ideal: 27 °C). Providencie um apoio para o ninho-bolha (não obrigatório), que pode ser um pedaço de folha de amendoeira, um pedaço de plástico ou até mesmo um copinho de café descartável, cortado ao meio. Ele pode ser aderido à borda da caixa (ou aquário), com uma fita adesiva (fita crepe, por exemplo). Minha preferência pessoal pela folha de amendoeira é em função de sua propriedade fungicida/bactericida natural (isto vai deixar a água com cor de chá em poucas horas, não se preocupe com isto). Se você escolher um caminho diferente, adicione fungicida industrializado na água, na dosagem recomendada pelo fabricante. Isto fará com que mais ovos vinguem, que não sejam atacados por fungos. Também adicione 1 g de sal-grosso, para cada litro de água.

Providencie abrigos para a fêmea se esconder do macho, caso ele resolva ficar violento demais e sem paciência de esperar a fêmea estar totalmente pronta para o acasalamento. Pode ser: plantas naturais (musgo de java, samambaia d’água, etc – compatíveis com o pH da sua água), seixos (pedras de fundo de rio, arredondadas – sem arestas cortantes) ou tubos de PVC (espalhe 2 ou 3 “cotovelos” pelo fundo). É raro, mas estes abrigos podem servir até ao macho em alguns casos, onde a fêmea possui temperamento indócil. Isto vai reduzir os riscos de perder matrizes por conta acasalamentos tempestuosos.

Você vai precisar de um cilindro transparente e incolor para conter a fêmea durante 4 dias aproximadamente, dentro desta caixa (ou aquário), longe do alcance do macho, mas em seu campo visual a todo momento, para que possa acontecer a corte e para que ele fique estimulado a construir o ninho-bolha. Você pode usar um pet de água mineral transparente e incolor, cortando seu fundo e parte afunilada da boca, produzindo uma peça cilíndrica. Quando chegar o momento adequado, você vai poder levantar levemente este pet, liberando a fêmea para o acasalamento, sem mexer demais com a água, para não desmanchar o ninho-bolha.

Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).
Caixa de reprodução preparada para uso, contendo: cilindro para contenção da fêmea, abrigos de PVC, suporte para ninho e fungicida/bactericida natural (folhas de amendoeira).

Pronto! Agora você criou a infra-estrutura e o ambiente adequado para que o acasalamento ocorra e a ninhada vinge.

Vamos para a fase do acasalamento dos Bettas… Selecione exemplar macho e fêmea saudáveis, de preferência com linhagens definidas e estabilizadas, para obter filhotes compatíveis com a sua linha de trabalho genético. Mas se você é um principiante e quer apenas aprender este manejo, concentre-se apenas em escolher os peixes que mais lhe agradam esteticamente, que estejam em pleno vigor físico e bem alimentados. Aqui vai uma dica importante: escolha uma fêmea ligeiramente menor que o macho, para facilitar a cópula do casal.

Se você é uma pessoa ocupada, dispõe de pouco tempo, programe a soltura do casal na caixa de cria e desenvolvimento das larvas de Bettas (ou aquário), para dias onde você possa acompanhar, fotografar, se deleitar com este espetáculo da natureza. A procriação deste peixe é magnífica, um show.

Coloque o macho na caixa de cria e desenvolvimento de larvas de Bettas (ou aquário), para que se sinta o dono do território. Ele deve ficar sozinho neste espaço por 2 dias aproximandamente. Decorrido este tempo, introduza a fêmea, contida num cilindro transparente e incolor, afastado das bordas da caixa (ou aquário), de forma a permitir que o macho circule o cilindro, se exibindo para a fêmea, fazer a corte.

Este período de exposição deve durar aproximadamente 4 dias. Ao mesmo tempo que o macho corteja a fêmea, ele deve contruir o ninho-bolha, para receber os ovos da postura da fêmea. Por outro lado, a fêmea recebendo estímulos, começa a produzir ovos. Ao final do quarto dia de “namoro”, levante o cilindro suavemente para não desmanchar o ninho-bolha.

No outro dia, pela manhã, existe uma enorme possibilidade do casal já haver se entendido e dão início ao acasalamento propriamente dito.

Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).
Casal de Betta splendens nas preliminares, no processo de acasalamento em cativeiro (Yellow Gold Dragon).

O macho leva a fêmea para baixo do ninho-bolha e o acasalamento se inicia. Geralmente a fêmea neste momento está totalmente submissa ao macho e procura nadar com a cabeça mais baixa. Ambos procuram se colocar lado a lado, em sentidos opostos e vão se “empurrando”, como se medissem forças. Num determinado momento a fêmea se afasta um pouco e nada em direção ao macho, dando um giro no corpo, nadando de barriga para cima. Ao passar ao lado do macho ele dobra seu corpo, envolvendo a fêmea e lhe dá um apertão (suave), ao mesmo tempo que fecunda os ovos. Ambos dão uma pequena relaxada e caem desmaiados ao fundo aquário. Enquanto a fêmea vai ao fundo, liberando os ovos. O macho, tão logo recupera o controle de seu corpo, passa a recolher os ovos com a boca e vai depositando no ninho-bolha. Este processo pode durar horas, inúmeros abraços ocorrerão, até que os ovos da fêmea se esgotem. Naturalmente ela se afasta, foge do macho e neste momento você deve retirá-la da caixa plástica (ou aquário), sem agitar a água, sem correrias. Geralmente ela fica tão esgotada que fica prostrada e permite ser capturada, sem muito esforço para fugir.

Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).
Casal de Betta splendens copulando (White Platinum).

O macho assume o controle da ninhada sozinho. Ele vai melhorando e reparando o ninho-bolha, de acordo com a necessidade.

Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).
Macho Betta splendens zelando ninho-bolha/ninhada (White Platinum).

No máximo 48 horas após, as larvas nascem e ficam “espetadas” no ninho. Quando caem ao fundo (na vertical), por que são pesadas, estão com o sacos vitelinos ainda cheios, o macho as recolhe na boca e as repõe no ninho-bolha. Tarefa inglória, nascem aproximadamente 300 filhotes. Ele fica a todo momento recolhendo as larvas e as recolocando no ninho-bolha.

Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.
Larvas de Betta splendens dentro de ovos fecundados, em processo de eclosão e recém nascidos. Feliz flagrante deste espetáculo da natureza.

Os filhotes, nesta fase da vida, se alimentam do saco vitelino, que aos poucos vão se exaurindo e quando isto acontece eles conseguem nadar na horizontal. Passadas outras 48 horas, desde a eclosão dos ovos, a maioria das larvas já nada na horizontal e o macho está nitidamente exausto. Ao final do dia é chegada a hora de retirar o macho da caixa plástica (ou aquário). Pegue-o com uma rede de tramas largas, para não capturar larvas acidentalmente ou com sua própria mão, com muito cuidado.

No outro dia, pela manhã, as larvas passarão a ser sua responsabilidade e precisam começar a comer. Comer aqueles micro-organismos que você previamente começou a cultivar, se preparando para o nascimento deles.

Coloque uma pedra porosa bem fraquinha nesta caixa de desenvolvimento das larvas (ou aquário), tome o cuidado para mantê-la sempre tampada para manter o ar bem úmido acima da lâmina d’água. Pode retirar o suporte para o ninho, as proteções oferecidas para a fêmea. Se você usou plantas naturais como abrigo, pode deixá-las na caixa (ou aquário).

Comece a alimentar suas larvas de Betta splendens, sempre em pequenas doses, o maior número de vezes possível, durante o período de insolação. Se possível de hora em hora. Se houver sobras, remova-as com o auxílio de uma pipeta ou sifão, com muito cuidado para não sugar larvas.

Varie a dieta das larvas, ofereça basicamente alimentos vivos e pós bem finos. Depois dos 30 dias, já é possível começar a introduzir na dieta as rações industrializadas.

Os próximos 40 a 50 dias de vida das de Bettas são bem críticos. A maioria da ninhada vai demorar este tempo para ter o labirinto formado. Labirinto é por onde os Betta splendens respiram, fora da água. Então evite ficar abrindo a caixa para não dissipar o calor do ar que está acima da lâmina d’água, cuidado com os parâmetros da água (pH e temperatura) e mantenha esta água saudável evitando sobras de comida, por exemplo.

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
0,022
0,039
0,073
7,4
22
0,003
0,006
0,011
0,023
0,040
0,074
25
0,004
0,007
0,014
0,028
0,049
0,092
28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

A alimentação do Betta splendens – Zero a 30 dias

O sucesso na criação de Bettas, depende principalmente da correta alimentação das larvas em seus primeiros dias de vida, mas não se restringem a isso, pois outros fatores tais como temperatura, qualidade da água, iluminação, tamanho e forma do aquário, quantidade de água e cuidados fito sanitários são tão determinantes no sucesso quanto a correta alimentação, mas não serão abordados nesse artigo. Quando falo de sucesso, falo nada menos do que criar 100% dos filhotes nascidos ou numero muito próximo disso (meta).

Larvas de Betta splendens recém nascidas.
Larvas de Betta splendens recém nascidas.

Vamos começar a contar o tempo dos filhotes, no momento da desova. É importante que isso seja bem definido, pois 24 horas são um lapso de tempo relativamente grande nas fases iniciais dos peixinhos. Também, em decorrência de fatores ambientais tais como a temperatura, as etapas poderão ser mais curtas ou mais longas. Para exemplificarmos, o nascimento em temperatura de 30 ºC ou mais, ocorrerá em 36 horas aproximadamente e em temperaturas mais baixas poderá ultrapassar 48 horas. A desova, portanto, é o momento “zero” para início da contagem do tempo (marco zero).

Escolhidos os pais e determinado o aquário para a desova, águardamos o “momento zero”, quando o ninho de bolhas se encontra repleto de ovos, recém postos e fecundados. As posturas podem variar entre 100 e mais de mil ovos, em geral entre 200 e 300. Torço sempre que as ninhadas não sejam muito numerosas, mas é freqüente a ocorrência de ninhadas com mais de 500 ovos. Postos os ovos, começa a vigilância do macho e os cuidados com a prole. Inicia também a nossa preocupação com os filhotes, que em aproximadamente quatro dias, estarão dependendo exclusivamente do criador.

Os ovos eclodem e as larvas nascem. Temos então o momento 1 (um). É justamente nesse momento que necessitamos incentivar a produção de zooplâncton na água do aquário pois em mais dois dias, as larvas irão necessitar comer. Para isso, será necessário aumentar o alimento para os micro-organismos existentes no próprio aquário.

Nos dois primeiros dias, as larvas se manterão com reserva energética vitelínica e não necessitarão de alimentos. No entanto, a partir do terceiro dia, esgotada a reserva vitelínica, irão necessitar alimentar-se do meio em que se encontram.

Se nada for feito e deixarmos a ninhada sem alimentação, alguns filhotes irão sobreviver, com um desenvolvimento pequeno se comparado a alevinos adequadamente alimentados. Alguns em torno de 20 ou 30 peixinhos, mesmo sem receberem comida, chegarão aos quinze dias de idade, se presentes as demais condições para seu desenvolvimento. Encontrarão, no aquário, micro-organismos, que manterão vivos os mais fortes (ou mais adaptáveis). Esses micro-organismos presentes na água dos aquários, são denominados como plâncton e são de extrema importância nos primeiros dias de vida das larvas. Podem ser compostos por elementos vegetais, tais como as algas unicelulares e então são denominados de fitoplâncton, ou por minúsculos animais, geralmente protozoários e rotíferos e que então são denominados de zooplâncton. Na criação de peixes ornamentais, chamamos a isso de infusórios (creio que o termo seja decorrente do hábito de fazer-se uma “infusão” em outro recipiente para obtenção dele, o que eu acho contra indicado).

Se aumentarmos a quantidade de “insfusórios” no aquário, mais peixes chegarão aos 15 dias de vida, sem outra fonte de alimentos. Se, no entanto, for aumentada demasiadamente a quantidade de micro-organismos, todas as larvas morrerão, por falta de oxigênio dissolvido na água. Então, a lição que fica é a que, sempre é melhor errar por falta do que por excesso.

Infusórios são componentes do plâncton. Podem ser micro algas unicelulares (fictoplâncton) protozoários, rotíferos e outros organismos muito pequenos (zooplâncton). São todos de tamanho muito pequeno, quase microscópicos. É possível observá-los a olho nú, ou com o emprego de uma lupa, como pequenos bastonetes ou pontos brancos movimentando-se levemente na água. São nutritivas fontes de proteínas, fibras, aminoácidos, vitaminas e sais minerais. É também praticamente o único alimento que a larva consegue abocanhar nessa fase, e eu não conheço outra fonte de alimentação para os primeiros dias das larvas.

Eu obtenho o zoo plâncton, no próprio aquário da desova, introduzindo uma pequena casca de banana bem seca, no dia de nacimento das larvas. Os componentes que decorrem da dissolução na água, são nutrientes para os micro-organismos, como se fossem micro algas. Frutose (energia) e minerais originados pela dissolução na água, são fonte de energia para protozoários e rotíferos. Uma pitada de Spirulina em pó e mais uma pitada de Chlorella em pó, uma gota de polivitamínico para pássaros para cada 10 litros de água, irá enriquecer os protozoários e rotíferos que ficarão muito mais nutritivos. A água ficará levemente turva pelo aumento do plâncton, sem odor, rica em micro-organismos. Levemente esverdeada em função das algas. As larvas terão alimento adequado para seus primeiros dias de vida.

Infusórios manterão as larvas, como alimento exclusivo, até seu quarto dia de vida ou sexto dia da desova. Nesse momento algumas larvas já conseguirão abocanhar náuplios de Artemia recém eclodidos, porém nem todas conseguirão comê-los. É o momento 2 (dois), ou o momento em que eu retiro a casca de banana e introduzo o verme-do-vinagre (Turbatrix aceti). Prefiro ele aos náuplios de Artemias, nesse momento, porque vivem mais tempo em água doce. Apenas uma única introdução de vermes-do-vinagre. As larvas estarão ainda comendo zooplâncton. Uma excelente alternativa aos vermes-do-vinagre, são os microvermes. Apenas exigem mais cuidados para manutenção da cultura.

No quinto dia de nascimento, sétimo da desova, momento 3 (três), inicio a administração de náuplios de Artemia recém eclodidos, duas vezes ao dia. As larvas ainda estarão se alimentando com zoo plâncton existente no aquário. Gradativamente o alimento para os protozoários irá faltando, pela escassez de alimentos e a água ficará mais transparente, sem turbidez, sem cheiro, muito limpa. Todo o excesso de náuplios mortos, não comidos, deverá ser removido com uma pipeta ou com uma mangueirinha de ar comprimido. Os alevinos permanecerão com essa dieta até os vinte dias, momento 4 (quatro), quando teremos que introduzir, lentamente, Artemias congeladas e ração industrializada.

Os alevinos não estarão acostumados a comer alimentos inertes e teremos que ensiná-los. Lentamente, com muita paciência, nos próximos dias, estarão adaptados a alimentos inertes e entrarão em uma fase de grande desenvolvimento. Por volta de trinta dias de vida, os alevinos estarão com aproximadamente dois centímetros e poderemos restringir o fornecimento de náuplios às sobras, de quantidades produzidas para outras ninhadas de menor idade.

Com muito cuidado e dedicação e um pouco de sorte, meta atingida. Cem por cento dos filhotes sobreviveram aos 30 dias.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta splendens em Santa Catarina

Oodinium na criação de Betta splendens

Resolvi escrever sobre este tema por conta do grande volume de mensagens que recebo sobre o tema. É preciso deixar claro que não tenho habilitação técnica para fazer tratado científico sobre o tema, tão pouco prescrever medicamentos ou tratamentos. Sou apenas um aquarista veterano, que aprendeu o pouco que sabe na base da tentativa, erros e acertos. Portanto, leia este material, faça suas ponderações pessoais, pesquise mais sobre o tema, e siga o caminho SUGERIDO, por sua conta e risco, se achar conveniente.

Se você identificou falhas na argumentação, informações equivocadas, por favor, escreva-me. Corrigirei a informação e ficarei agradecido pela ajuda. Toda ajuda é sempre bem vinda!

O Oodinium é uma doença muito comum na criação de Betta splendens, infelizmente. Se propaga de forma rápida, e pode por a perder sua criação inteira (larvas, juvenis e adultos), em questão de horas.

Sinais

Os animais apresentam sinais semelhantes ao Ichthyophthirius (Ictio). Aparecem pontos brancos pequenos espalhados pelo corpo, nadadeiras e branquias do animal, em seguida aparecem as lesões na pele, dando aspecto de poeira dourada ou de veludo, por vezes branco ou amarelo aveludada. Geralmente o animal fica prostrado, a cauda fica fechada, deixa de se alimentar, a respiração fica ofegante e observa-se constantes tentativas do animal se coçar nas paredes e/ou no fundo do aquário. Projetando-se a luz de uma lanterna sobre o corpo do peixe, esta “poeira” é facilmente identificada.

Conhecendo o inimigo a ser combatido

Trata-se de um parasita dinoflagelado. Seu ciclo de vida começa na água. Ele fica a espera de um hospedeiro adequado, de passagem. Quando o encontra, se fixa nele, geralmente e inicialmente nas brânquias. Ao conseguir se fixar, forma uma casca dura para se proteger do meio ambiente a passa a se alimentar das células da pele do peixe. Nesta fase cística, toma a aparência de “poeira”, cobrindo o corpo do animal. Depois de alguns dias o cisto se deposita no fundo do aquário, liberando nova geração de parasitas, realimentando o ciclo.

Tratamento sugerido

  1. Transfira este peixe para um novo aquário, limpo, livre da doença. Lavado previamente com água sanitária e muito bem enxaguado;
  2. Coloque água limpa neste aquário, isenta de cloro e/ou metais pesados. Mantenha a coluna d’água baixa, o suficiente para cobrir o corpo do peixe. Lembre-se, Bettas respiram essencialmente fora da água, então diminua o esforço do peixe para subir à tona para respirar. Bastará a ele virar a boca para cima e puxar o ar;
  3. Adicione um pouco de sal-grosso nesta água (sal de churrasco). A ponta de uma colher de chá de sal-grosso, por litro de água. Isto ajudará no tratamento;
  4. Eleve a temperatura da água em 1 °C ou 2 °C. Aquecedores com termostatos integrados, submersíveis, são os mais indicados para este propósito (são mais precisos);
  5. Adicione um Oodinicida na água, respeitando as indicações de quantidade do fabricante. Uso com muito sucesso, há anos, o Oodinicida da Atlantys®. É barato e eficiente;
  6. Cubra o aquário com um pano grosso. O aquário deve ficar totalmente no escuro. Este dinoflagelado precisa da luz para se manter vivo, enquanto não encontra o hospedeiro adequado para se fixar. Com a ausência de luz, você conseguirá interromper o ciclo de vida do parasita.

Por 5 (cinco) dias ininterruptos, troque a água total, adicione sal-grosso e Oodinicida na água, conforme indicado acima, mantendo o aquário no escuro o tempo todo.

Geralmente, após o segundo dia de tratamento, o peixe já parece estar curado, já começa a se alimentar e fica mais ativo. Apesar disto, continue o tratamento pelo número de dias sugerido.

Prevenção é a melhor solução

Lembre-se que muitas doenças, inclusive o Oodinium, acabam se manifestando ou se intensificando em momentos de estresse do peixe (mudanças repentinas no parâmetros da água, manejo inadequado, transporte, etc).

Adote como procedimento padrão, sempre que adquirir um novo animal, colocá-lo em quarentena. O mantenha por 40 dias, sob atenta observação. Jamais o introduza em aquários coletivos (fêmeas, no caso de Bettas) ou bateria de “betteiras”, onde haja circulação de água entre os aquários, sem observá-lo em quarentena.

Se possível, não introduza equipamentos usados em um aquário, noutro aquário. Tenha equipamentos exclusivos para cada aquário (puçás, sifões, pipetas, etc). Não sendo possível, sempre lave-os muito bem com água sanitária, enxaguando em seguida, em água corrente, antes de introduzí-los noutro aquário. Observe também que suas mãos devem ser lavadas cuidadosamente e atentamente após manuseio de cada aquário.

Obtenha mais sucesso no manejo de ninhadas de Bettas

Betta splendens, como qualquer ser vivo, tem seu ciclo de sono e de atividade, relacionado ao fotoperíodo natural…. No ambiente do aquário não pode ser diferente quanto a esse quesito.

Desrespeitar o fotoperíodo natural estressa muito os animais, coloca os indivíduos sob vigília forçada, ininterrupta e cruel para se defender dos demais filhotes da ninhada que ocupam o mesmo aquário, tanto na disputa por território, como por comida. Este estresse pode comprometer o sistema imunológico dos animais e abre portas para o ataque oportunista de bactérias, fungos, parasitas ou vírus. O animal que fica mais horas ativo certamente come mais e acaba engordando e não necessariamente tem seu desenvolvimento melhorado (semelhante ao frango de corte), o tiro pode sair pela culatra, os animais podem ter seu desenvolvimento prejudicado e a saúde comprometida. Perceba, buscar um Betta splendens maior, acelerando o processo de desenvolvimento adotando práticas de aumento de fotoperíodo ou até mesmo não oferecer período de repouso (luz acesa 24hs/dia), não é saudável para os animais e provavelmente vai reduzir o tempo de vida deles de forma significativa (Ah! Vai doer no seu bolso também – a energia elétrica é cara).

No meu manejo, até os meus Bettas reprodutores, com ninhadas para cuidar, ficam no escuro com os alevinos no período noturno, e sempre tive muito sucesso nas quantidades de indivíduos que chegam a idade adulta; todos extremamente saudáveis e bem desenvolvidos!

Seguindo minha lista de procedimentos padrões colocarei em caixa alta e negrito, aquilo que acredito ser de maior importância para o crescimento dos Bettas: ÁGUA, ÁGUA e ÁGUA!

Claro que a alimentação tem seu papel fundamental, mas, sem água boa, nada acontece.

Ambos os fatores estão entrelaçados, porém, a água de boa qualidade é mais primordial do que uma alimentação mais rica e/ou em maior volume.

Se oferecer boa alimentação para filhotes com qualidade de água comprometida versus alimentação mais racionada mas com água de excelente qualidade, o resultado no segundo grupo é infinitamente melhor do que no primeiro grupo.

Faça a experiência: ofereça náuplios de artêmia franciscana, vermes-do-vinagre, spirulina, ração de boa qualidade, intercalando-as, várias vezes ao dia, claro, em quantidades razoáveis, compatível ao volume de filhotes, para 2 (dois) grupos distintos de filhotes da mesma ninhada, escolhidos aleatoriamente. Para o primeiro grupo de filhotes não se preocupe tanto com a qualidade da água (sem exageros, por favor, senão não sobrará um filhote vivo sequer). Para o segundo grupo, promova trocas parciais diárias de água de 50%, bem lentas, sempre equalizando os parâmetros da água (pH e temperatura) e pode se dar ao luxo de reduzir o volume de alimentação pela metade para este grupo.

Em ambos os casos, o ciclo de noite/dia, deverá ser respeitado, naturalmente. Ao final de 1 mês, compare os resultados das ninhadas. O segundo grupo vai se desenvolver muito mais que o primeiro, apesar de comer menos (em quantidade).

Alevinos de Betta splendens sendo alimentados com náuplios de artêmias franciscanas (salinas).
Alevinos de Betta splendens sendo alimentados com náuplios de artêmias franciscanas (salinas).

Outro fator de vital importância é a relação quantidade de indivíduos versus área da superfície do aquário (é área mesmo e não volume, OK?)

Para o Betta o que vale é a lâmina d’água, a superfície do aquário, o deslocamento horizontal. Deixe-me explicar melhor:

Se tivermos 2 aquários com mesmo volume de água, porém, um mais comprido e baixo (coluna d’água menor), e outro, menos comprido, e com altura maior de coluna d’água, esse último comportará menos Bettas do que o primeiro.

À medida que forem tendo sucesso na quantidade de indivíduos por ninhada – tipo 100, 200 bettinhas -, ao final de um mês (ou mesmo um pouco antes), separe a ninhada em mais aquários.

Isso fará com que os filhotes tenham mais espaço com menos estresse entre eles e o aumento de tamanho e a quantidade será espetacular (sempre haverá aquele bettinha alfa para apoquentar os outros e “mandar no pedaço”, e os demais, têm que ter espaço para se afastar dele)!

Siga este roteiro e certamente acabará obtendo muito sucesso com suas ninhadas de Betta splendens. Claro que tive e, ainda continuo tendo, alguns insucessos com ninhadas, como todo mundo que se mete a criar Bettas, vez ou outra, acaba enfrentando. Aliás, aquele que disser que nunca teve um insucesso, das duas, uma: nunca criou Bettas, ou está mentindo. O insucesso, infelizmente, faz parte do processo.

Desejo que você tenha muito sucesso em suas criações de Bettas – tanto em quantidade, saúde e, principalmente, com boa genética (Bettas de qualidade). Sucesso!

Estações secas e chuvosas no aquário

ATENÇÃO! Este artigo nos ajuda a perceber, entender e até simular sinais da natureza para estimular reprodução de peixes em cativeiro, várias técnicas e considerações se aplicam também à reprodução da espécie Betta splendens em ambiente de confinamento.

Muitos peixes tropicais se reproduzem sazonalmente devido a mudanças de seus ambientes naturais. Na maioria das vezes eles o fazem no começo da estação chuvosa, porque ela trás um aumento do suprimento de comida e maior possibilidade dos alevinos encontrarem alimento e abrigo.

Recriar a maioria das mudanças possíveis que ocorrem durante as estações chuvosas pode ser um caminho para se obter a desova das espécies que, de outra forma, seriam muito difíceis de procriar. Algumas espécies são tão fáceis de procriar que não se faz necessário usar os métodos descritos abaixo, mas certas espécies precisam deles. Primeiro tente as regras básicas de reprodução mas se não conseguir, tente algumas das sugestões abaixo

A seguir uma compilação de maneiras de conseguir reprodução de peixes vindos de áreas onde as estações secas e chuvosas são marcantes como o Amazonas e o Rio Negro, na América do Sul. Os dados e idéias foram colhidas de diversas fontes incluindo livros, amigos, a internet e baseados também na minha própria experiência acasalando peixes-gato e Tetras sul-americanos.

A simulação das estações secas e chuvosas dura cerca de quatro semanas. Usando métodos simples alguns conseguiram reproduzir Panaque nigrolineatusSturisoma sp., e comedores de algas Siameses, que são considerados peixes muito difíceis de reproduzir.

Gatilhos reprodutores da natureza

Relacionadas abaixo estão as diferentes mudanças que podem ocorrer durante o início das estações chuvosas e que podem induzir as espécies a se reproduzirem. Elas não estão dispostas em qualquer ordem nem se sabe ao certo quais delas devem ocorrer simultaneamente para que ajudem a reprodução.

1Baixa pressão: Após um longo período de pressão alta ao final da estação seca, a pressão barométrica cai, com a chegada das primeiras chuvas
2Aumento da oferta de comida: Depois de um período de inanição após a estação seca, a oferta de comida aumenta drasticamente. Algumas espécies ficam esqueléticas pois em alguns casos podem ficar cerca de um mês sem comida. Certas espécies comem até detritos de outros peixes para se nutrir.
3Diversificação de alimentos: Durante a estação seca a comida escassa se resume a larvas e mosquitos que afundam, além de restos de plantas. Quando caem as chuvas, caem também mosquitos e outros insetos sobre a superfície da água, pólem de flores, sementes de frutas, larvas frescas e ovos, além de alevinos de outras espécies que começaram a reproduzir precocimente.
4Aumento no fluxo de água: O resultado das chuvas é o auemnto da vazão de água. O peixe se torna mais ativo. Algumas espécies migram contra a correnteza para atingir águas mais calmas e mais apropriadas para a desova.
5Aumento nos níveis de oxigênio: Chuva caindo na superfície da água aumenta o teor de oxigênio dissolvido. Aumenta na vazão também faz o teor de oxigênio subir. Em muitos casos o nível elevado de oxigênio é a condição que os ovos e os alevinos precisam, em seus primeiros dias.
6Diluição das substâncias dissolvidas na água: Quanto mais duradoura for a estação seca, mais sais, substâncias húmicas e material orgânico estarão concentrados na pouca água que sobra. Quando a chuva começa, a concentração dessas substâncias decresce, por causa da diluição. O rio, a correnteza, etc., vai se diluindo com a água da chuva que tem dureza igual a zero. Isto abaixa a dureza e muitas vezes o pH.
7Mudança na temperatura da água: A temperatura da água costuma cair quando o tempo fica nublado ou com a água fria das chuvas. Nos terrenos elevados as variações térmicas costumam ser maiores que em áreas de terras baixas (10°C comparado a alguns graus).
8Variação na profundidade da água: O aumento no volume de água causa um aumento na profundidade do rio. A pressão no fundo aumenta e o peixe ganha um espaço vertical maior para nadar. A distância para a superfície será maior para aquelas espécies que vão à superfície pegar ar.
9Maior disponibilidade de locais para a desova: Ao final da estação seca só existe água fluindo no meio do rio ou córrego e existe muito poucas plantas ou abrigos. Com o aumento na profundidade da água, os peixes podem encontrar novas áreas alagadas com plantas, raízes, troncos e sombras, onde podem esconder seus ovos e dar aos alevinos uma maior chance de se esconder.
10Mudanças na iluminação: A intensidade de luz e sua duração diminui por conta das nuvens em conexão com as chuvas. Algumas partes do dia podem se tornar muito escuras durante chuvas intensas. Com mais nuvens no céu a claridade da manhã demora mais a acontecer e o entardecer acontece precocemente.

Até o ângulo de incidência da luz varia durante o ano. Quanto mais afastado do equador, maior será a variação.

Note que certas espécies preferem total escuridão para desovar (elas habitam vegetação densa entre raízes e águas escuras).
11Aumento nos níveis de fitoplancton: Quando chega a estação chuvosa isto acontece em certas águas. Isto também é um sinal para peixes adultos desovarem pois há alimento para os pequenos filhotes por vir.
12Época certa do ano: Certas espécies possuem um relógio biológico muito forte, que está conectado à mudança das estações secas e chuvosas naquela região.
13Desovas de outras espécies: Hormônios de outros peixes na água podem ser um gatilho para a desova de certas espécies.
14Sons: Até mesmo o cair da chuva contra a superfície da água pode ser um sinal para a desova. Talvez também o som dos trovões.

Como nós simulamos isso no aquário?

Abaixo estão sugestões de como simular os mais variados estímulos citados acima. Quais escolher dependerá das espécies que se pretende obter a desova. Certas espéices podem precisar de apenas algumas, como boa alimentação e trocas de água por outra de temperatura mais baixa, enquanto outras precisam da maioria dos itens listados acima. A lista a seguir segue a mesma ordem que a de cima:

1Baixa pressão: Existem muitos relatos de pessoas que tiveram desovas em seus aquários durante períodos de baixa pressão. Entretanto, essas mesmas espécies poderiam ter desovado em períodos de alta pressão se as circunstâncias corretas estivessem presentes. Baixa pressão é impossível de simular em um aquário, então mantenha os olhos na previsão do tempo e comece a simular um tempo chuvoso durante esse período de baixa pressão.
2Aumento da oferta de comida: Se os peixes estão em boas condições quando em período de desova, eles podem ficar sem comida por várias semanas. Quando o alimento começa novamente a ficar fácil isso pode despertar seu instinto para desovar.
3Diversificação de alimentos: Trocar de alimentação pode disparar o gatilho para a desova. Em algumas águas Sul Americanas a quantidade de larvas de mosquito aumenta (especialmente larvas brancas) no começo da estação chuvosa. Se você não costuma oferecer tais larvas regularmente e resolve fazê-lo durante esta simulação de estação chuvosa isso poderá estimular a mudança de comportamento.
4Aumento no fluxo de água: Facilmente equacionável com diferentes tipos de bombas e filtros. Certas espécies desovam perto de locais com grande movimentação de água, como por exemplo em frente à saída do filtro.
5Aumento nos níveis de oxigênio: Use uma pedra porosa e compressor ou então deixe um filtro fazendo “splash” na superfície para aumentar o teor de oxigênio.
6Diluição das substâncias dissolvidas na água: Use turfa e sais como CaCO3, MgSO4 ou fertilizantes para manter a água com altas concentrações tanto de sais quanto de substâncias orgânicas durante esta simulação de estação seca. Depois, dilua com água o mais mole quanto possível quando a estação chuvosa começar (pode-se aqui usar água de Osmose Reversa).
7Mudança na temperatura da água: Use aquecedores submersos para manter a temperatura alta durante o período seco. Note que certas espécies não suportam temperaturas nem tão altas nem tão baixas e que também certas espécies preferem temperaturas mais elevadas para desovar. Tais espécies talvez procurem por grama alagada para desovar, onde o sol aquece o espelho d’água.

Para baixar a temperatura, alguns apenas diminuem a regulagem dos termostatos. Para resfriar mais ainda, alguns ventilam o local do aquário ou colocam blocos de gelo no aquário.
8Variação da profundidade da água: Baixe o nível da água para 25% do normal durante a estação seca. Eleve para o nível normal em alguns dias quando a estação chuvosa começa.
9Maior disponibilidade de locais para desova: Troque as plantas e decoração. Caso não use cascalho, plante algumas plantas em potes e faça cavernas com raízes para tornar o local aconchegante para a desova.
10Mudanças na iluminação:
♦ Intensidade luminosa: possuindo diversas lâmpadas no aquário se torna fácil manter apenas uma ligada ou até mesmo usar apenas a luz natural de sua casa. Outra técnica seria cobrir a tampa de vidro de seu aquário com folhas de papel.
♦ Duração do fotoperíodo: próximo ao equador, a duração de luz costuma ser de 12 a 14 horas ao longo do ano. À medida que nos afastamos do equador aumenta a diferença de tempo entre as estações. Diminua o tempo em 1 a 2 horas tanto de manhã como ao anoitecer. Use um timer.
♦ Ângulo de incidência da luz: difícil de simular no aquário.
11Aumento nos níveis de fitoplancton: Não é fácil de simular no aquário, mas pode-se tentar infusórios. Mesmo que isso não estimule a desova, pode ser uma boa primeira alimentação para certas espécies com alevinos bem pequenos.
12Época certa do ano: Peixes coletados na natureza podem necessitar que esteja na estação chuvosa na área de onde eles são capturados, para que desovem em nossos aquários. Descubra de onde a espécie é nativa e quando ocorre a estação chuvosa lá.

Peixes reproduzidos em cativeiro geralmente possuem seu senso de quando é a estação chuvosa e quando as chuvas estão menos intensas e as vezes podem ser reproduzidos ao longo do ano todo. O mesmo pode ser verdade para peixes que foram coletados ainda jovens. Se eles não vivenciaram uma estação chuvosa então pode ser mais fácil deles desovarem numa época distinta daquela em que eles normalmente desovariam na natureza.
13Desovas de outras espécies: Deixe uma outra espécie de desova mais fácil desovar no aquário em que você quer que determinada espécie desove. Isto funciona como um tratamento hormonal natural. Uma alternativa seria fazer a primeira espécie desovar num outro aquário e usar parte de sua água no aquário no qual estamos tentando a desova.
14Sons: Adicione água a seu aquário através de uma placa plástica contendo diversos pequenos orifícios. As gotas que cairão através dos furos irão simular os pingos de chuva caindo sobre a superfície da água.

Outras idéias que são usadas pelos criadores são:

Filtrar a água sobre calcário durante a estação chuvosa. Isto faz a água ficar mais dura, mas pode ser a mudança na química da água que faz com que certas espécies desovem.
Mova os peixes bem alimentados de um tanque com condições não ideais (sem substrato, parâmetros incorretos, muitos peixes atrapalhando, etc) para outro com as condições corretas para a desova. A mudança em si associada a todas as modificações que ocorreram podem levar o peixe a desovar (técnica usada na reprodução de vários Tetras).

Sugestões para um esquema de desova:

Preparações e dicas: Escolha um aquário do tamanho apropriado para a espécie em questão. O aquário precisa ter o volume que seja suficiente quando apenas 25% dele estiver com água. O principal problema é manter o nível de oxigênio alto o suficiente sem um filtro ou pedra porosa. Construa tocas e coloque algumas plantas. O aquário deverá simular o final da estação seca.

Substrato: Existe debate entre usar ou não. O mais comum é ter algum tipo de cascalho, mas turfa ou perlon pode ser usado. A introdução desse substrato de fundo ajuda a aumentar a superfície para que bactérias benéficas se multipliquem.

Vantagens de usar substrato:

♦ Algumas espécies preferem chão escuro, outras pálido, como certas Corydoras;
♦ Muitas espécies gostam de fuçar o fundo à procura de comida;
♦ Corre-se menos riscos de fungos atacarem pequenos alevinos de peixes de fundo;
♦ Ovos que caiam no substrato são mais difíceis dos pais acharem e comerem;
♦ Não existem reflexos vindos do chão.

Desvantagens de seu uso:

♦ Difícil verificar se toda comida foi consumida;
♦ Difícil de limpar sem sifonar (e correr o risco de sugar os ovos);
♦ Se você não sabe como o peixe desova então terá que montar o aquário com um pouco de cada coisa. As plantas podem ser variadas com plantas de folhas grandes (Samambaia de Java, Echinodorus, Anubias e Hydrocotyle), folhas delicadas (Myriophyllum, Cabomba e Egeria), estreitas (Valisneria) e outras (Musgo de Java, Najas). Plantas grandes podem ser plantadas em potes para fácil remoção. Use raízes, canos de PVC de diversos diâmetros, plantas plásticas. Todos esses acessórios devem ser devidamente desinfetados e livres de caramujos.
O tanque deve ser preechido com água vinda do tanque onde o peixe estava antes e ter a mesma temperatura. Certifique-se de que a água foi trocada recentemente (baixos teores de nitritos e nitratos).
Um filtro de vazão controlável deve ser usado.
A cobertura de lâmpadas deve ser capaz de oferecer um brilho intenso de luz.
O aquecedor deverá ser disposto próximo ao chão do aquário, porém fácil de ajustar. Certifique-se de que este aquecedor possa ser totalmente submerso.
Cubra as laterais com papel para evitar assustar os peixes enquanto se move pelo cômodo.
Não alimente com larvas de mosquito antes da tentativa de desova.
Certifique-se de ter turfa (a preta é preferível), cones de desova, folhas, extrator de turfa (carvão ativo/Purigen). Certifique-se de que a Dureza em Carbonatos esteja entre 2 e 3 KH para evitar surpresas de quedas de pH quando a turfa for colocada.
Escolha animais maduros e saudáveis na quantidade apropriada de machos e fêmeas dependendo da espécie e os coloque no tanque de desova. Eles devem ser bem alimentados para que suportem as duas semanas de estação seca.

Esquema de simulação

Fim da estação chuvosa: Ainda alguma comida e o nível das águas ainda não começou a cair.

Dia 01Alimente cerca de 1/10 do normal. As luzes devem agora ter um nível entre ensolarado e nublado por cerca de 14 horas. Filtro com vazão máxima.
Dia 02Baixe o nível da água em 10%, alimente 1/10 do normal. Coloque algum carbonato de cálcio e sulfato de magnésio para aumentar tanto a Dureza Total quanto a Dureza em Carbonatos 1° cada (uma alternativa seria tirar 20% da água e adicionar metade dessa quantidade de água Dura, se estiver disponível). Coloque uma dose de fertilizante para plantas conforme instrução do produto (isso oferece mais sais para a água).
Dia 03Baixe o nível da água em 10% e não alimente. Eleve a temperatura um grau.
Dia 04Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Alimente 1/10 do normal. Coloque turfa e cones de desova. Taninos serão liberados nos próximos dias.

Início da estação seca: Oferta de alimento diminue e cessa. Nível da água e corrente diminuem. Temperatura da água restante aumenta.

Dia 05Baixe o nível da água em 10%. Não alimente. Aumente a temperatura cerca de um grau. Diminua a vazão do filtro. Verifique o pH.
Dia 06Baixe o nível da água em 10%, alimente 1/10 do normal.
Dia 07Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Pare de alimentar até o dia 21. Aumente a temperatura cerca de um grau.
Dia 08Baixe o nível da água em 10%.
Dia 09Baixe o nível da água em 10%. Aumente o GH e o KH em 1° cada. Desligue pedras porosas ou bombas de circulação. Retire o filtro para limpeza. Deixe o filtro rodando em outro aquário para manter vivas as bactérias benéficas por uma semana, quando este filtro será novamente usado.
Dia 10Baixe o nível da água em 10%. A essa altura o nível da água deve estar em 25% da capacidade total do aquário. A temperatura deve estar próxima dos 28°C. Coloque turfa, cones de desova, folhas, etc. Adicione fertilizante. Aumente a iluminação para o máximo. Remova qulaquer planta flutuante. De início ao uso da cultura de infusórios. Verifique o pH.
Dias 11 a 19Deixe os peixes em paz.

Início da estação chuvosa: As primeiras nuvens já podem ser vistas no céu mas as chuvas não começaram a cair.

Dia 20Limpe o filtro que estava rodando no outro aquário. Diminua a iluminação tanto na intensidade quanto na duração (diminua para 10 horas). Retire a turfa e folhas. Verifique o pH.

Primeira chuva:

Dia 21Recoloque as plantas flutuantes. Adicione mais plantas do tipo que o peixe gosta para desovar. Adicione água limpa e mole (cerca de 20% do volume do tanque). A temperatura dessa água deve ser uns 3°C mais fria que a água do tanque. Recoloque o filtro e faça-o funcionar com metade de sua capacidade, se possível. Experimente desligar as luzes por umas duas horas no meio do dia para simular nuvens pesadas. Diminua a temperatura do termostato em 2°C. Alimente um pouco com larvas de mosquitos e artêmias salinas recém eclodidas. Adicione infusórios para que a água fique ligeiramente turva.
Dia 22Reponha mais 20% de água ao tanque com água 5°C mais fria. Aumente a vazão do filtro para o máximo, fazendo com que exista splash na superfície da água. Baixe a temperatura no termostato outros 2°C. Alimente bastante e com freqüência. Adicione infusório para turvar um pouco a água. Adicione alguma vitamina na água e fertilizante para plantas.
Dia 23Adicione mais 20% de água ao tanque com água 5°C mais fria. Ligue algum tipo de aeração, porém fraca. Baixe mais 2°C na temperatura do termostato. Alimente bastante e adicione mais infusório.
Dia 24Desligue o termostato se o peixe puder suportar a temperatura ambiente. Aeração a meia força. Complete o volume do tanque com água 5°C mais fria. Se for possível, abra uma janela durante a noite para baixar a temperatura ainda mais. Alimente bastante e coloque mais infusórios.

Alta estação das chuvas:

Dia 25Aeração em força total. Troca parcial de 50% e alimente bastante.
Dia 26 em dianteMantenha a aeração no máximo e faça trocas parciais de 50% e alimente bastante até que ocorra a desova.

Nota do tradutor: No dia 10 está sendo sugerido que as elevações de temperatura atinjam 28°C mas para muitos peixes tropicais que aguentem temperaturas mais elevadas, este valor pode passar de 28°C. 

Kristian Adolfsson
www.corydoras.net

Tradutor:

Marcos Mataratzis
Químico, Professor de Química e Aquarista. Administrador do fórum Vitória Reef.

Cuidados básicos com a água do seu Betta

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 15/07/2011 – Reprodução autorizada.

Quantos que nunca ouviram falar que o Betta é um dos peixinhos mais resistentes? Que pode viver perfeitamente em qualquer vidro de maionese?

Pois não é bem assim. O Betta suporta com facilidade uma ampla gama de condições da água, mas alguns fatores são de importância fundamental.

Não deve haver compostos de cloro ou cloramina dissolvidos na água. Claro, não deve haver metais tóxicos, produtos químicos nocivos ou venenos, como os pesticidas, presentes.

O pH deve estar próximo ao neutro (pH 7). Este é, para começar um dos fatores ignorados por muitos iniciantes ou inexperientes com o Betta.

Alguns até acabam colocando seus Bettas em água mineral. Um grande erro, pois nem sempre a água mineral parâmetros adequados para este peixe. Prefira usar água comum mesmo, mas conheça alguns parâmetros desta como por exemplo o pH e se tem ou não a presença de cloro. Para isso, basta adquirir em lojas do ramo, alguns testes que podem lhe trazer estas informações.

Se você usar plantas vivas com seus Bettas fique atento a sinais de parasitas. Da mesma forma, com o uso de plantas naturais você provavelmente precisará usar iluminação artificial, neste caso é necessário tomar o cuidado para o tempo em que a luz ficará ligada, para não haver formação de algas verdes. Caso for necessário, utilize um temporizador.

A maioria dos sistemas públicos de água fornece água de boa qualidade, exceto para o cloro dissolvido ou cloraminas*. Estes produtos químicos são usados para controlar as bactérias e devem ser neutralizados antes de usar. Envelhecimento da água por 24 horas irá remover o cloro, mas não removerá cloraminas. Estes compostos dissolvidos vai matar o seu Betta em poucas horas. Há muitos produtos disponíveis em lojas de animais que são fabricados especificamente para resolver este problema.

Para a remoção do cloro, proveniente da rede de abastecimento, coloque a água em um vasilhame (aberto) para descansar por 24 à 48 horas, tempo suficiente para o cloro evaporar. Ou então, como já mencionado use um bom anti-cloro.

Freqüentemente você poderá adicionar, após a troca de água, um pouco de sal (grosso comum ou marinho) no aquário para efetuar a profilaxia. Use a proporção de 1 a 3 g por litro de água.

Um dos grandes segredos para manter seu Betta saudável é a qualidade da água. Portanto, você poderá se utilizar de filtro químico/biológico ou conforme o caso efetuar com freqüência as TPAs (Trocas Parciais de Água) ou TTA (Troca Total de Água). Mas lembre-se, se for usar filtros, procure aqueles que causam pouca agitação da água.

O uso de produtos químicos tais como detergentes e outros devem ser evitados. Para a limpeza, prefira usar uma esponja que deverá ser reservada somente para esta finalidade com a própria água do aquário. Como alternativa, você também poderá usar uma solução de água com sal ou bicarbonato de sódio, ou então o permanganato de potássio.

Lembre-se, a boa qualidade da água é tão essencial ao seu Betta quanto o ar que respiramos! Evite alimentação em excesso para a própria saúde do seu peixe bem como para garantir a menor quantidade de fezes dentro do aquário que acabará causando uma elevação de amônia que é altamente prejudicial para os peixes. Por isso, evite sujeira dentro do aquário, se for necessário, retire esta com um conta-gotas ou pipeta.

Outro ponto bastante importante em relação a água é a temperatura desta que deve ficar entre 25 à 30 ºC. Existem termômetros próprios para aquários sendo vendidos em lojas do ramo. Se necessário, compre um bom termostato para manter a temperatura estável.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

(*) Existe uma possibilidade remota da água vinda da companhia de abastecimento vir com cloramina como fonte de cloro. Se for o caso, apenas os condicionadores à base de hidroxi-metano sulfinato de sódio ou equivalente devem ser usados. Anti-cloro e água descansada não removem a cloramina, mas a chance da água conter cloramina é bem pequenas (mais comum na Europa). Cabe ao aquarista verificar isto com um simples teste de amônia. Meça a amônia na água. Adicione anti-cloro (não serve condicionador, tem que ser anti-cloro mesmo) e em seguida meça a amônia novamente. Se a amônia subir é porque a água veio com cloramina.

Íctio: A doença do inverno

Artigo publicado originalmente na revista Negócios Pet, Ano VII, edição 79 – Julho/2011, pp. 14-18.

Ichthyophthririus multifillis é o agente causador da Ictiofitríase, popularmente conhecida como Íctio, nos aquários de água doce. O peixe afetado fica coberto de pontos brancos pequenos. É comum nas baterias de todas as lojas, sendo um pouco chato de tratar, mas fácil de prevenir.

Ele entra em nossas baterias através de qualquer animal novo introduzido no aquário com sinais da doença ou não, por alimentos vivos como artêmia salina e outros, vindo na água do fornecedor ou do importador. Também migra de um aquário para outro e de uma bateria para outra quando se utiliza a mesma rede para pegar peixes, o mesmo sifão, etc. Pode vir em folhagens de plantas e até mesmo em caramujos grudados a elas.

A doença manifesta-se, geralmente, quando há variação de temperatura no aquário ou durante o transporte do fornecedor para sua loja, pois na viagem há mudança brusca de temperatura ou a climatização não é feita como se deveria, podendo ocorrer choque térmico, mesmo que leve.

A dica é começar o tratamento assim que for constatado que um animal ou mais do aquário está com Íctio. Quanto mais rápido o início, maiores são as chances de não haver nenhuma perda.

O ideal é tratar os peixes afetados em aquário hospital ou nos dias de menor movimento da loja, pois esse tratamento é realizado no escuro.

Se optar por fazê-lo na bateria, retire o carvão ativado, as cerâmicas e/ou o bio ball para que o medicamento mate somente a biologia presente no cascalho, se houver. A cerâmica e/ou o bio ball devem ser colocados em aquário com compressor de ar para preservar as bactérias aeróbias.


O tratamento

  • Se utilizar um aquário hospital, colocar água da bateria, até mesmo quando fizer trocas parciais;
  • Manter a temperatura alta, de 29 ºC para peixes não topicais e 31 ºC para peixes tropicais. Se não houver divisão, opte por 29 ºC;
  • Apagar as luzes, tampar o aquário hospital ou a bateria com lona escura, cobertor, etc. O Íctio não se prolifera no escuro;
  • Reforçar a alimentação, abrindo o aquário para alimentar duas a três vezes ao dia. De manhã, com ração, como de costume e nas outras vezes com alimentos vivos, ração à base de Spirulina e alga Nori da culinária japonesa. Uma ótima dica é usar um suplemento para aquários à base de alho Garlic;
  • Aumentar a aeração com um compressor de ar potente com várias pedras porosas. No mínimo um pedra porosa por andar;
  • Usar um medicamento simples contra Íctio;
  • Se usar aquário hospital, faça trocas parciais de água todos os dias com sifonagem do fundo de 10% a 30% da capacidade dele.

Em três dias o Íctio sumirá e em seis dias poderá colocar os peixes à venda novamente.


Prevenindo o Íctio de água doce

Deve-se investir na alimentação com rações de qualidade, utilizando também as rações à base de Spirulina, duas a três vezes na semana, pricipalmente para herbívaros, e incrementando a alimentação semanalmente com alimentos vivos ou congelados.

O uso semanal de suplementos de Garlic ajuda na prevenção de Íctio. O uso diário previne, também, vermes intestinais. Um peixe bem alimentado terá uma boa imunidade, será mais colorido, aspecto saudável e mais fácil de vender.

Estabilize a temperatura com termostato para não haver variações na bateria. Se puder, coloque um filtro esterillizador UV, que não vai ajudar com Íctio impregnado em um peixe, mas os parasitas que lançarem na água e forem puxados pelo UV não terão chances de pegar outra vítima.

Cuidado com redes de içar peixes e sifões que utilizar na loja, ou mesmo com a mão molhada dos funcionários de um aquário para outro, a fim de evitar contaminação. O ideal é que tenha um balde de descanso para redes e sifões com solução de formol ou azul dimetileno, trocando esta água todas as semanas.


O Íctio em aquários marinhos

Cryptocaryon irritans é o agente causador de Íctio marinho e é semelhante, em muitos aspectos, com o íctio de água doce, tendo a mesma forma de infestação. Pode entrar em seu aquário por meio de rochas vivas também.

A variação de temperatura é um dos fatores desencadeantes da proliferação do Íctio marinho em um animal, quer seja pela sua variação dentro do aquário, no transporte até sua loja ou na aclimatação inadequada. Pode ocorrer choque térmico, mesmo que leve.

Como em aquários marinhos geralmente há vários corais e invertebrados e, no caso de aquários grandes, seria quase impossível não ter que desmontá-los para pegar o peixe doente, o tratamento se baseará na forma mais natural possível.


Tratamento no aquário de exposição

  • Aumentar ligeiramente a temperatura de forma que não afete corais e invertebrados. Temperatura constante sem nenhum tipo de variação é muito importante. Nas baterias que tenham somente peixes, manter entre 28 ºC e 29 ºC.
  • Reforçar a alimentação. Neste quesito, a alga Nori da culinária japonesa, facilmente encontrada em supermercados na seção de produtos orientais, é uma “ressuscitadora” de peixes marinhos. Esta alga milagrosa, se for introduzida na alimentação de forma mais persistente aos primeiros sinais de Íctio, recupera a saúde do peixe rapidamente. Junto com a Nori, ração de boa qualidade, à base de Spirulina, alimentos vivos, suplementos vitamínicos e suplementos à base de alho Garlic são necessários.
  • O peixe neon goby, faixa amarela, nativo da costa brasileira, tem costume de retirar parasitas como o Íctio marinho de peixes infestados. Pena que esteja ameaçado de extinção e proibida sua comercialização no Brasil.
  • O método que surte melhor efeito em nossas pesquisas é tratar de forma natural peixes que se alimentam normalmente. O fato de se alimentarem fará com que sua imunidade aumente e o próprio organismo se livre do Íctio. Se o peixe infestado não se alimenta é necessário tomar medidas drásticas para não o perder em alguns dias.


Tratamento em aquário hospital

Tivemos sucesso de 90% de recuperação de peixes marinhos com Íctio que pararam de se alimentar, tratando-os em aquário hospital como se fosse Íctio em água doce, assim que notamos, pela primeira vez, que os animais não se interessavam pelo alimento.

Alguns lojistas dão banhos de água doce com água de Reverse Osmose e outros tratam a bateria com medicamentos à base de cobre. Não recomendamos porque o índice de cura de Íctio com ou banhos de água doce é muito baixo, pois estressa o animal debilitado ao máximo e a tendência é que, depois disso, ele pare totalmente de se alimentar.

As dicas para o tratamento em aquário hospital são:

  • Colocar água do aquário principal no aquário hospital, até mesmo quando for fazer trocas parciais;
  • Manter a temperatura alta em aquário hospital, cerca de 29 ºC;
  • Tampar o aquário hospital com lona escura, cobertor, etc. O Íctio de água doce não se prolifera no escuro, então, tentarmos da mesma forma com o ciliado marinho. O interessante é que o animal marinho fica mais calmo e parece dar resultados positivos;
  • Reforçar a alimentação, abrindo o aquário para alimentar duas a três vezes ao dia. De manhã, com ração, como de costume e nas outras vezes com alimentos vivos, ração à base de Spirulina e alga Nori da culinária japonesa. Uma ótima dica é usar um suplemento para aquários à base de alho Garlic, que deve ser usado molhando a ração antes de servir ou deixando artêmias salinas na solução de alho concentrado antes de servi-las;
  • Aeração forte e constante;
  • Faça trocas parciais de água todos os dias com sifonagem do fundo de 10% a 30% da capacidade do aquário hospital.

Em três dias o Íctio sumirá e em seis dias o peixe poderá entrar no aquário de exposição ou bateria sem nenhum problema.


Para prevenir o Íctio marinho

Deve-se investir na alimentação com rações de qualidade, utilizando também as rações à base de Spirulina de duas a três vezes na semana, alga Nori, acelga crua e incrementar, semanalmente, com alimentos vivos ou congelados. Use os suplementos de Garlic e suplementos vitamínicos semanalmente para ajudar na prevenção de doenças. Um peixe bem alimentado terá um boa imunidade.

Estabilize a temperatura para não haver variações. O melhor é investir em um bom termostato e, pelo menos um vez na semana, verificar o termômetro para confirmar se ele está trabalhando a contento.

Se puder, coloque um filtro esterilizador UV ou o ozonizador, que não ajudarão com o Íctio impregnado em um peixe, mas os parasitas que se lançarem na água e forem puxados pelo UV ou atingidos pelas partículas de 03 não terão chances de pegar outra vítima.

Optar por uma bateria de peixes nacionais e outra de peixes importados é uma alternativa eficaz no controle de perda de animais importados. Um espaço no fundo da loja para hospital e quarentenário seria perfeito também.

Em todos os casos de doenças, um dos fatores que mais contam para o sucesso da recuperação do animal é o tempo entre perceber o problema e agir.

Esperamos tê-lo ajudado com um pouco de nossa experiência sobre o que funcionou efetivamente em nossos aquários, baterias e quarentenários.

Roberto Eduardo Sentanin
Diretor e fundador da empresa RSDiscus Aquários (loja física e virtual, varejista) e ex-criador profissional dos peixes Acará-bandeira e Acará-disco, de 1990 a 2010.