Climatização de estufas de peixes ornamentais com uso de condicionadores de ar

A vantagem do uso do condicionador de ar domestico é seu custo operacional, bem mais baixo que o custo dos aquecedores elétricos ou a gás. O custo com energia dos aquecedores a gás ou elétricos e principalmente desses, é muito mais elevado do que o custo com energia do condicionador de ar. Por ser um transferidor de calor, de um ambiente para outro, ele utiliza a energia elétrica apenas para impulsionar o embolo de seu compressor e movimentar as pás de seu pequeno ventilador. Ele, ao contrario dos aquecedores por resistências elétricas, não transforma energia elétrica em energia térmica. O condicionador de ar, através de expansão e compressão do gás refrigerante, transfere calor de um ambiente externo para um ambiente interno, podendo inverter o ciclo e funcionar de forma inversa. Então, se necessitarmos aquecer a estufa no inverno, ele irá transferir calor de fora para dentro da estufa. No verão, quando necessitarmos refrigerar a estufa, ele procederá de forma inversa, transferindo calor do ambiente interno para o ambiente externo.

A vantagem é evidente em conforto, pois o aquecimento é feito em grandes quantidades de calor, porém a baixa temperatura, o que evita o desconfortável efeito das resistências, que deixam o ar pesado, queimam oxigênio e geram desconforto.

Outra vantagem já foi falada acima e refere-se ao consumo de energia elétrica, muito menor que o consumo das resistências.

Mas nem tudo são flores. A aquisição do condicionador de ar custará muito mais caro. O retorno do investimento, por economia de energia elétrica, no entanto, dependendo do clima e do tamanho e isolação térmica da estufa, poderá acontecer ainda dentro do primeiro ano.

No mercado, existem basicamente, dois tipos de aparelhos. Os chamados “Condicionadores de ar de janela”, e os do tipo ´Split´. Esses últimos, um pouco mais caros, porém mais modernos e eficientes, com instalação bastante simples.

A grande condicionante para utilização dos condicionadores de ar é, no entanto, a temperatura externa esperada para a região. Eles desligam quando a temperatura externa chegar a 4º C. Então, em regiões de clima muito frio, recomendo a instalação de um aquecedor elétrico com termostato, em paralelo com o condicionador de ar. Em caso de desligamento por temperatura extrema, o termostato do aquecedor irá acioná-lo, evitando o esfriamento da estufa.

Uma estufa como a minha, com 12 metros quadrados, fica bem atendida com um aparelho de 9.000 BTU’s e que custa aproximadamente R$ 900,00. Haverá o custo de instalação se for do tipo Split, o que costuma custar mais R$ 400,00. Se puder dispor de um valor mais elevado, poderá optar por um aparelho de 12.000 BTU’s. Lembre no entanto que o tamanho da estufa e sua isolação térmica do ambiente, irá determinar a potência do aparelho.

Deverá ser considerado ao isolar a estufa, que o ar quente sobe e que para aquecer no inverno, com eficiência, a parte superior da mesma (pé direito) deverá ser baixa e bem isolada. Já no verão ocorrerá o contrario, pois o ar frio permanece junto ao piso, exigindo que as paredes, portas e janelas sejam melhor isoladas.

Concluindo, tenho como uma boa alternativa para climatização de estufas, o emprego de aparelhos de condicionamento de ar do tipo doméstico, com ciclo reverso, (quente e frio) independentemente de serem Split ou de janela.

Roberto de Souza Godinho
Criador amador de Betta Splendens em Santa Catarina

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
0,022
0,039
0,073
7,4
22
0,003
0,006
0,011
0,023
0,040
0,074
25
0,004
0,007
0,014
0,028
0,049
0,092
28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.