Riscos à saúde envolvendo aquarismo

Cuidados básicos de segurança ao se manusear um aquário

Geralmente aquários são feitos de vidro, que é um material bem cortante, e acidentes graves podem acontecer. Muito cuidado com bordas trincadas, em especial as tampas, que é uma fonte comum de cortes. No caso da tampa quebrar, bastante atenção também a cacos que possam cair dentro do aquário, pedaços pequenos podem ser bem difíceis de serem vistos dentro da água, com sérios riscos de cortes durante a limpeza do aquário.

Lembre-se também que aquários são pesados, geralmente seu peso (em quilogramas) é um pouco maior do que seu volume em litros (ou seja, um aquário de 50 L pesa um pouco mais do que 50 kg). Nunca tente mover um aquário cheio. Sempre coloque uma placa de algum material macio (como isopor) entre o aquário e o móvel onde ele ficará. E obviamente, aquários precisam ser bem projetados, com vidros de espessura adequada, colas adequadas e travas adequadas.

Outro detalhe óbvio mas importante é o cuidado que se deve tomar com equipamentos elétricos, fios submersos dobrados, corroídos e etc. Lâmpadas também não podem estar em contato com a água, sob risco de estourarem. Este cuidado deve ser redobrado em marinhos, pela corrosão maior que a maresia provoca nos equipamentos emersos perto do aquário. Quando das TPA’s (trocas parciais de água) e outras manutenções dentro do aquário, é mais seguro desligar tudo o que é elétrico. Uma dica interessante é fazer um “loop” com o cabo energético a fim de evitar que a água escorra pelo cabo e atinja algum componente eletrônico ou mesmo a tomada de energia.

Intoxicações

Cuidados básicos devem ser tomados com medicamentos, reagentes químicos e outros produtos do aquário. Cuidado com crianças e animais, que podem inadvertidamente ingerir estes materiais. Outro material bastante tóxico é o metal contido em lâmpadas fluorescentes. No caso de lâmpadas quebradas, bastante atenção com a limpeza no local, e no descarte dos fragmentos. Claro, cuidado também para não se cortar!

Acidentes com animais traumatizantes e venenosos

Vários peixes marinhos possuem ferrões ou mordidas venenosas; os mais conhecidos são o peixe-leão, escorpião e a moréia. Em geral, criadores destas espécies estão cientes deste fato, estando mais bem preparados para lidar com acidentes. Porém, alguns peixes de água doce também são venenosos, fato pouco conhecido pela maioria dos aquaristas. Destaque para arraias de água doce, com um poderoso ferrão na base da cauda; acidentes mais graves envolvendo aquários de água doce são atribuídas a este animal. Outro peixe que poucos sabem ser venenoso é o mandi (peixe-gato da família Pimelodidae), com ferrões venenosos na nadadeira dorsal. O veneno é bem menos poderoso do que o da arraia, mas leva a quadros bastante dolorosos.

Todos estes acidentes com animais venenosos devem ser imediatamente tratados com água quente, mergulhando o local acometido em água quente, numa temperatura alta mas suportável. O veneno destes peixes é termolábil, e esta conduta imediata é fundamental. A procura por um serviço hospitalar logo após também é mandatória.

Além do mandi, todos os demais peixes-gato possuem espinhos nas nadadeiras, e podem causar ferimentos se manuseados sem o devido cuidado. Outros peixes que também tem mecanismos de defesa na forma de espinhos são as Bótias de água doce (abaixo dos olhos) e tangs marinhos (lâminas na base do pedúnculo caudal).

Acidentes com ouriços-do-mar podem também acontecer, seus espinhos são quebradiços, e muitas vezes só podem ser retirados em ambiente hospitalar. Outra causa de acidentes são cnidários, como corais e anêmonas, além de alguns vermes marinhos, que podem causar dermatites bem graves. Podem ser controladas por compressas ou imersão do local acometido em água marinha gelada (água doce dispara mais as células urticantes, agravando o quadro). Banhos de vinagre também auxiliam, inativando o veneno.

Obviamente, a manipulação de peixes agressivos, como piranhas, tubarões e traíras deve ser feito com bastante atenção.

Acidentes com Esterilizadores UV

Esterilizadores ultravioleta são utilizados em aquarismo para eliminar agentes em suspensão na água, desde algas verdes a fungos, virus, protozoários e bacilos de algumas doenças que por eles passam. São sistemas baseados em lâmpadas que emitem radiação ultravioleta (UV), que tem uma potente ação germicida. Por isso o termo “filtro” não é correto. A água do aquário circula em um compartimento fechado onde é exposta à radiação esterilizante, mas este local é isolado, impedindo o vazamento desta radiação além de seus limites.

A radiação UV é uma radiação eletromagnética semelhante à luz. Porém, não é visível, seu espectro de onda tem frequência maior do que a da cor violeta (a de maior frequência dentro do espectro visível), daí seu nome. A lâmpada UV destes equipamentos (em geral, de vapor de mercúrio) emite um espectro amplo, que se estende desde a luz visível (numa cor violeta), passando pela luz “negra” e o UV propriamente dito. Isto quer dizer que se você olhasse para a lâmpada acesa (por favor, não faça isso!), ela teria uma cor violeta, mas o UV emitido não seria perceptível.

Estes aparelhos são hermeticamente fechados, não permitindo vazamento da radiação. Esterilizadores de boa qualidade possuem uma trava de segurança; quando aberto um circuito é desarmado, interrompendo a corrente e apagando a lâmpada. Geralmente, quando ocorrem acidentes, são com sistemas feitos em casa (também chamados de DIY, sigla de Do It Yourself ou Faça Você Mesmo), quando algum desavisado liga a lâmpada sem proteção, ou um esterilizador mal feito, sem um isolamento adequado.

Vale lembrar também que a energia irradiada é imediatamente absorvida, não havendo radiação residual na água esterilizada. Da mesma forma, a lâmpada desligada não oferece perigo algum.

Os efeitos agudos da radiação UV são nos olhos e na pele. Nos olhos, a manifestação mais comum é uma inflamação dolorosa na córnea e conjuntiva (fotoqueratite), cujo efeito não é imediato, surgindo de 6 a 12 horas após a exposição. Há cura espontânea em 48 horas, sem deixar seqüelas. Existem várias outras lesões graves já bem documentadas em casos de exposição crônica ao UV, como catarata e lesão de retina. Há pouca literatura envolvendo exposições agudas, mas certamente um risco teórico existe. Os efeitos na pele são mais extensos, mas o risco de lesões graves é menor. Inclui um quadro de eritema idêntico à queimadura solar, que surge cerca de 24 horas após a exposição. Há vermelhidão, calor, dor e sensibilidade no local. É um quadro auto-limitado, regride espontaneamente sem agravos. Existe também um risco teórico significativo de aumento na incidência de câncer de pele.

Apesar da maioria dos efeitos da exposição aguda ao UV serem auto-limitados, é prudente procurar auxílio médico imediato se houver algum acidente.

Em resumo, esterilizadores UV são aparelhos que utilizam radiação de alta energia, com potenciais riscos à saúde humana, dependendo da dose e forma de exposição. Precisam ser manuseados com bastante cuidado, especialmente os DIY, e os riscos precisam ser bem conhecidos por nós aquaristas.

Amianto e caixas d´água

O amianto (também conhecido como asbesto) é um mineral fibroso, que tinha vasta utilização na indústria pelas suas propriedades físicas, uma excepcional resistência ao fogo e corrosão, isolamento acústico, além de ser leve e com baixo custo de produção. Foi muito utilizada na confecção de caixas d´água, telhas, pastilhas de freios de automóveis, roupas de segurança contra fogo, etc.

Infelizmente, a inalação de fibras de amianto é extremamente perigosa, devido ao maior risco de desenvolvimento futuro de câncer (pulmão e pleura), além de outras doenças graves, como fibrose pulmonar. Uma vez aspiradas, as fibras microscópicas de amianto são retidas no pulmão, e nunca mais eliminadas. A ingestão é outra via de contaminação. Causam um processo de agressão contínua aos tecidos locais, que em longo prazo leva ao desenvolvimento de tumores. O risco muitas vezes é negligenciado pelo fato de o câncer se desenvolver após um período longo após a exposição, podendo ter uma latência de até 40 anos.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da OMS classifica o amianto no grupo 1 (mais grave) dos 75 agentes reconhecidamente cancerígenos para os seres humanos. Acredita-se que a incidência de câncer de pulmão em trabalhadores com exposição ocupacional seja 10 vezes maior do que na população geral. Sua ação potencializa a carcinogênese do cigarro, com risco 90 vezes maior do que o da população.

O amianto já foi banido em 52 países, entre eles nossos vizinhos, Chile, Argentina e Uruguai. No Brasil, sua utilização ainda é permitida, com restrições. O Congresso Nacional tem um projeto para que ela diminua progressivamente e seja totalmente abolida.

Para caixas d´água por exemplo, em boa parte o material já foi substituído por outros, como polietileno e fibra de vidro. Ainda se fabricam caixas de fibrocimento, que contém amianto na sua composição, mas em baixa concentração. Porém, caixas d´água antigas descartadas podem ser facilmente adquiridas em demolições e lojas de materiais usados, por preços baixos. E nestes materiais, há alta concentração de fibras de amianto.

Não há risco em consumir a água destas caixas d´água. Se usado como aquário, também não causa problemas para os peixes, somente alcaliniza a água, o que é facilmente solucionado com um verniz, de epoxi ou poliuretano por exemplo.

O problema é quando por algum motivo for necessário serrar ou furar uma destas caixas (por exemplo, para criar uma janela com vidro numa das laterais da caixa), com risco de aspiração do pó. Deve-se sempre usar uma máscara com filtro (pode ser só um filtro mecânico, nem precisa ter carvão). Claro, deve ser feito em local aberto e arejado.

Muito cuidado para descartar o pó também; o ideal é misturar o pó a alguma resina ou cola, para não expor o lixeiro, o vizinho, etc. Lavar bem a roupa que foi usada no procedimento também é essencial, o que deve ser feito imediatamente após o uso e quem a lava deve ser conscientizado do perigo e dos cuidados a tomar. É bom usar luvas pois as farpas de amianto espetam a pele e podem causar irritação, mas pelo menos não causam doenças graves neste local, podendo porém ocasionarem verrugas de asbesto – as fibras se alojam na pele e são envolvidas por esta, produzindo crescimentos benignos parecidos a calos.

Infecções

Aquela água cristalina do seu aquário na realidade é uma sopa fervilhante de vida invisível. Isto é ótimo para a saúde do seu aquário, mas pode carregar uma série de patógenos que podem causar doenças em seres humanos.

O germe mais comum é o Staphylococcus, mas agentes mais agressivos já foram identificados em aquários domésticos, como Pseudomonas e Clostridium, estes últimos agentes da Gangrena gasosa e do Tétano.

Sempre que houver contato com a água do aquário, cuidados básicos devem ser tomados, lavando-se as mãos com água e sabão. Muito cuidado também com as TPA’s… quem já não engoliu um pouco de água ao aspirar a água com uma mangueira?

A atenção deve ser redobrada em aquários com répteis e anfíbios. Estes animais são reservatórios e veículos de Salmonella, um organismo que pode causar infecções digestivas sérias em seres humanos. Outros patógenos preocupantes já foram isolados nestes tanques, como o vibrião da cólera e a Edwardsiella.

Alimentos vivos também devem ser manuseados com cuidado, em especial o Tubifex, que muitas vezes é coletado em esgotos. Não é propriamente uma infecção, mas um relato cada vez mais comum é de alergia a “Bloodworms” (larvas de mosquito quironomídeo), em especial na sua forma congelada.

Como toda infecção, aquelas adquiridas de aquários e peixes também têm sua instalação e gravidade bastante dependentes do grau de imunidade do indivíduo. Portadores de doenças crônicas, de doenças imunodepressoras ou em uso de medicamentos que deprimem o sistema imune devem ter bastante cuidado ao manusear o aquário.

Tuberculose píscea

Esta doença afeta peixes, anfíbios e outros animais aquáticos, mas pode também acometer seres humanos. O Mycobacterium marinum é um organismo comum, de ampla distribuição, encontrado tanto em água doce quanto salgada, apesar do que o nome possa sugerir. Pertence ao mesmo gênero dos agentes causadores de micobacterioses em humanos, como a tuberculose e a hanseníase.

A doença em humanos é bastante rara, com uma incidência estimada entre 0,04 a 0,27 casos/ano por 100.000 habitantes (estatística francesa e norte-americana). Somente como comparação, a incidência de casos novos detectados de tuberculose no Brasil é de 37,12 casos/ano por 100.000 habitantes (2008). Entretanto, é uma doença importante, por ser de difícil diagnóstico, fundamental para um tratamento correto.

Esta doença já é conhecida desde 1939. No início foi relatada em usuários de piscinas públicas. Atualmente esta forma é bem rara devido ao uso de Cloro. Hoje, é uma doença tipicamente associada a pessoas que manipulam aquários ornamentais, daí os nomes populares “granuloma do aquário”, “doença do manipulador de peixes”, e “síndrome do dedo do criador de peixes”.

A infecção se dá durante a manutenção do tanque, com entrada do germe através de um corte na pele (um machucado nas mãos dentro da água, ou um ferimento pré-existente, muitas vezes imperceptível). Geralmente o germe é rapidamente eliminado pelo sistema imune, mas pode evoluir para doença, semanas a meses após a exposição.

Por ser um micro-organismo adaptado a animais de sangue frio, não se desenvolve bem a 37°C (temperatura corpórea humana). Assim, quando ocorre doença, em geral ela é restrita à pele. Inicialmente se forma uma pequena nodulação avermelhada próxima ao local de inoculação. Esta lesão tem crescimento lento; pode também haver saída de um material purulento, mas em pequena quantidade. O aspecto lembra bastante uma pequena “espinha”, mas com pouca reação inflamatória (dor, calor e vermelhidão) no local. Em alguns casos, pode haver uma extensão pelo sistema linfático, dando um aspecto bem típico, com a formação de lesões superficiais enfileiradas ao longo do antebraço e braço.

Esta forma superficial é a mais comum. Raramente, esta infecção pode acometer planos mais profundos, envolvendo tendões, estruturas articulares e até ossos. Muitas vezes isto é precipitado por um tratamento errado no local com corticóides. Finalmente, existe uma forma bastante rara, com infecção disseminada e quase todos os casos descritos foram em pessoas com o sistema imune debilitado, como indivíduos que receberam transplantes.

O diagnóstico é feito pela identificação do germe no material colhido nos locais acometidos. Pode haver cura espontânea, mas geralmente é necessário um tratamento longo com antibióticos, com duração de alguns meses. Em alguns casos pode ser necessária também uma limpeza cirúrgica dos tecidos envolvidos.

Apesar de ser uma doença bem incomum, é uma condição que precisa ser conhecida por todos os aquaristas. Pela sua raridade, a maioria dos médicos não conhece esta doença. Seus sinais e sintomas são inespecíficos, o quadro é arrastado. Não são raros relatos de pacientes consultando vários profissionais sem um diagnóstico correto, retardando ainda mais o tratamento. Ou tratamentos inadequados, agravando o quadro. Desta forma, é fundamental a conscientização de todos nós, aquaristas, que em última análise representamos o “grupo de risco”, potenciais vítimas desta doença. Fornecer a informação da presença de aquários domésticos é fundamental no momento da consulta médica. Cuidados básicos de higiene também fazem toda a diferença: lavar bem as mãos após a manipulação rotineira do aquário, cuidados com ferimentos nas mãos, especialmente em tanques com peixes com suspeita de doença são recomendações básicas.

A idéia deste texto não é instaurar caos e pânico entre aquaristas. É uma doença bem rara, tratável, mas cujo diagnóstico é bem difícil pelas razões acima expostas. Aqui, a informação é a arma mais poderosa.

Walther Ishikawa
wishikawa@nethall.com.br

Obs.: Material publicado originalmente no fórum AquaHobby

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Condicionadores de água

Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários. Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.

Ele tinha razão. Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.

Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário. A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente.

Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes.

Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador. Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.

A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados.

Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”. Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.

Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.

Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo. Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.

Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.

Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.

Clarificantes

Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.

Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros. Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.

Aclimatadores

Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.

Prorrogadores de trocas parciais

Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.

Controladores de Amônia

O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar… Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio – NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.

Sérgio Gomes
Artigo publicado originalmente na Revista AquaMagazine nº 04 (2008) – Reprodução autorizada.

A temperatura na criação de peixes ornamentais

Alguns detalhes, na criação de peixes ornamentais podem fazer muita diferença. Quantidade e qualidade do alimento fornecido, qualidade da água, parâmetros da água entre outras coisas. A temperatura, por exemplo, também acaba fazendo total diferença (Fahrenheit/Celsius).

Para tornar mais fácil o entendimento do propósito deste texto, vamos por exemplo tomar como referência o Guppy (Poecilia reticulata) [Nota do editor: O mesmo raciocínio, com as devidas adaptações de manejo específicas para a espécie, se aplica ao Betta splendens]. Sabemos que a faixa de temperatura para o guppy, preferencialmente, deva estar entre os 22 até os 30 ºC. Embora eles possam ultrapassar estes extremos, mas daí já não seria mais o ideal.

Se o guppy suporta perfeitamente uma faixa de temperatura bastante extensa, qual seria a temperatura mais adequada a ser utilizada?

Vamos então analisar as questões que envolvem a manutenção de peixes em temperaturas mais altas bem como em temperaturas mais baixas.

Neste primeiro caso, estariamos mantendo nossos peixes em temperaturas mais próximas ao limite máximo. Isso pode trazer alguns benefícios mas na minha opinião não traz muita vantagem.

Os peixes sendo mantidos em temperaturas mais altas tendem a comer mais, acabam crescendo mais rápido e por conseqüência morrem mais rápido também. Dependendo do tipo de criação, ainda mais quando se trata de guppies, as temperaturas mais altas podem ser excelentes para obter de forma rápida aqueles resultados tão esperados. Ver aquele alevino crescendo rápido e mostrando sua beleza tão cedo que possível pode ser uma brilhante idéia, mas por outro lado, para a saúde do peixe não é nada interessante.

Imagine que, você sempre mantenha a temperatura quase no limite e por um acaso ocorre algum problema de doença onde uma solução ideal seria o aumento da temperatura. E agora? Aumentar o que se já esta no limite?

Já a manutenção de peixes em temperaturas mais baixas tendem a resultar em um crescimento mais lento porém com a diferença de serem mais saudáveis, as células serão resistentes aos radicais livres e as portas de entrada das doenças estarão fechadas, as crias serão menores porém com melhor qualidade.

Esse é o preço que você pagará nesta circunstância. Pois a doença será mais resistente ao tratamento e você não terá como elevar muito a temperatura junto com o remédio que irá curá-lo.

Um outro detalhe que pode acabar passando por despercebido é a questão das trocas de água (TTA e/ou TPA). Imagine que a temperatura da água do aquário esteja por volta dos 39 ºC. Neste caso, para as trocas de água será necessário a utilização de uma água nova com a mesma temperatura ou levemente mais quente. Assim se a temperatura da água do aquário for bem mais amena, será muito mais fácil realizar esta tarefa e os peixes não sentirão nenhum choque térmico. Aliás, muito ao contrário, ao fornecer uma água levemente mais quente eles ficarão até mais ativos e não haverá o risco de problemas.

Uma sugestão bastante interessante consiste em manter a temperatura mais alta nos primeiros 30 dias de vida dos alevinos. Isso acelera o metabolismo fazendo com que tenham um crescimento mais rápido. Passada esta fase, você poderá diminuir de forma gradativa a temperatura com o propósito de retardar o processo de crescimento e envelhecimento. A manutenção dos peixes em temperaturas mais baixas não tem efeito nocivo sobre estes. Apenas iremos reduzir o metabolismo destes e proporcionar uma vida mais longa.

Outra sugestão é a de aumentar a temperatura do aquário que esteja servindo de maternidade. Assim você poderá diminuir o tempo de gestação da fêmea.

Uma das mais importantes questões em relação a manutenção de peixes em temperaturas mais altas que muitas vezes acaba sendo esquecida é em relação a quantidade de oxigênio dissolvido. Quanto mais quente a água menos oxigênio ela contém. Dependendo do caso, faz-se até necessário oxigenação auxiliar, de preferência com o uso de pedra porosa bem fina. Lembre-se que a disponibilidade de oxigênio dissolvido regula o apetite dos peixes.

A temperatura interfere em outros parâmetros como a salinidade, o pH, oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos ou substâncias, etc.

Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura.

Para finalizar, veja abaixo a tabela de leitura para amônia tóxica (parcial) e observe que o resultado sofre influência de acordo com a temperatura.

Tabela de leitura do teor de NH (Amônia Tóxica)
pH
Temp. °C
Concentração de Amônia
Total em ppm
0,25
0,50
1,00
2,00
3,50
6,50
6,6
22
0,001
0,001
0,002
0,004
0,006
0,012
25
0,001
0,001
0,002
0,005
0,008
0,014
28
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
6,8
22
0,001
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
25
0,001
0,002
0,004
0,007
0,013
0,023
28
0,001
0,002
0,005
0,009
0,016
0,029
7,0
22
0,001
0,003
0,005
0,009
0,016
0,029
25
0,001
0,003
0,006
0,011
0,020
0,037
28
0,002
0,003
0,007
0,014
0,025
0,044
7,2
22
0,002
0,004
0,007
0,014
0,025
0,047
25
0,002
0,004
0,009
0,018
0,032
0,059
28
0,003
0,006
0,011
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7,4
22
0,003
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25
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28
0,004
0,009
0,017
0,034
0,060
0,112

 

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

Cuidados básicos com a água do seu Betta

Artigo publicado originalmente no blog Aquarismo Ornamental, em 15/07/2011 – Reprodução autorizada.

Quantos que nunca ouviram falar que o Betta é um dos peixinhos mais resistentes? Que pode viver perfeitamente em qualquer vidro de maionese?

Pois não é bem assim. O Betta suporta com facilidade uma ampla gama de condições da água, mas alguns fatores são de importância fundamental.

Não deve haver compostos de cloro ou cloramina dissolvidos na água. Claro, não deve haver metais tóxicos, produtos químicos nocivos ou venenos, como os pesticidas, presentes.

O pH deve estar próximo ao neutro (pH 7). Este é, para começar um dos fatores ignorados por muitos iniciantes ou inexperientes com o Betta.

Alguns até acabam colocando seus Bettas em água mineral. Um grande erro, pois nem sempre a água mineral parâmetros adequados para este peixe. Prefira usar água comum mesmo, mas conheça alguns parâmetros desta como por exemplo o pH e se tem ou não a presença de cloro. Para isso, basta adquirir em lojas do ramo, alguns testes que podem lhe trazer estas informações.

Se você usar plantas vivas com seus Bettas fique atento a sinais de parasitas. Da mesma forma, com o uso de plantas naturais você provavelmente precisará usar iluminação artificial, neste caso é necessário tomar o cuidado para o tempo em que a luz ficará ligada, para não haver formação de algas verdes. Caso for necessário, utilize um temporizador.

A maioria dos sistemas públicos de água fornece água de boa qualidade, exceto para o cloro dissolvido ou cloraminas*. Estes produtos químicos são usados para controlar as bactérias e devem ser neutralizados antes de usar. Envelhecimento da água por 24 horas irá remover o cloro, mas não removerá cloraminas. Estes compostos dissolvidos vai matar o seu Betta em poucas horas. Há muitos produtos disponíveis em lojas de animais que são fabricados especificamente para resolver este problema.

Para a remoção do cloro, proveniente da rede de abastecimento, coloque a água em um vasilhame (aberto) para descansar por 24 à 48 horas, tempo suficiente para o cloro evaporar. Ou então, como já mencionado use um bom anti-cloro.

Freqüentemente você poderá adicionar, após a troca de água, um pouco de sal (grosso comum ou marinho) no aquário para efetuar a profilaxia. Use a proporção de 1 a 3 g por litro de água.

Um dos grandes segredos para manter seu Betta saudável é a qualidade da água. Portanto, você poderá se utilizar de filtro químico/biológico ou conforme o caso efetuar com freqüência as TPAs (Trocas Parciais de Água) ou TTA (Troca Total de Água). Mas lembre-se, se for usar filtros, procure aqueles que causam pouca agitação da água.

O uso de produtos químicos tais como detergentes e outros devem ser evitados. Para a limpeza, prefira usar uma esponja que deverá ser reservada somente para esta finalidade com a própria água do aquário. Como alternativa, você também poderá usar uma solução de água com sal ou bicarbonato de sódio, ou então o permanganato de potássio.

Lembre-se, a boa qualidade da água é tão essencial ao seu Betta quanto o ar que respiramos! Evite alimentação em excesso para a própria saúde do seu peixe bem como para garantir a menor quantidade de fezes dentro do aquário que acabará causando uma elevação de amônia que é altamente prejudicial para os peixes. Por isso, evite sujeira dentro do aquário, se for necessário, retire esta com um conta-gotas ou pipeta.

Outro ponto bastante importante em relação a água é a temperatura desta que deve ficar entre 25 à 30 ºC. Existem termômetros próprios para aquários sendo vendidos em lojas do ramo. Se necessário, compre um bom termostato para manter a temperatura estável.

John Klaus Kanenberg
Analista de sistemas, aquarista hobbysta desde 2010. Interessado em aquariofilia dulcícola. Mantenedor do Blog Aquarismo Ornamental e owner do Grupo Aquarismo Ornamental.

(*) Existe uma possibilidade remota da água vinda da companhia de abastecimento vir com cloramina como fonte de cloro. Se for o caso, apenas os condicionadores à base de hidroxi-metano sulfinato de sódio ou equivalente devem ser usados. Anti-cloro e água descansada não removem a cloramina, mas a chance da água conter cloramina é bem pequenas (mais comum na Europa). Cabe ao aquarista verificar isto com um simples teste de amônia. Meça a amônia na água. Adicione anti-cloro (não serve condicionador, tem que ser anti-cloro mesmo) e em seguida meça a amônia novamente. Se a amônia subir é porque a água veio com cloramina.

Como escolher um peixe saudável?

Nota do editor: As dicas do autor se aplicam também aos Betta splendens, com as devidas adaptações, pois os exemplares machos desta espécie são expostos em aquários individuais (betteiras) nas lojas de aquarismo.

A hora de irmos às lojas de aquarismo comprar os peixes é, sem sombra de dúvidas, a mais excitante. Depois de meses planejando o aquário, comprando os equipamentos, montando-o perfeitamente e esperando ciclar é a vez de adquirirmos os protagonistas que tanto almejamos. Porém algumas vezes, seja por descuido ou distração, seja por negligência ou falta de conhecimento, acabamos por comprar peixes que estão contaminados com alguma enfermidade, logo o caos acontece: aquele peixinho que estava doente contamina todos os outros que estavam saudáveis e as mortes começam, algumas vezes dizimando toda a população do aquário. Isso acaba desmotivando e até afastando os mais entusiastas desse incrível hobby.

Mas é mais fácil do que se costuma imaginar evitar esses tipos terríveis de problemas, tomando medidas preventivas simples e fáceis. Qualquer um é capaz de tomá-las e caso se tornassem regras obrigatórias, o número de desastres no aquarismo seria reduzido no mínimo em 50%. Essas medidas aplicam-se tanto para aquários que já possuem peixes quanto para os ainda não populados.

A primeira trata-se de um conjunto de pequenas observações a serem feitas visualmente e a segunda da obtenção de um aquário quarentena. Essas duas medidas juntas formam uma barreira 98% segura, confiável e fácil.

Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.
Exposição de peixes ornamentais da Confederação de Criadores de Peixes Ornamentais do Brasil, no Memorial do Cerrado, em Goiás (2017). Imagem meramente ilustrativa.

Para facilitar ainda mais o entendimento, as medidas foram organizadas em vários pontos separados e bem claros:

  • Observe sempre muito bem os peixes nas baterias de aquários de exposição, fique atento e não deixe os detalhes para trás, ele fazem diferença no final;
  • Se você já sabe a espécie de peixe que deseja comprar, vá até o aquário e observe todos os peixes nele contidos, mesmo que não sejam a espécie pretendida, procure por peixes ativos, coloridos, com as nadadeiras abertas, escamas brilhantes, pele lisa, respiração e comportamento normal;
  • Não compre os peixes se eles estiverem com pontos brancos espalhados pelo corpo, manchas brancas, tufos brancos como algodão, feridas/machucados/tufos na boca ou no corpo, nadadeiras roídas, faltando escamas, pequenos vasos sanguíneos dilatados tanto pelo corpo como pelas nadadeiras, com ânus inchado;
  • Não compre o peixe se ele estiver se comportando de forma diferente do habitual, se estiver isolado do grupo e escondido, se estiver com a barriga para dentro (em forma de arco), se estiver com a respiração ofegante (o peixe está sempre na superfície), o peixe estar de barriga para cima ou com ela muito inchada, acima do normal;
  • Não compre o peixe logo que o lojista o trazer da distribuidora, espere uns 2 a 3 dias, pois o estresse da viagem pode disfarçar assim como pode criar algum sintoma que não existe;
  • Uma dica útil é antes de comprar os peixes pedir para o lojista alimentá-los, você consegue descobrir duas coisas importantes de uma só vez: se o peixe não se alimentar pode estar certo de que tem algum problema e se o peixe realmente está comendo a ração (é comum os lojistas indicarem um alimento diferente do habitual, logo quando chega em casa os peixes simplesmente não comem) pois algumas espécies só comem alimentos vivos, por exemplo;
  • Confira a presença de sistema de filtragem, seja individual por aquário ou um grande filtro para a bateria inteira. A exposição mesmo que temporária a amônia, nitrito e nitrato pode enfraquecer os peixes, deixando-os suscetíveis a doenças. Termostato com uma temperatura regulada e fixa também é muito importante;
  • Observe se os aquários são separados por vidros ou por apenas telas furadas, que permitem que a mesma água circule diretamente por todos os aquários. Isso é muito arriscado porque se um adoecer pode transmitir sua moléstia para todos os outros peixes, por estarem em contato com a mesma água;
  • Mesmo que o lojista recomendar, não aplique fungicidas, bactericidas ou parasiticidas na água dos seus peixes, nem como medida preventiva. Isso é muitíssimo perigoso pois pode intoxicar seus animais e também até matá-los;
  • Mantenha sempre que possível um aquário extra que sirva de quarentena, ele não precisa ser muito grande e deve conter sistema de filtragem com perlon e mídias biológicas. Não coloque carvão ativado ou purigem, pois podem absorver possíveis medicamentos. Sempre que comprar um peixe novo, deixe-o neste aquário por um período de 40 até 60 dias, pois existem muitas doenças que só se manifestam após muito tempo do peixe contaminado. E faça isso mesmo que seguido os passos anteriores.

Tenha sempre um aquário de quarentena: ainda é possível transformar esse aquário em hospital, caso algum peixe ainda assim fique doente; em maternidade, caso algum peixe venha a se reproduzir e em depósito de água emergencial caso precise fazer uma TPA urgente ou caso o aquário quebre, por exemplo.

Assimile essas dicas e passe a usá-las no seu dia-a-dia. Isso garantirá um aquário equilibrado e estável, com peixes saudáveis que viverão por muitos e muitos anos, dando a seus criadores inúmeras alegrias.

Um último recado: lembrem-se sempre, é muito melhor prevenir agora do que ter que remediar depois.

Mateus Camboim

Autorização de Publicação Aquaflux
Artigo publicado originalmente no website Aquaflux, em 12/05/2011 – Reprodução autorizada pelos mantenedores do website.

 

A importância das trocas parciais de água (TPA)

Artigo publicado originalmente no website CEA – Centro de Estudos de Aquariofilia, em 05/2011

O sucesso na manutenção de aquários depende de uma série de fatores, mas todos eles acabam apontando para a qualidade da água. Um aquário com mais peixes do que deveria ou com sistema de filtragem insuficiente, em pouco tempo levará sua água a um estado de poluição que poderá comprometer a saúde geral das espécies nele contidas.

Por mais eficiente que seja a filtragem de um aquário, lembre-se que se trata de um sistema fechado. É recomendável realizar trocas parciais de água (de agora em diante chamadas simplesmente de TPA) frequentes para garantir a eliminação de dejetos não processados e repor certos elementos consumidos pelo sistema.

O percentual de água a ser trocada e a frequência com que isto ocorrerá dependerá de uma série de fatores como quantidade de peixes e plantas, quantidade de filtros e mídias filtrantes e a variação de certos parâmetros de sua água, como pH, KH, amônia, nitritos, nitratos, fosfatos, etc. A aferição periódica destes parâmetros é um forte indício da necessidade da TPA.

Quanta água deve ser trocada?

Não existe resposta definitiva para esta pergunta, pois a carga de dejetos pode variar muito de aquário para aquário. Alguns aquaristas experientes recomendam trocas mensais de 40% ou quinzenais de 30%. Há os que preferem trocar 20% semanalmente e há até alguns criadores que chegam a trocar 50% diariamente, mas conforme disse antes, cada aquário tem sua história e o dia a dia, aliado ao resultado dos testes é que lhe darão a resposta para o seu caso.

Um outro indício da necessidade das TPAs é a perda de vazão dos filtros. Inspecione periodicamente seus filtros, pois a perda de vazão, provocada por entupimento da filtragem mecânica, diminui a quantidade de água tratada.

É verdade que aquários plantados necessitam menos de TPAs?

Se por um lado plantas são excelentes filtros para a remoção de diversos poluentes da água, aquários plantados também possuem uma carga de nutrientes grande e isto pode, eventualmente, favorecer a proliferação de algas. As TPAs são um aliado contra elas.

Como proceder a TPA?

Dependendo do volume de água a ser trocado, pode ser interessante desligar os filtros para evitar que funcionem sem água e também os termostatos que não devem funcionar parcialmente fora d’água.

 

Sifão em ação.
Sifão em ação.

Normalmente começamos com uma sifonagem do substrato para remover pequenas partículas sólidas que se depositaram nele. Em aquários plantados a camada inerte evita que boa parte dessas partículas penetrem nas camadas inferiores, de modo que uma aspiração superficial costuma ser suficiente. Não se esqueça de lavar bem as mãos antes de começar o processo, pois podemos levar muitas sujeiras indesejadas para nossos aquários.

Em aquários com substratos comuns (sem isolamento) a sujeira particulada penetra no substrato e deve ser sugada. Costuma-se usar um sifão contendo uma espécie de copo na extremidade que permite penetrar no cascalho para uma remoção eficiente da sujeira.

A água removida durante a sifonagem poderá ser coletada em baldes ou outros recipientes e descartada após sua remoção do aquário. Por ser uma água rica em nutrientes, ela pode ser usada para regar plantas, pois certamente é mais nutritiva para elas do que a água da torneira. Aproveite a ocasião para remover o limo que geralmente se forma nos vidros. Existem limpadores magnéticos idealizados exclusivamente para tal propósito, mas uma esponja macia, uma gilete ou até mesmo um cartão velho de banco também poderá ser utilizado.

Como devo limpar meus filtros?

A limpeza dos filtros deve ser feita sempre que se fizer necessária. Conforme descrito anteriormente, sempre que houver entupimento da midia responsável pela filtragem mecânica, esta deverá ser limpa ou substituída. O tempo para isto acontecer varia de aquário para aquário, podendo levar de 7 a 30 dias, dependendo da carga de dejetos produzida. Caso seja usuário de carvão ativo para a filtragem química, lembre-se de sempre anotar quando foi que o substituiu pela última vez. Cada fabricante recomenda sua substituição em tempos diferentes, mas como não é uma mídia muito cara, costumo recomendar sua troca a cada 20 ou no máximo 30 dias.

Com relação às mídias de fixação para a filtragem biológica estas podem ser gentilmente lavadas, quando necessário, em água do próprio aquário apenas para remover depósitos de material particulado. Normalmente, uma limpeza superficial nessas mídias a cada trimestre costuma ser suficiente. É importante que o processo de limpeza dos filtros não dure muitas horas e também que as mídias de sustentação da biologia não fiquem secas. Elas devem aguardar submersas em água do próprio aquário enquanto durar a lavagem interna do filtro.

Cascalho sifonado, vidros sem limo e filtros lavados. Como repor a água?

Embora essa pareça ser a tarefa mais fácil de todas as demais, ela requer alguns cuidados importantes. Muitos aquaristas já perderam peixes após uma reposição de água mal feita.

Primeiramente, a água de reposição deverá estar isenta de cloro. Este pode ser removido de diversas formas, desde aguardar 24 a 48 horas para que seja expulso da água, fazer uso de um anti-cloro ou mesmo um condicionador de água.

Se esta água vier de um poço não será necessário usar o anti-cloro. Todavia, água de poço costuma vir com grande quantidade de CO2 e, se adicionada diretamente ao aquário poderá apresentar variações de pH em um ou dois dias pois o CO2 acidifica a água mas tende a ser expulso com o passar do tempo.

A temperatura desta água deverá ser a mesma da água do aquário. Certifique-se de medir ambas as temperaturas antes da reposição. Caso haja discrepância nos valores, faça os devidos ajustes, aquecendo ou resfriando a água que será reposta.

O pH desta nova água também deve ser igual ou muito próximo do pH da água do aquário. O ajuste poderá ser feito de diversas maneiras. A forma mais rápida (mas nem sempre a mais correta) é simplesmente usar algumas gotas de um acidificante ou um alcalinizante comprado em lojas de aquarismo.

Lembre-se, entretanto que dependendo da reserva alcalina ou do teor de CO2 desta água o efeito desta correção poderá ser provisório. Em alguns casos é interessante usar uma solução tampão para garantir a estabilidade do pH. Existem tampões para “segurar” o pH em diversos valores dependendo das substâncias envolvidas. Essencialmente, uma solução tampão é obtida quando se misturam um ácido fraco e um sal desse ácido (reserva ácida) ou uma base fraca e um sal dessa base (reserva alcalina).

Veja um exemplo de tampão ácido (reserva ácida), mistura de ácido acético (um ácido fraco) e acetato de sódio (um sal do ácido acético):

CH3-COOH <—> CH3-COO + H+ Ionização do ácido acético.

CH3-COONa <—> CH3-COO + Na+ Dissolução do acetato de sódio.

Repare que em ambas as reações existem um íon em comum: o ânion acetato (CH3-COO). Devido a um efeito conhecido como [efeito de íon comum], os acetatos gerados na dissolução do acetato de sódio fazem tal concentração aumentar e, por conta disto, o equilíbrio da primeira equação se desloca para a esquerda (Princípio de Le Chatelier), impedindo que o ácido acético se ionize.

Entretanto, se adicionarmos uma base qualquer nessa água, existirá ácido acético suficiente para neutralizar tal base impedindo o pH de subir. É o ânion acetato, proveniente do acetato de sódio que garante a existência do ácido acético como garantia para manter o pH estável. No exemplo acima, temos um tampão ácido.

Analogamente, podemos ter um tampão envolvendo uma base fraca e seu sal que garantiria a manutenção de um pH alcalino. As lojas de aquarismo também vendem soluções tampão prontas para uso, para diversas faixas de pH.

Uma alternativa mais barata pode ser fazer sua própria solução tampão.

  • Receita de tampão alcalino:

    • Dissolva a maior quantidade possível de bicarbonato de sódio (comprado em farmácias) em água e guarde esta solução saturada para ser usada em cada TPA. Uma ou duas colheres de sopa desta solução poderá ser usada na água de TPA para garantir um pH estável, de 7,0 para cima. Quanto mais bicarbonato for colocado, mais alcalina a água ficará. O dia a dia lhe dirá a quantidade ideal a ser usada.

    • Dentro de seu filtro, coloque um pouco de Aragonita, Calcita ou Dolomita dentro de um pequeno sachê. Essas pedras, à base de CaCO3, formarão o tampão com o bicarbonato de sódio, garantindo a estabilidade do pH.

  • Receita de tampão ácido: 

    • Compre na farmácia ou em loja de produtos químicos o fosfato monoácido e o fosfato diácido de sódio e misture-os nas quantidades desejadas para atingir o pH da tabela abaixo:

      Na2HP4NaH2O4pH
      10%90%5,9
      20%80%6,2
      30%70%6,5
      40%60%6,6
      50%50%6,8
      60%40%7,0
      70%30%7,2
      80%20%7,4
      90%10%7,6

    • Feita a mistura das substâncias, coloque 1g da mistura para cada 50 litros de água em seu aquário para manter o pH estável naquele valor da tabela.

      Exemplo: digamos que deseje manter o pH de seu aquário estável em 6,6. Nesse caso então misture 40% em peso de fosfato monoácido com 60% de fosfato diácido de sódio – algo como 40g do primeiro com 60g do segundo. Guarde os 100g obtidos para usar nas TPAs.

Temperatura e pH ajustados. Posso despejar a água agora?

Pode

Bomba submersa dentro do balde, conectada a uma mangueira, leva água para o aquário.
Bomba submersa dentro do balde, conectada a uma
mangueira, leva água para o aquário.

, mas faça isso lentamente. Não despeje os baldes de água de uma vez em seu aquário! Isso pode não só estressar seus peixes como também provocar um choque osmótico, já que a quantidade de sais dissolvidos na água de aquário e na água do balde não são as mesmas, nem em qualidade, nem em quantidade.

Aqui em casa, costumo colocar uma bomba submersa dentro de um balde conectada a uma mangueira e esta leva a água para o aquário. O processo leva alguns minutos para esvaziar o balde:

Uma vez cheio, o processo de manutenção do aquário poderá ser dado como encerrado, mas não se esqueça de aferir os parâmetros físico-químicos da água periodicamente, para ter certeza de uma água sempre apropriada para seus peixes.

 

Marcos Mataratzis
Químico, Professor de Química e Aquarista (especialista na manutenção de Botias). Administrador do fórum Vitória Reef e Consultor do CEA – Centro de Estudos de Aquariofilia, para assuntos relacionados à química da água do aquário.